Março, 2019


Minha vida acaba aqui.

Fecho os olhos por um momento e vislumbro tudo o que vivi. Todas as coisas boas ficaram na infância. Jogar bola no campo perto de casa, pular corda, roubar brigadeiro das festinhas de aniversário e tomar banho de chuva. Ainda ouço a risada do meu melhor amigo, da minha mãe, do meu irmão.

Só não ouço mais a minha.

Abro os olhos e encaro meu reflexo no espelho do banheiro.

一 Vamos lá, Álvaro. Você consegue. 一 Encaro os comprimidos em minha mão. O psiquiatra me disse para tomar uma cápsula por dia, porém uma voz interior me diz para ingerir tudo de uma vez.

Quando o som da campainha do meu apartamento alcança meus ouvidos, eu o ignoro.

O silêncio reina no banheiro, exceto pelo som do relógio na parede da cozinha.

A campainha soa outra vez.

Suspiro, irritado. O interfone nem tocou. Como alguém conseguiu entrar? Seria um sinal para eu não me matar?

Largo os compridos sobre a pia, saio do banheiro. Vou para o meu quarto, pego uma camiseta cinza e a visto. Atravesso a sala e vou em direção à porta, mal humorado, e a abro com força.

一 O que é? 一 resmungo, encarando Marcos, um antigo colega do trabalho. Desde que me mudei para esse apartamento, ele é a única pessoa que vem me visitar. Às vezes, aparece com comida, às vezes só vem para conversar comigo. Não sei porque tive dúvidas de quem seria. Acho que estou mesmo louco. Quem eu esperava?

Ele não espera um convite para entrar. Para perto da TV e passa o dedo sobre ela.

一 Há quanto tempo não limpa este lugar?

Eu fecho a porta e me afundo no sofá. Marcos permanece de pé.

一 Se veio aqui me humilhar, é melhor cair fora 一 resmungo, a voz tão áspera quanto folhas de cacto. 一 E aliás, quem te deixou entrar no prédio?

一 O porteiro já me conhece, meu amigo. E o portão estava aberto, parece que alguém está de mudança daqui hoje. Vi uns homens carregando mobília.

Cruzo os braços.

一 Bom, agora que já me viu, pode ir embora. Eu tô ótimo! 一 Forço um sorriso que não engana a ninguém.

Ele faz uma careta e olha em volta.

一 Qual a sua definição de "ótimo"? Este lugar fede a mofo. Imagino que você deve dormir com os ratos.

一 Sinta-se à vontade pra limpar.

Marcos ignora meu comentário irônico e diz:

一 Não vou sair daqui se você não vier comigo.

一 Pra onde?

一 Marquei uma consulta com Flávio pra você.

Suspiro e reviro os olhos.

Ele fala sobre esse psicólogo há meses e eu nunca tive interesse em conhecê-lo.

Dou um sorriso debochado.

一 Desmarque. Eu não vou.

一 Álvaro. Você precisa ir. É pro seu bem, não vou te deixar mofando junto com seus móveis numa espelunca dessas. Você precisa sair mais. Parece que não é mais o mesmo desde o divórcio.

一 Eu não sou mais o mesmo... há muito tempo. 一 Desde os meus dezenove anos...

Decido que não vale a pena conversar sobre isso com Marcos, ele jamais entenderia. Aliás, ninguém entenderia.

Ele vai até a janela e afasta a cortina. Todo o ambiente da sala é iluminado pelas fortes rajadas de sol.

一 Precisa cuidar melhor da sua saúde. Quanto tempo faz que não vai ao psiquiatra? Você tem tomado os remédios?

Estreito as sobrancelhas, incomodado com a luz.

一 Pra ser sincero, não acho que os remédios façam efeito.

Na verdade, eu nunca tomo os remédios corretamente.

一 Fariam mais efeito se fossem associados com sessões de terapia, conforme as recomendações do médico. Por que não quer ir? Por que ainda tem tanto preconceito?

