Tales of Vankash
4 Capítulo 4
Neryd olhou Ermed por algum tempo, mas não demonstrou nenhuma reação.
Thimni parecia até não ter ouvido. Calmamente tirou o cachimbo preto de sua boca e deixou a fumaça negra e tóxica sair de seus pulmões e se espalhar pelo ar. Neryd sentia que ia vomitar, e acabava de se arrepender por ter chegado tão perto dele. Depois de deliciar a fumaça por mais alguns momentos, Thimni abriu os olhos e virou-os diretamente para Toke.– Por que eu iria querer uma erva melhor? Pra morrer mais rápido?A sua voz era grave e rouca, estragada de anos de fumo. [sente o feeling do gukkão aqui] Ele abriu um sorriso com um aspecto nada saudável e andou até Toke.Ele parou ao lado da mulher e fechou os olhos para tragar o cigarro mais uma vez antes de falar com ela.– Vai precisar mais do que isso para me convencer, garota. Eu não estou com pressa de sair daqui. — Ele soprou um pouco da fumaça no rosto dela. Olhando-o com seus olhos marcados de profunda olheira, ele encarou-a. — Eu quero saber se você está disposta a fazer qualquer coisa para sair daqui.Thimni levemente sorriu.– Fumando sem parar do jeito que faz, vai morrer mais rápido do que se a gente ficar trancado aqui. — Toke sorriu ironicamente — E é nesse tipo de hora que eu sinto falta da minha querida irmã. Fhanda, você ainda tem aquilo que minha irmã lhe deu a um tempo atrás? Sabe aquele negócio que eu pedi para você sempre deixar junto de si e de jeito nenhum perder. Sabe, né?– Eu... Deixei ela junto do meu arco...Toke respirou fundo, abaixou a cabeça e sentou do lado de Ermed e começou a ler o livro junto dele e Lizzy.– Vocês... não vão fazer... nada? Neryd? Moço fumante que vai morrer cedo, por favor, não fala isso com a sua vida? — Fhanda fez cara de triste e olhou para Davven — E você, Davven?Davven sentiu-se nervoso. Ele tentou abrir a boca, quando percebeu que tremia um pouco e a sua voz falhou mais do que o normal.– Bem eu... Sim, nós deveríamos fazer algo! Sim! Mas... Eu não... Eu... Não é que eu não acho que não... Argh... — Ele desistia de falar olhando para Fhanda, apertando as próprias mãos trêmulas. — Eu só não sei o que poderíamos fazer. Mas... Davven respirou fundo. Achou que já tinha falado o suficiente e já bastava parar ali.Thimni terminava de soltar a fumaça pela boca novamente. Um pouco louco, ele olhou para os lados, como quem checava se não havia ninguém perto, e mesmo o lugar estando lotado de pessoas e Davven bem ao seu lado, ele aproximou-se para falar com ela. Abaixou o cachimbo por um momento, fazendo no ar um rastro de fumo.– Eu tenho experiência em escapar de lugares como este. — A sua voz rouca e insensível não passava muita confiança, embora ele não tivesse tom de quem mentia. O elfo parecia ter olheiras ainda mais profundas quando era visto de perto. — Eu posso lhe oferecer uma maneira de sair daqui, se estiver disposta a me dar algo em troca.Toke respirou fundo e seguiu seu instinto de líder, perguntou com calma:– Claro... O que você quer? Vou ver se isso é possível.Um pouco desequilibrado, como se fosse cair a cada passo, Thimni aproximou-se de Toke; girou ao redor dela até o seu lábio inferior encostar no pescoço da moça e delicademente tirou os seus cabelos roxos da frente da orelha.– Eu quero um beijo.Toke sussurrou alguns xingamentos e falou:– Claro, claro... Espere um momento — Ela levantou e puxou Fhanda para um canto onde ninguém pudesse os ouvir.– Fhanda, pelo amor do meu senhor, vamos tentar mais uma vez abrir mais um vez ou quê? – Eu não sei!! A moça de cabelos roxos respirou fundo e falou:– Vamos acabar com isso logo, Thimni.Thimni abriu um sorisso malicioso.– Achei que alguém como você ia ser um pouco mais difícil.Ele pôs a sua mão na cintura de Toke e rispidamente puxou-a para sua frente. Olhou-a no fundo dos seus olhos brilhantes por algum tempo; fechou os olhos e aproximou o seu rosto do dela dela até seus lábios se tocarem. Beijou-a, e depois de suavemente descer a sua mão pela cintura de Toke, afastou-se dela.Toke se distanciou do homem, soltar algumas pragas novamente e falou num tom sério:– Agora faça as "honras" e abra a porta.A mulher olhou para Lizzy e Ermed que estavam chocados, surpresos e Fhanda que estava segurando o riso.Thimni mantinha um sorriso leve e constante no rosto. Ele ainda tinha a boca aberta e fechava os olhos, como se deliciasse lembranças do beijo que tinha acabado de dar. Ele caminhou até a porta. A magia de abrir fechaduras era algo que tinha treinado há muito tempo, e que já dominava. Mas surpreendeu-se quando, assim que pegou na maçaneta, a porta se abriu.Não foi necessário para ele usar magia; parecia estar imune a qualquer tipo de feitiço vindo daquele reino.Thimni saiu da frente da porta, dando espaço para a passagem enquanto colocava o cachimbo na boca.Toke percebeu que ele não precisou fazer quase esforço algum e arqueou a sombrancelha. Ela fez um sinal para que Fhanda visse se existia alguma coisa próxima e assim fez.
– Não há nada ou ninguém lá... — A moça de cabelos rosas falou baixo.– Ok. Vão, primeiro, serei a última.Thimni franziu a testa. Depois de tragar um pouco, ele tirou o cachimbo da boca para falar.– Algum problema, Toke?– Não, não sou enfezada como alguns daqui — Toke sorriu cinicamente.Ele soltou um curto riso rouco do fundo de seus pulmões fracos, sorridente. Agora que todos tinham saído, a sala estava vazia e silenciosa; as vozes facilmente ressoavam pelo lugar. Thimni aproximou-se dela para sussurrar em seu ouvido.– Você tem a bunda macia, sabia?Toke se sentiu com uma raiva fulminante, mas não queria perder a calma e assassinar nos socos o mago, algo lhe dizia que talvez Neryd ficasse contente, mas achava melhor não. Ela empurrou o homem para se distanciar.– Por favor, pare com isso — Ela respirou fundo — Eu fiz o que você queria, considere-se sortudo por eu não arrancar sua cabeça fora e usar de decoração.Thimni fumou enquanto a ouvia. Os seus olhos vermelhos brilhavam.– Sortudo? ...Ah, garota. Você não faz ideia de com quem está mexendo. — Ele tinha parado de sorrir e deixou o rosto sério, parecendo desafiá-la. Depois de encará-la por algum tempo, ele tirou o olhar dela e pôs o cachimbo na boca. — Mas não vou subestimar uma pessoa como você.– Pois bem, você, também, não ideia com quem você está falando. Afinal, se fosse tão capaz de tantas coisas, não drogaria-se tanto, teria orgulho de si mesmo, não? — Toke virou-se e saiu pelo alçapão.
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