Só Deus sabe. (HIATUS)
2 ... Esse começo pode ter sido bom ou ruim.
Notas iniciais
E esse começo pode ter sido bom ou ruim.

Mais um dia passou e agora vem outro, será que vai ser sempre assim? Apenas dias? Nada de especial? A única coisa que eu sabia é que a cama está muito confortável, acho que não vou para a escola hoje.
Não quero mais um dia de humilhação. Ainda mais no primeiro dia de aula em um colégio novo, o outro não contou como boa experiência.
Flash back on
–--Joga esse besouro esquisito na esquisita lá! Eles podem fazer um belo par, muak muak – Um menino brincava, jogando beijos no ar e apontando o besouro pra mim, eu não tinha medo de insetos, mas nunca era bom ter um grudado na sua cabeça.
Quase que atendendo á um comando invisível, o inseto voou da mão dele e voou diretamente como turbo em minha direção, se alojando desajeitadamente em meus cabelos.
Em fração de segundos a sala inteira riu da minha cara, apontando pra mim como se eu fosse o bozo, não agüentei e agarrei o inseto com as mãos, segurando-o firmemente.
Automaticamente mirei e joguei-o na menina do lado, e mais uma vez a classe riu, e o que eu ouvia em meio as risadas não foi nada amigável.
“Eu te falei que ela é uma retardada total”
Aquilo não doeria tanto se quem tivesse falado não fosse o garoto pelo qual estava apaixonada.
Eu era apenas uma menina inocente de nove anos.
Flash back off
Meu nome é Carla, tenho treze anos e isso é tudo que precisa saber. Mas não tudo o que pode.
Fui interrompida bruscamente pela porta, que quase voou tamanha a violência.
–--VOCÊ TEM NOÇÃO DE QUE HORAS SÃO? VOCÊ TÁ ATRASADA! E EU NÃO QUERO SABER DAQUELE CORNO ME ENCHENDO O SACO DEPOIS!
É essa era a minha mãe, preocupada com sua própria satisfação, pouco importava o que eu achava, mais isso não é importante agora.
A aparência dela estava horrível como sempre, estava toda despenteada e o cheiro que emanava dela faria qualquer um que não estava acostumado desmaiar, e aquelas vestes... Dá pra colocar algo menos transparente?
“Aquele corno é o seu marido sabia? Isso te faz definitivamente uma vadia”
Isso era o que eu pensava, mas quem disse que naquela casa eu tinha livre arbítrio?
Fui interrompida de meus devaneios com uma chacoalhada violenta, aquilo deixaria marca mais tarde, mas como meu pai, eu era um cachorrinho ali, apenas me levantei e nada disse, mas em meu rosto uma expressão emburrada permanecia.
–--Que foi? Vai chorar? CHORA! Eu não to nem ai.
E assim a vac... Minha “amada” mãe saiu do quarto, me deixando sozinha.
–--O que eu fiz pra merecer isso?
Perguntava-me isso quase todo dia, mas eu sempre acabava fraquejando e chorando escondia, isso não!
Enxuguei minhas lágrimas, como eu sou fraca, nem agüentava e nem agüento a pressão, um dia ela iria pagar por tudo. Não sou do tipo vingativa, mas acredito que um dia Deus há de pesar a mão nela, só eu sabia do que ela era capaz e de tudo que ela já fez.
Flash back on
O lugar fedia á álcool, drogas e sexo. Sim, era a minha casa, nos finais de semana meus pais convidavam os amigos deles –entre eles gays lésbicas bissexuais transexuais, também incluindo os que gostam de farra para um churrasco- Eu não era preconceituosa nem nada, mas ali já era exagero, e uma menina de oito anos estava naquele meio, eu.
As pessoas se esfregavam e viravam várias latinhas e garrafas de bebidas, no quarto de suíte se ouviam vários gemidos –provavelmente algum casal que se embrenhou lá- A música era ensurdecedora e uma vez ou outra algum visinho vinha reclamar, ninguém ligava, só quando vinha policia.
–--Mãe a música tá muito alta! – Reclamava gritando o mais alto que podia, realmente estava muito alto. Ela apenas se desgrudou do meu pai se virou e com desprezo olhou-me.
–--Idai?
Simplesmente disse isso e voltou á dançar, enojada com aquele cheiro e prestes á ter o tímpano estourado, corri para o quarto, e mais uma vez chorei de desespero.
Flash back off
“E aquilo ainda era o céu do que ela fazia” Pensei.
Retirei-me de pensamentos e vasculhei meu closet rapidamente, pegando as primeiras roupas que vi da moranguinho, sim eu adorava a moranguinho desenhos e qualquer personagem infantil.
–--Hum isso tá bom!
Meu cabelo ainda estava com os cachinhos do dia anterior, então deixei e coloquei uma tira de florzinhas, adorava flores. Escovei os dentes na maior rapidez que podia, meu pai só não iria xingar á ela como também xingaria á mim de chegar atrasada.
Peguei minha bolsa e nem me preocupei com a bagunça que estava no quarto, um dos meus defeitos era a preguiça, então sai e desci as escadas, como sempre não havia nada nos armários, por preguiça também da parte de minha mãe pra comprar algo.
Ignorei, aquilo era muito freqüente.
Já na porta, uma conhecida caminhava na minha direção para me cumprimentar, corrigindo, conhecida não, bff. Aquela era Rosalia.
–--Nossa amiga você tá um caco só!
Sempre sincera...
–--...
E eu sempre tímida, ela não via que aquilo me machucava?
–--Desculpa só falei a verdade! – Confessou erguendo as mãos ao alto.
–--Tudo bem. – Balbuciei.
–--Eu não vim aqui pro Brasil à toa! Depois das aulas quero dar uma repaginada geral no seu visual! Cruzes... Moranguinho? Que coisa mais década Xuxa! Assim o Rodrigo não vai nem querer olhar pro teu lado!
Ela reclamava de tudo que eu fazia, vestia e falava, mas no fundo ela tinha razão, talvez como amiga me quisesse com uma auto-estima lá encima... Ela só queria o melhor para mim, nunca fora para ofender.
Eu tinha em meu intimo certa inveja dela, Rosa portava lindos cabelos brancos e longos, um corpo de dar inveja, e aqueles olhos? Como queria ter um desses! Quanto á mim, era só mais uma nerd simples, cabelos castanhos medianos, gordinha e olhos castanhos escuro, eu sou tão comum que me dá até náuseas, o duro que é um comum feio e não bonito.
–--Hello! Tá no mundo da lua? – Perguntou-me chacoalhando a mão em frente aos meus olhos, que logo se assustaram com aquela aparição repentina.
–--Desculpa... Rosa? – Chamei.
–--Sim? – Voltou-se ao meu lado.
–--Quando irá voltar pra França? – Perguntei arranjando algum assunto.
–--Hum não sei... Por que a pergunta? Quer se ver livre de mim? – Perguntou fazendo um biquinho zangado, não deixei de gargalhar, nunca jamais iria ver Rosalia realmente zangada com algo.
–--N-não é isso, só queria saber. – Concertei me recuperando do recente riso.
–--Hum sei... Olha! Ali está o novo colégio! Colégio do Limoeiro! Tá vendo? Já to vendo gatinhos daqui!
Eu nada disse, apenas continuei contemplando aquele edifício, alguma coisa me dizia que ali era o lugar que estava procurando á tempos.
Continua...
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