Notas iniciais
Boa leitura! Esperamos que estejam gostando.

POV SYLENA

Eu ainda não acreditava no que estava lendo, já havia feito isso pelo menos vinte vezes e ainda não parecia real. Sua filha respondera sua carta, esperava uma resposta rude de Anthony ou talvez apenas silêncio, aquilo foi mais do que poderia imaginar. Reli a carta outra vez, tentando gravar aquelas palavras na memória:

"Sylena,

Fiquei bem surpresa quando achei sua carta no lixo, meu pai parecia tão perturbado que tive que olhar o que era. No fim, a curiosidade valeu a pena.

Confesso que não conseguia entrar na minha cabeça toda essa história, mas olhando para as coisas por esse ângulo, acho que entendi o motivo de não me encaixar nessa família.

Respondendo as suas perguntas: Meu nome é Riley, mas prefiro Ry. Eu me pareço muito com o meu pai, assim como minha irmã, de forma que não desconfiamos que não éramos gêmeas como diziam. Meu namorado se chama Henry, mas temos que namorar escondido porque nossas famílias não apoiam. Tenho alguns amigos, minha melhor amiga chama Caylee e ela é ótima. Se eu sou feliz? Não tenho muita certeza.

Gostaria muito de conhecê-la, saber se somos parecidas em algo, os motivos que levaram você a ir embora assim, sem mim.

Espero que possamos nos encontrar em breve, talvez corrigir as coisas.

Meu telefone e e-mail estão no verso, espero ouvir uma resposta sua em breve. Ry."

Decidi pegar o próximo avião para Santa Monica, Califórnia. Mandei um e-mail para Riley, avisando que estava indo. Ry, me corrigiu mentalmente, ela prefere ser chamada assim. Comecei a arrumar sua mala com um sorriso enorme, finalmente iria reencontrar meu bebê. Seria um longo caminho, considerando que estava na Flórida, mas valeria totalmente a pena.

POV ALYCIA

Riley não apareceu no jantar, algo estava errado. Deveria ser por causa da briga que aconteceu mais cedo.

O jantar começou do mesmo jeito que terminou, em silêncio. Ninguém se opôs quando saí da mesa antes da sobremesa, alegando que estava com sono. Não consegui fazer meus pais falarem sobre o que aconteceu, espero que Ry possa me dar algumas respostas.

Subi rapidamente as escadas e bati na porta do quarto.

— Vá embora – minha adorável irmã gritou, como se eu fosse desistir, virei a maçaneta e descobri que estava destrancada. – Não me mande ir embora, sua chata. Queria saber se estava bem. – disse, entrando no quarto e fechando a porta – Por que não desceu para o jantar?

— Não estava com fome e estou muito bem, pode sair agora. – disse com irritação, voltando a olhar para a tv.

Quando percebi o que ela estava assistindo, fiquei sem entender. Era um vídeo nosso, nesse tínhamos 5 ou 6 anos e estávamos indo pegar doces no halloween. Eu estava fantasiada de Cinderela e Riley de pirata.

Olhei em volta e vi várias caixas abertas, diversos álbuns antigos abertos, o que ela estava procurando?

— Por que está com tudo isso aqui? Está procurando algo? – perguntei, confusa.

— Não, só deu vontade de ver isso. – suspirou, dando de ombros

— Tem a ver com a mamãe? – sentei ao seu lado, sabia que nossa mãe deveria ter sido bem desagradável.

— Um pouco – ela admitiu. – Queria que ela deixasse de ser louca por controle e aceitasse minhas decisões.

— Ela não vai mudar do dia pra noite, mas saiba que eu apoio suas decisões, mesmo que seja algo bem idiota, como o dia que decidiu sair escondida pela janela para ver o Henry usando saia. – dei risada, lembrando daquele dia.

— É verdade, aquilo foi estupido. – ela começou a rir também. – Em minha defesa, fiquei ótima naquela saia.

— Não fique triste, vai dar tudo certo, maninha. – segurei a mão dela. – E caso não dê, eu sempre estarei aqui para te ajudar.

Ela me olhou como se estivesse querendo dizer algo, e por um momento, senti que não queria ouvir isso.

POV RILEY

Passei a noite passada vendo vídeos antigos da família. Aniversários, jantares no dia de Ação de Graças, comemorações dos Natais... Procurei qualquer sinal que confirmasse que eu fosse a filha que Sylena mencionava na carta, todavia, não encontrei. Sempre me falaram que Ally e eu éramos irmãs gêmeas, e realmente somos extremamente parecidas, até mesmo nossas certidões de nascimento confirmam o laço. Porém, havia aquela carta, desmentindo tudo o que eu sempre acreditei que fosse verdade. Claro que mamãe visivelmente tem uma preferência por Alycia, mas sempre achei que fosse porque ela frequentava as lojas luxuosas e desfiles de moda que Hailey tanto adorava, e eu não.

Perdi a noite de sono pensando sobre isso. Será que Hailey sabia que eu não era realmente sua filha e por isso não gostava de mim? Ou será que papai mantivera em segredo essa traição? Eu deveria falar algo ou isso colocaria o casamento dos meus pais em risco e magoaria mamãe? A todo momento precisava me lembrar que eu não deveria chamá-la de mãe, já que não tínhamos laço sanguíneo.

Quando amanheceu, minha cabeça ainda era um turbilhão de pensamentos. Não tomei café-da-manhã em casa. Não queria encarar minha família. Ao invés disso, sai mais cedo e liguei para Henry, pedindo que me encontrasse em uma lanchonete no Píer de Santa Monica.

Sentei-me em uma das mesas ao ar livre e observei os turistas tirando fotos bobas em frente à placa da Rota 66. Por um momento, esqueci dos pensamentos que me atormentavam.

Henry chegou alguns minutos depois, uma expressão de preocupação no rosto.

— O que aconteceu, Ry? – perguntou, antes que eu pudesse falar qualquer coisa. – Você anda estranha... E eu não sei o que está acontecendo. Foi algo que eu fiz? Você quer terminar, é isso? Eu...

— Ei. – segurei suas mãos e olhei-o nos olhos. – Está tudo bem entre a gente. Não é por isso que te chamei aqui.

A expressão dele se suavizou. Acomodou-se de frente para mim e fizemos o pedido. Como eu não estava com muita fome, pedi apenas uma vitamina de banana.

— Então, o que está acontecendo? – ele insistiu, enquanto comia.

Coloquei a carta de Sylena na mesa. Henry a leu em silêncio, seu rosto lentamente formando uma expressão que não consegui decifrar.

— Hailey não é sua mãe? – ele perguntou, ao fim da leitura. — Ou você acha que Ally... – deixou a pergunta pairando no ar.

Dei de ombros, suspirando. Encarei novamente os turistas, tão sorridentes e despreocupados... Será que alguma vez tiveram problemas familiares?

— Eu não sei. – admiti. – Mas isso quer dizer que uma de nós não é realmente filha de quem pensávamos ser nossa mãe...

Ele me encarava com aquela expressão indecifrável. