Take Me Home
30 Quais as chances ?
Notas iniciais
Callie , se abaixou diante de Maura , e segurou suas mãos em conforto .
O mundo parecia ter parado diante de Maura , e tudo o que ela via , era por trás da cabeça de uma Jane aparentemente sem vida sobre a cama , coberta de sangue que já deixavam grudados seus cabelos negros.
Ela chorava e teve seu corpo gentilmente tomado pelo abraço de Callie , que assim como Maura , não sabia do quadro dela, ela apenas sabia que Jane e outro policial haviam sido feridos de alguma forma , mas até onde ela podia ver na correria da admissão nenhum dos dois possuia saida de bala, o que indicava que o tiro havia sido por trás da cabeça .Mas Callie não podia confiar em seus olhos , afinal de contas na admissão ambos estavam com o rosto sujo de sangue , a bala poderia ter atravessado a cabeça de qualquer um , e ter saído pela frente , mas ela de fato não se lembrava de ter notado a saída, o que dava a entender que a bala estaria alojada.
As portas se fecharam diante de Maura , e ela sabia que dali seriam levados ou levada para sala de cirurgia.
Maura podia ouvir a movimentação dentro da sala , e médicos passarem correndo para onde placas fluorescentes indicavam ser a sala de cirurgia.
—Ela está viva Callie ? Me diz que ela está viva ?
—Querida , eu juro que eu não sei!
Callie dizia , com um olhar triste em direção à Maura que deixou a cadeira de rodas tão logo avistou a figura de Jane deitada ali com a máscara de oxigênio em seu rosto e seus cabelos lavados em sangue.
—Eles vão levá-la sem que eu possa vê-la , sem que eu possa falar com ela ?
—Maura , ela está desacordada pelo que conseguimos ver , antes mesmo de eu subir até seu quarto ela já estava.
—Eles não podem levá-la sem eu dizer a ela que a amo .
Maura chorava e Callie ,não encontrava palavras para confortá-la , tudo o que ela podia , era abraçar a loira .
— Ela sabe disso.
—Mas eu preciso dizer , eu preciso brigar com ela !
Maura chorou copiosamente , e apertou com força desproporcional e inesperada a amiga , que sentia a dor da força exercida ser neutralizada com a dor que as palavras de Maura carregavam.
—Ela me prometeu que voltaria inteira , ela me prometeu que tínhamos uma vida inteira pela frente .
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[Ouçam a música the history , na voz da Sara Ramirez , durante o episódio musical em Grey's Anatomy ]
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As portas se abriram ,e Maura logo se aproximou sabendo que por ali passaria Jane , em direção à sala de cirurgia ,mas para sua surpresa , era um homem que saia carregado por uma equipe , com a máscara de oxigênio , além de estar com a cabeça mergulhada em sangue que vazava através das faixas , ela não o havia notado ,mas ao ver o homem passar e tomar suas mãos firmemente e chamá-la pelo nome , ela teve certeza .
Ela estava diante do homem que partiu seu coração há sete anos atrás , ela estava diante de seu ex marido , Anthonny Dinozzo.
—Maura .
—Tonny ?
—Meu Deus você está ainda mais linda .
O homem dizia olhando fixamente a cara de espanto da mulher ao vê-lo .
Antonny tinha um curativo no nariz além de um amontoado de gaze em sua cabeça .
—Tonny , o que .. o que aconteceu ?
—Eu tomei um tiro Maura.
Maura rapidamente olhou para onde acumulava-se mais sangue, no amontoado de gaze e logo entendeu o que aconteceu com Tonny, e como ele ainda conseguia falar depois do tiro .
Os médicos a apressaram informando-a que precisavam levá-lo para a cirurgia .
Tonny tentou falar mas a máscara o incomodava , e ele pediu com um gesto que ela a tirasse , para que ele pudesse falar.
Maura afastou a máscara nunca removendo-a de seu rosto .
—Você acredita em destino ?
