Taikutsu - Shin no Michi
1 A Lista
Notas iniciais
Espero que gostem
*Felipe acabou de entrar*
*Rafma diz (10:15) : Oi o/
Felipe diz (10:15) : E aê?
Rafma diz (10:16) : Tudo bem?
Felipe diz (10:17) : Com ódio! Muito ódio! :@
Rafma diz (10:18) : Por que D:
Felipe diz (10:18) : Por causa da professora de geografia. Você viu o que ela fez hoje?
Rafma diz (10:18) : Ah... Aquilo foi tenso =X
Felipe diz (10:19) : E como tu tá?
Rafma diz (10:20) : Com tédio! Sem porcaria nenhuma pra fazer.
Felipe diz (10:21) : Entendo.*
*Rafma diz (10:35) : Ei! Por que a gente não...
Felipe diz (10:36) : Fala.
Rafma diz (10:37) : ...mata alguém? D:
Felipe diz (10:38) : Bora, então! Podemos matar alguém que eu odeie?
Rafma diz (10:40) : Hssauhusahusahhsauash! Tava zoando! xD
Felipe diz (10:41) : Affz! Você me iludiu! @.@”
Rafma diz (10:42) : Mas e se a gente criasse mortes?
Felipe diz (10:42) : Tipo, planos? Isso seria divertido.
Rafma diz (10:44) : É :D Podemos vigiar as pessoas e criar os planos só pra matar o tédio.
Felipe diz (10:46) : Desse jeito, descobrindo os horários e as rotinas dessas pessoas, será bem mais fácil matá-las.
Rafma diz (10:47) : Topas?
Felipe diz (10:48) : Só se a gente começar pela professora de geografia.
Rafma diz (10:50) : Hhsauhsauhsauhs! Beleza! Podemos nos encontrar e começar hoje. Que tal?
Felipe diz (10:51) : Podes vir na minha casa, depois do almoço? Meus pais não vão estar em casa pra incomodar ;D
Rafma diz (10:52) : Tudo bem. Até depois o/
Felipe diz (10:52) : Até o/*
*Rafma se desligou*
12:40, 15 dedezembro de 2010, terça-feira – Casa de Felipe Malfatti
Rafael tinha atravessado o portão. Enquanto caminhava até a porta, observava o chafariz que espirava água. Notou que a estátua, antes um leão, mudou agora para um anjo de cabelo crespo, carregando uma harpa.
Rafael, após o chafariz, passou pelo jardim. Notou que as folhas tinham sido cortadas recentemente e o Sr. Antonio estava aparando a grama.
- Oi, Sr. Antonio. Tudo bem? – Rafael perguntou pra ser educado.
- Estou bem. E você, filho? – Sorriu.
- Tudo certo... Vim falar com o Felipe. – Acenou se despedindo.
Passou pelo jardim e chegou até a porta, tocando a campainha. Alguns segundos depois, Seu Mazeu, mordomo da casa, atende a porta.
- Ah... Oi, Sr. Rafael. Que bom revê-lo. – Balançou a cabeça careca positivamente.
- É bom vê-lo também, Seu Mazeu. – Deu um sorriso forçado.
- O Sr. Philips está em seu quarto. O senhor pode subir.
- Obrigado.
- Vou fazer um lanche para vocês. – Alargou seu rosto enrugado pra formar um sorriso.
- Tudo bem! – Deu outro sorriso forçado, vendo Seu Mazeu ir pra cozinha.
“Finalmente”, pensou subindo a escada.
A casa de Felipe se encontrava num terreno do tamanho de um quarteirão. A casa tinha dois andares, lotado de funcionários, quadros e estátuas caras e com candelabros de cristais em cada teto de cada cômodo. Do lado esquerdo da casa, havia uma garagem que suportava até seis carros grandes, sendo apenas duas vagas preenchidas naquele momento.
Na frente da casa, se encontrava um grande jardim, o qual Sr. Antonio estava cuidando, e um chafariz, onde se localizava o anjo de cabelos crespos “a lá gesso”.
