Take on Me
17 Somethings Coming
Notas iniciais

O dia estava calmo, o movimento bom para uma tarde de segunda-feira, algo normal para o estabelecimento. A dona sabia que nas segundas o fluxo era forte de manhã, na hora do almoço e a noite. A tarde o número de pessoas que frequentavam era menor e aquilo possibilitava adiantar ou resolver assuntos em relação ao local e aos empregados.
Louise estava sentada numa mesa ao fundo, em companhia apenas de uma xícara de café. Fazia contas e solucionava o problema de seu Café enquanto aguardava a chegada de sua amiga para resolver algumas questões. A moça não precisava trabalhar se quisesse, sua família tinha dinheiro, só que ela nunca se interessou. Seus pais eram um casal diferente, sua mãe era pianista, trabalhava na orquestra de Nova York e seu pai trabalhava para o governo britânico. Os dois se apaixonaram e se casaram, e deste fruto, nasceram ela e seu irmão, Thiago. Infelizmente, sua mãe morrera quando ainda criança, num atentado contra a vida dos três. Foi quando Louise soube o que seu pai fazia: era um agente da SHIELD, a maior organização de segurança do mundo. Seu pai os mandou morar com seus avós, mas aquilo não impediu seu irmão mais novo de seguir os passos de seu pai e se tornar um agente, diferente dela que preferira seguir uma vida tranquila. Alterou o sobrenome para o de sua mãe de solteira e ficou na cidade onde fez faculdade e seguiu sua vida.
Seu primeiro emprego foi no Café Palaci como garçonete. Porém, o local passava por dificuldades. O dono cobrava um aluguel muito caro para Sra. Ângela, dona do Café. Por ter se aperfeiçoado com seus companheiros de trabalho, pegou a herança de sua mãe e comprou o local, tornando-se sócia. Só que um ano depois, a dona morrera, deixando tudo para a jovem que, não só aumentou o lucro, como deixou o local famoso pelos deliciosos doces.
Louise pegou a xícara e tomou o último gole, conferiu a conta que acabara de fazer e sorriu satisfeita com o resultado, tudo estava perfeitamente bem. A tela de seu celular acendeu, ela pegou e viu que era uma mensagem de seu namorado avisando que ele e Natasha estavam chegando. Guardou tudo na pasta e recolheu a xícara.
—Bia, eu vou para o escritório. Assim que sair do forno, leve alguns pães de mel e bebida para três, por favor. – Pediu a moça passando pelo balcão.
—Claro. Pelo que está pedindo, Natasha vai vir.
—Sim. Qualquer problema que tiver, vai lá.
Louise passou pela porta da cozinha e colocou a xícara na pia. Depois foi até uma porta e subiu a escada para o segundo andar. Durante o ataque de Loki, o lugar foi atingido e quase destruído, então ela aproveitou e construiu tudo do zero. Resolveu criar um andar em cima, assim criando uma sala de descanso para os funcionários, onde tinham sofás e cadeiras, televisão, armários, tudo para conforto do pessoal e caso algum deles tivesse que levar filho ou filha, poderiam deixar ali. Também havia dois banheiros somente para os empregados, um feminino e um masculino.
Louise abriu a outra porta, onde estava sua sala. Era um lugar pequeno, mas confortável para o espaço que precisava. Armários com os documentos, uma mesa, duas cadeiras para as pessoas que quisessem falar com ela e sua cadeira que comprara com tanto carinho. Logo se sentou nesta e soltou um suspiro de satisfação. Adorava-a por ser superconfortável. Jogou a pasta na mesa, apoiou os pés na mesma, encostou o corpo e relaxou. Desbloqueou a tela do celular e começou a mexer, para distrair a mente.
Uma batida na porta foi escutada e ela pediu para entrar. Sorriu ao ver quem era, mas não moveu nenhum músculo para cumprimentá-lo, já que estava numa boa posição.
—Que vida boa. – Comentou Barton fechando a porta.
