Notas iniciais
considerando que ninguém viu o Mistgun até parte do anime, eu mudei o que ele veste e a identidade teórica dele (considerando que seria spoiler demais eu contar o que ele se parece, mas considerando que quem viu os episódios da luta do Luxus contra a Fairy Tail já meio que sabe), tive uma ideia mais fofinha, porque eu achei o Luxus fofinho.

De alguma forma, de uma hora pra outra, aquele menininho loiro, fraco e medroso, mas sempre feliz, que sempre a fazia rir, tinha mudado. Mudou o suficiente para que tivesse que estar nesse momento diante dele aceitando uma luta para decidir quem era o mais forte da Fairy Tail, Luxus... Ou ele, Mistgun... Não queria isso.

Aquela Guilda era a sua casa, mesmo que há muito tempo não participasse mais de brincadeiras, e equipes, e dos festivais. Desde a última vez que teve uma equipe. Era ruim lembrar que perdeu um companheiro, quase um pai, e que ele tinha desaparecido. Elza provavelmente sabia quem era o filho do Bob. A criança que ficou sozinha, sem o seu mestre e amigo.

Foi sua culpa, e depois que aquela menina apareceu dizendo o nome de Bob, o seu rosto se escondeu, a sua existência se apagou. Gray e Natsu são poucos que lembram do rosto antigo, mas que provavelmente, diferentemente do Mestre, não sabem que Mistgun é aquela pessoa. Elza provavelmente só viu aquele rosto uma vez, mas não esqueceria tão facilmente.

E agora aquele Luxus causava problemas, depois de tanto tempo longe, depois de tentar à distância servir àquela guilda que Bob amava, de tentar proteger as pessoas que amava à distância, mas que não mais viam o seu rosto, voltava.

Estava com seu largo casaco fechado, a máscara de metal que não se abriria mais deixando as faíscas vermelhas de fúria iluminarem aquela face oculta, uma linha que permitia que falasse, rebites de metal, para nunca mais mostrar aquele rosto sob o metal.

Mistgun era apenas um nome que ninguém conhecia a imagem. Agora Luxus via aquelas mãos enluvadas de preto, aquele cetro mágico mudando de forma com um círculo mágico, os passos lentos das botas de borracha, a voz com eco metálico, os cabelos longos e negros esvoaçando levemente, brilhando com a luz do sol que entrava pelos vitrais da catedral.

- Luxus – começou a voz metálica – Eu vim para convencê-lo a terminar com essa brincadeira de mau gosto. Ainda terá a chance de dizer que isso foi apenas para divertimento dos membros da guilda se desistir dessa idiotice agora. Terminou calmamente parando à frente do outro com seus cabelos dourados.

- Não me faça rir... Agora vamos descobrir quem é o mais forte da Fairy Tail, Luxus ou Mistgun...

- Você está esquecendo da Elza, Luxus.

- Ela ainda não tem experiência suficiente...

- Não subestime as mulheres, Luxus. A voz metálica disse, e Mistgun empunhou o seu cajado, que agora era mais uma lança, criando um vórtice negro que se expandia para o lado de Luxus.

Depois de perceber que era uma ilusão demoníaca, Luxus começou a rebater.

- Não acha que me venceria com algo tão fraco, não é, Mistgun...

- Não pretendo vencê-lo, apenas abrir seus olhos para a imbecilidade que está fazendo.

- Está me subestimando? Faça algo mais sério... Não estou aqui para brincar...

- Não pretendo ser culpado de mais mortes. Disse a voz metálica travando por um segundo.

Natsu e Elza se aproximavam, Mistgun viu isso, e pelo modo como Luxus se comportava, era impossível predizer se não seria necessário algo extremo naquele combate.

- Natsu, Elza, fiquem longe. A voz metálica disse e Elza sussurrou o nome de Mistgun surpresa com a visão do mascarado negro.

- Uma abertura... Seu braço esquerdo estava entrando em curto-circuito, e a sua máscara queimava e faiscava. Luxus não tinha mais o estilo de luta de antes. Mas provavelmente, ele não era mais o mesmo, e Mistgun não era mais a mesma pessoa que ele conheceu provavelmente.

