Take a chance

14 We've been waiting for you


Notas iniciais
Cara, eu consegui postar o capítulo errado antes, IAUHSIUAHUAISH.
anyway, enjoy =)

Nathália


Aquela semana passou muito rápido, e eu nunca tinha adorado tanto já ter vinte e quatro anos. Já é bom quando você tem dezoito, mas ainda há algumas complicações, como o fato de você simplesmente ser “muito nova” pra se mudar pra outro país sozinha, principalmente se for pra aceitar essa ideia maluca de entrar pra uma banda de metal extremamente famosa da Califórnia. Com vinte e quatro já se podia muito bem fazer isso.

Minha passagem já estava paga e datada; eu viajava na sexta feira ao meio dia, com destino a Nova York. Antes disso eu tive que resolver alguns pequenos detalhes, como pedir demissão no trabalho, informar meus pais da minha decisão (o que os deixou em choque, acreditem), passar meu apê para o nome do meu irmão, que em dois meses estaria se mudando também para Porto Alegre, vender meu carro, confirmar com Matt se ele e Larry já haviam conversado com o consulado americano sobre meu visto, arranjar malas suficientes para todas as minhas roupas e apetrechos e, por fim, descobrir como embrulhar minha guitarra de modo seguro.

Acho que a parte mais divertida pra mim foi pedir demissão. Meu chefe era um cara arrogante e prepotente, e que se achava a última bolachinha do pacote, e eu praticamente humilhei ele na frente de todos os outros funcionários. Eu entrei em sua sala e expliquei pra ele o motivo de querer ir embora. Ele rui da minha cara.

– Se enxerga, mulher. Você pensa que tem algum talento relacionado à música? O teu lugar é aqui, e você só sai daqui quando eu deixar.

Eu sentia meu rosto esquentar, e isso não era um bom sinal. Quem me conhecia, sabia disso. Sempre tive língua afiada, se alguém me incomodava, não precisava ter medo de levar um tapa meu, porque eu sabia machucar só com as palavras.

– Escuta aqui, seu velho tarado de merda, — disse, levantando-me da cadeira onde sentava e apoiando as mãos em cima de sua mesa – eu estou cansada de ficar bancando a inocente aqui. Eu faço tudo o que você manda, sempre na esperança de que algum dia eu serei promovida a repórter de verdade, mas não, você continua sentado aí, ficando cada vez mais gordo, e não meche um dedo sequer, enquanto eu fico tentando resolver as suas cagadas. – Nathália, você não presta. Que nada, eu sou foda. – Então é o seguinte, você vai me dar agora mesmo o cheque do meu último salário, e eu vou vazar daqui, e nunca mais voltar, graças ao bom Deus! Entendeu? – a essa altura meu dedo já estava praticamente encostado na cara daquele gordo miserável.

Ele me olhava, assustado. Confesso que talvez meu olhar tenha demonstrado mais raiva do que o necessário, mas eu precisava fazer ele ver todo o mal que eu tive que aguentar. Ele era abusivo e grosso, eu odiava aquele monstro. Ele lentamente abriu a gaveta que ficava a esquerda do balcão, e retirou de lá um talão de cheques dourado. Preencheu uma das folhas no valor de mil e cinquenta reais, e então me entregou.

Sorri sinicamente para o grisalho e dei-lhe as costas, desejando-lhe uma boa vida. HAHA, boa vida o caralho, queria que ele queimasse no inferno.

Com esse cheque, o que consegui com a venda do carro e mais um dinheiro que tinha guardado no banco, eu certamente poderia sobreviver nos Estados Unidos por algum tempo, enquanto ainda não recebia uma parte do cachê dos shows. Ou então poderia me esbanjar em compras e ir sempre comer na casa de um dos meninos... O que eu estava dizendo? Eu nem sabia se daria certo essa história toda de entrar na banda. Larry Jacobson nem havia me escutado tocar ainda, talvez só cantar, mas e se ele não gostasse de mim? Nada estava certo, mas eu tinha que dar uma chance.