Na parte de trás da casa, se localizava uma piscina 50x50, um campo de mini golfe, uma quadra de tênis profissional e alguns bancos espalhados por todo o território.
Toda essa luxuria tinha sido conquistada por Alexandro Malfatti, um multimilionário, dono de uma multinacional famosa de motores para carro – Sora Mortors Ltda.
Rafael teve que andar um tanto até chegar ao quarto de Felipe, no fim do corredor, sendo a única porta meio aberta.
- Oi, Philips! – Rafael cumprimentou vendo Felipe jogando qualquer jogo de RPG para computador e ouvindo música, talvez, rock pesado, pelos fones.
O quarto de Philips até que era mais honesto do que alguns cômodos ignorantes o bastante para mostrar o máximo de riqueza que o lugar propunha. O computador ficava do lado de duas camas. A segunda cama sempre foi para visita de algum amigo. Geralmente, era onde Rafael estava, quando ele iria dormir na casa de seu amigo. Na parede a direita da primeira cama, estava quatro prateleiras com diversos mangás variados e revistas, sendo uma prateleira só para miniaturas de animês e desenhos animados, tanto antigos como novos. De frente pro computador e pra cama, na outra parede, ficava um armário muito grande. Na parede a esquerda da segunda cama, se encontrava uma porta para ir até o banheiro. Um candelabro de cristal no teto e para finalizar, se via alguns pôster de bandas como Paramore, Bring me the Horizoni e Yellowcard nas paredes.
O som do fone estava tão alto que Rafael conseguia escutar da porta. Rafael foi até Felipe e removeu os fones.
- Oi, Philips! – Sorriu.
- Ah... Oi. Pensei que você viria mais tarde. “Philips”? – Estranhou, cumprimentando com as mãos.
- É como seu mordomo te chama.
- Tenho que falar com ele sobre isso. Odeio Philips...
- Eu vi o anjo lá fora. Prefiro o leão. – Sentou na segunda cama, olhando para a tela do computador.
- Mas a estátua do anjo custou quase três vezes mais.
- Hum... Ainda prefiro o leão.
- Então, vamos começar? – Sentou na outra cama, empolgado.
- Aham. Só que eu tenho algumas exigências.
- Quais? – Felipe se ajeitou para se concentrar no que Rafael iria dizer.
- Eu criei essa brincadeira e espero que você faça de tudo para levá-la a sério. Eu sei que nossos planos não iram matar ninguém, mas eu quero vigiar as pessoas. Quero saber os horários que elas vão pro trabalho e voltam pra casa, eu quero saber os pontos fracos delas. Quero criar mortes bem elaboradas. Nem que seja preciso virar uma noite inteira só pra fazer isso. Sério, estou ficando louco por causa de tédio. Quero fazer coisas emocionantes e acho que isso pode ser um passatempo muito foda.
- Concordo com tudo o que você disse. Se vamos fazer uma brincadeira pra matar o nosso tédio, então que seja bem feita.
- Isso! – Rafael ficou feliz em perceber que Felipe tinha entendido o que ele queria – Como você acha que poderíamos começar?
- Que tal fazermos uma lista?
- “Lista”?
- É. Uma lista só de nome com pessoas que iremos matar. Por exemplo, escolhemos uma pessoa para matarmos, por algum motivo, aí começaremos a vigiar essa pessoa. Depois, pesquisaremos e elaboraremos o plano de morte dessa pessoa. Aí, terminando tudo com uma, iremos continuar fazendo com outra pessoa e assim sucessivamente. O que achou?
- Boa! Uma lista fará com que tudo seja mais fácil. Enfim, qual a primeira pessoa que poderíamos matar?
- Que tal a professora de geografia? Eu não consigo perdoar ela pelo que fez hoje. – Disse num tom irritado que até surpreendeu Rafael.
