Só podia ser Você

10 Sob o mesmo céu!


Notas iniciais
Olá! Lá vem mais outro! Desculpem os erros e Boa leitura!

Capitulo 10

Sob o mesmo céu

Minhas mãos começaram a tremer. Um nó se fez no meu estomago. O ar de fora não parecia suficiente. Eram muitas sensações só com o simples olhar para o automóvel, por que eu sabia, bem no fundo eu sabia, que desta vez era diferente.

No fundo do peito eu sentia um aperto me alertando de algo. Algo que queria travar minhas pernas e só não conseguiu por que eu já estava ali, diante o carro vermelho. Dei um último suspiro alegando mais uma vez que era a última vez.

— O...i? — Com o rosto debruçado sobre o volante ele levantou a cabeça me fitando dando um sorriso debochado.

— Quando me cumprimenta assim já sei que está estranha de novo. — Engoli em seco. Exalando o perfume dele tomando todo o carro. E agora? Ele estava me olhando, não sei exatamente o que esperava... Devolvi o olhar observando se talvez eu estivesse esquecendo algo.

Com a sempre jaqueta vermelha, um colar prata que mais parecia uma coleira no pescoço, os cabelos prateados amarrados – Não sei por que ele não solta, com certeza ficaria mais bonito.

— Vamos? — Suspirou acenando com a cabeça. Ligou o carro e começou a dirigir.

Um silêncio pairou no carro, dava para ouvir apenas o motor, a roupa do motorista remexendo enquanto ele mudava de macha e claro... Nossas respirações. Uma mais densa que a outra. Evitei durante uma boa parte do caminho não criar mais um motivo para Kikyo me obrigar a me passar com ela, afinal tudo aconteceu por que eu inventei de abrir a boca.

Mas depois de um longo suspiro eu não aguentei mais. A noite já estava terrível suficiente para continuar daquele jeito.

— Você não parece empolgado. — Comentei percebendo que uma ruga persistia entre suas sobrancelhas. Quero dizer, Inuyasha não é o tipo de pessoa que fica sorrindo atoa para qualquer um, porém ainda sim era possível notar uma mudança no seu humor, mesmo que eu não o conhecesse plenamente.

— Sabe muito bem que detesto essas festas. — Disse ríspido. Encolhi os ombros. — Eu sei, eu sei o que vai dizer, sei que vai falar que eu tenho que andar com gente da minha classe e coisa e tal, mas entenda o meu lado, não é fácil sorrir enquanto se sabe muito bem o que há por trás da falsidade deles. — Acenei que sim.

— Eu entendo. — Se virou para mim com um semblante estranho. É, com certeza eu disse besteira.

— O que acontece com você? Uma hora está de um jeito, outra hora está de outro... Hoje mais cedo até disse que eu tenho que me adaptar ao meio deles e agora já diz que me entende. — Pigarreei um pouco sorrindo.

— Eu refleti melhor, não deve ser fácil para você conviver com pessoas que só fingem que te aceitam por interesse, mais difícil ainda é ouvir eles falarem mal de você por ser hanyou e engolir o orgulho quando se aproximam, sorrir e não dar um belo soco na cara deles. — Me justifiquei. O sinal do semáforo ficou verde, mas seus olhos amarelos estavam parados em mim e um sinal vermelho estalou na minha mente. Talvez, eu não devesse ter dito isso também. Ele... Parecia... Não sei dizer. Uma buzina atrás de nós fez ele voltar os olhos para a estrada e continuar a dirigir.

Decidi. Vou conversar o mínimo do mínimo esta noite.

[...]

Eu imaginei um salão repleto de garçons. Eu imaginei lustres gigantescos. Eu imaginei mesas quilométricas repletas de comidas. Eu imaginei um lugar que lembrava muito uma pepita de ouro. Só que todos os meus chutes estavam errados.

Ao céu aberto, mesas redondas espalhadas por toda parte com enfeites de flores. Um palco com músicos tocando músicas lentas. A iluminação era o melhor, luminárias em formatos de rosas brancas por todo lado e a lua era a que mais iluminava. Os garçons passavam pelos redores sem penetrar na pista de dança... Que estava coberto por um tapete redondo gigantesco.

Tenho que admitir... Os ricos sabem como preencher os olhos.