—Às vezes.
—Talvez tenha sido esse o motivo de eu estar numa missão com a Jane .
—O que você quer dizer ?
—Talvez a minha história com você, agora terá sido realmente encerrada.
—Tonny , o que você quer dizer ?
Maura perguntava , mas preocupada com o esforço que Tonny fazia.
—Ela a ama Maura ,a ama , tanto ou mais do que eu a amo
—Tonny , shii
Maura pressionava-lhe os lábios para que ele não se esforçasse tanto
—Eu sei que ela me ama , mas confesso que fico surpresa por você dizer que me ama
—Eu nunca deixei de te amar Maura
—Tonny..
Ele interrompeu a mulher
—Maura , eu tenho pouco tempo , você sabe que é quase impossível alguém sobreviver à um ferimento desse , mas eu queria ter certeza de que você saberia que eu ainda a amo , eu não tinha dúvidas que Jane diria à você , mas Deus me deu alguns minutos a mais para que você ouvisse de mim.
Eu te amo Maura , e foi exatamente por amor a você e ao meu distintivo , que eu tomei um tiro , para proteger a minha parceira , mas sobretudo para proteger a mulher que foi capaz de reconstruir o coração que eu parti anos atrás .
—Tonny , por favor , se cale , deixe pra me dizer isso depois que você sair da sala de cirurgia
—Maura , você sabe que eu não terei chances , e que mesmo que eu sobreviva , eu terei problemas com a fala , na melhor das hipóteses.
—Você vai sair de lá vivo .
—Não vou Maura , mas eu quero que você me perdoe , e que me prometa uma coisa .
—Claro.
—Me promete que se permitirá ser feliz ao lado de Jane ?
—Claro que sim .Eu serei a mulher mais feliz do mundo .
—Faltou uma coisa .
Anthony advertiu divertidamente .
—O que ?
—Me perdoa Maura ? Me perdoa pra que pelo mesmo diante da morte iminente eu tenha paz ?
—Claro que te perdoo , afinal de contas você escreveu o meu destino , e me colocou diante de Jane , eu acho que era essa a sua missão , e você me fez muito feliz antes de partir meu coração.Então acho que você cumpriu sua missão.
—Eu te amo Maura.
Maura nada disse , apenas livrou o rosto de Anthonny da máscara e depositou-lhe um beijo casto nos lábios fazendo-o sorrir.
A equipe que assistia a cena , pediu licença à Maura , e seguiu com Antony à sala de cirurgia .
Callie, se juntou novamente à Maura , amparando a mulher que perdia o ex marido no fim fim do corredor , que trazia uma enorme placa avisando que ali era o centro cirúrgico .
Mais uma vez a porta da sala de emergência se abriu , mas dessa vez não passou por ela nenhuma maca , mas a passagem foi tomada por uma médica que a chamava pelo nome.
—Sim , sou eu !
Maura respondia , aproximando-se da porta .
Senhorita Isles , eu sinto muito pela demora , mas estávamos realizando alguns procedimentos na senhorita Rizzoli .
—Ela está bem ?
Perguntou Maura , apreensiva .
— uhh
A médica parecia , limpar a garganta , o que fez a apreensão de Maura aumentar consideravelmente
—Sim ! Eu disse que voltaria inteira para você!
Uma Jane um tanto pálida , ou talvez limpa , livre de todo aquele sangue em seus cabelos surgiu inadvertidamente por trás da médica que se assustou
—Jane
—Maur
—Você está viva !
—Bem, ao menos que você tenha se transformado em uma médium , eu estou sim
Maura se aproximou de Jane ainda sem acreditar ao certo no que seus olhos a mostravam , ela fixou sua íris verdes nas escuras da morena , como se buscasse ter certeza de que ela estava realmente vendo aquilo , que Jane estava viva , tangível diante dela , mas não encontrando coragem para tocá-la , Jane assim o fez , inclinando-se e tocando gentilmente seus lábios num beijo casto
—Vo..voc , você está viva Jane
Ela disse com os olhos pairando sobre Jane , ainda sem acreditar e não contendo o sorriso que dançava em seu rosto
—Eu disse que estava
—Meu Deus , nunca mais faça isso , eu achei que você estivesse morta , quando a vi deitada com os cabelos lavados de sangue .