一 Não tenho preconceito. Só não concordo em pagar pra conversar com um estranho sobre meus problemas.

Ele se afasta da janela, depois de passar um tempo olhando para o que quer que fosse na rua.

一 As consultas não são como você imagina. Por isso 一 ele se senta ao meu lado, no sofá 一, não vou sair daqui enquanto não se arrumar para ir à consulta. Aproveita que é por minha conta. 一 Ajeita o nó de sua gravata, como de costume, e eu bufo.

Marcos sabe ser insistente quando quer, não é à toa que sua carreira de advogado está em ascensão e ele não perde nenhum caso há bastante tempo. Por um momento, não consigo deixar de pensar que... se eu não tivesse estragado tudo, também teria uma carreira promissora.

一 Tá bom. Por hoje, você venceu. Vamos ao bendito psicólogo. Mas eu vou assim mesmo. 一 Ergo os braços e aponto para as roupas que estou usando.

Ele balança a cabeça, olhando-me de baixo para cima em reprovação.

一 Pra assustar o psicólogo? De jeito nenhum. 一 Ele se coloca de pé e consulta as horas em seu relógio de pulso. 一 Te dou meia hora pra tomar um banho, fazer a barba, vestir algo decente e vir comigo. Te espero lá embaixo. Se você não aparecer, sabe que subirei aqui de novo, né? 一 Ele sorri um pouco, o que me deixa bravo.

Sua presunção é irritante. Mas fico obstinado a comparecer na consulta e, depois, não voltar mais.

Quando Marcos deixa meu apartamento, vou ao banheiro e tomo um banho rápido. Faço alguns cortes, sem querer, no meu próprio rosto, numa tentativa idiota de me barbear. Saio do banheiro com alguns pedaços de esparadrapos colados no rosto.

Ao abrir o guarda-roupa, pego uma bermuda velha, uma camiseta preta e um par de sapatos sociais, que, provavelmente, não têm nada a ver com o restante da roupa, mas gosto de usá-los. Também pego meus óculos de sol, porque imagino que a luz possa afetar minha visão.

一 Você parece um palhaço com esses sapatos 一 Marcos comenta, rindo, quando entro em seu carro prateado, momentos depois. 一 E o que aconteceu com seu rosto?

Dou de ombros.

一 Cala boca e dirige logo. Vamos acabar com essa tortura.

Assim que o carro dobra a esquina, observo uma mulher saindo de uma confeitaria com uma torta de morango nas mãos. Na mesma hora, minha mente me leva à lembrança de uma figura feminina que amava essa sobremesa. Seus sorrisos angelicais, lábios rosados e cabelos quase sempre iluminados pela luz do sol, balançando pelas costas toda vez que ela caminhava.

一 Eu dou 100 reais por seus pensamentos 一 Marcos comenta.

一 Não é nada.

Pigarreio quando percebo que meus olhos ardem e, dessa vez, não é por causa do sol. Numa tentativa de espantar os pensamentos incômodos, ligo o rádio no carro e fico ouvindo as notícias da semana. Marcos não protesta, em vez disso, continua dirigindo em silêncio. Talvez, ele entenda que eu preciso ficar quieto.

Quando Marcos estaciona embaixo da sombra de uma árvore, salto do carro e coloco as mãos na cintura. Meus olhos disparam para o outro lado da rua. Estamos diante de um prédio prateado cujo tamanho se assemelha a um arranha-céu. O sol parece engoli-lo no topo. Torço para que Flávio realize as consultas em andares inferiores.

Quando entramos no edifício, uma jatada de ar frio toca minha pele e meu corpo estranha a mudança abrupta de temperatura. Ao lado da recepção, há vasos grandes marmorizados cheios de amarílis vermelhas cujo destino já está selado. Elas morrerão dentro de alguns dias, enquanto eu programei minha morte para hoje. Talvez, meu destino não esteja tão selado quanto o delas. Ou talvez o cara lá em cima ainda esteja disposto a me dar uma chance. Pelo menos, as flores levam uma vida bonita. Já a minha, sempre foi uma tragédia. Acho que a vida deve ser entregue apenas para quem a merece.

