Take me to church
5 Cap. 5 - Sem a fulga da realidade
Com o tempo tive de colocar escapes em minha vida, uma fuga da realidade sem ser a religião.
Adquiri os livros que me ajudaram bastante e o fone de ouvido que sempre estava em alguma música eletrônica no máximo volume (principalmente quando tinha alguma discussão).
Para a minha família eu era (e ainda sou) uma pessoa muito calma. Não falo muito e sempre fico na minha.
Nos livros que lia eu sempre me interessava pelas discrições dos meninos em relação a meninas, por exemplo, em um livro de Percy Jackson existe um personagem chamado Leo Valdez. No livro ele descreveu como se sentia perto de Hazel Levesque e eu me sentia assim também perto das garotas, nunca me interessei pela descrição das garotas em relação aos garotos.
Com isso eu criei um novo tipo de distração e que funcionou por um bom tempo, um tipo de RPG onde eu reformulava a história da forma que eu queria, junto com outras pessoas pelo Facebook. Eu criava o perfil de um personagem que eu gostava no Facebook e o interpretava. Mas, não há troca de informações sobre o seu eu pessoal, até hoje é assim.
Eu tive vários personagens, todos do livro de Percy Jackson e até alguns personagens de minha autoria.
Você pode até pensar que eu fazia de propósito mas eu simplesmente não conseguia interpretar garotas, apenas personagens masculinos. Era mais fácil para mim.
Minha mãe quando descobriu ao pegar meu celular, ela teve um ataque. Ela não entendeu, eu tentei explicar isso pra ela mas não deu certo. Só fez piorar tudo! Ela entendeu como fake e me proibiu de entrar no facebook, além de ficar uma semana se perguntando e me perguntando porque todos os meus personagens eram homens.
Eu ainda lia os livros mas ela começou a dizer que eles eram do demônio, já que falavam de deuses gregos e não de Deus.
Enquanto isso ela pegava o meu celular e sempre ficava checando.
O único momento que eu podia ler em paz sem minha mãe ou irmã enchendo o saco era na escola, eu não queria ir para casa, me sentia mal só de pensar que ia voltar para casa e ser trata como um ninguém.
E o pior nem era isso mas sim a minha irmã mais nova sempre se metendo nas discussões me dando ordens e minha mãe deixava.
Eu não tinha nada para me acalmar, tudo estava sendo um inferno. Para me distrair passo o pano na casa e minha irmã lava a louça, todos que chegavam em casa minha mãe falava toda orgulhosa da filha que a ajudava.
Vocês achavam que era de mim!? Bip, erraram! Era de minha irmã, por ela ter lavado a louça.
Só queria que aquilo acabasse logo e cada vez mais eu odiava Deus.
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