— Onde está a Nath? – Perguntou Louise voltando a olhar para a tela do aparelho.
—Nossa, cadê o “Oi, como você está? Está ferido? Como foi a missão? Estava com saudades”. Estou bem, querida, fico feliz por ver sua preocupação e também estava com saudade de você. Quanta preocupação com a minha pessoa...Ela foi ao banheiro.
—Claro que está bem, se não, alguém tinha me ligado avisando. E obrigada por economizar minha saliva.
Ele se aproximou, tirou o celular da mão e colocou na mesa, depois empurrou os pés da mesma e a puxou para ficar em pé. O agente colocou as mãos na cintura dela, enquanto a moça passou os braços pelo pescoço dele. Uma das mãos pousou em sua nuca, onde arranhava levemente. Ela se inclinou e o beijou.
—Sabe que me preocupo até você me ligar informando que está bem e voltando para mim. Meu coração aperta toda vez que está em missão ou dando uma de herói.
Louise falou seriamente. Viver naquele mundo não era fácil. Ela vivia em preocupação com seu irmão, seu pai já não fazia missão, porém cuidava da parte burocrática e a sede na Grã-Bretanha, o que não a deixava tão preocupada. E o namorado era pior, ele não só levava uma vida dupla, mas tripla.
—Eu sei, Marrentinha. Sabe que sempre volto para você, não importa o que aconteça eu volto. Nunca a deixarei. Eu amo você.
—Eu também te amo.
Voltaram a se beijar. Era um relacionamento difícil e complicado. Sempre apareciam desafios para separá-los, mas o sentimento que compartilhavam era profundo e ambos lutavam para continuarem juntos.
Um barulho de alguém girando a maçaneta fez os dois se separarem e encararem a recém-chegada.
—Desculpe interromper os pombinhos, mas temos um trabalho a fazer. – Disse Natasha.
A moça voltou a sentar na sua cadeira, a agente ocupou a da frente e Barton preferiu ficar em pé apoiado na mesa.
—Eu não sei se bato no Steve. Como ele pode ter essas neuras?! Ele tem que parar com isso. – Disse Louise discando no celular.
—Ele é de outro tempo, você queria o que? Estava fácil demais. – Comentou Romanoff cruzando as pernas.
—Marrentinha, você não tem chance contra ele.
A namorada do vingador colocou o celular no meio da mesa.
—Achei que tinha esquecido de mim e me deixado de fora.
— Claro que não, Anna. Sarah está perto? Ela está bem falando nisso?
— Sobre ela você pergunta.
Louise revirou os olhos ao escutar os múrmuros do agente.
—Ela está sentada perto do palco, esperando sua vez de apresentar o projeto. Está bem, confiante até demais. Típico!
—É uma Stark. Bem, vamos ao plano. Teremos de modificar de novo.
— Ciúme não rola de nenhum jeito, Lou.
—Eu sei, Nath. Ele vai morrer de ciúme, mas não vai dar o braço a torcer. Por que a Sarah não deu um chilique? O colocou na parede?
—Porque foi o lado Hamilton que a impediu.
— Então o encontro de sexta está cancelado? – Questionou o arqueiro.
Houve outra batida na porta e a garçonete entrou, segurando uma bandeja. Deu um discreto ‘olá’ e colocou os três refrescos e um prato dos doces saindo logo em seguida. Natasha pegou o doce e levou aos lábios.
— Juro que vou me casar com o Max. Esses doces são dos deuses, só ele consegue fazer o pão de mel russo como deve ser.
—Qual é vocês estão ai comendo e eu aqui sofrendo, aguentando discursos chatos. Isso é injusto!
— Vou levar uma caixa só para você e para Sarah. Agora vamos focar no problema. – Pediu Louise pegando um doce também. – O encontro vai acontecer nessa sexta.
—Mas como vai fazê-los terem um encontro?
—Tasha, ele não precisa saber do encontro. – Respondeu Clint.
