Só mais um universo

1 Capítulo 1 - Que p**** é essa?!


Notas iniciais
Eu tava falando sozinha (sim, eu falo sozinha) e a ideia brotou, então... É. Tá aí.

O despertador tocava pelo que parecia a milésima vez com seu toque irritante. Minha vontade era jogá-lo pela janela, e eu o faria se não fosse pela ligação que meu celular anunciava, misturando os sons e fazendo aquela manhã ainda mais insuportável.

"Maravilha. Genial sua ideia de mudar os toques, Tom.", pensei enquanto atendia com uma mão e desligava o alarme com a outra.

— Alô? — Uma voz familiar falava do outro lado da linha. — Tom?

— Oi, Ethan.

— Ah, só liguei pra te acordar mesmo. Eu sei que você se atrasa mais que o coelho branco.

O motivo por eu ter acordado antes do meio-dia em pleno sábado era meu melhor amigo idiota – Ethan. Nos conhecíamos desde pequenos, e sempre fomos opostos. Nossa amizade se resumia à minha cabeça quente sendo resfriada pelo coração de gelo dele. Nos dávamos bem... Às vezes. E tínhamos uma coisa em comum: um trabalho de ciências para ser feito.

— Vai à merda.

— Vem logo. — Com essas palavras doces, ele desligou na minha cara com todo o amor que ele tinha por mim.

Como o cara pontual que sou, demorei uma hora pra me arrumar, entre devaneios, celular e admirar minha beleza no espelho. Ainda assim eu resisti à minha imagem maravilhosa, me despedi da minha irmã mais nova e dos meus pais, e consegui chegar ainda naquele dia. Graças a Deus eu tinha uma cópia das chaves comigo, porque Ethan mora sozinho e... Digamos que ele não é a pessoa mais organizada do mundo e perde as chaves sem parar, além de todas as outras coisas menores que um metro que pertencem a ele. Não que... Eu não perca... As minhas coisas... Cof.

Fui até o quarto dele, que estava mexendo no computador e ouvindo música de fones. Como esperado dele.

— Cheguei, porra. — Falei enquanto me deitava em sua cama, que era de casal e bem mais confortável que a minha.

— E veio pra trabalhar ou dormir? — Ele tirou os fones e me olhou com reprovação.

— Dormir, né, caralho?! Tu me acorda às dez da madrugada achando que eu quero vir TRABALHAR só por causa de nota?!

— Cara feia pra mim é fome.

— Cara feia é a sua, loiro tingido.

Ele revirou os olhos, arrumou o cabelo, deixando sua mecha rosa à mostra, e saiu do quarto.

— Eu quero sucrilhos! — Ouvi um suspiro vindo da sala.

— Faz você.

Depois de comer e brigar mais algumas vezes, eu finalmente comecei a trabalhar direito com ele. E nosso trabalho não ficou ruim... A menos que seis seja considerada uma nota ruim. Brincadeiras à parte, passamos cinco horas pesquisando, formulando o trabalho e digitando-o, o que fez com que eu ficasse com fome. Várias vezes. Várias mesmo. A cada dez minutos. DESCULPA SE SOU UM ESFOMEADO E DORMINHOCO, MAS ALGUMA COISA PRECISA SUSTENTAR ESSE CORPITCHO, E OXIGÊNIO NÃO É SUFICIENTE. Por isso eu convenci o Ethan a me levar pra tomar sorvete.

— Você paga. Eu nem trouxe minha carteira. — Eu senti que meu amiguinho amado me amava cada vez mais.

— Vai se foder, abusado. Você fica me devendo.

Saímos caminhando lado a lado, conversando sobre assuntos aleatórios e ridículos, quando eu resolvi perguntar uma coisa idiota

— Ow, Ethan, cê sabe o que é uke?

— Oi? — Ele parecia um pouco atordoado pela pergunta. — Como assim?

— A Laurinha tava falando disso ontem.

— A Laura sua irmã? A que tem treze anos e não devia estar vendo yaoi? — Eu o olhei com ironia. Nossa amizade a longo prazo fazia com que entendêssemos simples olhares. — É que não parece coisa dela...

— Eu também achava, mas ela começou a me encher o saco falando "ah você é uke", "ukezinhooo", "uke", E ISSO QUE ELA É MAIS NOVA QUE EU, IMAGINA SE NÃO FOSSE, OLHA A MERDA QUE IA DAR!