— Alguém vai casar? É muito branco. — Brinquei o vendo me encarar estranho. Ahh Kagome, cala a boca!

— É a cor neutra. — Franzi o cenho. Ah tá, até parece que eu entendo o que isso quer dizer.

— Ah, cor... Neutra. — Retruquei incerto. Ele sorriu.

— Não lembra? A cor branca simboliza todas e nenhuma família, a cor neutra da associação de Clãs. — Me surpreendi.

— Oh, interessante... A dos Taisho seria a vermelha, então? — Notei que a mesa que os pais dele estavam tinha um pano vermelho, apesar de outro estar por cima de cor prata.

— Na verdade, vermelho veio da família da minha mãe, o prata é que é dos Taisho, mas desde que meu pai assumiu a empresa e tudo mais, como forma de respeito o nosso brasão ficou vermelho sangue e prata lunar, nunca notou que o Sesshoumaru nunca usa vermelho? Nesses anos todos? — Isso eu não sabia, e olha que sou do tipo de pessoa que sabe muitas coisas. Me surpreendi, então o cubo de gelo não usa vermelho por causa da mãe do Inuyasha?!

— Por causa da... — Não queria ser indelicada e perguntar diretamente aquilo, mas a curiosidade me consumiu.

— Também. — Respondeu antes que eu concluísse e num suspiro ele completou. — Só que ele também não pode, por conta do brasão do oeste e da família da mãe dele. — Pensei comigo... Tem a parte do pai, da mãe, da mãe do Inuyasha, dessa coisa do Oeste... Caraca! Se ele usasse todas as cores ao qual estava inserido o Sesshoumaru andaria que nem um arco-íris, coitado!

— Qual é do Sr. Mamoru? — Perguntei e ele fechou a cara.

— Como qual? Nenhuma, ele não tem clã, veja... — Apontou para umas mesas que tinham o forro branco. — Aquelas pertencem aqueles cujo estão fora desse padrão.

— Ele não pode usar a cor da logotipo da rede Hitoshi? — Ele fez careta negando e um tanto espantado.

— Não! Seria uma afronta e das grandes, só o fato dele ter sido convidado para esta festa já desagrada geral do pessoal. — Engoli em seco.

— Só por que ele não tem... Digamos, um sobrenome? — Acenou que sim.

— Você sabe o quanto isso é importante para essa gente. — Arregalei os olhos surpresa quando ele disse ‘essa gente’.

— Para você não? — Mexeu os ombros negando.

— Nomes, sobrenomes, sangue, clã, brasão... Uma hora você percebe que isso não significa nada, que as pessoas se escondem atrás disso para fingirem ser algo que não são e se gabarem de algo que não fizeram. — Sorri largo dando um rápido abraço no braço dele. Ah cara! Você não é um caso perdido!

— Ah Inuyasha! Não acredito que passei tanto tempo te julgando mal! — Argh! Lá vai eu dizendo idiotice. Parabéns Kagome. Abaixei o rosto sem jeito.

— Me julgando mal? — Neguei no mesmo instante.

— Digo... — Soltei seu braço dando uns passos para trás. — ...Como está bonito hoje! Sabe?! Eu adoro essa jaqueta! — Eu achei que dizendo isso fosse inflar o ego dele, mas ao invés disso fez uma careta.

— Desde quando? Vive me mandando comprar outra! — Ah mais que merda. Respirei fundo.

— É que hoje ela caiu como uma luva. — Ele fitou a própria roupa. A calça jeans azul escura, a camisa preta junto com a jaqueta. Bonitão ele está...! Depois me fitou sorrindo.

— Quando você tem esses relapsos de estranheza chega me assusta. — Comentou e eu sorri sem graça. Ele ofereceu o braço e eu segurei.

— Ainda bem que você gosta. — Sorriu extremamente largo afirmando.

— E como! É como se eu pudesse te contar qualquer coisa... — Engoli seco encarando o céu.

Eu quase não conseguir acreditar que naquele momento, naquele exato momento, diante os meus olhos por breves segundos tinha acontecido aquilo que eu SEMPRE esperei acontecer...

— Uma estrela cadente!!! — Gritei soltando do braço dele, juntei minhas mãos perto dos olhos que se fecharam. — Rápido, faça um pedido! — Disse dando um leve cutucão nele.

