Te Espero a Ti
6 Capitulo 6
Notas iniciais
— Mas como é que foi?
— Qual foi a parte do "não me lembro" que não percebeste?!
— Foram 8 shots, já te vi beber mais.
— Pois já, mas não deve ter sido de Tequila com certeza. Eu não sei se não entramos em coma alcoólico durante a noite e não demos conta.
— Não acredito nisso. E não acredito que não te lembres de nada. Acho que não queres contar.
— Foda-se Olivia, dava o dedo mindinho para me lembrar. — responde a loira já esgotada com a insistência da amiga.
— Bom... confesso que foi mais fácil do que estava à espera. — responde a espanhola divertida.
— O quê?
— Embebedar-vos para se enrolarem.
— Como assim?
— O quê?
— Ela fez de propósito. — diz Rosa enquanto passa por elas e segue caminho.
— Tu o quê? — Quinn perguntou estupfacta.
— Alguém tinha de ajudar a dar um empurrão nisso. — Quinn abriu a boca para reclamar mas Olivia levantou a mão em gesto de "cala-te". — Não precisas de me agradecer.
—----
— Mas... não percebo...quer dizer... — Ana não sabia como reagir ao que lhe estava a contar Rachel sentada na cadeira do camarim enquanto estava a ser maquilhada pela amiga.
— O quê? Verbaliza.
— Eu percebo que ela seja gira e sexy, mas é uma mulher. Tu não gostas de mulheres.
— Ana, eu gosto de pessoas. Sei lá... a Quinn desperta em mim coisas que eu achava mortas.
— Mas em relação a ela? — perguntou a mulher surpresa.
— Em relação a mim essencialmente.
— Isso não é só curiosidade?
— É curiosidade, mas com ela é diferente. Ela sempre foi... eu não sei explicar. A minha relação com a Quinn sempre foi peculiar.
— Sim, já percebi tudo. Ela era a menina bonita da escola, que te tratava mal e que tu tinhas uma fascinação qualquer por ela porque era popular. Quiseste agradá-la na altura e não conseguiste, e agora gostas da ideia de ela olhar para ti. — a teoria era boa, mas Rachel não a sentia dessa forma. A sua relação com Quinn era muito mais do que isso. Rachel esteve nos momentos fundamentais da vida dela, e ela acabou por estar nos seus também. Além disso, a filha de Quinn estava a ocupar o lugar dela na vida da sua mãe biológica. Aquela ligação com a loira não era tão superficial como Ana estava a descrever.
—x-
Ao fim da noite Rachel chega ao bar e Quinn está lá sentada, num dos sofás, a falar ao telefone com alguém do trabalho. A morena dá-lhe um beijo na face contrária à que ela tem o telefone encostado, e senta-se ao lado dela com uma postura direita como se tivesse engolido qualquer coisa. A sua expressão é triste e Quinn percebe. Sem que a loira esteja à espera, Rachel descai no sofá e entrelaça o seu braço com o dela deitando a cabeça no seu ombro. Quinn despacha o telefonema como pode, de modo a que possa concentrar-se na morena que a estava a começar a preocupar com o semblante depressivo.
— O que é que aconteceu? — diz Quinn enquanto lhe levanta o queixo.
— Nada. — responde Rachel cansada.
— Conta lá...
— A sério, não aconteceu nada. Só estou um bocadinho deprimida. — disse ela carinhosa.
— Aconteceu há 10 anos, não é?! — perguntou Quinn com cuidado. Rachel olhou para ela surpreendida e disse que sim com a cabeça. — Lembrei-me hoje de manhã.
— O Kurt ligou-me.
— Ligou-te a lembrar-te? — perguntou Quinn em tom sarcástico mas depreciativo.
— Ligou-me porque é um dia dificil lá em casa. E confesso que se não me tivesse ligado... — não continuou porque respirou fundo.
