Taverna do Dragão
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Boa Leitura.
Em algum lugar do Noroeste de Edros existe uma pequena vila. Uma vila que não é afetada pelas inúmeras guerras entre homens, tauros e orcs que se espalham por todo o continente. Nesse lugar, todos se preocupam apenas em manter tudo calmo e alegre como sempre foi nesse pequeno lar pertencente a pequeninas e alegres criaturas que são chamadas de halflings. Porém, mesmo perto de uma terra de tamanha felicidade e calmaria, a violência pode aparecer. E é lá que nosso herói começa a sua longa jornada.
Por mais pequena que Timberhorn fosse perante todas cidades e vilas dominadas pelo Império, ela agora estava sendo alvo de um ataque brutal que surpreendeu todos aparecendo do sul. Os tauros, meio-touros enormes e fortes, que compõem o outro grande reino rival do Império, eram os atacantes. Com facilidade eles esmagaram a defesa de poucos guardas humanos – e alguns anões – que a tão pouco achavam que os meio-touros estavam bem longe no outro lado do oceano. Os soldados invasores balançavam suas achas em golpes que desmembravam os pequenos soldados do império e até mesmo cidadãos enquanto queimavam as casas de madeira e colocavam as mulheres envolta de seus braços, levando-as para grandes jaulas que eram carregadas por carroças, tudo ao som de berros apavorados de crianças, mulheres e homens.
Em meio ao pânico geral causado pelo massacre, uma figura encapuzada se destaca perante os brutamontes chifrudos. Ele aparecia apenas como um vulto que se esgueirava entre as bestas que não o notavam, pois os que notavam eram perfurados em tamanha rapidez que mal era possível ver a lâmina. Mas, por mais que seus movimentos fossem realizados com perfeição, ele parecia estar concentrado em outra coisa. Seus olhos moviam-se a procura de algo, e sempre que ouvia qualquer sorte de gritos sua cabeça movia-se bruscamente à procura do ser que ô produziu. E esse movimento se tornava exagerado – ao ponto de os olhos arregalarem-se – quando o grito parecia vir de uma mulher. E foi exatamente isso que o colocou em uma terrível situação. Foi quando se distraiu com um grito que uma acha enorme o acertou com força, direto em seu queixo. A força foi tamanha que seu corpo virou-se caindo de costas no chão. Sentiu o ar sair dos pulmões e sentiu a cabeça girar. Quando levou sua mão até seu queixo sentiu dor e viu que estava aberto. Porém, quando voltou a prestar atenção à sua volta, enxergou novamente o meio-touro a meio caminho de um golpe que acertaria sua cabeça novamente e com reflexos dignos de uma criatura esguia como era girou no chão deixando a acha da besta cravar com força na terra, ao lado de sua cabeça. Aproveitando o tempo ganho até o atacante retornar à condição de ataque, tirou a espada longa de sua bainha – presa em seu cinto – e cravou-a no pescoço do tauro, que caiu gorgolejando ao seu lado.
O herói sinta-se exausto. Não por ter se esquivado e cravado a espada no seu adversário, mas sim pela adrenalina de ter sido quase morto. Mas ao olhar em seu redor, sabia que não tinha tempo de nem mesmo um suspiro. À sua volta de estavam quatro meio-touros do qual chamou atenção ao matar o provável colega daquelas bestas. Olhando um pouco mais ao fundo notou que não persistia mais nenhum soldado Imperial, via-se apenas touros vasculhando as casas e capturando mulheres que berravam. Sentiu seu coração apertar.
- Sempre odiei elfos lutando pelo império... – falou um dos chifrudos e então cuspiu no chão.
- Sempre odieo elfos. – Disse outro ao seu lado, dando destaque a palavra.
