Notas iniciais
Mais uma vez agradecendo a Thatha pela review, e postando aqui, após uma estada de uma semana em Ouro Preto... lugar lindo, pessoas hospitaleiras... quem ainda não conhece, vale a pena ir, recomendadíssimo!

POV EMMETT

Assim que Bella os deixou sozinhos, Emm abraçou-se a Rose como se a fosse perder no momento seguinte.

E beijou-a.

Deus, como sentira falta dela... apesar de se terem visto no dia anterior, não puderam ficar juntos como ele gostaria.

Depois de vários relacionamentos superficiais, ele achava que nunca encontraria a garota certa pra ele. Mas encontrara. E ela estava ali, em seus braços, participando daquele beijo com o mesmo entusiamo dele.

Todo o mundo ao redor pareceu desaparecer. Só haviam os lábios de Rose, os dedos dela escorregando por entre seus cabelos.

Quando deram por si, estavam deitados na cama ao canto da cabana.

As mãos dele se encaminharam para as curvas dos seios dela, que não fez nenhum movimento para repeli-las. Ao contrário, ela amoldou mais o corpo ao dele.

A boca de Emm deixou a de Rose e encaminhou-se para o pescoço, tomando cuidado para não deixar nenhuma marca dessa vez.

Querendo sentir mais do corpo da namorada, segurou na blusa do uniforme da torcida que ela usava e, com um olhar ela o incentivou. A blusa foi jogada sobre um banco do vestiário, e ele correu os lábios pelo decote do sutiã esportivo que ela usava.

No momento seguinte, sua mão estava por baixo dele, acariciando um seio.

Sentiu Rose ofegar, sem reclamar. Encorajado, levou a boca até o busto dela, e o beijou, acariciando os mamilos com a língua.

Ela segurou a cabeça dele com ambas as mãos, sem sequer se dar conta de que corriam o risco de que os pegassem ali.

A boca de Emmett voltou aos lábios dela, beijando-a com loucura e murmurando:

- Você é doce... muito doce... é gostosa...

Ela escondeu a cabeça no ombro dele, envergonhada. Ele sorriu da timidez dela.

- Ei... eu te amo. E é ótimo a gente se dar tão bem...

Ficaram mais um tempo se beijando, e se acaraciando, até que ouviram a voz de Bella, parecendo ofegante e apressada:

- Romeu! Manda a Julieta de volta, que o irmão da Capuleto daqui a pouco aparece, e se encontrar vcs juntos... não vai ser com veneno que vcs vão morrer não!

Ela olhou pra ele, já colocando a blusa e ajeitando os cabelos.

- Swan... essa sua irmã não existe!

- Pega leve com a sua cunhada... afinal, é ela que está nos ajudando...

O olhar de Rose ficou meio sério, a expressão de alguém que estava tentando raciocinar sobre algo...

- Que houve, amor?

- Nada não... só alguma coisa que tá martelando na minha cabeça. Mas, bom... vamos lá. Bom jogo! Que vença o melhor time, ou seja, o Spartans!

- Quem foi que te enganou, lindinha? Tudo bem, vai lá. Mas antes, dá um beijo.

Ela o beijou e saiu do vestiário, olhando de um lado pro outro, e se dirigiu ao campo.

POV CARLISLE

Carlisle estava sentado em uma das arquibancadas separadas para os professores e convidados especiais. Sorria educadamente para os que lhe davam congratulações pelos filhos, Ed pelo desempenho e Rose pela animação. E não era pra menos.

O jogo corria há mais de uma hora e o Spartans não havia levado nenhum gol. Edward defendia todas, com um sorriso convencido nos lábios, jogando beijos para a torcida, em especial, sem que o pai percebesse, para Bella, que vibrava baixinho quando ele agarrava a bola. Ela se continha para não torcer para ele pegar as bolas que os atacantes do time de Emmett, sendo que ela estava, justamente, no meio da torcida do Atenas.

Rose parecia mais feliz, com mais energia e mais radiante que o normal, liderando as demais meninas da torcida com entusiasmo, sem tirar os olhos do campo.

O Spartans estavam vencendo, mas ainda tinha bastante tempo de jogo, o que dava ao Atenas, esperanças.