— Tá, eu sei sim. É o seguinte...

Ele terminou de me explicar os básicos do yaoi assim que entramos na fila da sorveteria, então tentamos não falar mais sobre aquele assunto. Realmente, eu era um uke.

Compramos nossos sorvetes favoritos – menta com chocolate pra ele, morango pra mim – e nos sentamos em uma mesa perto da janela.

— Então eu seria um uke... E você?

— Ah, eu? Eu achei que esse assunto tivesse acabado.

— É sério.

Ele murmurou alguma coisa.

— Hm?

— Seme. Eu sou seme.

PORRA! — Falei alto demais e algumas pessoas me olharam com reprovação. — Você tá querendo acabar com a nossa amizade, cara?

— Sim.

— Sua atitude de coração de gelo combina com seu cabelo.

— Ah, é? Por que?

— Os dois são falsos.

— Puta que pariu, moleque. Você não cansa de zoar meu cabelo, não?

— E você? Qual é o seu problema? A gente só tem um ano de diferença, moleque o caralho!

— Controla esse seu linguajar, pirralho. E é um ano, três meses e cinco dias.

Continuamos conversando ali mesmo depois do sorvete acabar, e só percebemos quanto tempo tínhamos passado ali quando um funcionário nos expulsou para eles poderem fechar a loja. Eles fechavam cedo, então resolvemos andar por aí e procurar alguma coisa para fazer.

— E aí, quando você vai me contar porque diabos você sabe tudo sobre yaoi? Você é gay?

Tão típico... Para de generalizar, seu baixinho. Eu sei porque sei, também tenho uma irmã, e você sabe que foi ela que me educou e cuidou de mim desde que meus pais morreram. E é desse jeito que eu sei "tudo" sobre yaoi, ela nasceu uma fujoshi.

— Fu quê?

— Fujoshi. Garotas que gostam de yaoi.

— E você é o quê?

— Fudanshi.

— TÁ BOM, AGORA VOCÊ NÃO VEM ME FALAR QUE SUA IRMÃ QUE TE FEZ VIRAR FÃ DISSO AÍ!

— Mas foi, ué. Tudo começou com ela.

— Hm... Tá. Eu acredito em você, mas só porque eu conheço sua irmã.

— Ow, vamos no cinema? Tem um filme que eu quero ver... E ainda nem são sete horas, tá cedo. O filme começa daqui a pouco e acaba às dez. Bora?

— Tá, né...

Como já estávamos na porta do shopping, não demoramos pra chegar no cinema e ver o filme, que era sobre universos paralelos, mundos diferentes e linhas do tempo que se cruzam. Ficção, ficção e ficção. Uma pena não existirem de verdade. Mas o filme era ótimo!

Saímos animados depois de comer num restaurante que conseguimos parar enquanto estavam fechando. Somos pessoas horríveis.

— Hoje quando eu acordei eu achei que meu dia fosse ser uma bosta.

— Eu também.

— SÉRIO, MEU ALARME É IRRITANTE PRA CARALHO!

— Que revoltado você, hein, rapaz?

Eu ia retrucar de uma forma bem mal-educada quando a terra sob nossos pés começou a tremer. Tudo girou e eu caí em cima de Ethan. Vi uma luz e apaguei.

Acordei deitado num chão que parecia ser de terra. Tateei ao meu redor ainda de olhos fechados e confirmei minha teoria, era grama. Abri meus olhos e uma luz forte ofuscou meus olhos.
"Óbvio, o sol.", pensei, irritado. E foi aí que percebi... Onde diabos eu estava?!

Me sentei depressa e olhei ao meu redor. Estava no meio de uma planície com grama meio seca e uma estrada passava ali perto. Na beira da estrada estava Ethan, parado, encarando o nada. Me aproximei dele, que se virou pra me encarar.

— Tom, mau dia.

— Onde caralhos a gente tá?

— Então... Eu tenho uma ideia formada, mas não tenho certeza de nada. A gente vai ter que esperar um carro passar pra pedir uma carona até a cidade mais próxima.

Enquanto conversávamos distraídos, um carro passou, e dobramos nossa atenção.

— Merda. — O tom de voz de Ethan havia mudado. Meu amigo sempre calmo estava nervoso.

Eu olhei para onde ele apontava e então vi...

Que porra é essa?!

Notas finais
Sei lá :v
Críticas são sempre bem-vindas
Até o próximo capítulo~~
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.