Notas iniciais
Demorei!!! Mas vejam bem, essa fanfic é um verdadeiro emaranhado!!! Sabem, eu não podia simplesmente escrever qualquer coisa e postar correndo. É bem melhor esperar e ter algo pelo menos minimamente decente!!!! rsrsrsrs' Bem, uma boa leitura para vocês e espero que não se cansem das mais de 4000 palavras!!!! hahaha' (acho que seu dividisse vocês me matariam)!!!!! Quero agradecer em especial a Lohla que recomendou a fic! Adorei gata, e foi essa recomendação que me deu inspiração!!!! Um beijão para você!!!!!

No capítulo anterior:

“Naruto estava cabisbaixo desde que saíra da tenda hospitalar mais cedo. Não havia comido, falado ou se manifestado de qualquer outra forma. Preocupada ela se aproximou do ninja, sentou-se ao seu lado e cuidadosamente ficou ali, esperando que ele decidisse falar. Depois de um bom tempo ele finalmente falou “Ela vai viver?” e Tsunade, dessa vez confiante disse “Sim, tenho quase certeza.” e o loiro somente assentiu. “Eu acho que vou para Konoha amanhã” ele disse meio triste, e ela prontamente respondeu, já se levantando para deixa-lo só novamente “Vá. Que na hora e tempo certo ela irá também.” E saiu caminhando, com a consciência mais ou menos tranquila, já que em momento algum ela falou qual era o tempo certo para ela voltar, e esse tempo certo, ele saberia em breve, na hora certa.

E assim Tsunade os viu partir, e ficou ali naquele lugar pensando como seria para todos eles o convívio com a ausência de Sakura por dois anos. Como seria conviver com a distância de um exílio.”


Capítulo 20: De volta para casa!


A vida realmente é algo surpreendente. A vida é feita de escolhas, e escolhas requerem decisões, e essas, por sua vez, trazem consequências. Ela decidiu, escolheu, e agora sofre as consequências, o exílio. O tão temido exílio. Porém, o “sofre” que compõe a tão temida expressão “sofrer as consequências” não precisa ter necessariamente a conotação negativa que todos imaginam. Sofrer no caso de Haruno Sakura se assemelhava mais a “viver as consequências”, afinal, tirando a parte negativa, o seu exílio de dois anos em Kiragakure, a vila da água, não foi uma experiência tão traumática.

SAKURA POV ON

Cada parte mínima do meu corpo gritava em dor. Sangue escorria de meu ventre ferido, minha garganta seca não era capaz de pronunciar o que meu coração sentia e o que minha mente sabia. Eu sabia que morreria e meu coração sentia-se muito angustiado por não poder dizer algumas palavras de despedida a aquele que amo. Olho para olhos cor de pérola, aquela que me segurava e debilmente tentava amenizar esse meu momento de dor. Ela tinha olhos de anjo, rosto e voz de anjo. Ela era a única esperança que me restava, era nela que eu poderia confiar meu último fio de vida, meu último desejo. E então eu fiz com que ela me olhasse, fiz com que minha voz se pronunciasse e sentindo o sangue deixar meu corpo a cada segundo, e a dor invadi-lo sem reservas, eu expressei o último desejo de minha alma.

“Eu não acho que não vou viver.” Mas eu queria tanto viver, por ele...

“Prometa que...” Por favor prometa Hinata...

“... vai dizer a ele que eu o amo.” Eu o amo, é verdade!! Eu descobri isso em mim...

“Que eu morreria por ele mil vezes se pudesse...” Quantas vezes fossem necessárias...

“Prometa!” Eu suplico que prometa...

“Para o Naruto, prometa...” É só ele, sempre foi ele...