—Parece que eu desmaiei em algum momento .
—Parece não !
Interrompeu a médica explicando o que realmente havia acontecido .
—Você foi exposta a uma grande quantidade de fumaça , além de um forte pancada na cabeça , que já constatamos , por meio de tomografias , não ter tido grandes proporções.
—Você teve sorte dessa vez .
—Não , isso se chama destino .
Interrompeu Jane , desviando olhar para Maura novamente
—Você acredita em destino Maura ?
Jane perguntou buscando os olhos assustados de Maura em sua direção, pensando ela estar vivendo um de ja vu
—Porque todo mundo está me perguntando isso hoje ?
—Não fuja da resposta da Maura .
—Eu acredito , às vezes , mas hoje eu passei a ter mais fé no destino .
Jane sorriu , mesmo que um sorriso triste ao lembrar de quem havia lhe feito essa pergunta
—Maura , eu preciso te contar uma coisa
—O que Jane , eu acho que eu já tive surpresas o suficiente por hoje .
—O destino do Tonny , talvez tenha sido interrompido por mim .
—Não Jane , é impossível mudar o destino .
— Porque diz isso?
—Porque eu falei com o Tonny , e assim como ele , eu estou certa de que tudo o que ele me fez , fazia parte do que estava destinado a mim , se ele não partisse meu coração , eu não teria largado o departamento em Nova York para vir trabalhar no subúrbio de Boston ,eu não teria conhecido e me apaixonado por você , então eu acho que Tonny cumpriu e compreendeu a missão dele aqui
—Que seria ?
Jane interrompeu curiosa com as palavras de Maura
—Mostrar que desde o início nós estávamos destinadas , destinadas a ser uma da outra , para sempre
—Eu te amo Maura
—Eu também te amo Jane
—O Tonny também a amava
—Bem , isso me deixou surpresa , mas eu também ouvi dele, mas ele me disse que tinha certeza que você me contaria , e veja só , ele estava certo .
A doutora pediu que Jane assinasse sua alta , já que nada a obrigava a ficar ali , como paciente , mas com toda a interação delas , ela tinha certeza de que Jane não sairia dali até que tivessem notícias de Tonny
Jane assinou a papelada , e dirigiu-se junto a Maura e a agora notada por ela , Callie , que lhe deu um soco por tê-la a assustado tanto .
—Maura , quais as chances de Tonny sobreviver ?
—Quase nulas , infelizmente .
Maura reconheceu com tristeza
—Mas você disse que falou com ele .
—Sim , eu falei .
—Como ele pode ter aguentado tanto tempo ? Tendo tido a cabeça atravessada por um projétil ?
—Você deve se lembrar do tiroteio em Tucsom, no Arizona , certo ?
—Contra a congressista Gabrielle Giffords? Que estava em uma reunião chamada "O Congresso na sua Esquina" , na qual ela conversava com eleitores, em um supermercado em Casas Adobes? E ..que de acordo com uma testemunha, aproximadamente 20 a 30 pessoas estavam reunidas em torno de Giffords, quando o pistoleiro chegou e disparou em Giffords no lado da cabeça?
—Exatamente .
—Assim como ela , eu presumo que entre o disparo , e o admissão dele para a cirurgia tenha levado no máximo vinte minutos , com base na hora que eu recebi o chamado.
—Certo , e o que isso sugere ?
—Sugere uma semelhança com o caso dela.Visto que ela, mesmo depois de 38 minutos ainda respondia a comandos de voz .
—Tonny estava consciente , eu acredito que ele tenha chances de sobrevivência , embora pequenas , e quase certa de que terá seu cérebro lesionado irreversivelmente .