- Carlisle Cullen! Ele escutou alguém exclamando seu nome e desviou a atenção do campo para o homem ao seu lado. Marc Wild. O sócio, velho amigo, e... pai de Lauren. Não Lauren, amiga de sua filha. Mas Lauren, a jovem que povoava suas fantasias. Deus, o que ele era? Somente um ser nojento para imaginar uma coisa daquelas!

- Marc! – Se levantou, forçando um sorriso e apertando a mão do outro homem. – Não sabia que estava em Forks.

- Ah, Lauren me contou que os jogos da temporada começavam hoje... Precisava ver. Nessas horas eu adoraria ter um filho homem para poder vibrar por ele. Imagino que deve estar orgulhoso do Edward, não é? Muito bom, o rapaz... Não deixou passar uma!

- Sim, claro...

- E Rose, cada vez mais bonita essa menina... Lauren disse que ela está fazendo um ótimo trabalho com a torcida, e hoje pude conferir! Ela está uma boneca...

- Sim, claro... – ele se perguntou se Marc imaginava sua filha caçula como ele imaginava a do outro. Rezou mentalmente para que não.

- Então, como estão as coisas na Forks? Se divertindo muito como professor?

- É... é divertido assustar esses jovens... – ele sorriu, arrancando uma gargalhada de Marc.

- Carlisle Cullen assustando criancinhas, essa eu pagava pra ver!

Antes que Carlisle pudesse responder, uma exclamação da torcida fez sua atenção voltar para o campo a tempo de ver Rose se desequilibrar da pirâmide e cair, batendo perigosamente a cabeça no chão. O coração parou ao ver a filha naquela situação, e apertou a cadeira da frente de modo a deixar os nós dos dedos esbranquiçados, sussurrou o nome da filha. A enfermeira entrou às pressas no campo, parando ao lado da menina ferida, e após verificar que ela podia ser transportada, Rose foi colocada em uma maca. Do campo, parecia que nenhum dos jogadores havia visto o ocorrido, somente Ed, que estava de frente para a torcida, por isso se distraiu, e Emmett, de costas pra confusão sem saber o que acontecia, empatou o jogo para o Atenas. Carlisle deixou a arquibancada e foi para a saleta próxima ao campo, onde ficava a enfermaria improvisada em dias de jogos.

Não queria entrar, por mais preocupado que estivesse com a filha. Além do mais, o que ele podia fazer lá dentro? Era médico, mas não podia cuidar da filha, não era ético e nem recomendável. Por isso, ficou na porta, esperando por alguma noticia.

Não se passaram nem cinco minutos do termino do jogo para que Edward chegasse, a expressão de preocupação sumindo, e dando lugar para raiva ao ver o pai ali.

- Como ela está?

- Eu não sei.

- Você ta aqui esse tempo todo e não entrou pra saber se sua filha está viva?! Oh, deixe-me adivinhar, você não está aqui como pai, e sim como professor. – ironizou a ultima frase, tentando passar pelo pai.

- Edward, quer parar de drama? Não foi grande coisa, a Rosalie não vai morrer. Ela deve, no máximo, ter fraturado alguma coisa.

- Como você pode saber?! Esta aqui há quase vinte minutos e não teve coragem de entrar para ver se ela está bem! Sai da minha frente!

- Escute aqui, moleque...

Mas Edward não escutou. Deixando o pai falando sozinho, ele entrou na enfermaria, desesperado por noticias da irmã.

POV BELLA

Bella estava nervosa, e apertava a mão de Angie, que reclamava disso, estranhando, pois nunca antes vira a amiga daquele jeito num jogo do irmão.

O jogo corria a mais de uma hora e o Spartans não havia levado nenhum gol. Edward defendia todas, com um sorriso convencido nos lábios, jogando beijos para a torcida, fazendo as garotas suspirarem, mesmo as que torciam contra seu time, o desaforado. Bella bem que não queria, mas não podia evitar o orgulho e o entusiasmo quando ele conseguia mais uma defesa espetacular. Mas se continha, pq senão ia apanhar ali no meio da torcida do Atenas.