“Hinata, Prometa!” eu gritava incansavelmente. E minhas mãos agora débeis se mexiam freneticamente. De onde vinha tanta energia? Eu sentia meu corpo queimando, e eu tentava gritar e enxergar o que acontecia. Minha alma estava desesperada, angustiada ela nem mesmo sabia o porquê. “Prometa!” eu queria gritar. Sinto então o ar entrando dolorosamente em meus pulmões e como se estivesse emergindo a superfície de um tempestuoso rio, eu me vi acordando, me sentando bruscamente e com a respiração descontrolada. O lugar me era muito familiar, era o campo de batalha.

Não havia mais sangue saindo de mim, agora todo o sangue que manchava minhas vestes era o dele. Ele tinha um buraco no peito, uma ferida que sangrava incontrolavelmente. E esse sangue estava me manchando, desde meu corpo até minha alma. O sangue que eu não evitara ser derramado. Eu queria salvá-lo, mas não conseguia. Eu queria punir o responsável, mas não podia. Eu queria gritar, mas minha voz não saía. “Não, por favor não...” eu murmurava. “Não, não, não...” eu dizia em meio a meu choro fraco. “Não morra...” eu suplicava. Minha mente atordoada só me permitia pronunciar a monossílaba repetidamente “Não, não, não, não, não...” gradativamente meu tom de voz aumentava, e por fim eu estava gritando. Minhas lágrimas caíam em correspondência e meu peito arfava em dor.

“NÃOOOO”

SAKURA POV OFF

– — — — — — — — — — — — — -

Como no sonho, Sakura de repente se viu sentada e enrolada em seus lençóis. Havia acordado bruscamente com o seu próprio grito e sua própria angustia. Chorava de uma maneira desesperada, seu coração estava comprimido em seu peito, seu corpo inteiro tremia e sua respiração tornara-se dificultosa. Enquanto soluçava em desespero, percebeu a porta de seu quarto ser escancarada, era Mei que mais uma vez acordara com os costumeiros pesadelos. Imediatamente entrara, tão logo sentou-se ao lado da rosada na cama. Já havia se tornado um hábito: Sakura tinha pesadelos, acordava aos gritos, Mei vinha socorrê-la, abraçava-a e ouvia a rosada chamando baixinho por Naruto, como se com esse ato pudesse transmitir proteção ao rapaz que longe se encontrava. E agora, mais uma vez estava Mei acalentando-a. “Shiu, foi só um pesadelo. Ei, se acalme!”. Como de costume, passado um tempo, a kunoichi já havia se acalmado “Mei, é quase sempre o mesmo sonho. Dói demais” ela disse amuada. A mulher numa tentativa de transpassar animação respondeu confiante “Ei menina, se acalme! Amanhã de manhã você vai partir de volta para Konoha e vai vê-lo, vai poder falar e viver tudo o que está entalado aí, no seu coraçãozinho” e dito isso ela abraçou a rosada mais uma vez, e emocionada finalizou com as seguintes palavras “Já está quase amanhecendo. E eu me despeço de uma vez” largou do abraço e fez com que a menina a olhasse nos olhos “Que Kami-Sama te acompanhe e te proteja. Tenha fé e coragem Haruno Sakura, não desista dos seus sonhos e não deixe que ninguém te subestime. Siga o seu coração acima de tudo e não permita que ninguém menospreze os seus atos” emocionada a Haruno assentiu em consentimento, e com lágrimas de alegria dissera um muito obrigada.

Mei se levantara, e já quase saia do recinto quando se deteve e mais uma vez para olhar a kunoichi da Folha, soltando um pesado suspiro disse “Haruno, quando me disseram no campo de batalha que uma jovem de Konoha seria exilada por dois anos na minha Vila, eu perguntei de quem se tratava e me disseram que era você, mas eu ainda assim não sabia quem você era. Então me disseram que era a garota que havia se metido no meio da luta do Uzumaki e do Uchiha. Quando soube disso eu pensei que se tratava de uma jovem de fibra. Convivendo com você e conhecendo os seus motivos, rapidamente descobri que se trata de uma jovem não só de fibra mas também de coração. O que quero dizer Sakura é que se coubesse a mim, eu jamais teria exilado você, pelo contrário, sua atitude é digna de louvor, porque foi uma atitude tomada em nome e pelo amor. Se era amor pelo Uchiha ou pelo Uzumaki, isso não importa, o que vale é que foi por amor, apesar de eu saber bem que você prefere azul a vermelho” e com um sorriso nos lábios a Mizukage enfim abandonou o recinto, deixando para trás uma Sakura emocionada e reconfortada.

