Taking Chances
7 Velhas amigas
Notas iniciais
Os dias se passaram calmamente depois do incidente Brody. Tudo estaria normal se minhas aulas de dança não fossem repletas de enjoos. Estava com muito medo de Cassandra July descobrir o meu estado, um pouco desesperada, no mínimo. Encontrei Kurt no corredor entre uma aula e outra e o empurrei para um canto isolado.
– Kurt, não sei o que fazer! Não consigo parar de sentir náuseas na aula da Miss July, acho que ela está desconfiando... O que eu faço?!
– Bom, a única coisa que eu sei é que você não conseguirá esconder isso por muito mais tempo. Entretanto, acho que sei exatamente a pessoa que pode te ajudar. — disse ele com ar pensativo.
***
Nunca imaginaria que a pessoa que Kurt tinha em mente me faria pegar um trem para outro estado. Na verdade, não sei como esta pessoa não tinha me passado pela cabeça primeiro. Agora, em um trem para New Haven, ficava claro que Quinn seria a única que realmente me entenderia.
Mal percebi a parada do trem e, quando olhei ao meu redor, todos estavam saindo. Assim que deixei estação, entrei em um táxi.
– Olá, bom dia! Por favor, o senhor poderia me levar até a Yale University? — disse educadamente.
– Claro! disse o motorista ligando o carro.
Fiquei presa em devaneios até o carro parar. Quando olhei para fora, fiquei maravilhada com a beleza do campus. Devo ter deixado transparecer, pois o motorista disse:
– É a sua primeira vez aqui?
– Sim, haha. Ficou muito óbvio?
– Um pouco. — disse ele timidamente.
Agradeci o motorista, paguei e saí do carro. Só quando cheguei à porta do prédio/dormitório percebi meu nervosismo. O que diria a ela? Felizmente Santana sabia o número e o andar do quarto dela, o que me poupou algum tempo.
Sem esforços, cheguei ao dormitório. Fiquei alguns minutos em frente à porta, criando coragem para bater, mas fui surpreendida. Ela se abriu e a única coisa na qual prestei atenção foi a perplexidade no rosto de Quinn.
– Rachel?! O que você está fazendo aqui?!
– Err... hm, é uma longa história. Você está ocupada?
Ela demorou um pouco para responder:
– Não! Hmm... Pode entrar.
O quarto dela era lindo! Um lugar não muito grande, mas elegante. As paredes eram levemente rosadas e os móveis em uma mistura de branco e bege. O que mais se destacava era a enorme poltrona bordô perto de uma escrivaninha, que se encontrava abaixo da enorme janela à minha frente. Nas duas laterais se encontravam as camas, uma com a colcha florida e outra com um grosso edredom rosa pink. Se não fossem pelos pôsteres vintage e os porta-retratos (um com uma foto do Glee Club e o outro com uma da formatura) acima da cama florida, seria praticamente impossível saber qual das duas era a de Quinn.
Ela me ofereceu a ponta da cama para sentar e um copo de água os quais educadamente aceitei. Não demorou muito e ela se manifestou.
– Então, o que te traz aqui de maneira tão repentina? — olhei de maneira estranha para ela, e Quinn se corrigiu — Não que você não seja bem vinda, eu só fiquei surpresa por te ver em minha porta. — disse com um sorrisinho.
– Preciso da sua opinião em uma coisa e sei que você será direta comigo.
– Ai meu Deus, da última vez em que você falou assim comigo o Finn tinha te proposto casamento. Ele fez isso de novo? Porque ainda acho você muito nova e...
– Não. Não é sobre isso que vim conversar. — disse interrompendo-a.
– Bom você não viria até aqui, sem avisar, se não fosse sério. Você não está grávida, está?!
Droga! Como ela conseguia adivinhar tudo tão rápido?
– Então...
Depois de alguns segundos, ela começou a rir.
– Nossa Rachel! Essa foi muito boa! — ela enxugou uma lágrima de riso — Você SÓ PODE estar brincando né?
