Te Esperaré

16 Capítulo 16


Notas iniciais
Eu estou com bastante tempo para escrever e postar, mas esse tempo está acabando. Em fevereiro as minhas aulas vão começar, então não vou ter muito tempo para escrever e postar.
Porém, enquanto fevereiro não chega, vou tentar postar um capítulo novo quase todo dia.

Papai, Angie, Olga e Ramalho olhavam para a mulher com uma irritação evidente. Quando me pronunciei, os mesmos, inclusive Jade, direcionaram o olhar para mim.

— Oi, queridinha! Sentiu minha falta? — Ela perguntou com aquela voz irritante.

Lancei um olhar irritado para ela. Como ela se dava ao luxo de aparecer na nossa casa sem mais nem menos, e ainda agir como se nada houvesse acontecido? E ainda por cima, fazer uma pergunta tão ridícula como aquela.

— Pai, o que ela faz aqui? — perguntei para meu pai, que até então estava calado.

Ele também não parecia estar muito feliz com a presença daquela mulher ali. E Angie, muito menos.

— É o que eu estou perguntando desde que ela apareceu aqui em casa. — afirmou ele, lançando um olhar igualmente irritado para Jade.

— Eu só vim fazer uma visitinha! Que mal há nisso?

— Você não é bem vinda nessa casa. — A voz do meu pai permanecia firme e fiquei feliz com isso. Finalmente ele se dera conta de como eram as coisas e finalmente se livrara da ilusão de que Jade era uma boa pessoa.

A lembrança de Matias e eu no cemitério martelava em minha cabeça constantemente. Era óbvio! Ela estava ali por conta dele. Com certeza eles estavam armando alguma enrascada para nós.

— Por que, Germán? Só porque você está com essa magrela não quer dizer que não possamos ser amigos.

— Amigos? Como pode ser tão cínica? — Como ela ainda ousava em falar da Angie? Não aguentei mais e pus-me a falar, já totalmente consumida pela fúria. — Você sempre se interessou apenas pelo dinheiro do meu pai, quis que ele ficasse mal comigo e me mandasse para um colégio interno, sempre armou contra a Angie. Como podemos ser amigos de uma pessoa como você? — Ela lançou um falso olhar inocente para mim, e isso só me deixou mais irritada. Estava cansada de teatrinhos.

— Isso é passado, Vilu! Não podemos esquecer isso?

— Esquecer? Esquecer? — Angie começou a falar pela primeira vez naquela discussão. — Você foi um mal nessa família, só trouxe discórdia e intrigas.

Já bastava todos os problemas que eu tinha, eu não precisava aturar aquilo. Tinha absoluta consciência de que ela era uma ameaça e por mais que fosse altamente ignorante, poderia muito bem fazer da nossa vida um inferno. Porém, se eu ficasse mais um minuto naquela casa, com certeza enlouqueceria.

Fui em direção à porta dos fundos.

— Aonde você vai? — Papai perguntou.

— Para o Studio, não posso ficar mais um minuto aqui.

— Filha, eu não estou do lado da Jade. — Ele parecia confuso.

— Eu sei disso. Só não a suporto mais, e ouvir a voz dela me faz ter dor de cabeça. — afirmei, saindo por fim da cozinha e fechando a porta bruscamente.

Era incrível. Quando enfim eu achei que teria paz e sossego, os problemas aparecem. Era uma enorme bola de neve de problemas e preocupações me deixando cada vez mais louca.

Caminhei pela calçada um pouco distraída, até que ouvi passos altos atrás de mim. Reconheci de imediato o som do salto alto de Jade e me virei para ela, já com uma acusação na ponta da minha língua.

Entretanto, antes que eu tivesse a chance de falar qualquer coisa, ela pôs-se a falar em um tom que até me assustou um pouco.

— Olha aqui, pirralha, não pense que isso vai ficar assim. Eu voltei, e dessa vez eu vou conseguir o que eu quero. — Ela mantinha um semblante sério e um tanto ameaçador.

— Meu pai não vai cair no seu joguinho de novo. — falei tentando aparentar firmeza.

