Tarde Demais Para Esquecer 2
3 Capítulo 3
Acordei no dia seguinte cedo, com o sol batendo em meu rosto e o barulho do trânsito de São Paulo, Madrid não era muito diferente. Me levantei, fiz minhas higienes e fui tomar café, só que... não tinha nada.
-Hanna, você ta morando sozinha, tem que se virar. –Falei pra mim mesma achando estranho o fato de que nos últimos dias eu tenho falado sozinha. Me arrumei e fui ao mercado, fiz algumas compras e as organizei na cozinha, tomei meu café e fiquei um pouco na internet, pesquisei sobre algumas faculdades, meu pai não iria me mandar dinheiro todo mês pra sempre, eu precisava trabalhar e como sempre quis ser psicóloga, procurei alguma faculdade do tipo, achei muitas, então escolhi uma que era até perto de onde eu estava morando, era apenas um ano de faculdade, era muito boa pelo o que os comentários diziam e não era tão cara, amanha mesmo eu iria me matricular. Olhei no relógio e já faltavam uma hora e meia para a festa na casa de Sophia, ela já havia me mandado a mensagem com o endereço então fui me arrumar, me arrumei bem dessa vez, algo me dizia que eu tinha que estar linda. Peguei minhas coisas e chamei um táxi, não muito tempo depois eu estava de frente a um condomínio gigantesco, o Porteiro interfonou e avisou que eu estava subindo, assim que cheguei toquei a campainha, Sophi demorou um pouco a responder mas logo já se podia ouvir o barulho das trancas senda abertas, quando a porta se abriu eu achei que ia desmaiar, gelei e meu coração saiu pela boca definitivamente, o que.. o que [b]ele[/b] estava fazendo ali ? Ele me observou com os olhos arregalados e eu pude perceber sua respiração falhar.
-Pe... Ped.. Pedro?—Falei o olhando de cima a baixo, eu finalmente o havia encontrado, depois de 2 anos, lá estava ele, na minha frente, do nada ele apareceu, ele estava lindo, havia cortado o cabelo, estava com uma calça vermelha e um blusa gola V preta. Senti meu coração se contorcendo, minha vontade era pular nos braços dele, mas eu não podia fazer aquilo.
-Hanna, o que você ta fazendo aqui?—Ele falou com um tom meio alterado na voz fechando a porta logo atrás dele.
-Eu que te pergunto o que você ta fazendo aqui.
-Eu to na festa com meus amigos, você que apareceu do nada, depois de anos.—Definitivamente, o Pedro Lanza de quem Tabata e Sophia falavam era o meu Pedro. Fiquei assustada com a reação dele.
- E.. eu to... Pedro a gente pode conversar?
-Não Hanna, a gente não pode conversar, eu falei pra você me esquecer, será que você não entendeu?
-E.. eu... eu não...
-Olha, eu tenho namorada ok? Então por favor, não insiste na gente, não quero decepciona-la.
-Mas me decepcionar você quis não é Pedro Gabriel? –Senti que as lágrimas iam cair, mas segurei, eu não podia chorar, não agora.
-Não ia dar certo ok? Achei que eu nunca mais te veria. – Senti mil facas sendo enfiadas no meu coração.
- Pedro, você lembra das promessas que você fez? Porque na hora de fazer é muito fácil não é? Cumprir é a coisa mais difícil do mundo.
-Porque você.. porque você decidiu aparecer depois de dois anos hein? Se você quisesse que desse certo teria me procurado, não esperado uma eternidade pra aparecer do nada na casa da minha amiga.
- Não apareci porque esperei você ir me buscar, você prometeu... lembra?
-Infelizmente lembro, nós dois foi algo que aconteceu e agora pertence a algum lugar do passado.-Eu não esperava que fosse assim, não espera essa reação, essas palavras, eu não esperava nada disso, eu queria abraça-lo, conversar, poder viver tudo aquilo de dois anos atrás, mas parece que ele já tinha encontrado alguém melhor que eu, mais uma promessa que havia sido quebrada.
- O que tá acontecendo aqui? – Uma menina de cabelo ondulado, olhos pouco puxados e linda falou seguida de Sophia.
- Nada Sam, é só uma amiga antiga que eu não via a muito tempo. –Pedro me estapeou com aquelas palavras e deu um selinho na tal “Sam”.