Okay, por essa eu não esperava. Continuei quieta.
– Não é?! — ela repetiu, seu rosto ficando sombrio.
Fiz que não com a cabeça e só faltou ela pular em cima de mim.
– O quê?! Não! Não acredito no que estou presenciando... Você ficou louca? Parece que a minha vida foi praticamente jogada no lixo e não serviu de lição nenhuma para você. Rachel, como pôde ser tão idiota?! — gritou já em pé.
– Eu esperava que ela fosse sincera comigo, só não pensava que iria me julgar. Decidi ir embora. Não ia ficar ali ouvindo tudo o que eu já pensava de mim mesma. — Foi quando levantei, com os olhos marejados, que ela me parou.
– Espera... — ela pegou um pouco de água, bebeu, e novamente se sentou — Eu só não consigo entender como você pôde ser tão desleixada!
– Olha, você não acha que eu já pensei em tudo isso? Eu vim aqui para pedir conselhos, não para ser ofendida. Eu sei que eu cometi um erro, mas agora já não há mais nada a ser feito. — disse com a voz embargada, o choro saindo aos poucos.
– Me desculpe. Você sabe que sou sincera e particularmente fiquei muito chateada em saber disso. Mas agora já passou. — disse ela respirando de maneira audível — Do que você precisa?
– Bom, eu tenho muitos enjoos matinais e queria saber como você fazia para diminuí-los... Acho que minha professora de dança está começando a desconfiar e não posso permitir que isso aconteça. Não agora.
– Ah! Na realidade essa é bem fácil! É sempre bom tomar um chá durante o café da manhã, ajuda bastante. Não se esqueça de que você não pode tomar qualquer chá! Depois te faço uma lista. — disse piscando — Para mim, particularmente, alguns doces também ajudavam: balas, pirulitos... Mas o chá eu sei que é infalível!
– Muito obrigada!! — disse abraçando-a.
– Mas... Espere aí! Esqueci de te perguntar uma coisa muito importante: quem é o pai?! Eu soube que você e o Finn não estavam muito bem e que você até morou com um novo namorado!
– É... Tudo isso aconteceu, mas depois que eu peguei o buquê no casamento do Sr. Schue...
– Okay, nem me fale desse dia... — Quinn suspirou e então deu um pulo ao olhar o relógio no canto da parede — Meu Deus! Já está quase na hora do almoço! Haha, na verdade eu estava de saída quando você chegou.
– Aah, me desculpe. — disse claramente constrangida.
– Tudo bem! Era só um garoto que conheci no campus, ele está louquinho por mim, mas não vou dar muita bola. Vou fazê-lo sofrer um pouquinho para me conquistar.
– Aiai, você e seus relacionamentos tsc tsc. — disse em tom de brincadeira.
– Hey! Você é que está grávida aqui! Eu estou curtindo a vida. — disse Quinn rindo.
– Hum, olha quem fala 16 and Pregnant*.
Nós duas gargalhamos. A tensão no quarto finalmente se suavizou e conversamos um pouco mais até ela me levar a um restaurante vegano. Ela repetiu pelo menos umas duas vezes que eu não poderia deixar o Finn escolher o nome, visto que ele queria colocar Drizzle** na Beth. O almoço estava delicioso e passamos a tarde fazendo um tour secreto, e não recomendado a calouros, pelo campus.
No fim da tarde, ela me acompanhou até a estação de trem e me fez jurar que daria notícias sobre mim, o bebê, Finn, Santana e Kurt, mas também me fez prometer que não encheria a caixa postal dela com cada detalhe. Ela só queria notícias de tempos em tempos. Peguei a listinha de chás e me despedi.
A caminho de New York percebi o quanto tinha sorte por ter feito parte do Glee Club. Essas pessoas nunca seriam minhas amigas de verdade sem ele e o Sr. Schue. Era bom sentir que podia confiar e ter tantos verdadeiros amigos.
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