O jogo estava tenso, o time do irmão até conseguia driblar a fraca defesa do Spartans, mas o Cullen aquele dia estava realmente impossível, de modo que o Spartans liderava a partida por um gol. Jasper se culpava por ter deixado o atacante do time adversário passar por ele, Bella sabia que ele fizera o seu melhor, mas Jazz não podia realmente jogar bem quando a cabeça dele não estava no jogo, mas sim em Alice, ainda sumida, fazia agora uma semana. Ela mesma não cansava de ter pesadelos com a amiga, até se sentindo culpada por não poder fazer mais. Voltou sua atenção ao jogo novamente. A esperança, pelo menos de um empate, estava nas mãos de seu irmão, ou melhor, nos pés, dele.

Na confusão do jogo, ela viu o que aconteceu com Rose, considerando que ela caíra de uma altura bem elevada.

Procurou por Emmett, que, no entanto, estava de costas naquela hora, fazendo justamente um gol, e não podia ver o que acontecia com a namorada.

Sabia que podia se arrepender depois, mas sabia que Emm não ficaria quieto até descobrir o estado de Rose, e isso poderia comprometer o segredo deles, então, ao ver Rose ser levada, simulou um passo em falso, fingindo torcer o tornozelo e se apoiou em Angie, que a levou até a enfermaria. POV ALICE Alice abriu os olhos pesadamente. Não tinha noção de há quantos dias estava trancada naquela cabana, onde só conseguia enxergar uma densa vegetação. Supunha que devia estar no meio de alguma floresta, e rezava para não estar tão longe de Forks. Ás vezes conseguia sentir o cheiro do mar, então supunha estar perto da reserva indígena de La Push, da qual Bella lhe falara uma vez.

A única pessoa que ela via, durante os longos períodos que passava dormindo, era o Gwendsnajder, que fazia questão de ser o mais gentil possível, talvez tentando que, quando ela saísse dali, e por certo sairia, ou não se chamava Alice, ela aliviasse a barra dele.

Como sempre quando acordava, a mesa estava posta, então ela desconfiava que o rapaz devia ter contratado alguém para suprir suas necessidades enquanto estivesse em período escolar. Como ele conseguia sair da escola sem passe ainda era um mistério para ela.

Sentou-se à mesa para comer e colocou a mão no copo de suco. Mas um lampejo veio à sua mente. Estava dormindo tempo demais, e nunca fora disso. O Gwendsnajder devia estar colocando alguma coisa na bebida, por isso ela nunca tinha força suficiente para ficar acordada e tentar fugir. Jogou o líquido na pia do banheiro. Iria ficar com sede, ou então, blergh, beber a água da torneira. Mas mesmo isso era preferível a ser drogada.

Olhou pela cortina da janela da sala e viu um homem com feição indígena guardando a casa. Como ela imaginara... devia mesmo estar perto de La Push. Fez barulhos, demonstrando ao homem que estava acordada e em seguida se aquietou, como se fosse dormir. Devia só esperar o momento certo, em que o homem pensasse que ela estava dormindo, e tentar forçar a janela do banheiro, tentar passar por lá. Quem sabe se conseguisse chegar à reserva, poderia pedir ajuda? Deviam estar procurando-a, os amigos deviam estar preocupados e a avó já devia ter sido avisada e deveria estar em pânico...

Tinha de fugir dali, mesmo pq não sabia os planos que aquele louco reservava para ela... POV EMMETT

Emmett não estava conseguindo se concentrar no jogo. E sabia que a sua responsabilidade era muito grande. Não podia deixar o Spartans ganhar o jogo.

O filho da mãe do Cullen tava com uma sorte danada naquele dia. Até agora nenhuma bola passara por ele, e olhe que algumas defesas eram praticamente impossíveis! O peito mais inchado que nunca, parecia até um pavão. Não entendia como ele tinha tempo de defender e ainda ficar fazendo charme pra sua torcida feminina particular, na certa, composta toda de garotinhas de cabeça oca, sem cérebro até pra diferenciar quem era de um time e quem era de outro.