– — — — — — — — — — — — — — — — — — -

Enfim o dia amanhecera, não havia voltado a dormir e enquanto arrumava o que restava da sua pequena bagagem, apenas um pensamento povoava sua mente: Dois anos haviam se passado e ainda se lembrava do dia que acordou naquela tenda hospitalar no meio de um campo de guerra. Lembrava-se que nesse dia sentiu a sensação de quem emerge a superfície após quase se afogar. Acordou chamando por Naruto, estava agitada por ainda não ter discernido que sua agitação provinha de um pesadelo. Todavia, Naruto não estava lá. Foi isso que sua mestra lhe dissera, que ele havia voltado para Konoha, e que havia grandes e justificáveis motivos por trás da decisão dele.

Naquele dia Sakura chorou, como não se lembrava de ter chorado em qualquer outro dia de sua vida. O que importava se Naruto estava em Konoha, quando no fim das contas, ele estava vivo?

Ele

Estava

Vivo!

Ela chorou de alegria e de alívio, amparada pelo abraço de sua mestra. Aquela que para ela se tornara como uma mãe. Chorou por minutos, ou talvez por horas, era difícil mensurar tanta emoção. Notou a urgência no olhar da Godaime, e assim que se acalmou entendeu porque tanto nervosismo naqueles olhos amendoados. As palavras que lhe foram ditas em seguida jamais sairiam de sua mente, simplesmente porque nem mesmo seu inconsciente permitiria algo do tipo.

“Sakura. Você fez escolhas, e agora terá que pagar. Foi instaurado um Conselho de Guerra, para punir crimes durante a batalha, e todos foram punidos, inclusive você.” A rosada disse que não se importava, que faria o que fosse preciso, porque não se arrependia de nada que fizera, mas engoliu suas palavras quando ouviu aquela terrível sentença.

“Exílio Sakura, você será exilada por dois anos. Sem contato com Konoha, com ninjas ou civis, sem notícias ou coisas do tipo. A Mizukage será sua tutora durante esse tempo. Espero que esse momento não seja de todo ruim para você, e sinto muito por isso, pela forma que te falo isso, mas estou impedida de agir como quero. Em breve você partirá, e eu já deveria estar em Konoha há dias. Se cuide menina.”

Ela disse para em seguida se retirar, com lágrimas nos olhos. Desde então, a Haruno passou a dever obediência diretamente a Mei Terume, a quinta Mizukage. Uma mulher forte e determinada, porém de personalidade alegre e equilibrada. Uma mulher que se mostrou ser uma grande amiga durante os dois anos de exílio da Haruno. Durante todos os dias desde que acordou naquela tenda hospitalar, agradecia a Kami-Sama por tudo, desde a vida de Naruto, até o fato de ter sido exilada em uma Vila que, apesar da fama, estava lutando para romper com o passado manchado por maus governantes, que fizeram de Kiragakure um lugar temido e provedor de nuke-nins.

Ao fechar seus olhos, ela era capaz de trazer a sua mente memórias marcantes do seu tempo de exílio. Tempo de punição, sofrimento, mas também de amadurecimento e crescimento, como pessoa, mulher e kunoichi.


FLASH BACH ON

“Então você é a garota que vai comigo?”Mei disse de forma animada olhando para os olhos cor de jade. Perspicaz, a Mizukage notou a tristeza que a assolava “Tsc, tsc. Anime-se menina, você salvou a vida dele e é isso que importa, não é?!” E a Haruno respondeu um pouco mais animada “Hai, é isso que importa!”

