Taste of danger - Percabeth

9 Ligações misteriosas na madrugada


Notas iniciais
Hello pequenas mariposas. Sorry, ontem não deu para postar. Não tenho muito tempo hoje então não vou falar muito. Boa leitura ♥

Naquela noite tive sonhos tumultuados.

No meu sonho eu tinha novamente onze anos. Meu pai não estava em casa e eu estava sozinha com Miranda. Era um final de semana e o clima estava quente. Eu estava sentada em uma poltrona estofada de couro, enquanto encarava uma versão mais nova de meu eu interagir com Miranda.

– Onde esta o papai?

Era a primeira vez que ficávamos sozinhas desde que eles haviam se casado. Eu ainda não tinha uma opinião formada de Miranda, mas ela sempre tentava ser amável comigo. Tentei levantar da poltrona para fugir daquela lembrança, mas não pude. Tentei desviar meus olhos ou fechá-los, mas para onde olhava a cena me perseguia. Mesmo que eu fechasse meus olhos eu ainda podia ver.

Miranda me olhou com ódio.

Era o olhar que os assassinos deviam dar para as suas vitimas antes de matá-las. O meu “eu” criança se encolheu no sofá quando percebeu aquilo.

Lágrimas começaram a escorrer dos meus olhos enquanto eu assistia a cena. Eu sabia o que ia acontecer agora. Tentei gritar para que o meu “eu” criança corresse e se escondesse, mas nenhum som saiu. Senti quando onda por onda de histeria dominou meu corpo.

Tentei me levantar da poltrona para ajudar o meu “eu” criança a fugir, mas o simples ato, além de inútil, era desesperador. Eu estava presa aquela cena. O medo tomou conta do meu peito e eu comecei a chorar. Era um choro desesperado, angustiado, quase desequilibrado.

Miranda caminhou de forma lenta até a direção onde meu “eu” criança estava. A expressão dela era doentia e assustou o meu "eu" criança. Sem nenhum motivo aparente, ela voltou a sorrir de forma amável passando a ponta dos seus dedos pela minha bochecha. Então o meu "eu" criança cometeu o grande erro: ele se tranquilizou achando que havia imaginado o olhar frio de Miranda.

Antes mesmo que o meu "eu" criança pudesse reagir, ou até mesmo se defender, o olhar de Miranda ficou mais frio que o gelo no inverno e ela me bateu. O tapa foi tão forte que chegou a deixar as marcas vermelhas dos seus dedos no meu rosto.

Levei minha mão ao meu rosto, surpresa demais para esboçar qualquer reação que fosse. Miranda não parou por ai. Pegou com força nos meus cabelos, puxando até eu sentir como se a raiz do meu cabelo pedisse socorro. Com a mão livre ela me deu outro tapa antes de falar.

– Ele deve ter ido embora! – sob a luz dos abajures o rosto de Miranda era fantasmagórico. — Se eu tivesse uma filha tão insuportável como você também iria embora.

– Você esta mentindo! — as lágrimas corriam miseravelmente pelo rosto do meu "eu" criança e pelo do meu "eu" sentado na poltrona.

Ela puxou mais forte.

– E porque eu mentiria? — Miranda me dava um olhar de psicopata.

– Porque ele me ama! — tentei em meio às lágrimas.

Miranda me deu um olhar cruel.

– Porque ele amaria uma piralha dá qual a mãe abandonou? – ela puxou meu cabelo com mais força me obrigando a ir com a cabeça mais para trás.

– Não é verdade. Não é verdade. – eu tentava dizer em meio a soluços. — Ela não fez isso. Papai me ama!

E então eu disse a coisa errada.

– Papais nos ama. – nos ama, ou seja, minha mãe e eu.

O olhar de Miranda ferveu seu corpo inteiro irradiando raiva. Ela encheu meu rosto e meu corpo de tapas. Quando cansou de me surrar puxou novamente meus cabelos e voltou a falar de forma fria comigo.

– Não seja tola! Seu pai não ama. Não ama nenhuma das duas!

– Não é verdade. – agora o meu “eu” criança chorava alto, tentando dizer aquelas palavras de forma arrastada em meio do choro e de soluços convulsivos.

Miranda deu uma risada cruel me olhando com pena. Avaliei o olhar doente dela e percebi que se ela pudesse teria cuspido na minha cara.