Sua cabeça estava em Rose. Antigamente não perderia tempo pensando em como ela ficava sexy naquele uniforme curto da torcida, mas agora ficava imaginando cada cara presente babando por ela. Voltou a se concentrar no jogo, e nesse momento, recebeu um passe, e aproveitando uma distração do Cullen, chutou e a bola foi parar no fundo da rede. Vibrou, mas quando ninguém correu pra comemorar o gol junto com ele, e viu a expressão da torcida, instintivamente olhou pra trás, e se apavorou. Rosalie estava caída, estendida no chão, desacordada e principiando a ser examinada.O medo tomou conta dele. Medo de perder Rose para a morte. Até então, tudo o que vivera não lhe preparara para aquela sensação. Ele, que não tinha medo de nada...

Viu a irmã, apoiada em Angie, olhar pra ele e tomar o caminho da enfermaria também. Gostaria de ir junto, mas sabia que não podia, e, além do mais, era capitão do Atenas e tinha um jogo pra terminar.

Embora ninguém mais tivesse clima pra jogar.

POV ED

Como Ed previra, o pai não entrara na enfermaria. Continuou na porta, e ele se perguntou como alguém podia ficar tão tranqüilo quando a filha caçula estava naquele estado, tendo despencado de uma altura gigantesca. Queria que a avó dissesse o quanto eles eram parecidos agora, quando Carlisle estava lá fora, e ele estava brigando com a enfermeira para poder ver Rosalie. — Jovem, eu já disse, sua irmã está bem, só precisa descansar agora!

- Ótimo, então eu quero vê-la! – ele quase gritava.

Bufando, a enfermeira rolou os olhos, cansada da discussão que levava mais de dez minutos.

- Cinco minutos, ouviu bem?! Cinco minutos! – e saiu esbravejando.

Ed se apressou a entrar no quarto, e por ser uma enfermaria improvisada, havia apensa três camas. A mais próxima da porta estava vazia, a do canto, ao lado da janela, estava Rosalie, e na cama do meio, para sua total surpresa, estava Bella.

Ao vê-lo ali parado, ela passou a mão pelo tornozelo apoiado em uma almofada sobre a cama e respondeu, com o olhar sobre Rose.

- Ela está bem... Só está dormindo, agora. Lhe deram um sedativo, para que pudesse descansar sem dor.

Com um olhar de confusão, Edward atravessou o quarto se colocando ao lado da irmã adormecida, mas sem nenhum momento desviar sua atenção de Bella.

- O que aconteceu com você?

- Ahn, nada demais... Torci o pé...

Ele percebeu que ela desviou o olhar ao dar aquela resposta, e em outra situação faria alguma piadinha, tal como “Eu sei como é, as meninas costumam se empolgar quando eu estou em campo”, mas não tinha humor pra isso.

Baixou o olhar, até encontrar sua mão pousada na da irmã. Ela parecia serena, talvez tendo algum sonho bom e sem dores, e ele ficou aliviado por isso. A simples idéia de perder uma das únicas pessoas que ele amava fizera seu estomago ficar do avesso.

Rose podia não ser a irmã inteligente, doce e companheira como ele imaginava que uma irmã deveria ser. Mas desde que ela nascera, desde que, ainda tão menino, entrara no quarto dos pais e encontrara a mãe deitada na cama, amamentando a pequena coisinha loira, ele sabia que deveria cuidar dela. Protegê-la de tudo de ruim que o mundo pudesse oferecer. E vê-la assim sem poder fazer nada o deixara com uma sensação terrível.

De todas as pessoas ali, era ele que devia ter protegido a irmã, era seu dever. Mas não fizera. E aquilo estava o matando por dentro. — Pq ela ta com gesso no braço? – ele perguntou, ao ver que no outro braço, a irmã tinha um gesso branco indo até a altura do cotovelo.

- A enfermeira disse que ela caiu em cima do braço. Isso amorteceu a batida da cabeça, e foi só mais um susto.

- Isso mesmo! – a enfermeira exclamou, voltando com algumas ataduras. – Esse rostinho delicado da sua irmã é só fachada, meu caro. Ela é forte feito uma rocha!

A mulher se sentou na cama de Bella, enquanto enfaixava seu tornozelo.

- E a senhorita, muita atenção, viu? Não fraturou nada, mas como ainda continua reclamando de dor, acho melhor enfaixar esse seu pé. Fique com ele até a dor passar, qualquer coisa, é só voltar a me procurar. – E virou-se para Edward. – A visita acabou, Sr. Cullen.

