TAILS
8 Eu não cumpro minhas promessas.
Notas iniciais
Eu não cumpro minhas promessas.
Eu realmente precisava falar com Tess. Não vejo como seria possível deixar o acampamento sem ela. Desde sempre, fazíamos planos de sair do acampamento, e viver nossas próprias vidas. Juntas...
Desci o monte em direção ao chalé 4. Pensava em como contar a ela que eu estava indo embora.
Talvez eu voltasse... Ou não.
– Tess – gritei na porta do chalé – TEEEEEESS!
A porta se abriu, mas não foi Tess que saiu. Eliot, o irmão dela. Ele abriu a porta com uma expressão carrancuda, mas sorriu quando me viu.
– Ei, Eliot. – cumprimentei – Tess está?
– Talvez... – ele sorriu
– Sem brincadeiras, preciso falar com ela.
– Quem é, Eliot? – era a voz de Tess ao fundo. – Ah... Candy? O que está fazendo aqui tão tarde? – ela me olhou confusa
– Precisamos... Conversar – falei com um suspiro.
– Eli, pode ir. – Tess falou para o garoto que tinha retornado a sua expressão carrancuda – Vai! – ela o enxotou e fechou a porta atrás de si
Tess se sentou em um banco que ficava na varanda de seu chalé e bateu no assento, me chamando para sentar ao seu lado.
– O que foi? – ela perguntou tirando o cabelo do rosto – Você está... Abatida. Aconteceu alguma coisa?
– Estou indo embora. – falei de uma vez. Não conseguiria segurar por muito tempo
– Ah! – Tess sorriu – E veio me chamar, certo? Eu estou esperando por esse momento há muito tempo! – ela se levantou, mas eu puxei sua mão, a fazendo sentar.
– Você não vai comigo, Tess... – falei segurando as lágrimas. – É algo que eu... Tenho que fazer sozinha...
– Eu... Eu não estou entendendo. – Tess me olhou confusa
– Não é tão difícil, é? Eu estou indo embora. Mas você não vai. Isso é um Adeus... – falei sem a olhar nos olhos. Eu não aguentaria...
– Você... Você não pode! – Tess gritou – VOCÊ PROMETEU QUE NUNCA IRIA ME ABANDONAR. PROMETEU QUE SAIRIAMOS JUNTAS DAQUI. VOCÊ PROMETEU, CANDICE! – Tess irrompeu em lágrimas enquanto gritava comigo. Eu não conseguia dizer nada. Tinha sido proibida de falar sobre o AJ, então, proibida de falar sobre a missão.
–Não dificulte mais as coisas, Tess... – pedi
– Você... me decepcionou. – levantei a cabeça quando ouvi aquilo – Achei que você seria diferente. Mas é exatamente como falam...
– O que? – dessa vez eu que não estava entendendo nada.
– Você foge quando as coisas ficam sérias. E está fazendo isso de novo. Agora. – ela secou as lágrimas, e pude ver sua expressão irritada. – Eu não quero nunca mais te ver.
– Tess... Não... – a olhei confusa, mas ela não me deixou terminar
– Vá embora! Não me importo com o que você ira fazer daqui pra frente. Você está fora da minha vida. – Ela gritou da ultima parte, e entrou batendo a porta.
Naquele momento, eu morri. Morri por dentro.
Eu podia ouvir as batidas do meu coração, como se estivesse fora do meu corpo.
As lágrimas rolavam lentamente pelo meu rosto, e eu podia sentir toda minha força se esvaindo naquele momento.
Tess... Todas as lembranças dela voltaram como em um flashback de filme.
Seus cabelos castanhos bagunçados
Seus vestidos floridos
Seu sorriso
Ela...
Me levantei do banco, e fui em direção ao meu chalé. Não era longe do de Deméter.
Deixei as lágrimas rolarem livremente enquanto andava.
Toquei a porta, e ela se abriu automaticamente, e se fechou assim que eu passei por ela.
Eu cai no chão assim que a porta se fechou.
Chorar parecia à única coisa a se fazer. Mas não era.
Me arrastei até o banheiro, e entrei no chuveiro.
Senti a maquiagem escorrer, assim como toda a minha dor.
Mas ela voltava. A dor, a decepção, a tristeza. Elas sempre voltavam.
Sai do banho, e vesti um roupão que estava lá. Sequei as lágrimas e fui em direção ao quarto da conselheira – que é meu – para arrumar minhas malas e... pra dormir no Acampamento Meio-Sangue pela última vez...
– E aqui está, a filha de Zeus, sem sua mascara. – Me virei rapidamente para trás, e tentei enxergar quem falava isso.
– Oi Travis. – sequei as lágrimas – É você que sempre invade o chalé dos outros no meio da noite? – sorri
– Eu não sou o Travis... – a voz falou, e um garoto de roupas pretas ( cabelo preto, olhos pretos e pele branca. Sério, acho que ele já foi um panda...) saiu das sombras
Pausa pro momento wtf do meu dia:
> Não era o Travis. ( Nem o Connor... Apesar de eu não ver a diferença nesses dois.)
> Alguém invadiu o chalé da garota mais revoltada do acampamento. ( Quem em sã consciência faria isso?)
> Um garoto saiu das sombras do meu quarto. ( EU NEM SABIA QUE TINHA SOMBRAS NO MEU QUARTO, AGORA TEM GAROTOS SAINDO DELA. )
–Então o que raios você está fazendo no meu quarto? – perguntei me afastando. Vai que ele é um assassino louco ( N/Daniel: Olha quem fala ) SAI DO MEU POV.
– Hm... Observando, eu diria. – Ele respondeu sorrindo. ESSE GAROTO TÁ ME ZOANDO?
– Bem, você poderia observar outras coisas... – falei calmamente – TIPO EU JOGANDO MEU CHINELO NA SUA CARA. QUEM É VOCÊ? PORQUE VOCÊ TÁ NO MEU QUARTO? E você tem chocolate?
– Se acalme querida. – ele sorriu pra mim novamente.
– NÃO ME CHAME DE QUERIDA! EU POSSO MATAR VOCÊ! – falei pegando algo na mesinha do lado da minha cama.
– Com um abajur rosa? – ele riu.
– QUEM É VOCÊ? – levantei o abajur ( Eu poderia fazer uma pausa pra um momento ridículo, mas isso é só com a Rachel) como proteção.
– Oh... Você não se lembra de mim – o garoto falou um pouco decepcionado
– Você percebeu agora? – abaixei o abajur rosa – Quem é você?
– ... Não importa agora. Nos veremos em breve. – e ele abriu minha janela e saiu voando like Peter Pan.
Acampamento Meio-Sangue: O lugar onde todas as loucuras acontecem.
Depois dessa cena ridícula, assustadora e louca, do Peter Pan (que parecia um panda) saindo das sombras, e fugindo pela minha janela, eu decidi que ia parar de comer as Flores de Lótus dos Stolls.
Arrumei minha mala, decidi que nada iria atrapalhar meu sono hoje.
– ESCUTEM AQUI, MONSTROS DOS MEUS SONHOS: NÃO QUERO INTERRUPÇÕES ESSA NOITE. SEM SONHOS, SEM PESADELOS, SEM PROFECIAS. ESTAMOS ENTENDIDOS? – eu gritei pro nada
[silêncio]
– Espero que sim. – fechei os olhos e cai no sono.
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