—Ambos não vão saber. – Completou a namorada do agente.
—To gostando de saber isso. Literalmente encontro às cegas.
—Anna, você vai garantir que a Sarah esteja linda de morrer.
—Certo, Lou.
—Natasha, como você é a parceira de quase todas as missões dele, tem que assegurar que não vai estar em atividade. Se possível até domingo.
—Por que tantos dias? – Ela mordeu o último pedaço do doce e pegou outro. – Eu vou engordar e a culpa é sua. Vou ter que bater em você.
—Bora sair na mão então. Se tudo der certo no encontro, como vai dar por ter dado tudo certo na primeira parte, eles vão precisar de um tempo, não acha?
A vingadora só acenou em concordância com o pedido.
— E eu e o Clint, vamos ficar responsáveis por levá-los ao encontro. Já fiz a reserva, o restaurante é muito bom e é bem discreto, nada atrapalhará.
[...]
Sarah e Anna saíram do elevador com caras de cansadas, a mais jovem foi até o sofá e se jogou ao lado de Louise, que estava lendo uma revista. Anna foi até o bar onde se encontrava uma caixa do café, a pegou e foi até onde as duas estavam, sentando-se ao lado da jovem Stark.
—Dizem que mulher conquista o homem pelo estômago, mas Max provou o contrário. Homem também conquista pelo estômago.
Anna mordeu o pão de mel com gosto, Sarah pegou um e fez o mesmo.
—Como é bom ser amiga de uma pessoa que pode trazer gostosuras. Já te disse que é minha melhor amiga, Lou?
—Interesseira. – Murmurou amiga fechando a revista. – Sarah, não pensei que seria igual a seu pai.
—Filha de peixe, peixinha é. – Apontou a agente.
—Agente Petrov, a agente Romanoff está convidando-a para treinar.
—Diga a ela que irei já, Jarvis – Ela fechou a caixa e entregou a Sarah. – Esconda isso, não deixa a Aranha encontrar. Do jeito que ela ama, vai comer tudo e não vai deixar nenhum para nós.
A segurança saiu correndo até o elevador que a aguardava. As duas riram, a mais nova colocou a caixa sobre a mesa de centro, e esticou os pés na mesma.
—Como foi lá?
—Arrasei. Aquele professor fez uma cara de bunda.
—Você não gosta dele?
—Nem um pouco, desde o começo ele implicou comigo por ter pulado ano e por ser filha do Stark. Será que eles se conheceram e Tony aprontou com ele?
—Não seria a primeira vez.
Sarah levou a mão na testa e soltou um suspiro.
—Vamos mudar de assunto, passarinha. Antes que eu comece a achar que ele vai fazer algo maléfico e alguém dos Vingadores vai ter de resolver.
—Ou você. Você conseguiria sem problema. Agora vamos falar de outra coisa, eu estava pensando. Que tal sairmos sexta? Natasha está aqui, podíamos sair nós três.
—E a Anna? – Questionou, estranhando o convite da amiga.
Normalmente, saiam todas as garotas juntas ou quais estivessem disponíveis. Sarah olhou curiosa imaginando o que Louise ia aprontar.
—Eu pensei que seria bom ela ficar e proteger o Banner. Não é seguro ele ficar sozinho nesse prédio tão grande.
As duas levantaram o olhar até onde ficava a oficina, aonde Dr. Banner trabalhava em suas pesquisas. A Stark sorriu com a ideia apresentada e teve de concordar que seria um momento perfeito para os dois ficarem sozinhos.
—Não sei se ela vai deixar. Sabe que depois do salvamento, ela grudou em mim literalmente. Virou minha sombra.
Louise virou para encarar a mais nova, apoiou o braço no sofá e sua cabeça na mão.
—Eu posso não ser uma agente profissional ou uma heroína nas horas vagas, mas sei lutar. Eu tive aulas de defesa pessoal e Clint me ensinou algumas coisas. Não sou expert, porém consigo derrubar alguns caras malvados. E você aprendeu direitinho também, juntas conseguimos sobreviver uma noite.
