Notas iniciais
Oliver Yanks

Talvez o melhor modo de se começar uma história seja com o clássico era uma vez. Entretanto nada comum vale a pena ser dar ao luxo de repassar. Convenhamos, o anormal é sempre o que prevalece. Manhã chuvosa, sem dúvida a pior chuva dês de que o ano começou. Oliver lentamente abriu seus olhos em desgosto ao ouvir o irritante barulho do despertador, havia aquele desprazer nada oculto de ter que levantar e voltar ao colégio. O primeiro dia de aula é sempre o pior, mas talvez isso mude. Levantou-se finalmente, para então seguir a seu iPhone e escolher uma “trilha sonora” para aquela manhã. Olhou-se no espelho, como o de costume, seus cabelos cacheados de porte médio estavam em posições absurdas, era como se um raio houvesse acertado um furacão e o mesmo quisesse vingança. O rapaz não pensou duas vezes, dirigiu-se ao banheiro, onde ligou o chuveiro e vorazmente despiu-se para que pudesse tomar um banho. Não demorou muito para o mesmo terminar, Oliver estava quase atrasado, porém escolher roupas nunca foi um problema. Secou-se com velocidade e vagou até seu quarto novamente, onde trajou-se como o de costume. Uma camiseta preta da banda Fleshgod Apocalypse, calças jeans e um all star preto não muito bem conservado; por cima da camiseta, uma jaqueta jeans, com um pach da banda Pantera cobrindo quase toda as costas. Pegou seu celular e fones de ouvido, colocou os mesmos, e regeu-se até a porta. Seus pais não estavam em casa, haviam viajado, portanto não se importou em arrumar nada para comer, regar as plantas ou coisas desse tipo. Saiu então de casa e olhou para o grande vaso que havia ao lado da porta, havia algo diferente. Um bilhete e uma garrafa de vodca. O bilhete dizia: “Pra ir pra aula do melhor jeito, seu viado.” Oliver riu, sabia exatamente quem havia passado por sua casa tão cedo só para fazer com que o mesmo fosse para a aula alterado. Abriu então a garrafa, e a virou em sua boca com uma golada generosa. Estremeceu um pouco ao perceber que o líquido havia descido com força, então profanou:

– Café da manhã. –

E tomou seu rumo até o colégio.

Estava perto da escadaria quando ouviu o nauseante barulho do sinal, estava atrasado, e isso na verdade nem era tão ruim. Seguiu até as escadarias, onde sentou-se e novamente tomou o líquido na garrafa. “Tenho algum motivo pra subir?” Pensou o rapaz jogado sob o sétimo degrau. Foi como um susto, lembrara que um de seus amigos estava com um CD seu, e por tanto, ele havia sim motivo para entrar. Levantou-se rapidamente e em passos apertados adentrou no colégio. Os corredores vazios simbolizavam que ele estava realmente atrasado, porém isso não importava, seguiu a sala de sociologia, a qual seria sua primeira. Ao visualizar a sala não pensou em bater, basicamente abriu a porta em desespero, interrompendo a fala do professor.

– Desculpa o atraso, eu... Eu estava dormindo. Meus pais viajaram e... – Antes que pudesse terminar de falar, Oliver foi interrompido por Paul, o professor.

– Sente-se, Yanks. – Bradou o professor de sociologia. – Como eu ia dizendo antes de ser rudemente interrompido por Oliver Yanks, como temos alunos novos este ano, quero que cada um de vocês levantem-se, digam seus nomes e falem algo sobre vocês. Certo? Ok, começando por você, Yanks. –

O rapaz não pensou duas vezes, levantou-se, arrumou, colocou as mãos no conforto de seus bolsos e disse:

– Oliver Yanks, sou baterista. –

Não era nada de mais, só uma introdução básica que acontecia todo ano na aula de Paul Joseph. Os alunos foram passando, até que levantou-se uma garota, bonita aos olhos de Oliver, portanto, prestou atenção em seu comentário sobre si mesma.

–Sunny Brooks, cantora e leitora. –

Oliver sorriu e desviou os olhos para seu caderno vazio. “Talvez esse ano seja tão ridículo quanto o de antes.” Pensou. E logo após, mais uma novata, também bonita, levantava-se.

– Kim Miller, eu... – Gaguejou a garota. – Eu gosto de ler, muito. –

Oliver não podia estar mais entediado. Nenhum de seus amigos estava presente naquela aula, por que provavelmente haviam se encontrado pra beber antes do início do ano letivo. Ao pensar nisso lembrou-se que havia esquecido a garrafa de Vodca na escadaria, e sem hesitar bateu em sua mesa e bradou com raiva.

– Merda! –

– O que foi Yanks? – Disse Paul assustado.

– Nada, é que... –

Novamente fora interrompido, só que desta vez, pelo sinal de que a aquela aula havia acabado. Levantou-se então rapidamente e saiu da sala. A caminho de seu armário foi abordado com a frase:

– AÍ SEU BUNDA MOLE! –

Virou para traz com um sorriso no rosto.