Sua máscara tremia no seu rosto e o seu braço começou a conduzir eletricidade para algum ponto doloroso, soltou um gemido de dor, levou as mãos automaticamente ao rosto, e sentiu um golpe violento o jogando como um saco à um dos pilares, sua máscara quebrou, o casaco rasgou, sentia sangue escorrendo pelo lado esquerdo do rosto, onde o metal quebrou e cravou-se em seu rosto com o impacto nas pedras da catedral, seu braço estava provavelmente esmigalhado com um só golpe.

Não se defendeu disso, não teria tempo provavelmente, não se quisesse se defender sem matar alguém dali no meio do processo. E sua intenção nunca foi de lutar seriamente com Luxus.

- Mistgun... Natsu gritou, mas parou a meio caminho quando viu o seu rosto, ou pelo menos a metade não ensanguentada.

- Você... Elza via que era aquela menina que se escondia sob um sobretudo, metade do seu corpo parecia ter sido esmagado pelas pedras.

- Elza, Natsu... Abram os olhos de Luxus... Por favor... Protejam a nossa família...

- Você... Luxus parou por um segundo, ele não esperava que o misterioso Mistgun que se juntou à guilda um pouco depois de Elza, e que simplesmente não queria que ninguém soubesse da sua existência, fosse ela... Era uma mulher... Era aquela mulher.

- Luxus... Agora eu tenho um compromisso, a luta para saber quem é o mais forte da Fairy Tail está adiado... Desculpe... Disse e um vórtice negro abriu-se engolindo-a.

- Mistgun... – Natsu e Elza pareciam por um momento preocupados, mas Luxus recompôs-se mais rápido que o esperado para um velho conhecido que acabara de inutilizar um velho conhecido. – Aya... Terminou Elza, pensando em algo do seu passado que a ligava mais que os outros ao destino de Mistgun Aya-san.

As lutas continuariam, aquela mulher, com a marca da Fairy Tail no peito, sobre onde deveria ser o coração, em vermelho, aparecendo na blusa decotada, que estava em boa parte manchada de sangue, tinha desaparecido naquela situação estranha.

Mistgun estava na floresta com Polchanka. Aquela velha seria capaz de consertar o seu braço novamente, e possivelmente seria capaz de pelo menos evitar que o seu olho caísse da órbita, mantendo os pedaços de osso mais ou menos no lugar que eram. Sobre cicatrizes ela não se preocupava, já tinha cicatrizes onde se feriu, era só mais um problema no mesmo lugar.

- Aya-chan... Humana idiota. É por isso que eu detesto as pessoas. Sentimentalismos em uma luta não são úteis. Veja como ficou, pior que antes. Antes as pessoas só viam uma cicatriz no seu rosto, agora você vai ficar deformada se eu não me apressar.

- Minha aparência não tem importância, eu já tinha dito.

- Será que não... Resmungou a velha preparando medicamentos e aplicando insumos para evitar que ela se contorcesse muito de dor.

Luxus foi derrotado, e estava diante do Mestre.

- Velhote...

- Você está expulso.

Depois disso, o velho Makarov chorava de costas para o menino, que agora não deveria mais se comportar tanto como criança, e ele virava-se para sair, com um sorriso conformista.

- Luxus... Uma voz chamou antes que ele pisasse porta afora do salão de entrada da Guilda.

- Mistgun... Natsu olhou incrédulo para o braço e a metade de uma máscara de metal que apareciam do meio de um vórtice negro.

- Itterashai, Luxus. A voz metálica disse, e não mão dela uma corda com algo foi deixado na mão dele. Uma chave de metal.

De repente se ouvia uma outra voz atrás da de Mistgun, Polchanka.

- Eu já disse que não podia colocar essa coisa de metal na cara, vai ficar com o rosto deformado de novo, humana idiota, será que... A parte do corpo de Mistgun que aparecia no vórtice foi puxada e o vórtice desapareceu.