–---

“Mandou me chamar Mei-Sama?” Sakura disse contida. “Sim, sim. Já faz uma semana que chegamos a Vila e eu não pude ainda conversar direito com você. Sente-se.”ordem que a rosada prontamente acatou. “Veja bem Sakura –ela dizia animadamente- apesar das circunstâncias, é bom ter você aqui. Apesar da lógica desse exílio ser a da punição, não quero que seja assim. Você ficará responsável pelo Hospital da Vila e por treinar melhor nossos médicos. E eu ficarei responsável por treinar você pessoalmente. O que acha?” Sakura não poderia ter dito algo diferente do que disse em resposta “Acho ótimo Mei-Sama. Obrigada por tudo.”

–---

“Ei Sakura, -Mei a chamou após o fim de mais um treinamento- porque você salvou o garoto da raposa?” A Haruno não foi capaz de responder, porque seus olhos marejaram e sua garganta entalou. “Foi por amor...” Mei Terume constatou após olhar nos olhos cor de jade, e em seguida deixou a kunoichi sozinha naquele lugar. Sem mais tentar se conter, Sakura pela primeira vez se permitiu chorar verdadeiramente. Suas lágrimas desciam torrencialmente, seu peito estava apertado e sua garganta sem voz: tudo isso causado pelo amor que tinha em seu peito. Amor por ele.

–---

Para variar, era um dia chuvoso em Kiragakure. Entediada, Sakura lia alguns pergaminhos passados por sua sensei. Já estava quase dormindo em cima da papelada quando a própria entrou em seu quarto, animada ela trazia um grande pote de sorvete e duas colheres. “Hoje vamos falar de garotos!” ela disse enérgica, fazendo com que Sakura a olhasse meio sem jeito. Percebendo isso ela deu um riso malicioso antes de se pronunciar “Qual é Sakurinha?! Quando esse exílio terminar, você será uma nova mulher!”. Risos preencheram o local.

–---

Mei Terume nunca imaginou que uma guerra traria tantos bons frutos. Ter a presença de Sakura era algo realmente bom, uma amizade que ela fazia questão de levar para toda a vida. Se a vida assim permitisse, é claro. Sentiu seu coração doer todas as vezes que encontrava sua pupila chorando. Ela sabia muito bem que era de saudade, de tudo e de todos, mas no fundo ela tinha certeza que a rosada sofria de saudade por algo que não permitiram que ela vivesse: ela ao lado de Naruto.

–---

Certo dia Mei fez uma pergunta a Sakura: “Qual foi a pior coisa que já te aconteceu?” Pensativa, ela demorou um pouco para responder, mas quando o fez foi de forma confiante “Ter acordado naquela tenda sem ele ao meu lado” afinal, graças a isso ela não pôde se despedir dele e nem explicar tudo que aconteceu.

–---

Para Sakura Mei já era uma grande amiga, ela a ajudava em tudo, desde assuntos ninjas até os do coração. Por isso um dia ela perguntou “Mei, você acha que os homens gostam mais de mulheres de cabelo curto ou longo?” marotamente Mei respondeu “Eu acho que o Uzumaki gosta mais de você com a cabelo comprido.” Naquele dia Sakura decidiu que nunca mais cortaria o cabelo.

–---

No final do treinamento Mei disse animadamente “Parabéns menina. Você aprendeu tudo direitinho! Vai arrasar quando voltar para Konoha!”

FLASH BACH OFF

As memórias que a Haruno mantinha eram ricas e agradáveis. Sem dúvida foi um tempo valioso que experimentou na companhia da sua amiga, tutora e sensei. Assim como Mei dissera, agora ela era uma nova mulher, pronta para voltar para casa. Já havia se despedido de todos, só faltava agora ela se despedir dessa etapa que havia vivenciado.

Olhando-se no espelho, ela enxergava as suas mudanças. Seu corpo mudara, era um corpo de mulher. Seus cabelos estavam longos. Seus olhos mais confiantes. Seu sorriso mais sedutor. Sua confiança mais aguçada. E seus sentimentos, esses estavam em perfeita ordem. Havia chegado a hora, dois anos depois, voltaria enfim para sua casa.