07:45, 15 de Dezembro de 2010, primeira aula, terça-feira – Sala da Turma 14, Escola de Educação Básica Henrique Stodieck
Todos os alunos estavam sentados em suas carteiras, quando a professora Marli, de geografia, entra na sala com o seu olhar seco para com todos presentes no local. Ela andou até a sua mesa, sem dizer “bom dia” e nos olhou eles com extremo desprezo, por que metade dos educandos da sala, tinham ficado em recuperação. Ela fez a chamada e após isso ela se levantou de sua mesa, arregaçou as mangas e pegou o livro.
- Todos abram o livro na página 117, para começarmos a aula. – A professora diz a página e esperou todo mundo se encontrar – O tempo geológico é aquele estado momentâneo do clima...
Ao mesmo tempo em que a professora começou sua explicação, Hadassa, que sentava ao lado de Felipe, se virou para esse e perguntou:
- Ô, Lipe! Qual é a página mesmo? – Sussurrou.
Felipe olhou para o livro, antes de responder e virou para Hadassa, na mesma hora que a professora notou ele.
- É a página 116. – Respondeu se sentindo útil.
- Então o mocinho deu de ficar falando na mesma hora da minha explicação? – Ela fechou seu livro e cruzou os braços, irritada.
- Eu só dei a página pra minha colega. É 116.
- Há! Há! Há! – Dá uma risada irônica — E ainda da a página errada.
- Eu só tentei ajudar ela, ok? Não fiz nada demais.
- Se ela quisesse, ela teria pedido a página pra mim. Você está aqui pra aprender e não ajudar. – Ela abre o livro novamente, procurando a página.
- Há algo de errado em querer ajudar? – Felipe falou num tom desafiante.
- Vais continuar me respondendo? – A professora fechou o livro mais uma vez, agora muito mais irritada que antes.
- Eu só acho que foi nada demais.
- Ok, então. Se for assim que você quer que sejam as coisas, então vou fazer teu joguinho. Vai dar a sua “ajuda” lá na orientação.
Felipe, já puto com a situação, se levanta sem pensar duas vezes e passa pela porta da sala, encarando a professora. Rafael estava mais no quanto da sala, surpreso com a audácia de Felipe.
- Só pela “ajuda” do seu colega, eu vou querer um relatório sobre a página 117, 118 e 119 para entregar ainda hoje. Não é resumo, é um relatório do que você entendeu. – Ela joga o livro em cima da mesa e senta, olhando para os alunos, desgostosa com a situação.
- Aquela vadia! Eu nem fiz nada demais! Na real, foi ela mesma que devia estar muito a fim de brigar com alguém. É frustrada por ser mal comida. Vaca!
- Ok, calma! – Rafael pediu paciência para Felipe, que se acalmou um pouco – Tá. Ela vai estar no topo da lista.
- Tudo bem. Quem mais poderíamos “matar”?
- Que tal a gente fazer isso em números?
- “Números”? Como assim?
- Tipo, por que não fazemos só um número tal pra tantas pessoas que iremos colocar na lista? Poderíamos começar com seis pessoas, agora. Se a gente não enjoar da brincadeira e quiser continuar, a gente pega mais seis e assim vai indo.
- Entendo. Então, quem é o próximo? Alguma ideia?
- Uh! O Joel!
- Quem é esse?
- Se lembra quando eu falei pra ti que na oitava série eu não tinha amigos e nem nada?
- Aham.
- Ele era o cara que mais zoava de mim. Ele era sempre o bobão, quando ninguém ria das piadas dele, ele mesmo ria só pra dizer que era engraçado. Ele me infernizou da quinta série até a oitava. Falava coisas de mim que não era verdade e as pessoas deixavam de tentar falar comigo só por isso.
- Nossa... O que ele podia ter falado pra fazer com que as pessoas não se aproximassem de você?
Rafael olhou para Felipe seriamente e trocou de assunto.
- Enfim, esse é o segundo da nossa lista. Já pensou num terceiro?
- Deixa eu ver...
Ambos ficam pensando, até que Felipe o responde:
- Minha ex.
