➳ T R O U B L E M A K E R ➳
4 Cap 4 - Tudo ficou escuro
Notas iniciais

Comecei a esquentar o japchae para comermos mais tarde e acabei derrubando molho em minha camisa.
— Droga — resmunguei indo em direção ao quarto.
Estava procurando algo velho no guarda-roupa para caso viesse a sujar de novo quando ouvi um grito, era o Hoseok. Corri para a sala sem me importar de estar sem camisa.
— O que foi, Hobi? — Perguntei ao vê-lo atrás da ilha da cozinha branco feito papel com uma toalha envolta em sua cintura.
Ele apontou o dedo trêmulo para o sofá e lá estava Taehyung deitado com um pacote de biscoito e com as sobrancelhas erguidas.
— Taehyung? Ah meu Deus, qual é o seu problema?
— Como ele entrou aqui, Jin? — Hobi veio para perto.
— Vá se vestir, deixei uma roupa para você encima da cama.
Ele concordou e foi para o quarto. Vesti a camisa e olhei para o indigente no meu sofá que me encarava, quer dizer, encarava o meu corpo. Senti meu rosto pegar fogo, eu não tinha um físico bom, ele mal chegava aos pés do de Taehyung.
— Sua tarde foi boa, Jin? — Ele olhou para o corredor que dava para o quarto com a testa franzida.
— O Hobi? Ele é meu amigo e ele tem namorado — digo pondo as mãos na cintura. — E eu pensei ter dito para você descansar, e não ficar entrando em casas alheias por aí.
— Lá estava muito parado — voltou a comer os biscoitos encarando a TV.
Bati o pé no chão irritado.
— Você não pode ficar simplesmente invadindo o meu apartamento quando bem entender!
— Aish, Jin… você fala demais — gemeu fechando os olhos. — Eu estava entediado e… eu queria te ver.
— Me ver? Por quê? — Outra vez minhas bochechas arderam.
Ele ia dizer algo, mas o J-Hope adentrou a sala, parando ao meu lado.
— Quem é ele? — Ele pôs as mãos nos meus ombros.
— Um desocupado que gosta de me irritar — tirei seus pés sujos de cima da mesa de centro.
Ele riu da minha cara e enfiou um biscoito na minha boca quando abri a mesma para reclama-lo.
— Fica quietinho Jin, cinco minutos — voltou sua atenção para o Hobi. — Prazer, me chamo Kim Taehyung.
— Jung Hoseok — disse Hobi ainda meio receoso. Inclinou em meu ouvido e sussurrou: — É o cara da janela?
Assenti revirando os olhos, Hobi voltou à posição inicial com as sobrancelhas erguidas.
— Eu estou com fome Jin — J-Hope me cutucou as costelas. — O que você preparou?
— Japchae — digo e ouço o Tae rir.
Hobi foi para a cozinha saltitante. Taehyung ergueu uma das sobrancelhas desafiador.
— Não vai me convidar para comer não? — Ele riu parecendo saborear uma piada interna. — Que feio Seokjin, tsc tsc — estalou a língua se levantando e indo para a cozinha. O sigo.
— Você é insuportável — rosno.
— Eu sei — e pisca um olho se sentando.
Começamos a comer e os dois conversavam como se fossem amigos de longa data enquanto eu estava calado observando. Confesso que eu queria estar no lugar do Hobi e poder conversar com ele assim tão naturalmente. Eu estava com ciúmes? Não, impossível, nunca.
— Jin. Jin! — Uma mão se sacudia em frente aos meus olhos. O Hobi estava rindo para mim. — Aonde é que você estava, hein? Faz um tempo que estou te chamando.
O olhei disperso.
— O que?
— Você quer que eu vá lavar a louça?
Olhei para Taehyung que comia despreocupado.
— Se você não se importar eu estou indo dormir. Qualquer coisa pode me acordar — levantei-me chamando a atenção de Taehyung.
Ele acenou.
— Boa noite Jin, tenha bons sonhos — um sorriso sugestivo surgiu em seus lábios, no que é que ele estava pensado? Taehyung era retardado, só pode.
Fecho a cara e não respondo indo dormir.
Quando voltei a acordar não encontrei o Hobi no apartamento, ao invés dele encontrei um bilhete encima da mesa junto a uma barra do meu chocolate preferido.
"Fui à casa do Jimin caso você acordou no meio da noite e não me achou. Obrigado por ser um bom amigo.
(Ps.: Comprei seu chocolate preferido)"
Abri a embalagem e dei uma grande mordida no chocolate. "Hum…".
Me vesti para ir à universidade, hoje a aula seria prática. Peguei meu jaleco branco no armário e o pus na pasta-carteiro. Peguei um ônibus e quando cheguei lá encontrei o Hobi aos beijos com o Jimin. Eu ri me afastando para não atrapalhar e trombei com o Yoongi num dos corredores.
