Talvez Isso Seja um Novo Começo
8 Capítulo 8
Notas iniciais
Maggie's POV
Desde que meu pai apoiou nosso namoro, Glenn e eu começamos a dormir juntos na mesma cama. No começo Glenn ficou inseguro, com medo que meu pai desaprovasse. Ele respeitava muito meu pai, e depois de um certo tempo eles começaram a ficar próximos um do outro.
Meu pai começou a tratar Glenn como um filho.
Um dia acordei um pouco tarde. Não encontrei ninguém, então resolvi ir até onde os bois e as vacas ficavam e dormiam, meu pai costumava ficar lá.
Quando cheguei, vi ao longe meu pai e Glenn conversando. Meu pai estava agachado, tirando leite de uma das vacas e ensinando para Glenn.
Só fiquei observando. Eu achava ótimo meu pai e Glenn se darem tão bem...Além do mais, de todos os meus paqueras, Glenn fora o único aprovado por ele. Eu não queria interromper a conversa, então fiquei apenas observando e rindo.
Alguns minutos depois de Glenn falar algo, meu pai se levantou, abraçou ele e lhe deu uns tapinhas nas costas. Meu pai se afastou e disse algo à Glenn, de modo que este me visse e caminhasse na minha direção, ou talvez na direção da fazenda.
–Oi. — Ele sorriu, pressionando seus lábios contra a minha bochecha. Seus olhos estavam lagrimejando como os de alguém que acabara de chorar, mas mesmo assim ele tentou forçou um sorriso.
–Oi. — Falei, preocupada — Por que você está chorando?
Glenn passou a manga de sua camiseta em seus olhos, tentando limpar.
–Eu não estou chorando...
–Glenn...-Acariciei seu rosto.-O que meu pai lhe disse?- Comecei a ficar nervosa.
Ele olhou para baixo, querendo mudar de assunto. Mas eu sou teimosa e insistente. Eu amava ele, e queria confortá-lo, queria ajudá-lo.
–Eu não quero falar sobre isso agora...
–Vamos lá Glenn... -Coloquei uma mecha de seu cabelo atrás da orelha.
–Pode ser em outro lugar? -Ele perguntou, olhando ao redor. Glenn se referia a Daryl, que estava se aproximando com sua motocicleta. Daryl era gente boa...Quando queria. Ele já adorava pegar no pé de Glenn diariamente, imagina se visse ele chorando. Assenti com a cabeça, séria, entendendo.
Peguei em sua mão e o levei até o meu quarto, ou melhor, o nosso quarto.
Sentei na cama. Na cama em que eu dormia.
Glenn's POV
–Então... -Ela falou, olhando pra mim.
–Eu perdi meu pai com onze anos — Falei. Foi como arrancar um curativo de uma ferida. Meus olhos começaram a lagrimejar. Limpei minhas lágrimas com a manga da minha camiseta, respirei fundo.
–Glenn...Eu, eu...Eu sinto muito -Ela se levantou para me abraçar. Ela acariciou minhas bochechas, para logo em seguida pressionar seus lábios contra os meus.
–...Hershel é como um pai pra mim, sabe? Ele me dá conselhos, me trata bem...-Falei depois do beijo.
–Glenn...-Ela me olhou — Não vejo nenhum problema nisso.
Abracei ela, com força. Não queria que ela me visse chorando.
–Mas só porque você vê ele como um pai...Não significa que somos irmãos, né-Maggie perguntou, brincando.
–Não, não — Sorri e beijei seus doces lábios.- De jeito nenhum.
Maggie's POV
No meio das noites, Glenn sempre se locomovia cautelosamente para a minha cama, tentando não me acordar. Ele encostava seu corpo no meu e acariciava meu corpo.
Mas naquela noite, depois de encostar seu corpo ao meu, ele sussurrou algo em meu ouvido:
–Maggie Greene...Eu te amo. E nada nesse mundo vai mudar o que eu sinto.
–Eu também te amo muito, Glenn Rhee.
Ficamos em silêncio.
–Como aconteceu?-Perguntei, mas logo me arrependi.
–O que?-Ele perguntou de volta, confuso.
–A morte do seu pai -Perguntei, incerta.
Ele congelou. Sentia a pulsação forte de seu coração.
–Acidente de carro.-Ele disse, mas não chorando. Parecia tentar ficar tranquilo.
Ficamos em silêncio até eu tomar coragem e pronunciar:
–Sabe, eu perdi minha mãe com dezesseis -Tentei segurar lagrimas- Eu sei como é perder alguém.
–Eu sinto muito...-Ele disse- Como foi?
–Acidente de carro.
–Depois meu pai casou com outra mulher e teve Beth. Eu lembro que na época eu só queria roubar e fumar.
–E você roubava e fumava?- Ele perguntou.
–Não, não. Eu só queria, pois no fundo eu sabia que me arrependeria depois e que minha mãe não gostaria que eu o fizesse. Patricia me convenceu a não roubar e fumar.
–Patricia?
–Era uma vizinha nossa...Ela cuidava de mim desde que eu era uma criança boba.
Ele sorriu.
–Não seja maldosa com seu passado- Ele reuniu nossos lábios.
Glenn virou meu corpo. Antes eu estava de costas para ele, mas agora estava de frente. A luz da lua refletia seu doce olhar. Através da luz da lua pude ver sua expressão confortante e segura. Abracei ele. Eu compreendia ele. Ele me compreendia.
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