— Sim, entendo. — diz a loira enquanto a puxa para a abraçar de lado. — Com o passar dos anos é normal que não te lembres, eles vão recordar sempre o Finn lá em casa, porque afinal a Carole é mãe dele. Uma mãe até ao fim da vida não se esquece.
— O Finn foi importante para mim, também era normal que eu me lembrasse. Tu lembraste-te. — disse Rachel tranquila.
— Rach, eu lembrei-me por acaso. O ano passado, por exemplo, não me lembrei.
— Meninas, um shot de Tequila para cada? — pergunta Rosa enquanto passa pela mesa com um sorriso malandro. Ambas reviram os olhos e respondem que não.
— Para a próxima tenho de me lembrar. — diz Rachel para Quinn, porque Rosa tinha seguido caminho.
— Ainda estamos a falar do Finn? -Quinn sorri de lado divertida, e a morena cora enquanto abana a cabeça em negação. — Por este andar temos de marcar na agenda a data. — Rachel olha para ela com uma falsa expressão ofendida.
— Desculpa, mas eu pelo menos não vou esperar que ninguém se case para ter a desculpa! — responde a morena com um sorriso maldoso referindo-se a Quinn e Santana.
— Então qual vai ser a data festiva? — pergunta Quinn entrando na brincadeira. Mas quando percebe o que disse a sua cara passa a séria e Rachel percebe o que lhe passou pela cabeça. Fixam o olhar uma na outra, e desmancham-se a rir.
— Que horror! És a pior! — diz a morena tentando manter a postura. Quinn ri-se de novo. — Mas por respeito ao dia de hoje, vai ser amanhã. — acrescenta Rachel confiante.
— Sim Rachel, faltam 2 horas para amanhã. — responde Quinn descontraída e convencida.
— Eu estava a brincar. — acrescenta Rachel corada, mas como não quer perder a oportuinidade afirma de seguida. — Mas pode ser! Daqui a 2 horas.
— Achas que é preciso alcóol? Embora com moderação desta vez... — pergunta Quinn a rir.
— Uma garrafa de Vodka pode ajudar.
— Daqui a 2 horas passo no armazém a buscar uma.
— Este bar tem mesmo o nome perfeito. — diz Rachel a rir-se mas com alguma vergonha.
—x-
Não souberam bem como foram parar ao apartamento de Quinn, mas estavam ambas paradas uma em frente à outra no quarto ao lado da cama. Rachel estava a desesperar com a falta de capacidade de reacção. Quinn percebeu o seu desespero e sorriu com carinho.
— Relaxa, não temos de continuar com isto se não quiseres.
— Quero! — disse ela muito rápido e corou. — Só não sei o que fazer, e imagino que pareça estupido para ti, mas eu nunca estive com uma mulher. Também sei obviamente que és uma pessoa e por isso há coisas que não são diferentes, aliás até devem... — Rachel começou a falar pelos cotovelos e Quinn riu-se e puxou-a para ela calando-a com um beijo nos lábios. Mas foi um beijo de verdade, não foi um beijinho nem uma amostra de qualquer coisa desconfortável. Foi um beijo arrebatador, que roubou o oxigénio a Rachel. Fogos de artificio tinha dito Finn há uns anos, e de facto confere.
A morena passou os dois braços pelos ombros de Quinn e apertou-a contra ela. A arquitecta deitou-a na cama e olhou para ela a sorrir. Começou uma linha de beijos pela cara, a orelha, o pescoço, os ombros, o peito, e a barriga até que sentiu as mãos de Rachel agarrarem na sua face e parou para olhar para ela. Não sabia descrever se era dúvida ou medo o que viu nos olhos dela, e voltou a subir deixando um beijo molhado nos lábios da morena. Sussurrou baixinho "queres que pare?" e Rachel disse com a cabeça que não. Quinn não parou, só quando ambas estavam já sem forças e com o sono a poder com elas.
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