Com esse pensamento dirigiu-se ao encontro dos dois ninjas que a acompanhariam de volta para casa. Ansiosa, ela não via a hora de correr em direção a tudo que amava, e a quem amava. Com o coração esperançoso, agradecia e clamava a Kami-Sama para que tudo desse certo.



Em Konoha, dois anos depois.


NARUTO POV ON

As pessoas não entendem. Não entendem que o que sinto por ela é amor. E que o amor é uma dessas coisas da vida que quando te pegam, pegam de jeito.

Eu tenho devoção por ela, carinho.

Uma das maiores dores que senti em minha vida foi a que assolou meu peito quando me disseram que ela seria exilada. Até hoje, dois anos depois, eu me aborreço quando lembro que esconderam isso de mim. Me tiraram daquele campo de batalha, me tiraram de perto dela sem me dizer a verdade.

Eu estava magoado por saber que ela havia feito tudo por ele. Mas seu eu soubesse da verdade, eu teria ficado. Por que isso é o amor: você quer o bem do outro acima do seu. E eu sei que estar ao lado dela quando ela acordasse seria uma imensa dor para mim, eu imagino que ela me perguntaria por Sasuke e diria que me ama como ama-se um irmão. Mas como eu a amo, eu ficaria e sofreria isso só para dar um pouco de conforto a ela.

E as pessoas continuam sem me entender. Todos dizem que eu devo seguir minha vida, dar um passo adiante. Alguns amigos me chamam de baka por não dar uma chance a linda garota de cabelos azulados e olhos perolados. Mas eles simplesmente não entendem que isso seria o mesmo que dar um passo em falso. Eles não acreditam na minha promessa de seguir adiante um dia, eles acham que ficarei eternamente lutando por um amor que não é meu. Mas eu sei que não é assim.

Esse maldito exílio e a maldita omissão que me fez partir antes que ela acordasse é que são os culpados. Culpados por me fazerem esperar por dois anos, simplesmente porque eu quero ouvir ela me dizendo o que houve. Se é para dar um novo passo, que ele seja firme e consciente. É preciso que primeiro eu dê um jeito de matar o amor que sinto por ela, para então me permitir viver algo novo.

Eu não sou mais o mesmo.

A guerra me destruiu. A traição de Sasuke, a quase morte de Sakura, as omissões, o exílio. Até o próprio tempo me destrói, na medida em que passa devagar me obrigando esperar pela sua boa vontade de trazê-la de volta. Minha mente atordoa-se frequentemente com as palavras que me foram transmitidas pela Hinata-chan. Sakura me ama como quem ama um irmão.

Enquanto ela estava em coma, ela chamava por Sasuke. E minha alma esperançosa esperava que ela chamasse por mim. Pelo menos uma vez na vida eu queria ter esse gostinho.

Essa guerra me destruiu. Vê-la morrendo em meus braços, ver o Uchiha acertando-a com sua katana, tudo isso matou um pouco de mim. Sinto que a alegria pouco a pouco abandona meu ser, eu já não sou aquele garoto sorridente e escandaloso.

Acredito que meus olhos não brilham como um dia já brilharam. E sei que minha alma não é contente como um dia já fora. Por isso quero encontra-la, para olhar em seus olhos e ouvir a sua voz me dizendo a verdade. Por que só assim eu serei capaz de reduzir-me a cinzas para em seguida reerguer-me como uma Fênix, e assim como o mitológico pássaro, nascer e crescer de novo.

Renovar-me.

E isso as pessoas não entendem e não aceitam.

Talvez, eu devo admitir, porque não sou capaz de me expressar bem.

Mas a vida é minha, o coração é meu. Os ganhos e perdas dizem respeito só a mim. Ela é minha salvação e minha perdição. Contraditório, incoerente? Talvez, mas isso é o amor.