Com um jeito engraçado de andar, a enfermeira se retirou, deixando novamente os jovens a sós.

Ed se levantou um tanto a contra gosto, depositou um beijo na testa da irmã e se virou para sair, a expressão séria no rosto. Quando passou próximo à cama de Bella, sentiu que ela segurou seu pulso, o encarando com condolência.

- Ela vai ficar bem, Edward... E espero que você também.

Mesmo com a situação, o rapaz sentiu algo quentinho dentro de si ao escutá-la chamar pelo primeiro nome, e lhe sorriu. Não o sorriso de sempre, carregado de charme e conquista, mas não foi por isso que o sorriso não a encantou. Ele sorriu de modo terno, sincero, quase como um “obrigado”.

Sem dizer nenhuma palavra todo o tempo, e mesmo assim Bella parecia ter compreendido como ele estava se sentindo. Talvez ela não soubesse com exatidão, mas havia percebido que ele não estava bem. E aquele sentimento de compaixão, de preocupação para com ele era tão raro que, mesmo o assustando, o agradou imensamente.

Deu um leve aperto na mão dela, levou-a aos lábios e beijou com carinho, deixando a enfermaria em seguida, para encontrar o pai ainda na porta. Rolou os olhos, soltando um bufo. Por uma fração de segundos, achou ter visto a preocupação estampada no olhar do pai, mas ela logo desapareceu.

- Ela está bem. Só fraturou o braço... – respondeu, mesmo sem que Carlisle perguntasse, e rumou para dentro da escola, sem um pingo de vontade de ver mais ninguém.

POV BELLA

Apoiada em Angie, Bella entrou na enfermaria. A enfermeira a ajudou a se deitar em uma cama, enquanto foi até a sala ao lado, pegar um sedativo para Rosalie. Ela aproveitou esse momento para falar com a garota.

- Ei, como vc está se sentindo?

- Como vc acha, Swan? — disse a garota, gemendo de dor.

- Se tá ofendendo é pq não está tão mal assim! — deu uma pausa — O Emmett tá doente de preocupação com vc. Mas ele não podia vir, então eu dei um jeito.

- Que jeito?

- Meu tornozelo, ué! Aqui ó, tá torcido! — disse ela, girando o pé, fingindo que estava sentindo dor.

- Vc realmente não existe, Swan... — seguiu-se algo parecido com um riso, entre gemidos de dor. — É muita cara de pau! Só vc pra me fazer rir...

A enfermeira voltou, deu o remédio a Rose e engessou seu braço. Dali a pouco a garota dormia à sono solto.

Uns cinco minutos depois, ouviu o que parecia ser uma discussão do lado de fora da enfermaria.

- Jovem, eu já disse, sua irmã está bem, só precisa descansar agora!

- Ótimo, então eu quero vê-la!

Bom, o jogo acabou, já que o Cullen está aí, foi o que ela pensou.

- Cinco minutos, ouviu bem?! Cinco minutos! – ela ouviu a enfermeira falando.

Ao vê-lo ali parado, ela passou a mão pelo tornozelo apoiado em uma almofada sobre a cama e disse, com o olhar sobre Rose.

- Ela está bem... Só está dormindo, agora. Lhe deram um sedativo para que pudesse descansar sem dor.

Bella agora via um outro lado do rapaz. Ela achava que ele não era capaz de nutrir sentimentos por ninguém, mas, com certeza, agora ela podia perceber que ele amava aquela irmã, com tanta intensidade quanto Emmett amava a ela, Bella.

- O que aconteceu com você? — ele perguntou. — Ahn, nada demais... Torci o pé... — ela falou, levantando os ombros e rolando os olhos.

Ela percebeu a mão dele pousada na de Rose, a expressão no olhar traindo toda a preocupação do rapaz com ela. Bella pensou que devia ser realmente horrível passar pela experiência dos dois. A queda de Rose e a impossibilidade que ele teve de ajudá-la, tendo de ver a irmã cair sem poder socorrer.

Podia até sentir a agonia dele naquele momento.

- Pq ela ta com gesso no braço? – ele perguntou a ela, ao ver que no outro braço, a irmã tinha um gesso branco indo até a altura do cotovelo.

- A enfermeira disse que ela caiu em cima do braço, e que isso amorteceu a queda. O resto foi só o susto...