— O que faz aqui tão cedo? — Perguntei surpreso.
— Tive que resolver umas coisas — coçou a nuca. — Quer ir comer algo?
— Quero, vamos.
Fomos para a lanchonete de lá e nos sentamos numa mesa. E o clima estava meio tenso, na verdade o Yoongi estava tenso.
— Algum problema?
Eu e o Yoongi tínhamos uma amizade… complicada, pode-se dizer.
Eu e ele ficamos algumas vezes, mas deixamos claro um para o outro que o que rolava entre nós era apenas era apenas amizade. Uma amizade em que às vezes quando nos sentíamos sozinhos procurávamos um ao outro. E estava dando certo até agora.
Toquei seu pulso ao perceber seu olhar distante, mal tinha tocado na comida.
— Suga, você está bem? Sabe que pode me dizer qualquer coisa — acariciei sua mão.
— Eu só… só estou cansado. Andei estudando muito, você sabe como é...
— Seus pais – digo completando a frase. – Já conversamos sobre isso Yoongi, não pode deixar eles tentarem te controlar desse jeito, você já mora sozinho e ganha seu próprio dinheiro, é alguém independente, sabe que não pode deixar isso continuar.
— Eles são os meus pais Jin, não é algo tão simples assim – baixou o olhar.
— É, eu sei, me desculpe. Só vamos terminar de comer, eu tenho aula daqui a pouco – volto a comer.
Ele concordou e deu uma mordida na maçã que havia pegado. Olhei o relógio no pulso e tinha dado minha hora. Me despedi dele e corri para encontrar o Hoseok.
➳➳➳
Hoje o dia na universidade foi puxado e eu cheguei em casa praticamente morto, não estava nem aí se tinha largado tudo pela casa sujando o chão de terra. Eu só queria deitar um pouquinho. Me joguei no sofá e gemi. Mal tinha fechado os olhos e o meu celular apitou, catei-o do bolso e vi que era uma mensagem do Yoongi.
Suga: “Jin, oi, você pode vir aqui em casa? Eu não estou muito bem. Por favor”.
Eu: “Estou indo, chego aí em 50min” – digitei.
Gemi outra vez indo tomar um banho. Era algo raro o Yoongi me mandar uma mensagem pedindo por favor, e isso me deixou preocupado, algo tinha acontecido com ele? Estava tudo bem? Tinha discutido com os pais? Por tudo o que ele tinha me contado a relação entre eles era algo complicado e delicado, e eu tentava ao máximo não me intrometer.
Desci para o hall e sai em direção ao táxi que eu tinha chamado, mas que eu pudesse descer as escadas da fachada do prédio ouvi uma voz me chamar.
— Jin!
Olhei para frente e o Taehyung vinha em minha direção com uma cara não muito boa.
— O que foi agora? Está com preguiça de cozinhar? Eu estou com pressa – tento andar, mas sou impedido pelo mesmo que se mete na minha frente.
— Aonde é que você vai?
— Não te interessa, agora pode me dar licença?
— Jin, por favor, me diz para aonde está indo – diz meio desesperado. O que tinha dado em todo mundo para pedir, por favor, hoje?
— Estou indo ver um amigo, ele não está bem.
Ele juntou as sobrancelhas.
— Você está dizendo a verdade? – Questionou.
— Estou! – O encarei com raiva. – O quê? Isso virou um interrogatório policial? Você está me atrasando, tchau Taehyung. Ah, e... tenta não invadir o meu apartamento hoje, deixei tudo limpo e estou cansado – digo adentrando o carro.
Logo o carro dá partida e eu olhei para trás em tempo de ver o Taehyung socar o ar parecendo frustrado. “O que tinha dado nele da noite para dia?”
O táxi parou em frente à casa do Suga e andei até as escadas da varanda, toquei a campainha uma, duas, três vezes e nada. Aonde é que aquele desmiolado havia se metido? Dei algumas batidas na porta e ela estava entreaberta. Estranho, o Yoongi sempre tranca a porta antes de sair. Eu entrei receoso.
— Suga? – Chamei e não obtive resposta. Ouvi passos no andar de cima e meu coração acelerou, tinha algo entranho acontecendo, eu podia sentir. Subi as escadas devagar e tudo estava silencioso por ali. Vi que a porta do quarto principal estava entreaberta também. A abri devagar com um ranger. – Yoongi?
Ouvi uma respiração forte vinda do armário e antes que eu pudesse abri-lo senti algo bater forte contra a minha nuca. Cai de joelhos vendo tudo ficar borrado e a dor começou a descer pelo meu pescoço. Olhei para trás e vi dois pés, meu olhar estava quase chegando ao rosto do desconhecido quando senti outra pancada, mas desta vez no rosto.
Tudo ficou escuro.
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