Incoerente também são meus sentimentos. Compreensão e incompreensão disputam meu interior. Tenho vontade de abraça-la e ao mesmo tempo de não acolhê-la. Tenho vontade de brigar com ela e com isso demonstrar todo o meu aborrecimento por ela ter colocado em risco o meu bem mais precioso: ela mesma. Ao mesmo tempo, tenho vontade de abraçá-la e dizer que nada importa, afinal deu tudo certo.

Sou convicto de que independentemente do que acontecer, ela sempre será o grande amor da minha vida. Eu sempre me lembrarei e sempre saberei que é ela a verdadeira dona do meu coração.

Pode o tempo passar, as pessoas mudarem, mas Sakura sempre ficará em meu coração.

Agora procuro controlar minha agitação diante do fato de que a qualquer momento a dona dos olhos verdes que eu achei que jamais veria estará de volta, perto de mim. Sei que momentos decisivos estão por vir.

NARUTO POV OFF


Nas proximidades de Konoha

Já era possível sentir a mudança dos ventos. O tempo nublado denunciava que em breve escureceria e que a lua não se mostraria imponente no céu. “Perfeito para provocar uma chuva” Sakura pensou se lembrando do seu treinamento com Mei na Vila da Água. Ansiosa, ela sabia que ao anoitecer ela chegaria a Vila e poderia enfim recomeçar sua história.


No escritório da Hokage

Ela estava acertando as últimas papeladas do dia. Sabia que nesse dia, a qualquer momento, sua pupila chegaria. Lamentava profundamente por ter um compromisso inadiável pela noite. Era o dia do aniversário da Hyuuga, e o presente seria a liderança do clã. Uma festa há muito programada, na qual todos os ninjas de Konoha estariam presentes para saudar a nova liderança de olhos perolados. Pela primeira vez uma mulher.

Preocupada com sua pupila, ela mais uma vez resgatou a última carta enviada pela Mizukage


CARTA ON

Tsunade Sama,

Enfim Sakura voltará para casa. E enfim ela terá o tratamento que precisa. Sinceramente, ainda me encontro aborrecida pela resposta da minha carta de mais de um ano e meio atrás. Como já disse, o genjutso afetou o inconsciente da menina, e somente membros do clã Yamanaka podem resolver isso. É torturante ver o sofrimento dela, os pesadelos que a assolam. Foi torturante saber que Konoha se negou a enviar alguém para que cuidasse dela. Mas águas passadas são águas passadas.

Cordialmente, Mei Terume.

CARTA OFF

Foi tirada de seus devaneios por uma batida na porta. Já sabia de quem se tratava, por isso sem cerimônias permitiu a entrada.

“Tsunade-Sama, mandou me chamar?” Tsunade a olhou de cima a baixo, como esperado, ela cumpriu suas ordens.

“Sim Ino, eu mandei. Vejo que já está arrumada para a festa da Hyuuga.”

“Como Tsunade-Sama pediu” ela disse comportadamente.

“Sente-se então e preste atenção no que vou te explicar. Sakura chega hoje a noite e você irá recebe-la por mim, depois de cumprir o que vou lhe ´passar, você poderá ir para a festa.”

“Sim Tsunade-Sama.”

A Hokage respirou fundo antes de começar “Lembra-se que te expliquei tudo que a Mizukage nos passou sobre o estado mental de Sakura?” Ino acenou em concordância “Pois bem, nos portões da Vila ela será encaminhada para meu escritório e você a receberá aqui. Usará o jutso necessário e fará um primeiro contato com a mente dela para saber melhor que dano é esse causado pelo genjutso, se é algo psicológico ou se foi algo físico. Entendido?” E a isso a loira respondeu um com um confiante sim.

“Então, depois você explicará a ela que estamos todos envolvidos com a festa dos Hyuugas e que ela deve se encaminhar para um apartamento que reservamos para ela. E ainda hoje você me passa o que descobrir. De acordo?”