- Isso mesmo! – a enfermeira exclamou, voltando com algumas ataduras. – Esse rostinho delicado da sua irmã é só fachada, meu caro. Ela é forte feito uma rocha!

E se pôs a enfaixar o tornezelo de Bella, dando instruções.

- E a senhorita, muita atenção, viu? Não fraturou nada, mas como ainda continua reclamando de dor, acho melhor enfaixar esse seu pé. Fique com ele até a dor passar, qualquer coisa, é só voltar a me procurar.

A mulher virou-se para Edward e disse que a visita dele estava acabada, que ele podia ir saindo dali.

Novamente, os dois ficaram sozinhos ali.

Ela viu Edward dar um beijo na testa da irmã, e algo se aqueceu em seu peito. Uma espécie de ternura, ou sabe-se lá o que era. E virou-se para sair. Quando ele passou pela cama dela, um impulso a fez segurar no pulso dele.

- Ela vai ficar bem, Edward... E espero que você também. — ela não pode evitar de dizer, pois via a dor nos olhos do rapaz comumente tão vivaz.

Ele lhe sorriu, não aquele sorriso que costumava dar com a intenção de conquistar, mas um sorriso verdadeiro, com alma... Ele sorriu de modo terno, sincero, quase como um “obrigado”.

Ele deu um leve aperto na mão dela, levou-a aos lábios e beijou com carinho, deixando a enfermaria em seguida. Ela suspirou e esperou uns 3 minutos até Emmett aparecer por ali, com a desculpa de buscá-la. POV EMMETT

Emmett entrou apressado na enfermaria, e deparou com a irmã perdida em pensamentos, parecendo muito longe dali.

Logo seu olhar se desviou para a cama seguinte, e viu a figura da namorada, muito pálida, deitada, respirando compassadamente.

Verificando que não havia ninguém ali, ele foi até ela, e deu-lhe um beijo suave nos lábios.

- Oh, Romeu... ela tá dormindo!

- Eu sei... mas ela pode sentir! Então, como é a situação?

Ela contou tudo a ele.

- Você não sabe o pânico que eu senti naquela hora, Bells... Quando eu vi, já era tarde demais pra sair correndo pra socorrer, mas graças a Deus não ocorreu nada de mais grave.

- Imagina vc socorrendo ela... o povo ia estranhar. Você a ama muito mesmo, né? — ouviu a irmã dizer.

- Você nem sabe o quanto... ela é a minha vida Bella...

- Como é que vc se envolveu tanto, meu irmão?

- Quando eu vi, já era... não tinha mais jeito. — disse ele, alisando os cabelos de Rose, sem tirar os olhos dela.

- Ela vai passar a noite na enfermaria. Eu ouvi a enfermeira falar.

- Pois eu também vou.

- Como, eu posso saber?

- Ainda não sei, mas que eu vou, vou.

Ele ouviu a irmã suspirar.

- Bom, eu tenho de sair daqui. Daqui a pouco vão começar a desconfiar.

- Vai, então.

- Eu não posso sozinha, né? Meu pézinho está torcido... — ela riu. — vai ter de me levar no colo até o meu dormitório!

- Ninguém merece... — ele disse, dando mais um beijo em Rose e pegando a irmã no colo. — Tá precisando de um regime, hein, guria? — brincou Emmett, fingindo estar se esforçando muito pra poder carregar Bella.

Ela deu um tapa no braço dele.

- Cala a boca e trabalha. Andando!

E eles saíram da enfermaria.

Quando foram umas dez da noite, Emmet se esgueirou pelos corredores, a caminho da ala hospitalar.

Viu alguns casais pelo caminho, dando graças por não encontrar a irmã agarrada com algum engraçadinho. Aliás, aquela farsa de pé torcido veio bem a calhar, pq assim ele sabia que ela estaria sossegadinha no quarto, pra não levantar suspeitas. Assim que ele ia entrar na enfermaria, ele ouviu uma voz masculina, no que parecia um monólogo, e se escondeu atrás de uma cortina .