- Aya-chan... Itekure yo. Luxus disse com um sorriso torto olhando para a chave. Era a chave da máscara que ela nunca mais tirou depois que Elza chegou à guilda. Mistgun não queria que Elza tivesse que sofrer pensando que ela a odiava pela morte de Bob, o seu mestre, e ela decidiu se esconder de forma a que Elza não soubesse mais notícia daquela menina.

Então Mistgun se transformou em um cara que era lenda misteriosa na guilda, apenas mais um mago que pegava o trabalho e saia. Perdeu o contato com seus amigos, mas nunca deixou de amá-los. Quando a Phantom Lord atacou, Mistgun destruiu todas as sucursais da guilda inimiga pelo caminho, quando Elza estava em perigo, Mistgun impediu que Zeref continuasse controlando Gerard, jogou-o, pelo menos temporariamente, em um buraco negro.

A especialidade de Aya, buracos brancos e negros. A aura negra que emanava quando brigavam, era a tristeza de Mistgun, era o que sugava a energia dos outros para poder continuar acreditando e lutando, era por isso que ela queria Natsu e Elza longe deles e se descuidou.

Ele foi embora. Queria encontrar Mistgun novamente, queria poder pedir desculpas, por ter sido o culpado da destruição do seu braço e do seu rosto, mais uma vez. Quando Bob e eles tinham partido na missão, Bob a protegeu e foi levado para a torre, quando ela protegeu Luxus perdeu o braço e desfigurou o rosto. Conseguiu um braço mecânico que funcionava com injeções de poder mágico e tinha uma aparência similar à humana, mas ainda era metal, condutor de eletricidade, e ela sabia muito bem que iria se ferir lutando com ele, mesmo assim, ela foi, e não lutou sério, mesmo assim, não queria ferir um companheiro de guilda.

Antes ela não tinha vergonha do rosto desfigurado, somente deixou os cabelos crescerem para escondê-lo um pouco e não assustar os outros em demasia com a imagem dos rasgos na pele, depois, ela se escondeu completamente, sumiu, e reapareceu como Mistgun.

Porém esse Mistgun aprendeu as técnicas de buracos negros e aplicações de física quântica com magia em algum meio estranho, antes de aparecer com a máscara. A antiga Aya lutava com a animação viva de poder espiritual que saiam de várias tatuagens pequenas que tinha enroladas em uma perna, formando uma grande serpente decorada com outras criaturas, e uma magia que naquele tempo ela não poderia usar, a invocação do Tigre, um desenho único, mas suas costas, que tinha o rasgo da sua pele tatuado, com as garras de um tigre que mantinha uma face enfurecida. Naquele tempo, ela morreria se aquele tigre saísse da sua pele, agora, não se poderia estimar, se ela desistiu de seu trunfo maior para estudar os vórtices quânticos de magia, ou se aperfeiçoou aquilo de forma a não morrer com esse grande poder.

Mistgun Aya ainda era um mistério. Era o que pensava Luxus, lembrando-se de tudo que sabia de Aya, e de Mistgun, e juntando tudo na mesma pessoa agora na sua mente.

- Elza, o que estava acontecendo com Mistgun? Perguntou Natsu.

- Não sei, mas acho que ele não gostaria que todos soubessem sobre suas coisas.

- Provavelmente, mas Mistgun estava com a Polchanka...

- Foi só o dano de batalha, a velhota sabe curar coisas complicadas. Pra que Mistgun conseguisse se despedir de Luxus, deve estar melhorando, aquele tipo de magia, a conjuração do vórtice de transferência não é tão fácil assim, e se conseguimos até escutar a velhota, então é porque a magia de Mistgun já está estabilizada em parte.

- O que você está fazendo na minha casa? Saia!

- Yo, velhota. Eu vim ver Mistgun...

- Sabia que é sua culpa que eu tenha que passar trabalho pra consertar de novo a cara dessa maga idiota!

- Eu sei, velhota, eu sei... Luxus falou passando para ver a garota que dormia, com faixas no rosto e no lado do corpo.