— Não preciso fazer joguinhos para conseguir o que eu quero. — Ela sorriu e passou a andar em um direção contrária à do estúdio.

Bufei.

Que raiva. Que raiva. Que raiva. Eu tinha um ódio profundo daquela mulher. Se antes eu já não ia com a cara dela, imagine agora.

Segui em passos pesados para o Studio, olhando a cada instante para os lados. Estava com a leve paranoia de que ela ou Matias poderiam aparecer a qualquer momento.

Ao chegar, pude ver Gregório na porta. Ele brigava com alguns alunos, e quando me viu lançou um olhar irritado para mim. Ergui as sobrancelhas, sem entender o que estava acontecendo.

— Violetta, você está passando dos limites! — esbravejou.

— Hã? Do que você está falando?

— Está faltando muito às minhas aulas. E quando as comparece, sempre está desatenta ou até sai sem pedir permissão. Olha, você tem um talento sobrenatural, mas não pode agir assim! Não vou tolerar esse comportamento! — Ele falava sem parar e eu tentava ao máximo prestar atenção, mas a imagem de Matias martelava em minha mente e me fazia estremecer.

Sacudi a cabeça tentando colocar os pensamentos no lugar.

— Desculpe, Gregório. Não vai acontecer de novo. — disse-lhe em voz baixa, um tanto envergonhada por ter agido assim.

— É bom mesmo! — Bufou e saiu rapidamente, atraindo vários olhares.

Pude ver Camila e Francesca se aproximando. Tratei de colocar um sorriso amigável e convincente no rosto, embora estivesse me sentindo um caco por dentro. Elas mereciam ao menos um pouco de simpatia, pois ultimamente as havia deixado um tanto de lado.

— Oi, Vilu! — As duas disseram em uníssono.

— Oi, meninas. — Tentei colocar um pouco de animação na voz.

— Por que não veio pra aula ontem? — Fran perguntou.

— Alguns problemas familiares. — falei simplesmente, e não era de todo uma mentira.

— Parece que você está escondendo algo... — comentou Cami.

— Não! Que é isso! Não estou escondendo nada! — Ri de nervoso e percebi que a minha reação havia sido um pouco exagerada. Se elas estavam suspeitando antes, agora suspeitavam ainda mais.

Elas arquearam as sobrancelhas para mim. Porém, antes que elas pudessem começar um interrogatório, Maxi e André se aproximaram de nós.

Maxi era um anjo. Lancei-lhe um olhar de agradecimento, e o mesmo riu, entendendo o que estava acontecendo. Por sorte ele já sabia de tudo e não falaria nada.

Eu adoraria contar para elas o que estava acontecendo, mas não queria trazer os meus problemas para elas. Já me sentia mal por ter compartilhado isso com León e Maxi, não queria envolver mais pessoas nisso.

— E aí, meninas? Como estão? — perguntou com um ar condescendente.

— Bem. — dissemos.

— Vocês podem me deixar um pouco a sós com a Vilu? — perguntou.

Ambas arquearam as sobrancelhas, lançando-nos um olhar duvidoso.

— O que é isso, Maxi? Tá querendo roubar a namorada do León? Fique sabendo que o León é meu melhor amigo e não vou permitir que você faça isso com ele! — André ficara irritado e já começara a dar socos no ar, tentando parecer ameaçador.

Maxi e eu o olhamos de canto, ele era completamente louco.

— Não, André! Eu e a Vilu somos apenas amigos. Só quero falar com elas a respeito de umas... — Ele tentava arranjar uma desculpa, eu tinha certeza disso — Partituras!

— Se são apenas partituras, por que você quer ficar a sós com ela? — perguntou Fran, ainda com uma das sobrancelhas arqueadas.

— Porque é um... Trabalho em dupla! — falei rapidamente. — E devemos manter certo sigilo entre as duplas, para não trazer nenhum problema, não é mesmo, Maxi?

— É claro! — Maxi falava no mesmo tom que eu. Éramos péssimos atores e aquilo era evidente.

