Taking Chances
11 Surpresas
Notas iniciais
Voltar ao meu quarto era como voltar à infância. Ele estava do mesmo jeito em que o deixei verão passado. Algumas fotos no espelho, ursinhos, meus troféus... Ai que saudade! Estava penteando o cabelo, ainda de pijama, quando ouvi uma batida na porta.
– Pode entrar!
– Olá pequena Barbra. – disseram meus pais em uníssono, trazendo uma bandeja de café da manhã.
– Oh meu Deus! Pais, vocês não precisavam fazer isso!
Eles deixaram a bandeja na mesinha em frente a minha cama e nela tinha todas as minhas comidas matinais favoritas. Ah, como eu amava ser mimada pelos meus pais.
– Tudo para o nosso bebê! Você está tão pálida, não deve estar comendo direito em New York... – disse papai Hiram.
– Haha, estou bem é impressão sua pai.
– Mas sente aqui e conte-nos: como estão as coisas? Você ouviu que vão refazer Funny Girl na Broadway?! Filha, você TEM que tentar! – exclamou papai LeRoy.
– Sim!! Eu vi! Já estou ensaiando algumas músicas para o teste, nunca perderia essa oportunidade!
Eu odiava mentir para eles, mas o que poderia dizer? Eles sabem que esse é o meu maior sonho, se eu não demonstrasse interesse eles desconfiariam na hora. Queria contar logo para eles, mas Finn me pediu um tempo e eu daria essa chance a ele.
– Ai Hiram, você consegue imaginar? Nossa filhinha, nos holofotes da Broadway! A súdita de Barba Streisand. Aaaah! Já estou até emocionado. – disse ele limpando teatralmente uma lágrima.
– Argh! Pare de assustar a menina... Ela é uma estrela, não importa o que faça. – disse papai Hiram e depois cochichou – Não ligue pra ele, querida. Eu sei que você vai conseguir o papel, mas não tem problema se não conseguir. – e piscou um olho.
– Ah, venham aqui. – falei abraçando os dois – Amo vocês! Muito mesmo!
– Nós também te amamos.
Terminei o café e ficamos conversando sobre banalidades até a hora do almoço. Iria embora logo depois, mas percebi que Finn estava demorando a ligar. Será que ele esqueceu? A festa de ontem deve ter sido mesmo boa... Argh!
Parei de pensar nisso e arrumei minhas coisas. Conseguia sentir o cheiro de comida do meu quarto. Droga de olfato sensível! Já estava com água na boca. Desci para ver o que os dois estavam aprontando na cozinha quando senti um cheiro forte de queimado.
– Pais?! – corri e encontrei uma panela pegando fogo.
Lembrei-me, na hora, do pato que tentei cozinhar para Brody. Acho que o problema era de família.
– Vocês estão bem?! – gritei.
– Querida, não entre! A fumaça está muito densa!
– Hiram! – gritou papai LeRoy – Eu já te disse um milhão de vezes para não tentar cozinhar! Sua comida é péssima, para falar a verdade na maioria das vezes você nem consegue terminar!
– Mas essa receita era infalível! – disse papai Hiram enquanto LeRoy pegava o extintor.
– Pelo jeito não era tão infalível assim, não é? – depois olhou para mim – Rachel, não fique aqui por muito tempo senão vai ter que lavar o cabelo de novo!
Comecei a rir e deixei os dois discutindo na cozinha. Sentia falta dessa loucura!
No fim, fomos almoçar no Breadsticks, visto que depois de um tempo o cheiro de queimado me deu um enjoo horrível e, por sorte, meus pais não estavam muito felizes com toda aquela fumaça também.
Durante o almoço, eles me perguntaram:
– Filha, você não quer passar o fim de semana conosco? Hoje já é sexta mesmo...
– Ah, não sei pai. Combinei umas coisas com o Kurt amanhã.
– Tudo bem então... Mas não suma! Venha nos visitar sempre que quiser.
Não demorou muito, recebi uma mensagem no celular.
“Oi Rachel. Desculpe-me a demora... Você pode ficar para o fim de semana? Encontre-me às 15h30min no Glee Club. Beijo, Finn.”
Nossa! Parecia que tinham combinado. Terminei de almoçar e comuniquei:
– Mudança de planos... Vou ficar com vocês até domingo!
– Ah! Isso é tão bom! Mas, você não vai perder muita coisa né? Não queremos que você cancele seus compromissos por nossa causa.
– Não, imagina! Acho uma boa ideia ficar mais um tempinho por aqui. – peguei minha bolsa e comecei a levantar – Vocês não se importam se eu sair agora, não é? Preciso encontrar o Finn no McKinley.
– Mas você nem comeu a nossa sobremesa tradicional e... – então papai Hiram foi interrompido.
– Finn?! Pensei que vocês tinham terminado. – disse papai LeRoy.
– É complicado pai...
– Tudo bem, pode ir. Eu distraio o seu pai antes que ele te prenda no quarto para sempre! – disse papai Hiram.
– Obrigada!
Arrumei-me um pouco e escovei os dentes no Breadsticks, depois fui ao McKinley. O que será que ele queria comigo lá?
Assim que cheguei, fui quase correndo para a sala do coral. Encontrei Finn na porta.