– Falou comigo? – Disse Oliver, já sabendo quem havia dito tal frase.

– Não, falei com a puta que te pariu. – Retrucou o outro.

Oliver soltou sua mochila e pulou em cima de quem havia dito tais frases, era Ralf, seu melhor amigo, acompanhado de Kyle e Brendan, seus outros melhores amigos.

– Caralho seus viados, onde vocês estavam? – Disse Oliver em meio a risos.

– Fomos beber, passamos pra te chamar mas você não atendeu a porta. E então eu deixei... –

–Sabia que tinha sido você. –

Os rapazes riram da situação e logo levantaram-se, era a hora de tocar o terror no colégio, já que o “bonde da madrugada” estava junto de novo.

A caminho de seu armário Oliver nota as duas novatas, Sunny e Kim conversando e rindo juntas, o que o fez pensar que talvez fossem amigas já a algum tempo. Não perdeu a oportunidade, dirigiu-se até elas em passos leves.

– Olá vocês! Oli... –

Novamente fora interrompido por Sunny, que ria da situação.

– Oliver Yanks, sabemos, baterista. –

Oliver sorriu, pode ser que seja interessante conversar com aquelas meninas, pelo menos uma vez.

– Que tal acompanharem-me? Estou indo com meus amigos para os fundos da escola, vamos fazes uma “brincadeira”. Gostariam? –

A reação positiva e sem hesitar das garotas deixou Oliver animado, porém não podia esperar, eles haviam de ser rápidos de verdade, ninguém deveria nota-los. Com certeza a brincadeira não era coisa boa a se esperar.

Passos leves porem vorazes até os fundos do colégio foram realizados, e ao chegarem, avistaram Ralf, Brendan e Kyle, que estavam no aguardo de Oliver. Nenhuma palavra foi dita, apenas uma troca de olhares e sorrisos maldosos dos rapazes. Oliver se sentia na obrigação de dizer o que ia acontecer para as novatas, apesar disso, não abriu a boca. Apenas ergueu a mão direita até Sunny, que a segurou. Logo, a garota fez o mesmo gesto para Kim, que estava mais atrás, receosa do que poderia acontecer. A mesma hesitou um pouco até que finalmente cedeu-se a curiosidade, e segurou a mão da melhor amiga. Um sorriso de Oliver foi lançado as novatas, e sem demora, olhou para Ralf, balançando a cabeça em afirmação.

– Garotas e Viadões. Estamos aqui para nada mais nada menos do que uma “brincadeira”. Tal “brincadeira” pode demorar o dia todo, então peço que toquem o foda-se para suas aulas. Mais instruções no folheto da poltrona de sua frente. Obrigado por voar conosco. – Disse Ralf entre risos.

Não demorou muito para que todos entendessem, então, era a hora de começar a brincar. Ralf andou um pouco mais para a frente, onde no chão, havia uma porta, não muito grande. O jovem olhou para Oliver com um sorriso nada inofensivo no rosto, Brendan foi até onde Ralf estava, e o ajudou a abrir a porta. Já aberta, dava-se para ouvir vagamente um som de música eletrônica.

– Ela fez isso mesmo? – Disse Oliver rindo.

– Fez, ela fez isso mesmo cara. – Retrucou Kyle de cabeça baixa.

– O que vocês estão esperando seus cuzões, vamos entrar! – Disse Brendan confiante.

Não pensaram duas vezes, seguiram até a porta e adentraram no local, uma escadaria longa para baixo fora encontrada, mas era óbvio, não podia ser fácil entrar naquilo, era só pra quem realmente podia. Passaram-se aproximadamente 2 minutos dês de que começaram a descer, mas foram recompensados. Ao chegar ao local real da festa, era como ver o paraíso para os Rapazes. Muitas mulheres, bebidas de todo tipo, drogas de todo tipo. Oliver soltou a mão de Sunny e levantou os braços.

– VAMOS DESTRUIR ESSA PORRA! – Disse Oliver em êxtase por estar em um lugar tão repleto de coisas para se fazer.

Fora acompanhado por Ralf e Brendan até a primeira de várias mesas de bebidas, onde agarrou a primeira garrafa de qualquer coisa, e entornou a mesma em sua boca. A golada fora tão generosa que o mesmo, após tirar a garrafa da boca tossiu, cuspindo um pouco do líquido.

– Caralho, que isso que eu bebi? Ah... Whisky. É WHISKY BARATO MULEQUE! – Gritou novamente, não podia estar mais animado.

Novamente Oliver foi até as garotas, segurou a mão das duas, e as puxou até a mesa de bebidas.

– Vamos, vai, bebam, bebam, estão aqui pra aproveitar! – Disse Oliver.