“ Eu desejo a paz mundial, eu desejo que minhas amigas sejam felizes, eu desejo que o vovô pare de inventar que tem doenças que não existem, eu desejo que o Inu-boboca se torne cantor e pare de vadiar, eu desejo que o Sota não odeie a Kikyo eternamente... E claro, eu desejo não ter que me passar pela Kikyo novamente!”

Eu sei, foram MUITOS pedidos para uma estrela só, mas eu não queria perder um desejo por falta de pedir. Quando abri os olhos, orbes cor de ouro estavam me encarando quase assustado.

— O que foi? Estrelas cadentes realizam desejos! — De boca aberta o Inuyasha girou os olhos e depois voltou a me fitar. Ele balançou a cabeça confuso.

— Essa é a coisa mais infantil que já ouvi você fazer! E olha que te conheço desde criança! — Rosnei.

— Pois bem, quando você fizer sucesso vou jogar na sua cara que foi graças a estrela! — Ele riu.

— Você... Pediu isso? — Suspirei.

— Claro, já que pelo visto você não pediu nada. — Ele balançou a cabeça ainda rindo.

— Ahh claro, por que não procuramos uma lâmpada mágica também e resolvemos todos os nossos problemas com o gênio dentro dela? — Revidou debochado. Semicerrei os olhos o encarando.

— Não seja idiota, acreditar em gênios é o mesmo que acreditar que um dia você vai amadurecer! — Retruquei e ele abriu a boca perplexo e voltou o semblante irônico para mim.

— Keh! Falou a garota que acabou de fazer desejos a um asteroide! — Apontei o dedo bem na sua cara.

— ES-TRE-LA! Uma estrela cadente! — Girou os olhos e riu quando o pai dele se aproximou de nós.

— Isso não é uma briga, é? — Questionou. Eu apontei para o Inuyasha furiosa.

— Seu filho está debochando da minha crença! Dá próxima vez vou pedir um cérebro para você! — O Inu-boboca me encarou furioso.

— Ela acredita em cometa milagroso e eu que preciso de cérebro? Fala sério! — Juntei os punhos cheia de raiva batendo os pés no chão.

— ESTRELA! Estrela cadente!!! — O Sr. Taisho sorriu largo.

— Você acredita em estrelas cadentes? — Cruzei os braços ofendida com a pergunta.

— Elas realizam desejo... — Me virei para o Inuyasha. — ...Para a sua sorte! — Ele riu olhando para o pai.

— Vamos para a mesa. — Acenou o Sr. Oyakata para onde a esposa e o filho mais velho se encontrava. Ou devo dizer o cubo de gelo ambulante? Os cumprimentei com um aceno e o ‘Rei do Alasca’ nem se deu ao trabalho de devolver apesar de me lançar um olhar confuso – sim o Icerberg yokai franziu o cenho por incrível que pareça, acho que ele me viu fazendo pedido para estrela e achou tão estranho quanto o Inuyasha... Povinho mais descrente esse!

Aquilo não me surpreendia já que todo mundo sabia que o Sesshomaru detestava humanos. Na verdade, ele saiu da escola inúmeras vezes por causa disso, de modo que hoje é obrigado a estudar com o meio irmão de tanto que repetiu de ano – dizem as más línguas. Ouvi dizer que o Sr. Taisho alegou que se os garotos não estudassem iam ficar sem a mesada. Ou seja, ele não está bem assistindo aula com humanos por quer – se bem que isso não faz o menor sentido e pode ser pura fofoca das revistas.

Devolvi o olhar com medo que ele tivesse percebido algo, mas virou o rosto em seguida. Suspirei aliviada, Inuyasha pode não reparar em detalhes, porém Sesshomaru é outra conversa.

Se não fosse muito estranho para o momento eu bateria palmas nesse exato momento para a Sra. Taisho que aguenta o humor gélido dele TODOS os dias e de quebra a criancice do filho.

— Eu fico muito grato por você fazer isso Kikyo. — Disse o Sr. Taisho sorrindo. Cara, eu fico sem graça toda vez que falam o nome dela.