- Ah! Aquela tua prima gostosa que te... – Rafael fecha a boca na mesma hora.
-... que me traiu? É. – Completa a frase com repulsa.
- Mas ela mora em outra cidade, não?
- Isso não é problema. A gente tem tempo livre. Logo são as férias.
- Mas demora quase um dia inteiro pra chegar lá. Não seria mais fácil só “matar” pessoas que vivem perto ou pelo menos na mesma cidade?
- Rafael, até parece que tu não se liga. Eu tenho dinheiro. Isso não é problema, chegamos de jatinho rapidinho.
- Ah, desculpe. Geralmente, pra eu chegar a algum lugar eu tenho que pegar busão.
- Temos já três pessoas. Sério! Estou louco pra começar a fazer os planos. Sério, cara!
- Entendi. Eu também. Só fico pensando em quando a gente começar a vigiar mesmo elas. Sabe, a quarta pessoa poderia ser uma garota que fez os dois anos de crisma comigo. Ela me incomodou os dois anos inteiro... Uma vez ela falou pro meu catequista que eu era adorador do Diabo e várias vezes eu falava pras pessoas que Deus não prestava, que o caminho dele era uma droga e coisas assim.
- Tá. A quarta pessoa é a sua amiga “santa”. Pelo que parece às pessoas gostam de comentar coisas sobre ti, né?
- Sei lá. Odeio as pessoas do meu bairro. Aquele bairro podre... Projétil de favela. – Agora quem falava irritado era ele.
- Você reclama de ser pobre, do seu bairro pobre e tal, mas os ricos são piores: são gananciosos, egoístas, querem sempre mais. Sempre querem o que eles proclamam de “poder e riqueza”, como se isso levasse pra algum lugar.
- Cara – Olha para Felipe estranhando -, tu é rico.
- Certo. Eu já sei a quinta pessoa: o Felix!
- Ah! O Felix! Como não pensei naquele idiota? Há! Há! Há!
- Sério, quero fazer uma morte tão fodona, tão cruel, tão mirabolante. Cara, eu quero ver o sangue daquele desgraçado na parede, passar a faca no pescoço e só ver o sangue jorrar.
- Caralho! – Olha para ele surpreso – Você é mal!
- Tava brincando! – Respondeu rindo.
- Mesmo assim, eu não me perdôo de não ter pensado nele. Tu não sabe o quanto eu acho escroto quando ele ficava pagando uma de pegador, de dedurar todo mundo na sala. Ele acha que é o cara e fica dando uma de folgado. O legítimo valentão da escola.
- Da nada! Pelo menos eu pensei! Temos que fazê-lo sofrer!
- Do jeito que a gente fala, até parece que irá acontecer de verdade. E eu já sei o sexto! Terá que ser o meu! A sexta pessoa que iremos matar é aquela “topetuda” do caralho, a mulher com quem o meu pai traiu a minha mãe. O que tu acha?
- Foda! Como é o nome dela mesmo?
- Rita... – Diz frustrado.
- “Rita”? Mó nome de vadia!
- Thank you! Até que enfim alguém concorda comigo.
- Você deve ter um grande ódio dela, né?
- Se tenho? Quando eu vou lá, eu ainda tenho que aguentar os três filhos dela. Um pior que o outro. Maldito foi o dia que meu pai trocou a minha mãe pra viver com ela.
- Entendo. – Felipe pegou uma folha na gaveta da mesa do computador e anotou o nome das pessoas.
|Lista de Pessoas que pensamos em Matar|
|1 – Professora Marli|
|2 – Joel|
|3 – Carolina|
|4 – Aline|
|5 – Felix|
|6 – Rita|
- Vamos fazer assim – Diz Felipe -, amanhã mesmo a gente vai começar a vigiar a nossa primeira pessoa. Depois da aula a gente podia seguir a professora com o meu carro. Que tal?
- Beleza! – Rafael da uma olhada na lista – Não vejo a hora da gente começar. –Terminou a frase sorrindo.
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