Quando Marcos e eu entramos no elevador, meu coração vibra com a mensagem: dê meia-volta e vá embora. Encaro o teto, balanço os pés para frente e para trás e deixo minhas mãos presas uma à outra nas costas.

Arrisco um assobio e Marcos ri, em escárnio.

一 Você é medroso demais pra um homem tão grande. Devia ter vergonha disso.

一 Não seja patético. Não tô com medo.

Ele ajeita a gravata e se olha no espelho.

一 Vai abrir um buraco no chão de tanto sapatear.

Então, eu paro na mesma hora em que as portas se abrem, no quinto andar.

Marcos me empurra levemente para fora e seguimos por um corredor. O silêncio é tão absoluto que me faz querer gritar, mas sei que só ouviria o eco da minha própria voz, talvez me chamando de louco.

一 Eu não preciso disso. Foi sacanagem da sua parte me trazer aqui sem parar num bar. Sabe que eu fico mais confiante quando bebo 一 sussurro para Marcos, em um tom que beira o caos.

Ele dá um sorriso de canto.

一 Mais confiante? Você é um chorão quando está bêbado. 一 Faz uma careta e tenta me imitar: — Por que ela me largou? Eu não vivo sem ela... Qual o nome da sua ex mulher mesmo? Eu sempre esqueço.

Suspiro e lhe dou uma cotovelada.

一 Cala a boca.

Paramos na frente de uma porta branca, com maçaneta e numeração dourados. Marcos toca uma campainha e meu estômago se contrai. Acho que vou passar mal porque não bebi nenhuma dose de vodca, uísque, nada hoje. Ninguém deveria enfrentar a vida estando tão sóbrio. Ninguém!

Mal escoro a mão na parede quando a porta se abre e me obrigo a olhar para cima. Eu esperava um cara fortão, maior que eu e intimidante. Quase dou risada ao me deparar com um cara menor e de ossos frágeis. Eu o esmagaria facilmente. Ele é como uma formiga de óculos fundos e pele flácida.

Com uma das mãos, o homem segura uma bengala e com a outra, a maçaneta da porta. Seus cabelos são acinzentados, um pouco grandes. Ele tem olhos de urso panda, denunciando suas noites mal dormidas. Uma cicatriz cruza seu nariz e atiça minha curiosidade.

Apesar de suas aparentes desgraças, o cara ainda tem a audácia de nos receber sorrindo. Um sorriso cheio de dentes amarelados, porém que faz algo em mim oscilar. Não é estranho. Já vi um sorriso assim em algum lugar, mas não lembro.

一 Bom dia! Por favor, entrem 一 ele diz, afastando-se para nos dar passagem.

Faço uma careta. Sua voz arrastada e lenta também parece familiar.

Entro em um cômodo e vejo uma bancada branca, com uma garrafa térmica e um pote de biscoitos sobre uma bandeja ao lado de um rádio de pilha azul.

Dou um sorriso fraco.

O rádio se parece tanto com o que minha mãe tinha em casa. Ouvir música nesses aparelhos era comum há alguns anos, mas agora, com tantos aplicativos de celular, é difícil achar alguém que ainda seja apegado a esse tipo de coisa.

Será que se minha mãe estivesse aqui ainda usaria esse tipo de aparelho? Tento dissipar o pensamento para evitar que o mesmo sentimento de pesar de sempre me invada. Agora não é o momento, talvez mais tarde, quando eu estiver sozinho...

一 Você deve ser o Álvaro, certo? 一 pergunta-me Flávio, trazendo minha atenção ao presente. Só nesse momento eu percebo que o rádio toca uma música ambiental, sem letra.

Apenas assinto.

一 O que é isso no seu rosto? 一 ele pergunta.

一 Cortes que fiz com a lâmina hoje, enquanto eu fazia a barba.

Ele sorri.