— Imagina, se ela for o que o Sr. Mamoru disse, eu é que vou ficar grata por conhecê-la. — Retruquei. — Espero não dar mancada. — Inuyasha me encarou rindo. Ah é, Kikyo não usa gírias! Droga!

Eu nem terminei a frase direito e os dois já apontaram na entrada. Pequena, com cabelos negros e um olhar tímido. Foi tudo que consegui pensar quando a vi. Uma pessoa tímida nesse meio geralmente é destruída em poucos minutos, não deve ser atoa que o Sr. Mamoru queira que ela faça amizade.

Se aproximaram da mesa e acho que se ela fosse uma tartaruga teria entrado no casco. Encolheu os ombros e abaixou o rosto engolindo seco. Caramba, ainda bem mesmo que a Kikyo não veio, teria acabado com a pouca coragem que a menina tem.

Me levantei indo cumprimentar o Sr. Mamoru e esperando que ele apresentasse a filha para nós.

— Ah. Kikyo você ainda não conhece minha filha, Rin Mamoru. — Ergui a mão para ela que num sorriso sem graça segurou se curvando.

— Não conheço pessoalmente, mas garanto que já li muitas coisas. — Isso a deixou um pouco vermelha. — Coisas boas, viu?! — Quando completei a frase ela me fitou sem jeito sorriso.

— Então leu poucas revistas. — Murmurou e eu sorri.

— Bem poucas e de preferência as que possuem credibilidade, já que a metade só serve para falar mal dos outros, e a outra metade foca na vida pessoal do Inuyasha... — Coloquei a mão escondendo a boca do Inu-boboca chegando perto dela. — ...Como se fosse interessante saber da vida de um riquinho mimado. — Claro, foi o suficiente para todos ouvirem e rirem, só o meu suposto namorado que não.

— Tenho certeza que são muito injustos com ele na revista, como algumas são comigo. — Replicou num sorriso. Encarei o Inuyasha que me fitava zangado.

— É, algumas coisas realmente não batem. — Sorri para ele depois para ela.

Eu simplesmente me apaixonei por Rin Mamoru, não, não é lesbicamente falando. É um sentimento de estar diante a minha mãe uns vinte anos mais nova! Só que tímida, BEM tímida. Ainda assim, ela era doce e NADA do que as revistas maldosas diziam. E o melhor, não era esnobe, Rin contou que cresceu numa aldeia, então aquele mundo cheio de riquezas que estava diante era tudo novo e um tanto desgastante.

Cara, eu achei de fato a minha irmã gêmea – que a Sango nunca ouça isso.

— Então eu estava nos ombros do Hojo... E os cantores da banda se calaram e só tocaram e ficou, tipo, aquele som tocando ecoando naquele espaço e todo mundo em silêncio... — Toquei o braço dela emocionada. — ...Foi como se o mundo parasse e só houvesse aquele momento e aí minha amiga... — Olhei para ela séria. — ... Quando os caras cantaram... Estava todo mundo histérico! Fora de sério, foi incontrolável estava todo mundo conectado e os caras da banda arrancaram a blusa e jogaram para a plateia e tipo, eu e uma garota avançamos nela e saímos no tapa... — Pigarreei sem graça. — ...Claro, eu perdi por que não sou boa de briga, mas foi lindo! Todo mundo saiu de lá com a alma lavada, sem nada para pensar além de ‘Puta merda que SHOW!’ — Ela tinha colocado a mão na boca para segurar o riso, mas logo no final já não suportava mais e gargalhava alto.

— Quem é Hojo? E quando é que você foi nesse show? — Perguntou Inuyasha do meu lado e eu dei uma desentendida. Alguém que nem Kikyo conhece.

— Ah, bom, foi um tempo atrás. — Mirei Rin que limpava os olhos. — O fato é que foi emocionante.

— Eu nunca fui num show assim, mas no vilarejo tinha muitos festivais. — Apontei o dedo para ela.

— A festa da lua! — Arregalou os olhos afirmando.

— Sim! Você já foi em uma? — Minha querida, eu nasci na ralé, festa da lua é tradição entre os pobres.

— Sempre trabalho nelas. — Dessa vez todos me encararam espantados. Essa não, lá vai outra idiotice que eu disse e não deveria.

— Você trabalha? — Pigarreei quando quem perguntou isso foi o Sr. Taisho surpreso.