Então ela aproximou o seu rosto mais perto do meu ouvido e falou.

– Nem a sua mãe te quis Annabeth. – ela dizia isso agora de forma calma, fria e calculista. — Ninguém te ama. Você vai morrer sozinha, como uma indigente, em uma vala imunda igual a tua mamãezinha.

Então ela puxou meu cabelo mais forte e me deu outro tapa antes de me soltar. O meu “eu” criança se encolheu no sofá chorando e soluçando enquanto tentava apagar aquelas palavras da cabeça.

Como se quisesse dar a último golpe de misericórdia Miranda se virou na minha direção me lançando outro olhar frio e cruel.

– Guarde minhas palavras Annabeth. Um dia, quando menos esperar, seu pai vai lhe colocar para fora dessa casa. Para fora das nossas vidas...

Para fora de nossas vidas.

Essa frase ficou como um eco na minha cabeça.

Como por uma ironia do destino consegui me levantar da poltrona, mas tudo começou a ficar nublado. A cena começou a se dissolver e o chão parecia lama. Tudo em torno de mim era escuridão. Eu comecei a correr querendo encontrar o meu “eu” criança, mas por mais que eu corresse jamais conseguia sair do lugar. Cai de joelhos no chão lamacento sentindo a minha cabeça girar de tanto chorar. Deixei meu corpo afundar na lama e senti meus olhos se fechando.

Escutei uma última vez, as palavras de Miranda dizendo, para fora de nossas vidas. Só então permiti que a escuridão voltasse a me cobrir.

Percy POV

– Ele nunca sai. — Piper falou para Annabeth.

– Quanto tempo estou apagada? – Annabeth perguntou.

Ambas achavam que eu estava dormindo na poltrona, mas acordei quando ouvi os gritos de Annabeth por causa do possível pesadelo.

Eu quis muito me levantar e perguntar o que estava acontecendo, pegar ela nos meus braços e a aninhar de forma calma e tranquila até que aquele sentimento de medo e angustia fossem embora.

O que me impediu foi Piper. Não queria que ela presenciasse a cena. Eu estava me expondo demais e eu precisava manter uma distancia segura de Annabeth.

– Mais ou menos umas sete horas. – Annabeth arquejou. – Já é de madrugada.

– Sete horas? – ela perguntava sem acreditar.

Tudo ficou em silêncio por um minuto então Piper voltou a falar.

– O que aconteceu na casa de vidro... – tudo ficou em silencio de novo. Um silencio incomodo.

– Eu não sei o que me deu Piper. – Annabeth falou de forma quase inaudível.

– Aquilo significa que decidiu que gosta do Jackson?

Aquela pergunta fez o meu corpo inteiro ficar alerta. Não consegui controlar a minha reação em tempo para que meu corpo não expressasse nenhuma reação. Elas voltaram a ficar quietas e eu podia sentir o olhar delas cravado em mim.

Disfarcei me remexendo na cadeira como se estivesse sonhando. Pareceu funcionar, pois elas continuaram.

– Eu não sei Pipes. – Annabeth falava mais baixo agora. Precisei me concentrar para ouvir direito todas as palavras.

– Eu estou muito confusa. Como eu poderia gostar dele? – aquilo havia doido mais do que deveria.

– Não mandamos no coração Annabeth.

– Você não entende Pipes. – ficou um silencio incomodo de novo antes de Annabeth continuar. – Nos dois... Eu e ele... Nós... Nós nem interagimos. Nós dois mal nos falamos.

– Deve ser... – e então ouvimos batidas na porta. Aquilo me deu raiva porque dependendo de quem estivesse do outro lado aquele assunto que muito me interessava iria morrer.

– Hey, ela acordou. — a voz de Luke era aliviada.

Queria poder abrir meus olhos e mandar ele embora dali. Já devia ser bem tarde da noite o que ele estava fazendo acordado.

– Luke. — Annabeth sussurrou o nome dele com doçura — Quem bom que esta aqui.

Meu coração se agitou. Annabeth nunca falaria comigo daquela forma.

– Eu pretendia ficar no seu quarto, mas o Jackson não deixou.

Escutei Annabeth sorrir fraco. Ela não fez nenhum comentário sobre aquela constatação.

– Como está se sentindo?

– Estou bem.