Sunny olhou para o garoto que estava a sua frente. Um sorriso nasceu no rosto da novata, que logo pegou uma das doses de vodca que estavam espalhadas pela mesa, e entornou em sua boca de uma vez. Um riso descontraído depois de beber veio aos ares. Oliver por sua vez, ao ver que Kim estava acanhada, pegou uma das doses de vodca, e dirigiu a ela.

– Vai, bebe! É de graça, aqui é um porto seguro, não precisa ter medo. Só do Ralf, ele é gay. –

– Vai se foder. – Disse Ralf ao fundo rindo da situação.

Kim olhava para Oliver como se o mesmo fosse algo errado, assim como olhava para a dose de vodca como se fosse sangue de um parente.

– Vai! Bebe, é bom descontrair um pouco. – Disse Sunny encorajando-a.

Mais alguns segundo passaram-se até que a mesma finalmente pegou a dose de vodca da mão de Oliver, e entornou a mesma com vontade.

– Boa! A partir de agora, queremos vocês todos CURTINDO! – Bradou novamente Oliver, se jogando em cima de Ralf.

Horas a fio gastas naquela festa, todo divertiam-se da forma mais extrema. Estavam todos juntos em uma roda, até que:

– Arrumei um pouco de erva, alguém? – Disse Brendan.

– Eu, enrola um pra mim. – Disse Oliver.

– Pra mim também. – Retrucou Ralf.

O “baseado” era feito, e os três começaram a traga-lo. Logo, Oliver passou o seu para Sunny, que ao tragar tossiu, não estava acostumada com aquela quantidade de erva dentro. Minutos se passaram, e nada de interessante acontecia. Brendan então ofereceu a Kim, que obviamente disse não, porém, Brendan continuou insistindo, e cada vez mais sendo chato. Realmente queriam que a certinha fizesse algo errado uma vez, para que pudesse aproveitar a vida de um jeito mais brutal. E depois de muitas tentativas:

– Tá, ok, eu vou. – Disse Kim em pânico.

– Ok, é só você puxar o ar e descer ele, nada difícil, daí você solta. – Falou Brendan, ensinando-a a tragar.

A garota parecia em choque, mas isso não a impediu de tentar usar a droga. A mesma colocou o “cigarro” na boca, e tragou. A reação esperada era uma tosse exagera, porém, Kim despencara contra o chão, desmaiada. Todos entraram em pânico, a garota podia ter morrido, e isso seria culpa deles. De longe, alguma alma aleatória grita: “UMA MENINA MORREU”. E obviamente todos entram em pânico. Em um piscar de olhos, todos da festa estavam em volta de Kim, que estava no chão, desmaiada. E então, o problema de verdade começa. Dentre tantas pessoas, uma delas aparece. Nicky Stein, a dona da festa, a encrenca da escola.

– Tirem essa merda daqui, agora. – Disse Nicky em tom de raiva.

– Merda não, sua brutamontes. – Levantou-se Brendan ao retrucar.

– Como é que é? Vocês vem na minha festa, bebem da minha bebida, usam as minhas drogas e ainda tem coragem de responder pra mim? – Respondeu a monstruosa “dona” do lugar.

– Sim, e foda-se que a bebida é sua, ou as drogas são suas, ela desmaiou e você tá chamando ela de merda, então... – Antes que Brendan fizesse alguma merda, Oliver interrompeu-o.

– Hey, hey, calma, vocês dois. A gente vai tirar ela daqui Nicky, só abre caminho até a porta. – Disse Oliver calmo.

– Tá. Saiam logo. – Respondeu Nicky.

Kyle levantou-se, e Ralf ajudou o mesmo a colocar Kim em suas costas.

– Eu vou levar ela pra casa, ela mora perto de mim, já vi ela saindo várias vezes. – Disse Kyle antes de dar as costas aos amigos e sair do local.

Não demorou muito até que o grupo inteiro saísse da festa, e basicamente se despedido com um mero e frio: “Até amanhã”. Oliver sentou-se perto da porta onde haviam começado a aventura, e parou pra pensar. Sunny sentou-se do seu lado, olhou para Oliver e sorriu.

– Foi divertido, talvez devêssemos fazer isso mais vezes. – Disse Sunny.

– É... Talvez... – Respondeu Oliver.

– E Oliver... – Disse Sunny, puxando assunto novamente.

– Diga. – Oliver levantou a cabeça e olhou para Sonny, que continuava sorrindo.

– Você é legal, talvez possamos fazer um Jam qualquer dia, já que você toca bateria. – Sunny terminara a frase com mais um sorriso, dessa vez um pouco mais realista.

– É... Claro. – Oliver não pode deixar de retornar o sorriso.

Sunny então levantou-se, e tomou seu rumo para casa. Oliver, no entanto, abaixou de novo a cabeça e voltou a pensar. Não entendia mais nada do que havia acontecido ali, só precisava de um tempo para assimilar.