- Pelo menos agora eu pude fazer um trabalho mais decente, mas essa criança teimosa parece que se acostumou com aquela coisa de metal. Falou a velha apontando para a máscara de metal.

Mistgun acordou com o berreiro da velha curandeira.

- Oba-sama, o que... Ela parou por um momento quando viu Luxus.

- Aya-chan... – falou ele sentando-se ao lado da cama e colocando a chave de volta na mão dela. – Desculpe... De novo eu...

- Ora, cale-se. Ela disse baixinho.

- Mas...

- Mas nada, faça algo decente e volte. Volte para a Fairy Tail. Disse ela devolvendo-lhe a chave.

- Eu fui expulso. Falou olhando para aquela chave, provavelmente era a chave da máscara de metal.

- Exatamente por isso tem que fazer algo de decente e voltar pra casa, redima-se se quiser ver o meu rosto de novo.

- Humana idiota... Resmungou a velha separando algumas coisas e voltando com um espelho.

- Aya-chan... Desculpe...

- Pare de me pedir desculpas. Falou ela entediada e a velha aproximou-se com uma tesoura e o espelho. Largou o espelho no colo dela e começou a cortar as faixas de curativos.

Até que Luxus chegasse ali ela já estava praticamente recuperada.

Ela olhava a sua mão aparecendo, e sentia-a diferente, mais humana que antes, e ela não tinha mais as cicatrizes, o seu ombro também parecia melhor. Olhou-se no espelho, e não via mais as marcas no rosto. As cicatrizes tinham sumido. A velhota conseguiu algo que não pode fazer da outra vez.

Ela parou por um segundo, colocou a mão no rosto, e realmente, as marcas não estavam mais ali.

- Aya-chan... Você... Voltou. Luxus olhava saudoso para o rosto surpreso dela, o sorriso antigo, como era há muito tempo. Mas viu que ela estendeu a mão para o lado da parede.

- Ainda não, Luxus. Ela disse já com a máscara presa no rosto, trancafiada para o mundo. Levantando-se e calçando suas luvas, colocando o casaco sobre a blusa rendada com vermelho, sua saia rodada em um tom de preto com uma luminosidade avermelhada, calçou as botas de couro, e ele não sabia o que isso significava.

Ela o odiava agora? Então porque pedia pra ele voltar e depois se escondia nessa barreira?

- Aya-chan...

- Saiam da minha casa. Odeio humanos. Dizia a velha empurrando-os para a saída.

- Até logo, Luxus. Não demore muito. Disse ela desaparecendo num vórtice.

Ele ficou ali por um segundo, até ouvir Polchanka gritando pra que fosse embora e resmungando algo sobre os humanos terem sentimentos incompreensíveis.

Mistgun agora não fazia mais os outros dormirem pra buscar uma missão, mas mesmo assim era distante, ficava no seu canto mexia na articulação da máscara no queixo para abrir a linha de sua boca e beber.

“Eu não sabia que Mistgun era uma mulher.” “Mas que belo corpo tem uma das magas mais fortes da Fairy Tail...” “Porque será que ela esconde o rosto naquela máscara?” Era algo frequente logo que ela começou a aparecer mais. Depois que alguns se aterrorizaram com ela brigando com Gray ou Natsu, as perguntas paravam, algumas pessoas raramente comentavam o fato de ela ser uma boa amiga de Juvia, apesar da aparência, e Lucy aparentemente ser um tanto preferida por Mistgun.

Elza recebia um tratamento de rainha da outra maga, e isso era estranho. No aniversário de Elza, ela deu uma motocicleta de metal muito estilizada para o reequipar da maga, e estava sempre sendo muito formal com a Titania.

- Mistgun – começou Elza certa vez – Quero dizer... Aya-san... Porque me trata dessa forma se...

- Se você ficou mais tempo com Bob-sama mais tempo que eu, enquanto eu pensei que ele tinha morrido? Se você foi a culpada da morte do Bob-sama... – ela começou com a voz metalizada e a outra olhou surpresa pelo modo direto da outra – Elza, você deu esperanças pra que ele vivesse como um grande mago da Fairy Tail até o fim. Você é parte da Fairy Tail, graças ao Bob-sama, não quero que se sinta mal por minha causa, foi por isso que eu não quis que olhasse pro meu rosto diretamente, é por isso que Mistgun é o que e hoje. Você é forte, eu também quero ser.

