Te Esperaré
18 Capítulo 18
Notas iniciais
Eu sei que é super chato pedir, mas por favor, façam isso.
Coloquei o bilhete na minha bolsa e a coloquei dentro do armário, como disse que faria. Após isso, o tranquei com a chave e fui para a aula de canto.
Quando cheguei, só Beto estava na sala, algo que eu estranhei muito pois Beto era professor de música e não de canto.
— Cadê a Angie? — perguntei.
— A Angie não pode vir hoje, então vou dar aula no lugar dela. — falou indiferente, estava concentrado em umas partituras.
Claro, se minha avó tinha voltado, então Angie deveria ter tirado o dia de folga para ficar com ela.
Sentei-me e comecei a folhear meu diário, relembrando todos os momentos que citei nele. Alguns me davam nostalgia, outros me davam tristeza. Era um conjunto de emoções.
Aos poucos, a sala foi se enchendo e já estávamos prontos para a aula. Fui para o lado de León, que estava com Broduey e Napo.
A apresentação do trabalho que Angie havia passado há duas semanas teve que ser procrastinada, pois a mesma não estava presente. A aula foi bastante divertida com o Beto, o atrapalhamento e personalidade forte dele deixava tudo bem melhor.
Foi tão bom e descontraído, que pareceu passar em um passe de mágica. Logo a aula estava acabada.
Pra falar a verdade, o dia em si se passou bem rápido, para a minha alegria. Quando finalmente tivemos uma pausa, León e eu fomos para o Restó almoçar.
— Está tão animada. — comentou enquanto comíamos.
— Vou ver minha avó hoje, faz tempo que não a vejo. — Sorri.
— É mesmo?
— Sim. Papai deixou um bilhete no meu armário dizendo para eu me encontrar com ela.
Ele parou de comer no mesmo instante e começou a me encarar com olhos preocupados.
— Tem certeza que foi seu pai? — questionou.
— Certeza eu não tenho. Por quê?
— Não acha isso um pouco suspeito? — perguntou. — Olha Vilu, um monte de gente quer te ver sofrer e você sabe disso. Isso pode ser uma enrascada. Quem sabe não é um plano do tal Matias e da Jade?
— Não, não é. Eles são ignorantes e atrapalhados demais para criar um plano como esse. E além do mais, Angie não veio dar aula hoje. Ela deve ter tirando o dia de folga para ficar com a mãe.
— Deixe-me ver o bilhete. — falou, erguendo uma das mãos.
Peguei-o em minha bolsa e entreguei para ele. Ele leu por alguns segundos e me entregou, ainda mais aflito.
— Não sei não, amor... — O cortei.
— Relaxa, amor. Não é nada. — Afaguei o seu ombro, tranquilizando-o. Achava uma fofura quando ele se preocupava comigo.
— Tudo bem. — falou por fim, desistindo de me alertar.
Voltamos a comer, e quando terminamos, tratei de me levantar.
— Aonde vai? — perguntou, erguendo os olhos para mim.
— Ver minha avó. — Bufei.
— Ah, é mesmo. — Ele se levantou também e segurou os meus ombros. — Violetta, pelo o amor de Deus, cuidado!
— Você é um bobo. — Ri e o abracei.
— Sabe que me preocupo com você, não sabe?
— Claro que sei. — afirmei, desfazendo o abraço e pegando suas mãos. — Às vezes, você se preocupa mais que o meu pai. — Ri e ele ficou emburrado.
— Tenho que me preocupar.
— Bem, agora eu tenho que ir. — falei colocando a alça da bolsa em meu ombro e dando-lhe um beijo de despedida.
Quando saí do Restó, peguei o papel em minha bolsa e chamei um taxi. Indiquei ao motorista o endereço e ele assentiu, colocando o veículo em movimento.
POV León.
Observei minha morena desaparecer de minhas vistas aflito. Estava extremamente preocupado com ela e não podia evitar isso.
Aquilo era bastante suspeito. Eu conhecia o Sr. Germán e sabia que se ele realmente quisesse falar com Violetta, teria vindo pessoalmente ou ligaria para ela. Deixar um bilhete era algo bem difícil de ele fazer.
Tentei me acalmar e pensar que tudo iria ficar bem. Violetta voltaria sã e salva, e me provaria que eu estava errado. Tinha que pensar positivo.
Paguei a conta e voltei para o Studio, tinha que ensaiar com a banda.
André e Broduey estavam arrumando os instrumentos descontraidamente. Era um perigo dar aquela tarefa para o André, mas fiquei calado, sabia que minha alerta de nada adiantaria.
Sentei-me e comecei a rabiscar ideias e trechos para uma música nova em um papel qualquer. Violetta não saia de meus pensamentos em nenhum segundo. Pensei na possibilidade de ligar para ela e perguntar se tudo estava bem, mas sabia que ela me acharia um chato obsessivo. Tinha que confiar um pouco na despreocupação dela, mas não conseguia.
— León, o que você tem? — perguntou Broduey, interrompendo os meus devaneios.
— Eu? Nada.
— Então porque você escreveu a palavra “preocupado” umas dez vezes nessa folha? — falou, gesticulando para a folha de papel.