一 Sei exatamente como é 一 diz. Encaro seu rosto liso e me pergunto se sabe mesmo. Será que ele fez aquela cicatriz no nariz com uma lâmina? Tal pensamento me faz ter vontade de rir. Pelo amor de Deus, para fazer uma cicatriz daquelas, acho que é necessário bem mais do que uma lâmina de barbear.

Ele resolve interagir com Marcos:

一 É um prazer revê-lo. Como está a família?

Marcos se senta em um dos sofás esverdeados, pega uma revista de negócios na mesa de centro e folheia as páginas.

一 Bem. Patrícia acabou de entrar no nono mês de gravidez. Estamos muito ansiosos pela chegada da Laura.

Suspiro.

Marcos e Patrícia já estão com a segunda filha a caminho e eu só consegui ter uma. É incrível pensar que, às vezes, fazemos planos e o destino muda tudo. Hoje, eu não consigo nem visitar a única filha que tenho, imagina se eu tivesse outros. Seria mais alguém com quem eu falharia miseravelmente como pai...

一 Gostaria de um café, chá ou biscoitos? 一 Flávio chama minha atenção novamente.

一 Não, obrigado.

一 Então vamos começar. Me acompanhe.

Eu o sigo e paro no meio de um corredor. Um quadro abstrato chama minha atenção. As tintas mesclam a cor vermelha, laranja, preta e branca. A imagem parece a sombra de um casal dançando no meio do fogo. Ao me aproximar, toco a pintura. A textura do quadro me faz fechar os olhos. Permito que a mesma figura feminina de sempre invada meus pensamentos e a vejo no jardim de sua casa, pintando o céu e a vida. Quero voltar para a garota que amava. E amá-la mais uma vez.

一 Você gosta de quadros? 一 A voz de Flávio consegue me arrastar de volta ao presente, o que é triste.

Abro os olhos.

一 Sim, mas... 一 Desço o olhar para o rodapé do quadro e hesito. A assinatura do pintor está borrada. Não é possível, ela não podia ter pintado o quadro. Não podia estar na cidade... E se estivesse, por que não me procurou? 一 Onde conseguiu esse quadro?

一 Comprei com um vendedor de rua. No centro da cidade tem algumas pessoas vendendo quadros nas calçadas. Eu não sei quem pintou, mas me chamou muita atenção. Eu sou apaixonado por quadros. Esse, especialmente, eu bati o olho nele e vi um pássaro de fogo gigante, batendo as asas. Achei incrível.

Assim que ele diz isso, a ideia que passou pela minha mente se dissipa. Claro, até parece que ela estaria aqui...

Depois, faço uma careta, pensando no que Flávio acaba de dizer.

一 Como assim um pássaro? É evidente que se trata de um casal dançando no fogo.

Ele ri.

一 A beleza da arte abstrata é exatamente essa. A gente nunca sabe que imagem o pintor tentou produzir. Cada um pode ver uma coisa diferente e atribuir seus próprios significados.

Dou um sorriso irônico, pensando em suas palavras. Talvez fosse verdade, mas eu nunca entendi muito bem o conceito de quadros abstratos. Sempre achei que qualquer pessoa podia produzi-los, até mesmo uma criança de cinco anos.

Por isso você riu quando Yasmin lhe apresentou seu primeiro desenho feito na escola, uma voz me atormenta com esse pensamento e fico sério, ao lembrar da primeira vez que fiz minha filha chorar. Garotinhas de cinco anos não desenham bem. O problema é que, naquele dia, quando ela chegou no meu escritório, empolgada com o desenho que fez na pré-escola, eu estava com uma garrafa de uísque na mão.

Segundo Yasmin, ela desenhou uma vaca, mas parecia com um varal de roupas caindo aos pedaços. Não consegui conter a risada e em seguida, eu disse algo como "Pelo amor de Deus, menina. Você nem sabe desenhar". Nunca mais esqueci sua expressão depois daquilo e eu soube, na hora, que a tinha magoado.