— É, oferecem muitas vagas e eu aproveito. — Engoli em seco. Meu Deus, o que eu estou dizendo? Kikyo NUNCA deve ter segurado numa vassoura na vida o que dizer ficar nove horas por dia servindo as pessoas numa barraca. Inuyasha ia me questionar quando um ser de olhar desagradável se aproximou da nossa mesa.

Eu conheço essa pessoa. Não pessoalmente, mas sei muito bem quem ela é.

— Ora, que surpresa os dois Mamoru nesta festa, apesar de ser uma festa restrita... — Apertei os olhos. Rin abaixou o rosto e o Sr. Mamoru levantou o dele educadamente – Ahh se esse coroa fosse um pouco mais novo, a elegância dele acertaria meu coração em cheio!

— Como tem passado Kagura? — Ela apenas sorriu com desdém.

— Perfeitamente, fechamos negócios com o seu rival de negócios Himura, devo dizer que eles são bem mais...

— Senhorita Kagura, por favor, negócios agora não. — Pediu o Sr. Taisho quando percebeu que ia soltar mais uma ofensa.

— Oh, mil perdões, a última coisa que quero e ser desagradável, apesar da presença em questão. — Virou seus olhos para Sesshomaru com um sorriso largo. — Que situação deplorável, meu milorde, espero que não o obriguem a dançar com certas pessoas só para benefício empresarial. — Cocei a nuca sentindo aquela vontade imensa de dar na cara dela, só não fiz isso por que me perdi no ‘milorde’... Voltamos ao feudalismo e não me contaram?

— Senhorita Kagura... — Ela acenou para o Taisho mais velho.

— Tudo bem, eu entendo. — Se virou para a pequena ali que se encolheu. — Espero que consiga alguém pouco exigente esta noite... — Argh cara, eu não aguento mais! Ninguém bate de frente com a minha mãe mais jovem assim e fica por isso mesmo!

— Você disse Himura? — Me levantei a fitando de nariz em pé. Ela me encarou com desdém.

— Não me diz que conhece Kikyo? — Opa, elas se conhecem. Dei uma leve mexida na cabeça acenando.

— Humm.... Digamos, o suficiente para saber que você cometeu a maior burrice da sua vida. — Ela gargalhou.

— Por quê? Vinte milhões não me parece burrice. — Sorri largo.

— Diante os trinta e poucos milhões que ele vai ser obrigado a pagar por negligência ao governo, fora o fato de que vai manchar o nome da sua empresa para sempre, sim, parece uma tremenda burrice. — Kagura franziu o cenho.

— Que negligência? Desde quando você entende disso? — Esse tal de ‘desde quando’ está começando a me encher.

— Leia mais minha querida, eu já fiz um trabalho sobre as clinicas Himura, eu não dou um ano para eles declararem falência e ter que pagar multas pelas incontáveis negligências com os clientes, ele tem mais de seiscentos processos correndo no tribunal, faz cirurgias ilegais e o pior, estão sendo acusados de fazerem abortos clandestinos em yokais que alegam estarem grávidos de humanos... Isso é crime de tantas maneiras que não preciso nem classificar os motivos. — Ahh coitada estava assustada. — Então... Pode esnobar a Rin o quanto quiser hoje, mas vamos ver quem vai precisar de pessoas pouco exigentes daqui um tempo para se associar. — Me sentei e com as mãos tremendo ela alcançou o celular da bolsa saindo correndo. — Isso corre contra o tempo querida e da próxima seja mais exigente com quem faz negócios. — Falei debochando.

— Isso é verdade ou você só inventou para colocar medo nela? — Perguntou Rin assustada. Engoli em seco.

— Ahhh pior que é verdade Rin, estou surpresa que ela não saiba, mas tem uma clinica lá perto do bairro onde eu morava... — Abaixei o rosto odiando a visão da vez que fui lá. Eles jogavam os restos dos fetos num latão de lixo. Eu acho que nunca chorei tanto desde que vi aquela cena... Milhares de bebês hanyou mortos e amontoados numa lata de lixo. — ...Que mulherzinha desagradável, não é? — Mudei de assunto a fazendo rir.

— Obrigada por me defender. — Acenei com a mão.