- Eu sei que nem sempre sou o que vc espera que eu seja. Eu sou duro, exijo muito de você, e vc ainda é tão jovem pra carregar tanto peso, minha filha... Há coisas pelas quais eu passei na minha vida, aliadas à criação que eu tive, que me fizeram essa pessoa que eu sou hoje. Não espero que vc compreenda o meu jeito de ser, afinal, nem eu me entendo, muitas vezes. Ser um Cullen significa ser forte, fazer o que for preciso para o bem da família, esquecendo, muitas vezes, os desejos pessoais. É ter de esconder os sentimentos, cimentá-los fundo, para nunca atrapalharem nossos objetivos. Hoje, quando eu te vi despencar daquela altura, eu fiquei paralisado. Não consegui mover um músculo. Corri pra enfermaria assim que te trouxeram. Mas não consegui entrar. Algo me impediu. Seu irmão me acusou de várias coisas, e, no fundo, ele tem razão em algumas delas. Mas não diga isso a ele, senão vai ficar mais metido do que já é... Só passei aqui pra dizer isso. Ás vezes, muitas vezes, aliás, pode até parecer que não. Mas eu te amo. Vc sabe, o jeito torto de amar de um Cullen... Assim mesmo, do jeito que vc é. Me orgulho de vc, mas não sei como dizer.

Emmett espiou, e viu que Rose estava dormindo. Se estivesse acordada, ele não sabia se o professor Cullen teria tido a coragem de falar tudo aquilo. Talvez não. E ele sabia o quanto a namorada teria ficado feliz em poder ouvir aquilo tudo do pai que ela idolatrava, apesar de sempre a tratar com fria condescendência.

Viu o homem passar por onde ele estava escondido nas sombras e parar um pouco. Sentiu o sangue gelar. Mas logo em seguida, Carlisle balançou a cabeça e saiu da enfermaria.

Rezando e apostando que muito dificilmente alguém apareceria por ali até de manhã, puxou uma cadeira pra perto da cama de Rose, e se pôs a acariciar os cabelos da namorada, a deslizar a mão pelo rosto delicado. Estava há uma meia hora naquela contemplação, quando ouviu um suspiro dos lábios de Rosalie.

Ela abriu aqueles olhos lindos, olhando em sua direção e dando um sorriso preguiçoso.

- Oi, bela adormecida... — disse ele, sorrindo para ela.

- Oi... está aí há muito tempo?

- Uns 40 minutos. Está com fome?

- Morrendo, rs...

- Nem me fale isso! — ele tirou do bolso um pacote.

Surrupiara uns quiches do jantar, mais alguns bolinhos de chocolate com creme, que ela comeu com gosto.

Ele estava dividido entre dizer a ela ou não o que ouvira Carlisle falar.

- Seu irmão esteve aqui mais cedo. A Bella me contou.

- O Edward é sempre tão preocupado comigo... — e uma sombra passou pelo olhar dela. — E meu pai?

Ele pensou, e decidiu contar. Não faria mal ela saber, e ele não gostava de ver aqueles olhos tristes.

E relatou o que ouviu o pai dizer a ela. Viu lágrimas nos olhos da namorada.

- Ele nunca me disse que me amava... a não ser quando eu era criança.

- Ele disse que exigia coisas duras de vc... pesadas demais pra vc carregar.

- Sabe, Emmett... eu amo o meu pai demais. Nada era tão pesado pra eu carregar antes... desde que fizesse ele se orgulhar de mim.

Ele notou o \\"antes\\", mas não quis comentar nada. Ela ainda estava se recuperando, e não queria sobrecarregá-la.

- Deita um pouquinho aqui comigo? — ela pediu, e ele deitou-se na cama, apoiando a cabela dela em seu braço, e dando-lhe um beijo, afinal, não era a boca que estava machucada...

Passaram uma boa parte da noite conversando, namorando, ela dormiu, ele cochilou um pouco, e, quando foi umas cinco da manhã, ele voltou para seu quarto, senão, poderiam pegá-lo por ali.

Notas finais
Então, meninas... capítulo bem grande pra compensar a semana inteira sem postagem. Confesso a vcs que não sei o que fazer com o Carlisle. Tem essa atração dele pela Lauren, tem o fato de que ele e Edward realmente não se bicam... e isso vai ficar difícil de resolver pelo menos até o fim da fic. Aceito sugestões! Bjs!