Take a chance
26 My world is falling apart
Notas iniciais
Curtam, comentem, compartilhem LOL.
Beijos.
Lauren
- Alguém pode, por favor, me explicar o que está acontecendo aqui? – perguntei, quando já estávamos todos no apartamento da Nathi ao redor de Johnny, que gemia imóvel.
Meu coração batia rápido de ansiedade, alguma coisa estava errada, muito errada, e eu exigia explicações.
- Lali, o Johnny, ele tem...
- NÃO! – exclamou meu baixinho, interrompendo a morena. – Posso falar a sós com ela? – ele olhou para os outros, pedindo que saíssem, e ficamos lá só nós dois. – Vem aqui. – disse, abrindo os braços para que eu me aconchegasse nele.
- O que houve, Jojo? Porque eles estavam tão tensos só porque você sentiu essas dores nas costas? Isso não deveria ser tão espantoso assim...
Jonathan parecia tentar reunir forças para me contar, mas todas as vezes em que tentou abrir a boca, nenhum som foi emitido. Segundos passados, eu senti algo úmido pingar em minha testa. Chuva não podia ser, estávamos dentro de um apartamento.
Lágrimas.
Levantei a cabeça e vi que Johnny começara a chorar, nada muito alarmante, mas ainda assim muito comovente. Quando ele começou a pronunciar todas as palavras corretamente e de um modo entendível foi que acreditei. As peças se encaixaram, o quebra cabeça foi desvendado, e o meu mundo desabou.
Nathália
Eu já não sabia mais o que pensar. Com um dos meus bebês doentes, uma das minhas melhores amigas desesperada e me sentindo ameaçada por Valary, parecia que as coisas estavam se tornando piores do que deveriam ser. Eu ainda tinha a banda, meu amor por Matthew, e minha família e amigos, ainda que afastados. Mas o câncer de Johnny serviu pra me relembrar do ditado que tenho repetido pra mim mesma já faz mais de 4 anos. A vida é muito curta. E é mesmo. De repente todos ao meu redor resolveram brincar com a morte. De repente a morte resolveu brincar comigo. Quem eu amava sempre corria perigo.
O pior foi ver Jonathan tão abatido. A pele estava clara demais, ele já não usava mais maquiagem nenhuma, os ossos estavam se tornando cada vez mais fracos, e a queda do cabelo piorava a situação. Os shows foram sendo pouco a pouco cancelados, até que já não podíamos mais tocar. A imprensa ficara louca com a notícia. Os paparazzi já não deixavam mais nosso baixinho em paz, e seus ataques de raiva só prejudicavam o tratamento.
É nessas horas que a gente vê que o amor move montanhas. Lauren não saiu do lado dele em momento algum. Bem pelo contrário, ela largou o emprego e todo o resto, e passou a morar com Johnny. Eu e Matt revezávamos as noites nos apartamentos; às vezes ficávamos no meu, às vezes no dele. E todas as vezes que subíamos para o apartamento do ogro, podíamos ouvir gritos, choros, brigas e barulhos de vomito vindo do apartamento dos baixinhos. Ainda assim, Lali não ia embora, e os dois viviam num grude só.
Chorar se tornou uma coisa fácil para todos nós, assim como escrever músicas. Nos reuníamos na gravadora, e ninguém fazia questão de fingir que estava tudo bem. As letras tornaram-se trágicas ou caóticas. Poucas músicas possuíam letras românticas e fofas, e essas poucas eram sempre o Johnny, o Matt ou eu que escrevíamos. Synyster e Zacky tinham até parado de comer aquelas prostitutas... O clima estava tenso e pesado, e eu já não aguentava mais isso.
Quando certo dia Larry resolveu aparecer.
- Pessoal, vocês não vão acreditar quem acabou de me ligar. – disse, tentando conter a felicidade. Ele percebia que não estávamos em clima de festa.
- O Papai Noel, Larry. – respondeu Syn.
- Quase. Foi o Roberto Medina.
Se fosse possível, meu coração teria pulado pra fora da minha boca. Ainda bem que não era, né.