— Que nada! Quem fala o que quer, ouve o que não quer. — Revidei a fazendo rir. Aí, aí... Kikyo vai me comer viva! Eu tenho para mim que fiz tudo que não era para fazer.

O pior da noite estava por vir. Quando resolvi dar uma ida no banheiro advinha quem eu encontro lá? Sango com os braços cruzados e cara de poucos amigos.

— Olha se não é a filha do diretor. — Franzi o cenho. — Passeando com o cachorrinho? — Eu tentei segurar o riso, mas não consegui. O que assustou ela.

— Sango, sou eu. — Ela franziu o cenho confusa. Depois arregalou os olhos e antes que falasse meu nome tampei sua boca. — Shhh! Aquela doida entrou em desespero e me obrigou de novo! — Minha amiga morena suspirou.

— Você vai se dar mal nisso amiga, se eles descobrirem aquela vaca vai colocar toda a culpa em você, nós conhecemos a cobra, sabe disso! — Engoli em seco.

— Eu sei! — Cocei a nuca. — Eu não vou mais fazer isso! — Ela sorriu maliciosa.

— Isso é por causa do hanyou, não é? — Neguei no mesmo instante.

— Ahh com certeza não, até por que... — Me calei quando uma mulher entrou no banheiro. Acenei para Sango, depois que passei a mulher dei outro aceno de que depois conversamos.

Eu ia voltando para a mesa quando uma mão me puxou pelo braço e me levou até a pista de dança. Uma música lenta e romântica tocava. A mão foi do meu braço até a cintura, fiquei sem jeito com as mãos no ar. Ele pegou minhas mãos rindo e colocou sobre seus ombros.

— Também esqueceu como dançar? — Sussurrou no meu ouvido. Sorri sem graça ficando vermelha. Eu não queria ficar, mas fiquei.

— Me pegou de surpresa. — Disse baixinho para ele. — Aliás, você dançar é surpreendente. — Ele riu na minha orelha.

— Publicamente... Não sou muito fã, apesar de você gostar. — Publicamente, sigilosamente, você nunca me pareceu ser do tipo que dançava, meu caro. — Mas se esse é o jeito de ficar só eu e você, então eu me sacrifico. — Sorri com as bochechas quentes fechando os olhos. Ahh cara, isso não é bom, digo, é muito bom, mas não deveria ser bom!

— E não ficamos tempo suficiente só nós? — Ele rosnou.

— Não quando está assim... — Abri os olhos surpresa.

— Assim como? Eu sou assim sempre! — Ganhei um beijo na bochecha com algum significado que não entendi.

— Tem certeza? Amanhã na escola não vai fingir que nada aconteceu? Amanhã não vai voltar com aquele olhar frio tentando dizer que não quer papo? Amanhã não vai perder a paciência quando eu disser que não quero ficar perto das suas amigas? Amanhã não vai evitar uma briga dizendo que outra hora nós iremos conversar, sendo que jamais iremos tocar no assunto novamente? — Engoli em seco. Eu não deveria estar ouvindo aquilo, aquela bronca era ELA quem precisa ouvir. — Isso me irrita um pouco, sabe? Saber que você pode ser assim com as outras pessoas e tão impassível comigo... — Ah minha nossa.

— Podia ter pedido isso a estrela, mas ficou debochando de mim. — Ele gargalhou.

— Por favor, não vamos falar mais desse cometa estupido. — Me separei dele o encarando séria.

— ES-TRE-LA, fala comigo: ES-TRE-LA! — Inuyasha sorriu tanto que mostrou as presas, tirou as mãos da minha cintura levando elas até o meu rosto.

Eu juro! Eu juro meu Deus, que eu pensei fortemente em impedir aquilo... Mas... Mas... Quando eu dei por mim já estava ali, com o rosto erguido e na ponta dos pés. O que era para ser um beijo rápido e que me levaria para o inferno se tornou... Um beijo suave, demorado, cheio de carinho... Que continua me levando ao inferno, mas dessa vez... Estava valendo a pena. Eu lembrava da regra de não tocar nos caninos dele, mas descobri que era divertido, para não dizer uma palavra vulgar.

