Tachibana Makoto
1 Único
Notas iniciais
E frente aos seus olhos, aquela figura tão familiar, mas que ao mesmo tempo, nunca havia visto em sua vida; o encarava friamente, embora sorrisse. “Tachibana Makoto”. Seu amigo de infância... Aquele que cresceu consigo, sempre ao seu lado... Sempre com ele... Sempre...
O sorriso endemoniado adornava descaradamente os lábios quais jamais vira transpassar algo diferente da gentileza e toda a ternura que existia no mundo... Assim como, aquele olhar. Makoto sempre teve um olhar penetrante, mas em hipótese alguma... Em momento algum, havia notado o abismo que se escondia por detrás daquele verde que agora não mais lhe era tão adorável.
Não o reconhecia...
– Ma... Koto...?
Inevitável a gargalhada carregada de ironia ecoar pelo cômodo, transbordando o quão patético aquilo lhe havia soado.
– Você realmente ainda acha que ele está aqui? — indagou descrente, rindo.
Haruka estava entre ele e a parede e totalmente desnorteado com tudo o que estava acontecendo e se revelando num tempo curto demais para que seus pensamentos pudessem acompanhar. Engoliu seco e a boca se abriu apenas para ilustrar da maneira mais óbvia do mundo o quão ignóbil era.
– Eu realmente tenho dó desse moleque... — meneando a cabeça em negação, comentou ainda rindo afastando-se poucos centímetros de Nanase. Olhou-o nos olhos uma vez e o mediu, debochado. — Haru-chan. - chamou-o... Assim como ele conhecia... Assim como Haruka se lembrava de como era Tachibana Makoto. Uma ponta mínima de esperança foi acesa e apagada logo em seguida com o sorriso insano que estampava o rosto do amigo... — Pobre garoto...– riu.
– Makoto...? — o coração estava disparado e a cabeça uma bagunça. Não entendia, nada fazia sentido! O que era aquilo? Quem era aquele?
Um carregado suspiro fez-se ouvir e Makoto espalmou fortemente a mão na parede, atrás de Nanase. — Já que você realmente não está entendendo, te farei o favor de explicar.
Palavras tem significados. Sentimentos. E acima de tudo, poder. O poder de mexer com o interior das pessoas. Com suas emoções mais íntimas, com todo seu psicológico... Com sua tão preciosa alma.
Palavra por palavra, sílaba por sílaba. Ditas com firmeza, ditas com extrema clareza. Palavras que ecoavam em sua mente e o fazia sentir que sua cabeça explodiria a qualquer momento assim como seu coração que se contraía mais e mais, dolorosamente. Estava sendo esmagado, reduzido ao nada, assim como tudo aquilo que tinha de belo em sua memória sobre a amizade deles.
“Naquele dia, qual você finalmente escolheu Matsuoka Rin, enfim, Tachibana Makoto desistiu e se rendeu à mim. A sua escolha, finalmente me deu essa tão saborosa alma. Uma alma tão pura... Tão inocente. Uma rara alma que ainda é motivo de grandes disputas ali do outro lado. Nada mais dele resta além da minha última parcela que está sendo paga agora. Obrigado por me poupar trabalho.”
O sorriso crescia deliciando-se com cada mínima reação que Haruka esboçava. Afinal, era por ele que Makoto havia se deixado seduzir. Foi graças à sua indiferença, sua fixação pelo Rin, ignorando assim tudo que Tachibana poderia ou não estar sentindo; que Makoto deixou-se, finalmente, abraçar proporcionando assim, aquilo que o outro tanto almejava. Saboreava cada mínimo pedaço restante daquela alma tão concorrida, sofrida e mesmo assim, deliciosamente pura; bem frente aos olhos azuis que nada refletiam além da mais profunda perplexidade.
Haruka deixou-se cair. Suas pernas tremiam e as lágrimas escorriam carregando com elas toda sua lucidez e o pouco que ainda lhe restava de sanidade. Sua alma definhava jogando suas insignificantes sobras dentro do mais obscuro e profundo pântano de dejetos que vertia ao seu redor engolindo-o sem piedade.
– Makoto...
– Deixou-se sucumbir por aquilo que ele tanto lutou contra, graças à sua tão adorável colaboração. Seu egoísmo e a sua cegueira. — completou prazerosamente.
07.10.2013
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