Te encontro na próxima ilha
1 Único
Notas iniciais
Sofria de males do irrecuperável amor platônico. O peito doía sempre que via algo que remetesse a mera lembrança do ser inalcançável a quem dedicava seu doce amor. E as vezes sorria lembrando do sorriso fácil e das palavras sem nexo que as vezes ouvia. Ah, sentir este tipo de coisa não era fados de uma imperatriz, mas ela ainda assim devaneada de puro amor.
E se perguntava o porque de não ser correspondida, de ele não cair a seus pés implorando-a beijá-los com dedicada adoração. Bem, ela certamente iria o ignorar se assim fosse. Mordeu seu lábio volumoso e suspirou para o céu azul e puro de Shinsekai. Até as nuvens se moviam a formar-se a silhueta de Monkey D. Luffy.
Ele certamente estaria cantarolando com sua tripulação enquanto segurava um generoso pedaço de carne em ambas as mãos. Suspirou. E de rompante veio a imagem das duas mulheres que enegreciam o vasto céu azul de seus sentimentos. Rangeu os dentes com a imagem que sua mente formou. Seu Luffy abraçado as duas mulheres arrogantes.
Hancock se levantou de seu trono vivo que era Salomé e andou até a proa de seu navio, apertando com força a madeira vermelha e arrancando com os dedos um pedaço. Uma das serpentes a olhou e o pedaço de madeira em sua mão voou até atingir as escamas esverdeadas do animal.
- Cuide de sua vida! – reclamou voltando a olhar para o céu.
Se ao menos ele fosse gentil e a amasse de volta. Desferiu outro golpe a madeira fendendo assim a preciosa pele alva de sua mão. E na ferida haviam alguns fragmentos da madeira confundindo-se com o vermelho de seu sangue. Mas, antes que realmente pudesse sentir a dor, algo no mar a chamou atenção. Ao longe no horizonte a silhueta de um conhecido navio com cabeça de leão se formava.
- Maldição, estou alucinando agora. – disse.
E logo ouviu alguém dizer que o Log Pose apontava para uma ilha próxima. Seu peito encheu de esperança. Talvez a silhueta de cabeça de leão não fosse então uma alucinação e sim o destino sendo gentil e conspirando a favor de sua felicidade. Sorriu. E os sorrisos de Hancock encantariam até os peixes do mar.
A impaciência então tomou conta da Hebihime e o azedume característico afastou até mesmo seu fiel animal. Ao mesmo tempo que podia ser doce ela podia ser amarga e azeda. Era apenas questão de não lhe darem o que queria no tempo em que queria.
- Está demorando muito! – falou com o rosto contorcido.
- Precisamos dar a volta, logo a frente se encontrava uma grande corrente reversiva que nos faria tomar o rumo contrário.
Socou a parede atrás de si e finalmente sentiu a dor do ferimento. E então o olhou por alguns segundos e decidiu-se que era melhor cuidar daquilo agora e ter todo o tempo do mundo para seu querido Luffy depois. Sorriu alegremente ao imaginar ele segurando a mão ferida e beijando sobre o curativo.
Depois de longos períodos de espera e mudanças de seu humor entre uma adorável e uma intragável Hancock eles voltaram a avistar a ilha, porém nada de navio com cabeça de leão.
- Aportem! – ordenou as serpentes e utilizando-as desceu a areia fofa da ilha.
Fechou os olhos e acalmou seu coração, andando com relativa pressa de encontrar o seu amado. E depois de alguns minutos de caminhada na areia conseguiu ouvir a gargalhada espalhafatosa dele. Apressou o passo e o que viu fez seu coração partir. Eles já haviam zarpado.
Seus joelhos cederam ao peso do corpo e foi necessário usar ambas as mãos para não cair completamente na areia úmida.
- ANOOO, HANCOCK! – ela ouviu a voz alegre de Luffy. – TE ENCONTRO NA PRÓXIMA ILHA! —
Ele lhe acenava com ambas as mãos e um largo sorriso no rosto. Levantou-se correndo em direção ao navio e ordenando que todos embarcassem, iriam para a próxima ilha que o Log Pose apontava e finalmente seria feliz com seu amado. Pois desta vez certamente ele a queria, sendo que ele mesmo a convidou.
Pobre Hancock, sempre tão iludida.
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