2 anos depois

“-Custa Pedro, custa meu coração. E suas promessas? A nossa árvore, suas indiretas pra mim, a música, as brincadeira, as brigas. Tudo foi em vão pra você, apenas mais uma página da sua vida? Apenas mais um brinquedo que você fez bom proveito e cansou de brincar?

-Hanna, pelo amor de Deus, ME ESQUECE! – Ele berrou as ultimas palavras fazendo-me chorar mais.

-Tarde demais para esquecer, Pedro Gabriel”

Clima frio e chuvoso, bem típico da cidade de Madrid, como dois anos se passaram tão rápido e ao mesmo tempo tão devagar? Eu realmente queria encontrar uma resposta pra essa pergunta. Mais uma vez, lá estava eu sentada na janela o esperando. Sim, eu ainda estava o esperando, não sei se o que eu estava fazendo era inutil, mas sabe aquilo de “Eu vou espera-lo pra sempre, mesmo sabendo que ele nunca virá?”, então, é basicamente isso.

“-Sabe, desde o momento que eu te conheci, lá no navio, eu já podia sentir alguma coisa diferente por você, e a cada minuto que eu passava ao seu lado essa “coisa diferente” ia aumentando cada vez mais, até eu descobrir que essa “coisa diferente” era simplesmente amor, amor a primeira vista...Hanna, eu estou apaixonado por você!”

A chuva era bem fraca, o que deixava minhas memórias bem fortes, eu nunca consegui esquecer nem um dia que passei com Pedro Gabriel naquela ilha, todos dias eu me lembrava de tudo e tudo me fazia lembrar ele. Daqui a alguns dias eu completaria 18 anos, e como presente a mim mesma, eu iria cumprir todas aquelas promessas, eu estava decidida a ir morar no Brasil, mesmo não gostando daquele pais, eu iria por ele.

- Hanna? Posso entrar? – Era meu pai batendo na porta, depois do que aconteceu a dois ano atrás ele tinha mudado completamente comigo, o que era bom.

-Pode. – falei descendo da janela e sentando na cama.

- Vim aqui pra avisar que comprei sua passagem, tem certeza que quer fazer isso?

-Tenho pai. – Falei depois de um longo suspiro.

-Então, o voo é amanha, o mais perto possível do seu aniversário era aquele, o apartamento já esta mobiliado com as coisas que você escolheu...—Gelei, o voo já era amanha? Ótimo, só assim meus dias de angustia não se prolongariam.

- Já? Ok, vou começar a arrumar minhas coisas. – Falei indo em direção ao guarda-roupas.

-Hanna?

-Sim pai...

-Sentirei saudades... – Sorri e fui abraça-lo, fazia tempo que eu não ouvia algo assim. Acho que nunca ouvi na verdade.

-Também vou sentir pai. – O abracei e dei um beijo em sua bochecha.

- O voo sai as 07:30, esteja pronta. – Ele falou saindo do quarto e me deixando sozinha com meus pensamentos, eu posso dizer que eu realmente estava feliz por ir encontra-lo, na verdade, eu iria procurar por ele, mas quem procura o amor verdadeiro sempre acha, então o acharia, por mais longe que ele estivesse. Liguei o rádio e comecei a arrumar minhas coisas. Guardei tudo o que eu tinha, deixei minhas prateleiras e guarda roupa vazios, quando terminei logo fui descansar, amanha seria um dia bastante agitado, ou não.

Later...

-Tem certeza disso Hanna? Olha, você tem 5 minutos pra voltar atrás! –Meu pai falava angustiado ao ver a hora do voo chegar.

-Já disse que tenho pai, não se preocupe, mandarei noticias.

- Ok.. é que, não sei como vou viver sozinho naquela casa, só isso.

-Arranja uma namorada ué!—Falei sem pensar duas vezes.

-Hanna!

- Que foi?

- Respeito!

-Ta, desculpa!—Naquele momento, a voz daquela mulherzinha irritante ecoou por aquele lugar avisando que o voo estava prestes a sair, meu coração? Estava apertado.- é agora...