Um, dois, três beijos já se foram junto com meu juízo... Minha nossa, eu não acredito que passei minha vida toda perdendo meu tempo beijando humanos! Quando eu descobri que o buraco embaixo de mim se abria ainda mais, já era tarde. Eu já estava vermelha, com o coração acelerando e com minhas pernas bambas sendo apoiada pelas mãos dele em minha cintura.

O pior, não era o meu estado, o pior era o meu estado na frente de todo mundo ali. Felizmente tinha outros casais dançando e diminui a vergonha.

— Chega! — Dei um tapa no ombro dele para me soltar quando veio me beijar de novo. Desse jeito eu não vou conseguir recusar a ida no apartamento! E nem justificativas suficientes para não ir ao inferno!

— Por quê? — Perguntou Inu-bobão respirando sobre o meu rosto.

— Estamos numa festa, não num motel. — Levantou uma das sobrancelhas confuso.

— Se esse é o problema... — Apontei o dedo antes que terminasse.

— O problema é que eu vim aqui para conhecer a filha do Sr. Mamoru e ficar com ela, não te satisfazer na frente de todo mundo. — Retruquei puxando sua mão e saindo da pista.

E quando exatamente você vai tirar esse tempo para me satisfazer? Que seja só nós dois então. — Me virei para ele.

— Aquele dia eu não fui para o seu apartamento? — Ele me encarou zangado soltando a minha mão.

— É, foi! E fez aquela palhaçada. — Ops. O que a Kikyo fez? Cocei a cabeça sem jeito. Felizmente chegamos na mesa... E lá estava o Sesshoumaru me encarando fazendo um scam, por que sempre fico com a impressão de que ele sabe muito bem quem eu sou? Nah! Se ele soubesse já teria me desmascarado!

— Com calor querida? — Perguntou a mãe dele. Abanei o rosto afirmando.

— Um pouco. — Ela sorriu largo maliciosa. Aí meu Deus, que vergonha!

[...]

Quando eu cheguei em casa mau consegui acreditar. Tomei um banho longo, bem longo e deitei na cama como se ali fosse meu santuário. Meus pés doíam mais do que se eu tivesse trabalhado. E claro, vale lembrar a montanha que pesava minha consciência.

Eu não estou me interessando pelo Inuyasha! Ele é tãooo boboca. Tem aquele jeito indecifrável de ficar olhando para a gente e rosna a cada três minutos. Deve ser aquelas orelhas! Elas encantam qualquer um! É, são as orelhas, não é como se eu estivesse gostando desse babaca, são as orelhas fofinhas que eu morro de vontade de apertar.

Ou o cabelo prateado, ou a voz... Aí, eu vou para o inferno e sozinha pelo visto. Quando que o Inuyasha vai largar a Kikyo-ninguém-pode para ficar com Kagome-ninguém-conhece? NUNCA, até por que ele realmente não me conhece.

Ahh que se dane! Não dá para piorar mesmo, pelo menos eu vi uma estrela cadente e ela vai realizar ao menos um dos meus desejos.

[...]

Era de tarde, pouco depois o almoço quando ouvi o grito me chamar. Eu só dei atenção por que aquele grito era masculino e adulto. O Kouki NUNCA me chamava aos berros, então levei um susto ao ouvir a voz dele. Fechei o livro que estava lendo, tirei os fones de ouvidos – sim, eu leio ouvindo músicas, minha mãe não acredita, mas eu faço isso sim.

Eu desci as escadas ouvindo que ele falava com alguém em tom suplicante de desculpas. Quando entrei na sala de estar eu mal consegui dar um passo a frente. Kikyo me encarou assustada, nervosa e tremendo. Lá estavam eles... Oyakata Taisho, Izayoi Taisho e claro, Inuyasha Taisho. Me fitaram espantados como quem viam um fantasma.

— Senhor e Senhora Taisho, me permitam apresentar Kagome Higurashi, minha enteada, que junto com Kikyo vão poder nos explicar isso. — Jogou uma revista sobre a mesinha no meio a sala. Várias fotos comigo e a família Taisho e lá alegando que Kikyo tinha calado Kagura. Fechei os olhos atônita.

Eu pedi para estrela cadente para nunca mais ter que me passar pela Kikyo, mas não esperava que o desejo viesse junto com uma condenação.

Que estrelinha mais X9!

Notas finais
Até o proximo! o/