— Ninguém passou esse trabalho para a gente. — André comentou. Maldito.

— Lembram-se do grupo especial que o Gregório criou? Ainda está valendo. E ele fez essas duplas. — Maxi era melhor do que eu em criar desculpas do que eu, tinha que admitir. — Agora, se nos dão licença...

— Tudo bem. — Os três disseram completamente desconfiados.

Quando enfim desapareceram de minhas vistas, suspirei de alívio.

— Essa foi por pouco. — pensei alto.

— Foi mesmo. — Maxi concordou. — E aí? Está melhor?

— Quando eu tinha pensando que eu estava ficando melhor, as coisas pioraram. — falei em um tom baixo e derrotado.

— Quer me contar sobre isso agora ou depois? — perguntou.

— Depois.

Ele me abraçou e ficamos assim por algum tempo, até que me lembrei de algo.

— Conseguiu alguma informação sobre a Ludmila?

— Não. Parece até que ela descobriu que estou vigiando ela, pois ela tem me evitado e tem sido muito sigilosa com o que fala.

— Droga! Eu queria achar apenas uma solução para um problema, somente uma! — Grunhi. Aquilo nunca teria fim, teria?

Não entendia o porquê de tanto ódio daquela garota por mim. Nunca fiz nada para ela, apenas revidava as provocações que ela me fazia. Fora isso, mais nada.

León insistia em dizer que era inveja, mas eu duvidava muito disso. Ela era Ludmila Ferro, por que teria inveja de alguém?

— Oi, meu anjo! — León apareceu por trás de nós, de repente.

Quando ele viu o meu semblante preocupado, me abraçou de imediato. Não queria que ele se preocupasse comigo, mas aparentemente era inevitável.

Escutei-o sussurrando algo ininteligível para Maxi, e o mesmo respondeu no mesmo tom. Com certeza estava perguntando como eu estava e o que havia acontecido.

Enfim me desfiz de seu abraço, e ele deu um beijo em minha testa. Após isso, segurou minha mão, me puxando para algum canto.

— Aonde vamos? — perguntei.

— Para a sala de música, você precisa relaxar um pouco.

— Vão lá, vou atrás dos meninos. — Maxi afirmou indo em uma direção contrária à nossa.

Mal percebi que já estávamos dentro da sala de música. León foi para perto de seu fiel escudeiro, o teclado. Eles eram inseparáveis. Ficava radiante ao ver o quanto León ficava feliz quando o tocava.

A felicidade dele me trazia felicidade.

Ele passou a tocar uma melodia conhecida, e logo estava cantando.

No soy ave para volar,
Y en un cuadro no se pintar
No soy poeta escultor.
Tan solo soy lo que soy.

Las estrellas no se leer,
Y la luna no bajare.
No soy el cielo, ni el sol...
Tan solo soy.


Sorri e comecei a cantar junto com ele.

Pero hay cosas que si sé,
Ven aquí y te mostraré.
En tu ojos puedo ver....
Lo puedes lograr, prueba imaginar.

Podemos pintar, colores al alma,
Podemos gritar iee eê
Podemos volar, sin tener alas...
Ser la letra en mi canción,
Y tallarme en tu voz.

— Sente-se melhor? — perguntou, tocando as últimas teclas.

— Sim. Você me conhece bem. — afirmei, dando um sorriso bobo.

Ele esgueirou-se para o meu lado e pôs uma das mãos em meu queixo, puxando-o para mais perto de seu rosto.

Enlacei minhas mãos em seu pescoço e enfim o espaço que ainda restava entre nós se extirpou. Selei meus lábios nos dele, e demos um beijo longo e apaixonado. Sentia-me bem ao fazer aquilo.

Embora estivesse preocupada e aflita com inúmeras coisas, esqueci-me de tudo naquele momento. Sempre era assim. Qualquer problema parecia desaparecer quando eu estava com ele.

Notas finais
Um pouco de Leonetta no final para amainar um pouco a tensão e preocupação na fic, rs. Deixem seus reviews, POR FAVOR! ♥