- Mistgun Aya...

- Provavelmente, o que elas estão tentando dizer é que desejam ser amigas... Resmunga Gray de um canto, e Mira-san indica que ele está se desfazendo das roupas automaticamente de novo.

- Sim... Aya-chan sempre quis isso, mas não tinha coragem de dizer. Concorda Juvia.

- Você anda muito amiga dessa mascarada estranha... Resmunga ele e Juvia cora um pouco pensando no comentário de Gray como um ato de protecionismo.

- Mascarada estranha? – começa Natsu terminando de engolir uma chama – Aya-chan, é aquela Aya-chan, Gray! Fala ele apontando para a tatuagem de cobra na perna dela, a mesma de quando eram crianças, só que agora com mais micro desenhos e ditames mágicos, ela tinha evoluído.

- “aquela Aya-chan”? Perguntou Juvia curiosa.

- Sim... Aquela menininha de cabelo Chanel absolutamente medrosa e chorona, com jeito de menininha mimada, e que era apaixonada pelo Gray. Fala Natsu engolindo mais chamas.

- Ei, isso é invenção sua... Fala ele corando um pouco. Era bem verdade que na infância eles se gostaram, mas Aya tinha desaparecido.

- Mas porque ela se escondeu como um cara estranho até agora eu não entendo... Fala Juvia pensativa.

- Provavelmente, por causa da Elza. O mestre dela passou por maus bocados, e a Elza foi defendida pelo velho Bob quando ele morreu. Então pra não fazer a Elza se sentir mal aqui, ela saiu e voltou como o Mistgun. Comentou Natsu.

Depois de algumas missões, depois de uma amizade mais forte com Gray, Juvia, Gajelle, Lucy, Elza e até mesmo Natsu, ela andava meio preguiçosa.

Até que encontraram um grande problema. Há pouco tempo ela passara a incentivar o romance latente da menina de água e do menino de gelo, que aparentemente era compatível, desde que perceberam até mesmo em questões de magia, desde o festival, como se entendiam. Um de mau humor, ou resmungando, ou brigando, a outra sendo fofa, compreensiva, divertida e alegre. Logo isso se resolveria, com um romance ou com um fim trágico, era normal que sempre houvesse as duas opções.

Estou sendo seguida. Esse era o pensamento de Mistgun quando andava junto com Juvia, Gray e Gajelle em direção à missão que tinham para resolver juntos.

As coisas ficaram feias, mas foram resolvidas, embora em alguns momentos ela não soubesse explicar como teve tanta sorte. Era como se houvesse alguém sabotando a batalha do lado contrário com coisas ridículas, mas isso salvou a vida deles. Era um espírito muito Fairy Tail, algo que os espíritos de Lucy fariam, ou as brincadeiras de Natsu, ou...

Eles se recuperavam, respiravam e olhavam ao redor, provavelmente Gajelle que não se acostumava nunca com isso, pensava no prejuízo da destruição que eles conseguiam fazer.

Ela escutou um clique. Juvia e Gray estavam mais afastados, ele a carregava para perto, Gajelle farejava algo, e olhou para trás dela no momento que ela escutou o clique, mas ficou parado. Se ele ficou parado, então não era algo perigoso, foi o que pensou.

Sentiu a sua máscara fraquejando a dobradiça da sua nuca, tinha sido solta, caiu aos seus pés. Gajelle olhava surpreso, provavelmente ele pensava que o rosto dela era deformado pra que usasse uma máscara assim. Gray olhou saudoso pro rosto dela, e Juvia se surpreendeu que a antiga rival de infância, em teoria, fosse tão bonita.

Ela se virou, sabia quem veria, a única pessoa que tinha uma cópia da chave da sua máscara. Luxus, era o espírito infantil de Luxus brincando com os seus oponentes no momento certo pra que ela não morresse ali. Pra que ela não tivesse que usar o tigre. Ele tinha medo do tigre mata-la, era possível sentir isso.