- Foi O Roberto Medina que te ligou? – perguntei, incrédula.
- Quem que é Roberto Medina? – Matthew intrometeu-se, parecendo interessado.
- É o fundador e organizador do Rock in Rio. O Rock in Rio é...
- Para, já entendi tudo. Quer dizer que ele nos convidou pra participar?
- Yep, penúltima banda da noite. O evento vai ocorrer no final do ano que vem. O que vocês acham?
Um silencio brotou na sala. Todos nos entreolhamos sem saber o que dizer. Como poderíamos tocar sem o Johnny? Eu fiquei pensando, enquanto o tempo passava, em uma solução, uma conclusão, mas nada chegava.
- Eu acho que vocês devem tocar.
Era Johnny.
- Como assim, cara? Não da pra tocar sem você. – comentou Zacky. – Nem da pra tocar sem baixo, né.
- Da sim pra tocar sem mim, é só colocar outra pessoa no meu lugar.
- Tipo quem?
- A Lauren.
Olhares desviados para a pequena. Ela também parecia surpresa.
- E-eu? Tá maluco, Jonathan? – a cara de O_O dela foi algo.
Eu sorri. Já tinha ouvido Lali tocar, e ela era mesmo boa. Claro que nem chegava aos pés de Johnny, mas né?, pelo menos tínhamos uma substituta.
- Você mesma, minha pequena. Seria como se uma parte de mim estivesse lá, tocando. – ao dizer isso, ele olhou diretamente pros olhos da minha amiga e ela já começou a chorar, apertando ele ainda mais. Normalmente esse tipo de cena me comoveria. Eu amava essas cenas de amor exageradas e grudentas, é tão motivador. O problema é que naquele dia, ocorreu exatamente o oposto. Assim que eles se beijaram, eu senti um embrulho no estômago e fui correndo pro banheiro, com a mão sobre minha boca. Matthew veio logo atrás, e segurou meu cabelo enquanto eu me debruçava sobre o vaso.
- Amor, o que aconteceu? – perguntou atencioso, enquanto eu lavava o rosto.
- Matt, a gente não bebeu ontem, né?
- Não, acho. Por que?
- A gente comeu alguma coisa diferente?
- Bom, sabe, enquanto a gente tava... Você comeu a min...
- Ta, Matthew, você me entendeu.
- Não, a gente não fez nem comeu nem tomou nada fora do normal.
- Então isso significa que ou eu estou grávida, ou eu sou bulímica e não sei.
Mais silêncio, só pra variar. E de repende ele saiu correndo, com a mão no bolso, e eu ouvi o barulho do carro ligando e derrapando pela avenida. Dez minutos depois ele já estava de volta com uma sacola da farmácia em mãos.
- Teste de gravidez? Bem na boa, agora eu vou ter que mijar nesse palitinho?
- Vai, ué. Eu quero saber se vou ser papai ou não.
Homens, tão neuróticos.
- Passa o pauzinho pra cá.
- Lembra, que ele tem que ficar azul, ta?
- E como é que você sabe disso?
- A Valary era muito neurótica, sempre que tinha um enjoo achava que estava grávida. Daí eu levei ela no médico e a gente descobriu que ela não pode ter filhos...
Matt baixou a cabeça, e eu me senti muito mal por ele. De repente eu queria ter essa criança mais do que tudo no mundo. Passei meus braços em volta de seus ombros e colei minha face em seu peito.
- Matthew, você quer um filho? Um filho comigo? Porque eu quero, te dar um filho me deixaria mais do que completa.
E ele sorriu e começou a rir.
- Morena, eu teria um, dois, três, DEZ filhos com você!
Sorri também e selei nossos lábios em um beijo nada muito demorado. Meu hálito devia estar péssimo.
- Ta, agora passa daqui que eu tenho que mijar no pau.
- Deixa ele bem azul, ta?
— Ta bom, ogro. Te amo, ta?
Ele saiu sorrindo e bateu a porta atrás de mim. Falei sozinha:
- Pois bem, façamos esse pau ficar bem azul.
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