-Vou sentir saudades filha..

-Eu também vou pai, amo você.

-Também Te amo. — — Ele falou e fui caminhando ao portão de embarque, não vou negar que eu estava muito nervosa, pensar na possibilidade que eu o veria de novo me fazia sentir diversas coisa, medo, esperança, angustia, principalmente medo, medo de ser rejeitada, ou de já ter sido esquecida. Olhei para a porta do avião e fui andando, sentei em minha poltrona e coloquei os fones de ouvido, precisava pensar em tudo o que eu diria a ele quando o visse, se eu o visse, era uma questão de tempo.

Depois de longas horas dentro daquele avião, finalmente foi anunciado o pouso, eu estava em São Paulo novamente, dessa vez sem volta. Juntei minhas coisas e sai do avião, não demorou muito para que aparecesse um táxi disposto a me levar na nova casa, em questão de minutos eu já esta parada de frente a um prédio enorme, fui pra casa e já fui arrumando tudo o que tinha que arrumar e sentei na varando que havia em meu quarto, fiquei pensando se eu realmente deveria procurar por Pedro, o medo de ser rejeitada gritava em minha mente, mas eu não poderia desistir aquela altura, eu já estava na metade do caminho, desistir agora seria inútil. Bem, amanha mesmo eu começaria a minha “busca”, mas hoje eu queria me divertir, dizem que as São Paulo tem as melhores boates do Brasil, não perdi tempo e fui me arrumar, coloquei a roupa que separei e desci para pegar mais um táxi.

-Me leve para a melhor boate da região, por favor. – Falei com o motorista e ele apenas assentiu, logo chegamos e eu o paguei, não estava tão lotada assim, percebi que no canto da boate havia mesas, e a ultima estava vaga, ótimo, bem distante de todos, mas eu vim aqui pra me divertir não é? Então mudei o caminho e fui direto para a pista de dança, dancei, rebolei e tudo mais. A mesa permanecia vazia, então fui sentar nela. Na mesa da frente tinha um menino forte e Loiro conversando com duas meninas, um Loira e outra de cabelo castanho, o tal Loiro saiu e as duas viraram pra mim na mesma hora com uma expressão de “eu conheço você de algum lugar”, ótimo, mas alguma coisa pra eu não entender, logo as duas se levantaram e caminharam em minha direção, se sentando na minha frente.

-Olá. –elas disseram.

-Er.. oi. –respondi.

-Porque tá ai, tão triste, esse lugar aqui é pra se diverti! – A Loirinha falou fazendo uma dança tanto que estranha.

-É, vem dançar com a gente? – As olhei com uma sobrancelha levantada e permaneci em silencio.

- Ah, desculpe, a gente nem se apresentou, Sou Sophia, prazer. – A loirinha falou sorrindo.

- E sou Tabata.

-Hanna. –Disse friamente, nossa, as meninas estavam sendo tão bacanas comigo e eu as tratando friamente, elas poderiam ser minhas amigas, mas eu sempre estrago tudo.- Então... vocês vem sempre aqui? – Falei na tentativa de puxar assunto.

-Sim, quase todos os fins de semana nós estamos aqui, a gente vem com os...

-Vamos meninas ? – Um moreno alto falou interrompendo Sophia.

-Já Pedro? Ainda está cedo. – Tabata disse dando um selinho no menino. O nome dele fez meu coração acelerar.

-Sim, O Thomas e o Lanza estão esperando a gente pra ir pra festa dos meninos.. ah oi!

-Oi... –Falei para o menino completamente desnorteada. Lanza? Será que era meu Lanza? Ah Hanna, que palhaçada, devem existir várias pessoas com o sobrenome Lanza no mundo.

-Ah Pedro, essa é a Hanna. – Sorri quando Tabata nos apresentou.

-Então Vamos? – As meninas assentiram e nos despedimos, trocamos telefone, redes sociais e panz, decidi voltar pra casa e tentar dormi já que amanha eu iria atrás dele.