—Porque ?
—Porque infelizmente , diferente de Giffords , a bala percorreu todo o cérebro de Tonny saindo entre os olhos .
Jane a olhou como se buscasse entender , mas sem sucesso
—Veja Jane
Continuou Maura
—A vítima tem mais chances de sobreviver se não parar de respirar e se sua pressão arterial permanecer alta o suficiente –essas são as duas funções necessárias para manter um suprimento adequado de oxigênio para o cérebro. Alguns primeiros socorros podem ajudar a restaurar tais funções às vezes.
A equipe médica que trata de Tonny logo ali
Maura apontou para o final do corredor onde se encontrava o centro cirúrgico
—Provavelmente o médico cirurgião já removeu parte de seu crânio, pois isso permite que o cérebro inche sem tornar-se comprimido.
Jane prestava atenção e Maura continuava a explicar o possível procedimento à ela..
—Dentro do crânio, se o cérebro não tem nenhum lugar para se expandir, pode haver ainda mais danos. O confinamento pode evitar o fluxo de sangue, por exemplo.
Mais tarde, quando o inchaço diminuir, a parte do crânio que foi removida será substituída. O inchaço geralmente se agrava no terceiro dia após tal ferimento, mas no caso da deputada, os médicos se viam obrigados a esperar esperar por vários e intermináveis meses para substituir o osso.
Porque demorar tanto ?
—Porque eles se preocuparam com a possibilidade de a bala ter levado bactérias durante o percusso , então é melhor se certificar de que não há evidência de infecção antes de substituir o crânio.
—Então , nós só saberemos se Tonny sobreviverá, em alguns meses ?
—Não .
—Espera , eu acho que não entendi
—Entendeu amor , seria exatamente assim, mas Tony tem ordem de não ressuscitar , então assim que os médicos acabarem a cirurgia , o tirarão do coma induzido , e caso ele não reaja , todos os aparelhos que o mantiverem vivo , deverá ser desligado.
—Porque diabos ele tem uma ordem de não ressuscitar ?
Jane parecia revoltada com a chance quase nula de sobrevivência de Tonny
—É complicado Jane , mas alguém tão ativo como Tonny jamais aceitaria (sobre)viver apenas por aparelhos , sendo um fardo para alguém, nem todos acreditam em Deus , em milagres ou mesmo na ciência , e enquanto cônscios de suas decisões optam por coisas assim , que podem ser radicais , mas eu o compreendo
—Meu Deus que bom que você não assinou uma ordem dessas !
Maura sorriu com o alívio de Jane, mas era um sorriso triste , prevendo que aquela ordem tinha grandes chances de serem executadas
Elas ficaram horas sentadas ,ali à espera de noticias de Tonny .
Jane contou a Maura sobre o cativeiro onde crianças e adolescentes eram mantidos , e o exato momento em que Tonny salvou sua vida enquanto ela tentava acalmar os gêmeos que diferente dos outros eram os únicos que estavam bem vestidos , dando a ela a certeza de que seriam eles as crianças para quem as passagens interceptadas por Nina estavam reservadas , Maura parecia encantada com cada detalhe sobre as crianças que mantiveram a atenção e cuidado de Jane a ponto dela não ter notado o atirador aproximando-se para matá-la com um tiro quase a queima roupa , ela sorriu a imaginar a descrição das crianças e com a ironia de que se elas fossem capazes de gerar uma criança com a característica delas , provavelmente ela se pareceria com os gêmeos , Lauren e Cameron , Maura e Jane estavam entretidas , apesar de nervosas e apreensivas ,até que um médico se encaminhava em direção a elas , com o que seria um resumo do que aconteceu nessas quase três horas , onde elas já não contavam mais com a companhia de Callie que depois de um plantão durante a madrugada , finalmente foi para casa usufruir de seu merecido descanso ao lado de Sofia e Arizona.
Era somente elas , e o destino diante delas mais uma vez.
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