A jovem riu ao idealizar a cena em sua mente.
— Tudo bem, eles precisam mesmo passar um tempo sozinhos. Vamos aonde?
—Eu conheço um ótimo restaurante. Não se preocupe, que é discreto.
— E a arara não vai se incomodar? – Questionou Sarah pegando sua bolsa que estava no sofá.
—Sexta vai ser o dia das garotas. Clint vai ficar feliz de ter uma noite só para ele.
— Então está decidido. Vou para meu quarto, tomar um delicioso banho e voltar a trabalhar.
As duas se levantaram e foram em direção ao elevador. A jovem apertou o botão, chamando o mesmo para a direção.
—Sarah, precisa descansar. Os projetos vão ficar te esperando.
—Eu gosto de manter a mente ocupada.
—Isso é por causa do Steve?
Sarah balançou a cabeça em negação, mas era a verdade. Ela queria falar algumas verdades na cara do Capitão, no entanto preferiu guardar para si, por um tempo. A jovem Stark aproveitou aqueles dias para refletir e chegara a conclusão de que estava apaixonada. Apaixonada por Steve Rogers, ilustre Capitão América, o herói mundialmente famoso que devia ter várias garotas caidinhas aos seus pés. Porém, a moça sabia que ele não era do tipo de se glorificar ou usar sua posição como vantagem.
Depois daquele dia, falavam pouco, o vingador evitava ficar sozinho com ela e quando acontecia de estarem a sós, não tinham assunto e ele logo se afastava. Ela queria saber as razões de suas atitudes, mas ia esperar o momento e o local certo.
—Sarah, tudo vai se resolver. Eu digo por experiência própria.
— Além de empreendedora é psicóloga?
— No tempo livre, é meu hobby. Mas é sério, se for para ser, vai ser. Eu e Clint somos um exemplo.
—Você nunca contou como vocês ficaram juntos. Sou curiosa sobre isso.
O elevador chegou e a porta abriu, revelando Barton. Ele saiu e foi para o lado da namorada, sorriu para a Stark em cumprimento.
—Isso fica para outra hora.
—Foi emocionante? – Indagou Sarah entrando no elevador.
—Você não tem ideia. Aproveita o dia para descansar pelo menos.
A jovem suspirou em derrota e concordou. A porta se fechou e a namorada sorriu ao arqueiro. Este a abraçou. Clint conhecia aquele sorriso estampado na face dela.
—Pelo seu sorriso, deu tudo certo.
— Sim, Sarah topou. Não foi difícil, só precisei dizer que certas pessoas precisam ficar sozinhas.
—Já vai juntar também os dois? – Questionou o vingador inclinando-se para roubar-lhe um beijo.
—Por que não? Rolou clima.
—Não sei quem é pior de nós dois em juntar nossos amigos.
— Eu sei. É você! – Exclamou a moça, rindo.
Louise se afastou e voltou a sentar no sofá, o namorado se juntou e a puxou para encostar a cabeça em seu peito. E passou seu braço sobre a cintura dela. Eram poucos aqueles momentos de paz e sossego dos dois. Ambos tiravam o máximo de aproveito daquele pouco tempo. Ela sabia que seria de tal modo quando dissera sim para a relação, mesmo depois de tudo que acontecera.
—Vamos considerar um empate. – Sugeriu o vingador sabendo que ela iria teimar que era ele.
— Pode ser. Já falou com o Steve? – Indagou, fazendo carinho no braço do namorado.
—Já. Eu disse que você teria uma sexta de garotas e o convidei para sair. Ele aceitou e sugeriu chamar o Banner, mas o convenci do contrário. – Respondeu antes de apoiar o queixo na cabeça de Louise.
—Perfeito. Agora só esperar chegar sexta. Vai ser agora ou nunca.
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