A despedida, talvez, foi um dos momentos mais difíceis. Theo e Lauren choravam desesperadamente, e Sophia apenas ria da cara das amigas. Meu pai estava com a cara fechada, ainda não se conformara com o fato de sua menininha ter criado asas e estar voando para tão longe. Minha mãe e meu irmão eram total oposto disso; a loira estava tão contente por sua filha, sabia que o que eu sempre quis era ser famosa, ser adorada, e ainda estar fazendo o que eu amava. Sentia orgulho de mim por causa disso. O garoto pulava de animação, pedindo que eu falasse dele para os meninos, e me implorando para ir junto comigo.

– Maninho, prometo que algum dia eu trago eles pra cá, ou quem sabe você vai pra lá, ok? Agora me da um abraço que eu tenho que ir, o voo ta quase saindo... – disse eu, agarrando aquela vara loira de dois metros de altura. – Meu Deus, menino, porque você tem que ser tão grande?

– Menino nada, Nathi, ou você por acaso esqueceu que eu já tenho vinte anos? – disse o garoto, em meio a gargalhadas, me apertando tão forte que achei que morreria naquele instante.

– Minha filha, eu e seu pai queremos que você saiba que nós apoiamos a sua decisão, ouviu? – olhei para meu pai, e esse tentou esboçar um sorriso falso. O abracei com força, e ele retribuiu ao abraço, apertando-me ainda mais. Mamãe sorria.

– Hey, velhota, não te empolga muito que eu volto pra visitar, entendeu? – disse eu, praticamente me tocando em cima de minha mãe. Vi lágrimas escorrendo pelo seu rosto, e sorri para ela, que fez o mesmo.

Voltei-me para as meninas, e lhes disse que assim que desse, eu voltaria para vê-las, ou lhes conseguiria passagens para New York. A choradeira continuava, mas eu tinha que ir. Sim, eu deixei minha família e amigos para trás, mas eu seguia meu sonho.


[terceira pessoa]


A morena dormia profundamente no avião. Não se preocupava com o cara suspeito sentado ao seu lado, nem com a velha chata que inclinara a poltrona a sua frente para deitar-se. Ela simplesmente dormia. Em meio a sonhos e pesadelos, a garota acordou, tremendo e sorrindo. “Senhores passageiros, o avião chegará a seu destino em noventa minutos”, informou a voz chata da aeromoça. Nathi continuou olhando para fora da janela, admirando a visão que essa lhe proporcionava.

Espera, noventa minutos? “Isso é uma hora e meia!”, pensou a moça. Não acreditava que tinha dormido o caminho inteiro. Como seria possível? Talvez fosse o estresse que a semana havia lhe proporcionado. Os poucos minutos restantes foram passando lentamente, enquanto Nathália mantinha seu iPod ligado no volume máximo. Não queria ficar ouvindo a voz irritante daquela aeromoça nojenta, ela saberia quando eles estivessem pousando, não? Ridículo que uma loira burra qualquer ficasse lhe informando disso.

O pouso foi calmo e, diga-se, normal. A morena não havia andado tantas vezes assim de avião, mas medo ela não tinha. Tinha talvez receio de pegar alguma turbulência, mas medo, isso não. Era forte, e sabia disso.

Ao descer do avião, ela sentia uma vibração absurda dentro de si, uma ânsia, uma vontade louca de matar a saudade. Assim que pisou dentro do prédio do aeroporto internacional John F. Kennedy de New York, Nathália procurava loucamente por alguém, que nós todos sabemos quem é. Ela não o viu, e sentiu-se desapontada. Eles haviam combinado naquela amanha que Matthew estaria lá, as 20h em ponto, esperando a morena. Mas ele não tinha vindo.

Ao virar-se novamente para a esquerda, Nathi deparou-se com aquela figura esbelta e estonteante. Ele estava com os óculos espelhados, e sorria, deixando a mostra suas covinhas e os dentes alinhados. A moça sentiu-se tonta com aquela visão. Saiu logo correndo para os braços do amigo, e quando o largou, depois de um longo beijo, percebeu que o grandão não estava sozinho. Ao seu lado estavam Arin e Johnny, ambos contentes com a vinda da garota.

– Nós estivemos esperando por você. – disse Matthew a morena.


Notas finais
pouquinhos reviews no último capítulo, bora ajudar ae gente ((:, kk.
pros que estao lendo, valeu, leitores fantasmaaas *-*
e guys, ainda ta de pé aquilo de me ajudar a achar um nome artístico pra Natt. ♥