- Eu já estou indo embora, desculpa Sophi. – Virei as costas e desabei em lágrimas, Sophia chamava meu nome e eu pude ouvi-la perguntar o que tinha sido aquilo para Pedro antes de entrar no elevador. Sentei no mesmo e desabei a chorar, porque tinha que ser daquele jeito? Eu vim até aqui por ele, pra salvar o que tínhamos e olha como ela agiu, encontrou outra, esta amando outra, não culpo a menina, afinal ela tem muita sorte, o meu mundo agora pertence a ela, espero que ela o faça tão feliz quanto eu o fiz algum dia, se é que eu o fiz feliz. Eu me sentia horrível, pior que ser rejeitada é ser rejeitada duas vezes e substituída, esquecida. Meus passos eram largos, eu andava batendo nas pessoas, algumas me xingavam, perguntando se eu não olhava por onde andava, eu não enxergava nada, apenas lágrimas, meu coração tinha sido destruído em mil pedaços. Continuei andando e andando até chegar em casa, bati a porta e comecei a chorar, nunca tinha chorado assim antes, não entrava na minha cabeça o porque dele fazer isso comigo, eu o esperei não é? Porque ele não fez o mesmo? Talvez eu fosse ingênua demais, talvez esse lance de destino não existisse, talvez nós não tínhamos sido feitos um para o outro, decidi entrar na internet e por impulso abri o google e digitei “Pedro Gabriel Lanza Reis” , além de destruidor de corações, ele era famoso, ele sempre quis ter uma banda, ele havia me dito isso, agora ele esta feliz, sem mim mas feliz, procurei mais algumas coisas e me interessei por algumas. Joguei o notebook no chão e voltei a chorar, até que finalmente consegui pegar no sono.
Pedro Narrando
Estavamos todos na festinha que a Sophia tinha feito, ela tinha dito que tinha convidado mais uma amiga, quando a campainha tocou tiramos par ou impar pra ver quem iria abrir a porta, e eu perdi. Quando abri a pessoa que eu menos esperava estava lá, Hanna, depois de tantos anos ela estava ali novamente, seu cabelo agora era vermelho bem forte, suas curvas eram mais definidas do que antes, ela continuava linda. Senti vontade de chorar quando a vi, de abraça-la e beija-la pra matar toda aquela saudade, mas eu não podia, eu estava namorando Samantha e aquilo nunca daria certo, talvez porque o tempo que ficamos distantes não ajudou muito, ou talvez não existisse mais amor.
- Pedro? Você conhece a Hanna? – Sophia me perguntou quando já estavam todos na sala, Samantha me olhou não entendendo nada, na verdade, todos me olhavam daquele jeito, eu só tinha entrado no assunto da ilha apenas uma vez, mas nunca entrei em detalhes, mas agora eu me sentia pressionado da na parede e só seria livre se explicasse tudo o que estava acontecendo.
-Lembram quando eu contei aquilo da ilha, a dois anos atrás, no emprego do meu pai e tal? – Falei com a cabeça baixa.
-A Hanna é... –Lucas disse sem completar a frase.
- Sim, a Hanna é a garota que ficou presa comigo.—Todos me observaram confusos, só que o único olha que eu não conseguia decifrar era o de Samantha, eu não posso ter magoado ela. Não mesmo.
- Da pra você explicar direito? – Lucas falou abraçando Jessicka, uma menina que derramou sorvete na blusa dele, desde então, eles ficam mas ta na cara que são completamente apaixonados.
- é, porque você nunca contou ? – Thomas disse voltando da cozinha, típico.
-Ta gente, vou começar! – comecei a contar tudo, os mínimos detalhes possíveis, do primeiro dia, até o ultimo, o primeiro beijo, as briguinhas, as conversas, as declarações, as promessas, a primeira vez e a despedida, a medida que eu ia contando, eu lembrava de mais coisas, Samantha permanecia com aquele olhar, e isso me deixava mal, eu já tinha magoado Hanna e agora m\\Samantha. Todos me olhavam com um certo receio, sem saber o que dizer, menos Tabata e Sophia que se olhavam como se algo se ligasse.
-Bem, alguma vezes enquanto estávamos conversando e eu e a Sophia falavamos seu nome e tal, ela ficava estranha até que um dia ela perguntou como você era.- Falou Tabata.
- Ai a gente falou e ela ficou mais estranha ainda, meio que achando que você era você! – Olhei pra Sophia em entender joguei minha cabeça pra trás suspirando fundo. Isso tinha que acontecer logo agora?
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