Até hoje, essa lembrança me assombra quando vou dormir. Isso não se diz a uma criança, não com o tom ríspido e debochado que usei...

一 Álvaro? 一 Flávio me chama. Eu pisco e o encaro, ainda abismado com seu rosto. Acho que o conheço, mas não tenho certeza de nada. 一 Podemos ir? 一 Ele aponta para sua sala.

Eu assinto e coloco as mãos nos bolsos da bermuda.

No consultório, há duas poltronas brancas de frente uma para a outra. Ele me indica um assento. Minha poltrona está ao lado da janela e já me incomodo com a claridade presente ali. Para meu grande alívio, há um ventilador de mesa no canto da sala, apoiado em cima de uma escrivaninha preta.

一 Posso ligar o ventilador e fechar a janela? 一 pergunto.

Flávio toma seu assento.

一 Fica à vontade. A luz te incomoda? Por isso os óculos escuros?

Caminho até o ventilador e o coloco em velocidade média.

一 Na verdade, acho que tenho enxaqueca. 一 Vou até a janela e fecho as cortinas.

一 Acha? 一 o psicólogo pergunta, quando afundo em meu assento. Caraca, eu poderia dormir nessa poltrona. É como sentar numa nuvem!

一 É, porque... já tem um tempinho que não vou ao médico pra saber, então... 一 Deixo a frase no ar e cruzo as mãos diante do colo.

一 Agora que as janelas estão fechadas, você poderia tirar os óculos 一 Flávio sugere.

Eu bufo.

一 Não quero.

一 Por quê?

一 Já é desconfortável o bastante eu estar aqui.

一 Você nunca fez terapia?

一 Não. E se dependesse de mim, nem estaria aqui. Não acho que eu precise.

一 Então, por que veio?

一 Marcos. Ele marcou uma consulta com você pelas minhas costas. E como ele é insistente, eu não quis recusar. Eu costumava ser mais... teimoso com as coisas, só que estou cansado, então... 一 Dou de ombros e encaro sua cicatriz. 一 Escuta, sem querer ser chato ou intrometido, mas já sendo 一 dou uma risada 一, o que houve com seu rosto? Como conseguiu essa cicatriz?

一 Sofri um acidente de carro, há alguns anos. Precisei fazer uma cirurgia plástica de emergência.

一 O acidente também te deixou manco?

一 Quebrei o joelho e a cirurgia deixou sequelas. 一 Ele muda de postura no assento, assumindo um ar mais relaxado. Depois, cruza as pernas.

一 Caramba 一 comento, em choque. Isso explica muita coisa, só não explica ainda de onde o conheço. 一 Acho que te conheço de algum lugar.

Ele franze a testa e depois sorri.

一 Por incrível que pareça, eu ouço muito essa frase. As pessoas dizem que tenho um rosto muito comum.

Fico pensativo e estreito os olhos.

一 É, talvez seja isso...

Ele suspira.

一 Bom, podemos começar? 一 Eu assinto. 一 Sei que não queria estar aqui e se não quiser mais voltar depois dessa consulta, eu entendo. Aliás, prefiro que as pessoas me procurem por conta própria e não contra sua vontade. Mas já que você está aqui, podemos aproveitar e fazer uma "consulta teste". Se não gostar, fique sabendo que está livre pra não voltar. Me conta mais sobre você.

Suspiro. Por onde eu vou começar? Há muitas coisas para dizer, mas confesso que não estou muito confiante em falar boa parte delas. Talvez eu devesse começar pelas partes menos dolorosas, quando minha vida não era tão ruim quanto eu imaginava. Acho que falando as partes razoáveis primeiro me dará tempo para eu me sentir preparado para as coisas mais pesadas.

一 Devo começar do começo, do ponto em Marcos me conheceu, dos últimos meses ou de hoje? 一 pergunto, por via das dúvidas.

一 Por onde você achar melhor.

Dou uma risada.

一 Tá bom. Mas vou logo avisando que é uma longa história.

O psicólogo sorri.

一 Estou ouvindo.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.