“Sim Tsunade-Sama. Mas... mas a senhora me permite dizer algo?”

Tsunade arqueou uma sobrancelha, e mesmo desconfiada assentiu em consentimento. Ino tomou coragem e se pronunciou “Muito injusto a Sakura voltar de um exílio e ninguém poder recepcioná-la decentemente. Os Hyuugas não poderiam ter convidado-a?” Tsunade soltou um suspiro cansado, e depois de escolher bem suas palavras disse “É um clã complicado e uma situação complicada. Entendido?”

Resignada a Yamanaka respondeu “Sim, e garanto que farei o meu melhor.”


Nos portões de Konoha

Já era noite, o céu como ela imaginava, continuava nublado. Com os olhos marejados ela parou mais uma vez naquela pequena estrada, observando os portões da sua amada Vila. Era oficial: ela estava de volta a casa.

Respirou fundo e seguiu sua caminhada com os dois ninjas ao seu encalço. Quatro dias de viagem e enfim a recompensa: o ar de Konoha invadia e limpava seus pulmões e sua alma. Parou com os ninjas vigilantes, e sorridente se pronunciou “Haruno Sakura, minha chegada já era esperada.” O ninja assentiu em concordância, “Mas antes retire seu capuz” e ela assim o fez, revelando seus cabelos rosas arrumados em uma bela trança, porém escondidos por baixo de sua longa capa preta. Sua roupa, assim como seu olhar, escondia novidades e segredos.

“Você deve ir direto a torre da Hokage, essas são as ordens.”

Feliz como há muito não ficara, ela correu Vila adentro. Sentindo cada toque do chão sob seus pés, o vento bagunçando sua franja, o ar invadindo seus pulmões. Não se ateve as pessoas pelo caminho, tudo que queria era ver sua mestra e depois encontrar com ele. Nada mais. Seu corpo, como que automaticamente, a guiou até a tão costumeira porta e suas mãos em reflexo deram três leves batidas, como sempre fizera. Ela ouviu um sonoro “Entre” e seus ouvidos treinados logo identificaram que não se tratava da voz de sua mestra. Ela empurrou a pesada porta de madeira e sentada no interior da sala estava alguém que ela não imaginava encontrar “Ino?” ela disse perplexa. A loira, emocionada se levantou e correu ao encontro da amiga “Sakura” e assim elas se abraçaram como forma de matar a saudade. Com lágrimas de felicidade a dona das madeixas rosas argumentou “O que faz aqui vestida para matar?”

Ino se afastou e deu uma voltinha típica de quem quer expor um figurino “Hoje é dia de festa em Konoha. Mas primeiro Tsunade me designou para cuidar de você. Venha, sente-se e me conte tudo.”

Continua...

Notas finais
Saudades de vocês!!! Vejam só, estou muito orgulhosa dessa fanfic e de vocês meus leitores!!! Eu comecei escrevendo uma one horrorosa, e hoje eu tenho essa fanfic. Desde que decidi continuar a escrevê-la e incrementá-la, logo no princípio, eu sempre ficava imaginando como seria a volta de Sakura (Sim, há muitooo tempo eu já tinha decidido exilá-la!!!!!!). Bem, hoje temos o começo dessa volta. Garanto que tenho coisas maravilhosas na minha mente e que vou me esforçar ao máximo para passá-las para o pepel!!! E minha gente, vocês sabem né, tipo, coisas muitoooo boas estão por vir... No próximo capítulo (que vai ser aquele em que colocarei tudo de melhor que eu sempre imaginei) teremos Sakura encontrando seus amigos e é claro, o Naruto!!!!! Agora me digam: gostaram do capítulo de hoje??? Você imaginam o que vai acontecer??? O que vocês querem/esperam que aconteça??????? Espero (como sempre) por comentários. Um beijão!!! E vejam só: tentarei postar esse próximo capítulo ainda esse ano!!! Quem sabe um presente de Natal para vocês????