– Ta mesmo?

– Pode ter certeza.

– Quer algo para comer?

– Quero. – o fato de não poder ver o que se passava ao redor, a reação das pessoas, o que elas faziam, era desesperador.

– Vou trazer. – escutei Piper dizer. Pude notar quando Piper foi até a porta e parou. Tudo ficou em silencio e então ela tornou a falar. – Luke, vem comigo?

Silencio.

– Eu queria ficar um pouco com Annabeth.

Silencio.

– Terá tempo amanhã.

Silencio.

Silencio.

Silencio.

– Por favor. – escutei ela falar. Algo me dizia que Piper desconfiava que eu já estivesse acordado esperando todos saírem para acordar oficialmente.

Teve mais do silencio incomodo e então Luke suspirou e aceitou sair.

Quando o quarto ficou vazio tornei a ficar agitado. Não sabia quando seria o momento ideal para “acordar”. Então meu coração pulou quando ouvi Annabeth me chamar.

– Percy? – a voz de Annabeth era doce. Eu não podia acordar imediatamente. Fiz um esforço grande para continuar “dormindo”.

Tivemos outro momento de silencio incomodo.

Meu corpo se aqueceu quando senti o toque de Annabeth no meu braço. Quase perdi a concentração. Seus dedos fizeram carinho no meu braço e o meu coração pulava.

– Percy? Ta acordado? – me remexi desconfortável na cadeira encenando o meu despertar.

Annabeth agora fazia carinho nos meus cabelos. O carinho era tão gostoso que eu me permiti sonhar com nos dois juntos em algum lugar com água vendo o por do sol.

Deduzi que aquele era o momento certo para eu “acordar”. Quando abri meus olhos, eu encarava os olhos cinzentos de Annabeth. O cabelo loiro dela estava bagunçado, mas ela não parecia se importar. Havia pequenos pontos vermelhos no alto das suas bochechas. Os olhos cinzentos tinham um toque de ternura.

– Oi. – falei baixinho.

– Oi. – Annabeth murmurou.

– Oi. – falei de novo como um retardado. Annabeth sorriu fraco.

– Deve estar desconfortável ai. – ela dizia. – Porque não deita na cama?

Meu corpo reagiu aquele convite.

– Ah... Ok! Desculpe. – falei sem graça. – Eu entendo. Deve estar querendo privacidade.

Annabeth me olhava confusa. Sai às pressas da cadeira caminhando até a porta. Uma parte pequena na minha cabeça sabia que aquilo parecia muito infantil, mas eu fiquei chateado. Como na vez do avião que ela me bateu depois que tentei ajudar ela a acordar. Annabeth me descartava com muita facilidade.

– O que... – Annabeth falava sem entender. – Aonde você vai?

– Dormir na cama. – minha voz soou um pouco ríspida.

Annabeth se empertigou toda antes de dizer.

– Eu me referia a minha cama Percy, mas já que faz questão de ir para a sua. – Annabeth deu de ombros.

Aquilo só podia ser um sonho. Eu não podia estar ouvindo direito! Ela estava me convidando para deitar na cama. Na cama dela?

Olhei atônito pra ela e Annabeth sustentou meu olhar como se me desafiasse a dizer algo. Senti quando minhas pernas se moveram na direção dela e é claro que ai algo aconteceu para impedir aquele momento perfeito. Meu celular tocou.

Dei um pulo com o barulho saindo de uma espécie de transe. Olhei o nome no visor e meu coração congelou. Então olhei para o rosto esperançoso de Annabeth e meu olhar ficou triste. Ela percebeu aquilo e ficou confusa.

– Desculpe, eu preciso atender.

Me virei para sair.

– Você volta? – Annabeth perguntou mesmo sabendo a resposta.

– Claro. – respondi sem olhar para ela. Era mentira é claro. E ela sabia disso. Eu não voltaria. Não depois daquela ligação.

Sai do quarto sentindo o vazio me dominar. O celular havia parado de tocar. Em um momento muito louco pensei que não tocaria mais. Nunca mais. Suspirei quando ouvi a chamada novamente. Respirei fundo pensando no sorriso doce de Annabeth e em como o por do sol ficaria mais lindo refletido nos olhos dela. Só então atendi.

– Minha senhora.

Notas finais
Não deixem de comentar se gostaram ou não. ♥