– Oi – ele disse com um sorriso charmoso. Ele estava aprontando alguma!
– Oi – respondi.
– Entre. – falou abrindo a porta para mim.
Quando entrei, cumprimentei a todos, mas não sabia o que fazer exatamente. Fiquei colada em Finn.
– Sente-se, por favor. – pediu Sr. Schue indicando uma cadeira.
Sentei-me na cadeira em que normalmente sentava quando fazia parte do clube. Estavam todos me olhando, mas ninguém falou nada. Foi então que Finn começou:
– Eu sei que passamos por altos e baixos, mas tudo parece se resolver quando entramos nesta sala ou no auditório. Como sempre, as músicas parecem expressar muito melhor o que tenho a dizer do que palavras. Quero que saiba que estarei ao seu lado sempre, para o que precisar e para o que não precisar. – ele suspirou, parecia nervoso – Bom, chega de falar! Eu pedi a ajuda de todos do Glee Club então... Esta é para vocês. – disse apontando para mim.
Foi então que Sam começou a tocar o violão e Finn cantou*:
“Você é apenas uma pequena saliência ainda por nascer,
Em alguns meses será trazida à vida.
Você pode ter o meu cabelo,
Mas terá os olhos de sua mãe.
Vou te segurar em minhas mãos, serei o mais gentil que puder,
Mas por enquanto, você é uma imagem do que não planejei.
Uma pequena saliência,
Em alguns meses será trazida à vida.
E eu sussurrarei baixinho, não te darei nada além da verdade.
Se você não está dentro de mim,
Eu colocarei meu futuro em você.
Porque você é minha primeira e única.
Você pode pôr seus dedinhos em volta do meu polegar,
E me segurar forte.
Oh, você é minha primeira e única.
Você pode pôr seus dedinhos em volta do meu polegar,
E me segurar forte. E você ficará bem.
[...] E você pode se deitar comigo, com seus pezinhos,
Quando estiver cochilando,
Te deixarei ficar
Bem pertinho de mim, por algumas semanas
Para que eu possa te dar segurança.
Porque você é minha primeira e única.
Você pode pôr seus dedinhos em volta do meu polegar,
E me segurar forte.
Oh, você é minha primeira e única.
Você pode pôr seus dedinhos em volta do meu polegar,
E me segurar forte. E você ficará bem.”
Segurando as minhas mãos, ajoelhado à minha frente, ele repetiu o último verso:
– Você ficará bem.
Olhei profundamente em seus olhos. As lágrimas caíam dos meus e não pensei em mais nada, apenas o beijei. Sentia falta dele, de seus lábios, de seu toque. Cada célula do meu corpo respondia ao seu. Meu coração batia forte, uma coisa que eu só sentia e sentiria por ele: amor.
Assim que nossos lábios se separaram, o abracei o mais forte que pude. Ele levantou e me segurou, como uma boneca de pano, no ar. Quando me colocou no chão, perguntou:
– E então... Gostou?
– Claro, seu bobo! Foi a coisa mais linda que alguém já fez para mim. – depois olhei para as outras pessoas na sala – Obrigada gente!
Todos começaram a gritar e aplaudir, mas eu só prestava atenção em seus braços em volta de mim. Como era bom se sentir segura e amada... Não havia mais motivos para ter medo.
***
Depois do ensaio, fomos para o Lima Bean. Ficamos conversando sobre banalidades por horas, mas não dava para fugir do assunto principal por muito tempo.
– Então... Eu pensei bem e não podemos esconder isso dos nossos pais. Com a Quinn foi complicado dizer, mas acredito que seus pais sejam mais compreensivos do que os dela. – comentou Finn.
– Eles podem ser mais compreensivos, mas isso não quer dizer que vão adorar a ideia ou que não vão querer te matar.
– Bom, com isso eu posso lidar. Já fui para o exército, lembra? – ele deu um risinho e depois suspirou – Minha mãe vai ficar tão decepcionada...
– E os MEUS pais?! – gritei — Não quero nem pensar...
– Isso! – disse ele e passou a mão no rosto – Vamos nos concentrar primeiro em nossos pais. Como devemos contar?
– Hmm... Jantar, talvez?
– Boa ideia... – respondeu pensativo — Vou conversar com a minha mãe e Burt e faremos um jantar na minha casa. Convide os seus pais, okay?
– Okay, mas qual será o motivo? – perguntei um pouco confusa.
– Não sei, fale que temos um comunicado importante e não diga mais nada.
– Combinado! Amanhã à noite... Oito horas?
– Oito horas. Isso pode dar certo. – disse ele levantando – Tenho que ir para casa, ajeitar as coisas e tal... Nos vemos amanhã. Manteremos contato por mensagem. Tome cuidado ao ir para casa! – completou e me deu um selinho.
Seu entusiasmo me deixava alegre, mas não sabia por quanto tempo as coisas ficariam assim. Vou precisar de ajuda! Mandei uma mensagem para Kurt e fui para casa.
“Kurt, vou ficar para o fim de semana... Conversei com Finn e decidimos contar para os nossos pais amanhã. Jantar na sua casa às 20h. Por favor, venha. Vou precisar do meu melhor amigo! Um beijo e saudades, Rach.”
Fale com o autor