Série Detalhes do Amor: A Luz Dos Olhos Teus
6 Capítulo 5
Notas iniciais
Celine
Viver em um hotel não era para mim. Quando aceitei vir a Londres pensei que ficaria pouco tempo, por isso estava até animada com a possibilidade de viver em um lugar onde não precisava nem fazer minha cama. Mas a verdade é que agora eu sinto falta até disso. Sinto falta de acordar e ir para minha cozinha passar um bom café e comer as torradas que eu preparei com a geleia que eu escolhi no super mercado. Esse seria o lado ruim de ficar por mais tempo. E o clima. Não vou nunca esquecer dele.
Além disso, eu estava precisando de algumas roupas a mais. Havia comigo apenas uma mala de roupas, pretendia desde o início comprar algo por aqui, mas ainda não havia conseguido deixar a preguiça de lado e fazer isso. Perguntaria a alguém da Golden hoje uma dica de shopping onde possa fazer minhas compras.
Minha mente estava um turbilhão enquanto caminhava pelos corredores da empresa. O novo programa havia gerado dúvidas em várias pessoas, e eu não parava de ser abordada para esclarecer tudo. Cansativo, porém muito satisfatório, sentia como se finalmente estivesse crescendo na vida e alcançando meus objetivos profissionais.
Fechei a porta da sala de Richard e me encostei na mesma, fazendo com que ele erguesse a sobrancelha e desse uma leve risadinha. Nós estávamos nos entendendo melhor desde o almoço que tivemos há alguns dias.
—Dia difícil?
—Você nem faz ideia. – Falo, me jogando no sofá que há numa lateral da sala. – Eu cheguei antes das 9 horas para ver se conseguia fugir um pouco do tumulto, mas parece que todo mundo decidiu vir mais cedo também.
—Fica complicado segurar a risada de sua cara de apavorada. – ele diz, realmente rindo e me fazendo revirar os olhos.
—Você está sendo uma péssima companhia hoje. – Ele dá de ombros. –Vou lá buscar um café, depois tem alguns tópicos que quero discutir com você.
—Você só sabe falar sobre trabalho?
—E você só sabe fugir dele!
—Já que gosta tanto de trabalhar, me traga um café também.
Fecho a porta me segurando para não fazer nenhum gesto obsceno para ele. Vou à procura de Martha, que é a guardiã do café do nosso andar. Por isso essa mulher é perfeita.
-Martha, do meu coração. –Falo, dando um sorriso gigante. Ela apenas me olha por cima dos óculos.
—Richard tomou todo o café e não trouxeram novo ainda.
—Aquele homem é desprezível. – Falo, arrancando risada dela. Pelo visto sou uma palhaça por esse dia.
—Por que não desce um andar e pede duas xícaras para eles? Ou apenas vá lá e se sirva, ninguém vai te barrar.
—E você é a melhor pessoa do mundo! – Falo, já indo até as escadas. Sinto falta das caminhadas que eu fazia todo dia, por isso me contento com usar as escadas de vez em quando.
O andar abaixo do nosso é dos nerds da tecnologia. Não tenho certeza sobre o que eles fazem, mas havia ido ali apenas uma vez para entregar alguns documentos. O andar inteiro é muito silencioso, ouço apenas alguns sons de digitação enquanto passo pelas cabines de cada um, ninguém percebe muito quando me dirijo a uma salinha no fim de um corredor, que é onde fica o café em todos outros andares, e nesse não é exceção.
Assim que entro na pequena sala o cheiro da bebida mais maravilhosa do mundo assalta meu nariz, me sinto nas nuvens e quase flutuo até a garrafa onde se encontra esse líquido dos deuses. Assim que toco na garrafa, uma voz me interrompe:
—O que pensa que está fazendo?
Me viro assustada e acabo derramando um pouco de café muito quente em minha mão. Solto uma exclamação e o homem se aproxima de mim.
—Você não devia roubar café alheio, daí não aconteceria isso.
Apenas olho para ele com a minha cara de zangada enquanto ponho a mão em baixo da torneira e ligo a água fria. Mesmo olhando rápido percebo que é bonito, cabelo bem loiro e óculos, mas estou sem paciência para fazer uma análise mais profunda.
—E você não deveria surtar por duas míseras xícaras de café, afinal uma delas é para o senhor Brown!