A sua aura ficou de vermelho escuro, ainda meio desesperançosa, mas melhorada pela convivência com a Fairy Tail, em vermelho berrante, e todos que viam o recém-chegado e ela, se surpreenderam com o poder que ela emanava agora, depois daquela batalha.

- Okaeri, Aya-chan... Disse ele vendo que ela ainda estava confusa por terem tirado a sua proteção contra o mundo, e colocava a mão no rosto, como se quisesse esconder uma cicatriz que não estava mais ali.

- Tadaima, Luxus... Ela disse, e queria que a sua máscara estivesse no seu rosto, porque não queria que a vissem com lágrimas nos cantos dos olhos.

Mesmo que ela tivesse energia sobrando em questões de magia agora, estava cansada, de iria cair. Gajelle não fez nada, e Juvia o olhou estranho, mas ele olhou de volta como que dizendo “cuide do seu garoto e deixe esses dois se entenderem”. Luxus a carregou por quase todo caminho de volta, mesmo que ela reclamasse que já estava bem.

Era como antes, talvez... Mas mesmo assim, eles sabiam que tinha alguma coisa diferente. Juvia e Gray entraram de mãos dadas na guilda, Gajelle vinha trazendo as malas e a gorda recompensa, e fez um sinal a Mira-san pra que trouxesse algo pra beberem e tirassem o cansaço da viagem.

Os outros entraram em leve rebuliço por não terem visto como sempre, Mistgun à frente, e mais alvoroço ainda quando Luxus a carregou para dentro.

As coisas até poderiam parecer tensas, mas nos dias que se seguiam, as pessoas se acostumaram com a ideia de Gray e Juvia terem assumido um namorico, só que não se acostumariam tão facilmente com o rosto belo de Mistgun que foi por tanto tempo escondido deles, e a voz sem o eco do metal, que agora soava bem.

Mistgun estava falando com o Mestre há mais tempo que o normal depois que ele voltou do conselho.

- Considerando que apesar de tudo – começou o Mestre – foi esse idiota que conseguiu convencer essa linda menina a tirar aquela máscara... – Disse ele apontando para Luxus e Mistgun, e ouvindo resmungos de todos – Luxus pode voltar à guilda.

E não disse mais nada. Aparentemente todos tinham entendido o verdadeiro motivo. Luxus salvou a maga classe S mais requisitada da guilda, junto com Titania na popularidade quase, e aparentemente, tinha entendido o que significava a Fairy Tail. Era visível nos seus olhos a alegria de ter voltado.

- Não devo mais desculpas a você, Aya-chan... Obrigado...

- Cale-se. Idiota. Você merece isso, Luxus. — Disse ela tentando recuperar a máscara inutilmente das mãos dele que não desgrudou daquele pedaço de metal desde que chegaram. – agora me devolva isso... Resmungava ela tentando pegar a sua máscara de volta e irritando-se com ele rindo disso, e com os outros olhando a cena e achando isso ridículo entre dois magos de classe S.

- Não quero mais que esconda seu rosto. Disse ele reclamando enquanto evitava que ela, mais baixa que ele, pegasse o pedaço de metal, que ele eletrocutou até não sobrar mais que uma coisa disforme de aço.

- Luxus, por que... Ela resmungava com uma cara furiosa quando viu o que virou a sua máscara, mas foi interrompida. Ele a beijara na frente de todo mundo, assim sem mais nem menos.

A guilda inteira via a aura de ela ficar em vermelho berrante, passar por umas cinco cores ofuscantes e ridículas e voltar a um vermelho berrante quando isso aconteceu.

- Desculpe, eu não... Ele meio que ficara sem jeito depois desse impulso repentino e seu rosto ficava vermelho.

- Luxus... – ela disse um pouco surpresa, ignorando tudo ao redor, o que surpreendeu a todos, visto que ela era tão reservada, e abraçando-o – Por favor, não me peça desculpas por isso. Ela falou baixo a ele e o retribuiu no beijo de antes.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!