Olhei para baixo e vi que eu realmente havia feito isso. Estava tão distraído que nem percebi. Amassei a folha e joguei-a no lixo.
— Só estou preocupado. — afirmei.
— Bem, isso eu já percebi. — Revirou os olhos. — Com o quê?
— Com a Violetta.
— É, eu deveria ter imaginado. — Broduey riu e sentou-se ao meu lado. — O que aconteceu?
— Não, é que ela recebeu um bilhete muito suspeito e... — lembrei-me de tinha que relaxar. — Ah, não é nada. Vou ficar bem.
— Mas me fala...
— E aí, pessoal? Vamos ensaiar? — perguntou Napo, entrando na sala e me dando um grande alívio.
Se eu ficasse falando e pensando naquilo o tempo inteiro, ficaria ainda mais nervoso e isso não era bom. Fechei os olhos com força, tentando me concentrar.
— Temos que esperar o Maxi. — disse Broduey, voltando sua atenção para os instrumentos.
Ficamos organizando os instrumentos por um bom tempo e nada do Maxi aparecer. Já estava a ponto de ligar para ele, até que ele entrou a todo vapor na sala e se esbarrando em uma das mesas.
Todos olhamos para ele com uma cara de interrogação. Ele parecia aflito, preocupado, nervoso. Uma junção de tudo o que estava sentindo há vários minutos atrás.
— O que foi? — perguntei, franzindo o cenho.
— León, cadê a Violetta? — Ele quase gritava.
— Foi encontrar a avó. Cara, o que tá acont...
— Não pode ser! — Ele me interrompeu, pondo as mãos na cabeça, ainda mais nervoso. — Temos que ir atrás dela agora!
Broduey, Napo e André olhavam para ele com dúvida. Eu também não estava entendendo nada, mas como se tratava de Violetta, logo toda a minha preocupação voltou.
— Por quê?
— Ela te falou de um bilhete? — perguntou, segurando os meus ombros com força. Ele suava feito um búfalo.
— Sim...
— Ah, meu Deus! Vamos atrás dela, agora! — gritou, puxando para fora da sala às pressas.
— Maxi, o que tá acontecendo? — Também gritei.
— A Naty deixou escapar que a Ludmila deixou um bilhete no armário da Violetta, se passando pelo pai dela. Ela está armando uma enrascada!
— Mas espera aí! — exclamei, parando de correr, fazendo-o parar também. — Achei que a Ludmila só quisesse me separar da Violetta. O que ela pretende levando a Violetta a esse lugar?
— É algo muito mais grave que isso, León. Ludmila está mil vezes mais perigosa. Ela não quer te separar dela, ela quer acabar com a Violetta.
Ao ouvir aqui, meu corpo inteiro ficou entorpecido e o pânico tomou conta de mim.
POV Violetta.
Cheguei ao endereço que havia me sido indicado. Era um enorme e elegante prédio, deveria ser um hotel. Paguei ao taxista e fui. Adentrei o local e recepção era extremamente sofisticada.
A decoração era impressionante e a pintura de uma cor bem chamativa e bonita. Não havia ninguém no balcão. Onde estaria a recepcionista? Dei de ombros e chamei o elevador.
Ele chegou bem rápido. Apertei no botão quatro e as portas se fecharam. A música era extremamente irritante, detesto música de elevador.
As portas se abriram novamente, e então saí, dando graças a Deus por ter me livrado daquela música que me dava dor de cabeça.
O corredor estava vazio. Não tinha porta alguma ali, só um corredor estreito. Andei por ele e quando cheguei ao seu fim, percebi que não tinha nada, era só um espaço vazio e empoeirado. Que estranho. Ele deveria ter anotado o andar errado ou até o endereço em si.
Escutei meu celular tocando. Atendi-o sem nem parar para ver quem era no identificar de chamadas.
— Alô?
— Violetta, cadê você? — León gritava. Tive que afastar o celular do meu ouvido para não ficar surda.
— Estou no endereço que me indicaram. Acho que meu pai anotou errado e...
— Violetta, isso é uma armação!
— Armação? Do que você tá falando? — Franzi o cenho.
— Isso é tudo uma enrascada que a Ludmila armou para você. O Maxi me contou que ouviu a Naty dizer isso. Você precisa sair daí agora! — Ele continuava a gritar e pude escutar a voz de Maxi ao fundo.
— Onde você está? — perguntei, já indo em direção ao elevador.
— Eu e Maxi estamos aqui na recepção do hotel em que você está. Anda, vem logo!
— Estou indo. — Desliguei o telefone e chamei o elevador.
O mesmo chegou rapidamente, adentrei e apertei no botão do térreo. Pra ser sincera, não estava com medo daquilo. Afinal, nada tinha acontecido comigo até aquele momento, o que poderia acontecer agora?
Fiquei encarando a minha própria imagem no espelho e tentando não me irritar com a música irritante do elevador.
De repente, tudo ficou escuro.
Notas finais
Por favor, deixem os lindos reviews e tudo aquilo que vocês já sabem. Adoro vocês ♥
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