—Ah, então é você a elaboradora do novo programa? Ainda não havia lhe visto.
Não respondo nada, a queimadura está realmente doendo, embora tenha sido apenas uma gota grande a cair em minha mão. Desligo a torneira e seco a mão, com muito cuidado.
—Acho que temos pomada para queimadura aqui em algum lugar. – Ele fala, começando a abrir algumas portas. –Não é tão raro quanto você pensa as pessoas se queimarem na pressa de tomar uma boa xícara de chá.
—Não me queimei com chá. – Falo.
—Porque você tem mau gosto. – Ele diz, me estendendo um tubo de pomada, que não perco tem em passar.
—Se você não gosta de café, porque me impediu de pegar?
—Apenas não acho certo pegarem a coisa alheia sem permissão!
—Desculpe, senhor correto. – Falo com toda ironia que consigo reunir.
—Liam, meu nome é Liam.
—Não é exatamente algo relevante no momento. Apenas me ajude a servir o café para que eu possa retornar a paz do meu andar de trabalho. – Falo, estou irritada, sentir qualquer dor me deixa assim.
—Bem que dizem, quanto mais bonitas, mais insuportáveis.
Ouço uma risada vinda da porta e quando me viro Richard está lá, apoiado e rindo, como se não fosse nada ofensivo o comentário que o tal Liam acabou de fazer.
Percebo o cara ao meu lado se endireitar e ficar levemente vermelho, então me lembro que embora eu trate Richard como um igual e tenha me acostumado com ele, para os outros deste lugar ele é o cara, com o maiúsculo.
—O que você está fazendo aqui? – Pergunto para ele.
—Martha falou que tinha vindo em busca de café, como demorou vim atrás de você.
—Queimei minha mão.
—E ficou reclamando como uma velha. – Tudo que faço é franzir meus olhos para ele.
—Em vez de ficar parado ai, você poderia vir me ajudar a servir e levar os cafés.
—Eu posso servi-los, senhorita Moreau. – Fala o homem loiro a meu lado. Bom saber que agora sou senhorita. Ele não espera nossa resposta e vai logo servindo em duas xícaras gigantes, bem como eu gosto.
—Pode deixar que eu levo as xícaras. –Richard fala logo que ele termina de servir.
—Sim senhor, com licença. –E assim ele sai do local, sem mais nenhum comentário irritante ou cantada estranha. Se é que aquilo pode ser chamado de cantada.
—Você vem para o andar alheio para ouvir cantadas mal formuladas e se meter em confusão, acho que não vou mais deixar você sair da minha sala.
—Eu queria só um café, não pedi para o seu funcionário louco vir atrás de mim.
Ele solta uma gargalhada, pegando as bebidas e indo para a porta. Decido que segui-lo é melhor. Sempre seguir a pessoa que está com meu café é o melhor.
—Você que é louca. Por café. –Ele complementa antes que eu retruque. – Como eu também sou.
—Com nós dois trabalhando juntos logo você acaba com sua fortuna apenas gastando com café. – rimos juntos enquanto vamos até o elevador, dessa vez algumas pessoas param seus trabalhos para nos ver passar.
—Já foi a alguma cafeteria londrina?
—Só sai do meu quarto de hotel para vir trabalhar, na verdade.
—Não conheceu a cidade ainda? – Ele pergunta espantado.
—Não gosto muito de fazer turismo, ainda mais com esse clima.
—E sempre voltamos ao clima...
Martha da um sorriso para nós quando nos vê passar, Richard apenas ergue as xícaras de café em direção a ela, como um brinde.
—Na verdade acho que amanhã vou sair, estava pensando em lhe pedir dica de algum shopping, preciso comprar algumas roupas.
—Vai sair para comprar roupas, mas não para fazer turismo? – Ele pergunta, parecendo aborrecido. –vamos fazer um acordo?
—O último que fizemos me fez ficar morando no quarto de um hotel por mais um bom e indefinido tempo. –Falo, e ele apenas me ignora.
—Amanhã vamos passar o dia juntos, levo você para fazer compras e depois para conhecer os melhores pontos da cidade. Se você não gostar, te pago o melhor café da cidade, se você gostar, você paga para mim. O que me diz?
—Acho que não congo negar nada que envolva café. – Respondo sorrindo e arrancando outro sorriso em troca.
Fale com o autor