Só agora o elfo notou que o capuz havia descoberto sua cabeça deixando suas orelhas grandes e pontuas amostra, assim como o cabelo comprido e cor de ouro. Sentiu uma dor aguda em seu queixo e tentou não pensar nisso. Também não pensou em entrar na conversa com os soldados bestiais, afinal, pensava neles apenas como animais inferiores. Sem mais delongas, o elfo movimentou-se para terminar a situação inevitável o mais rápido possível, aproveitando-se de sua única vantagem, a velocidade. Impulsionando-se com seu pé direito jogou-se com a espada brandida na direção do tauro que havia acabado de falar. Com sua rapidez élfica o soldado bestial não conseguiu reagir de maneira diferente senão aceitar a lâmina fria perfurando sua garganta. Olhou em volta e viu os outros três tauros começarem a se mover. Tentou puxar rapidamente a lâmina que estava no pescoço do meio-touro quando viu que um soldado estava perto, mas a espada travou e ô atrasou em um segundo mortal. Viu a acha pelo canto dos olhos vindo pela direita e num último movimento esperançoso conseguiu tirar a lâmina da couraça e bloquear o ataque inimigo, causando um som de metal com metal quando as armas se encontraram.
Mas do próximo ataque era impossível esquivar-se. Sentiu suas costas queimar e rasgar e urrou perante a dor que sentiu. Sentiu sua cabeça girar novamente. Com um golpe de sorte e raiva, o elfo girou rapidamente abandonando seu adversário anterior e com um golpe da direita para a esquerda abriu um corte profundo no estomago da besta que recém atacara, jogando suas entranhas no chão e fazendo-o ajoelhar-se antes de cair morto.
O elfo praguejou quando viu o terceiro tauro chegando cada vez mais perto. Ele não estava acostumado a lutar na linha de frente e evitava fazer isso, principalmente quando seus inimigos tinham o dobro de sua força. Além de tudo, seus ferimentos pareciam sérios. Mas naquele momento o herói sentiu-se sortudo pelo terceiro meio-touro optar pelo ataque com várias maneiras de desvio. O tauro inclinou-se e apontou a cabeça para baixo apontando seus chifres assustadoramente grandes para seu alvo, correndo assim como sua metade selvagem. Ele preparou-se e permaneceu parado, olhando atentamente para a criatura. Notou com o canto dos olhos que o outro tauro começava a rodeá-lo, também pronto para atacar. Esperou. Esperou um pouco mais e então agiu. Quando a besta estava quando o acertando seu corpo girou leve como o vento e contornou a criatura embrabecida, fazendo-o passar reto desconcertado. Ainda aproveitando o momento, lançou lhe um golpe cortando as costas do meio-touro de cima para baixo, fazendo-o urrar de dor e cair cambaleando.
Sorriu apesar dos seus ferimentos, mas só durante um segundo, pois o sorriso foi destruído quando notou que tinha perdido o único tauro restante. Seu coração parou e seus olhos arregalaram-se, até que o elfo achou o que procurara, mas da pior maneira. No mesmo lugar onde havia sido acertado anteriormente sentiu uma dor. Uma dor tão grande que não poderia ser comparada com as outras duas vezes. Sentiu suas costas serem esmagadas e seu corpo ser impulsionado para frente perante a força tremenda aplicada no corpo leve do herói. O seu corpo foi jogado a poucos metros de onde estava e caiu com a face virada para o solo. Tinha total certeza que suas costas estavam quebradas, mas também tinha certeza de que não poderia desistir. Lembrou-se do real motivo de ter ido àquela vila e então juntou todas as suas forças remanescentes para levantar. As costas. O queixo. Tudo doía tanto que mal o deixava raciocinar, mas mesmo assim conseguiu levantador. Lentamente ele olhou ao seu redor e viu todos os inimigos que tinha enfrentado. Viu um tauro com um corte profundo na garganta, virado para cima. Poucos metros dali estava outro no mesmo estado. Ao seu lado, mais um caído em cima de entranhas nojentas. E o último em estado precário se levantava enquanto pingava sangue vivo de suas costas cortada. Pensou que talvez não estivesse tão mal quanto seus adversários, e então olhou para o último de pé. Ele ô encarava com olhos ferozes mostrando os dentes. Não pensou no que fazer depois de mata-lo. Não pensou em mais nada senão mata-lo. Começou a andar em sua direção, ignorando a dor e erguendo sua espada. Começou a aumentar o passo pronto para correr e desferir o golpe final, até que seu corpo chegou no seu limite. Suas pernas fraquejaram e então o elfo caiu de joelhos. Sua visão começou a ficar turva e sua cabeça doer horrores. Não conseguiu pensar em nada quando todas as dores voltaram. Cada vez doía mais. Até que tudo parou. A visão escureceu-se por completo. E então seu corpo caiu por completo em um impacto surdo.
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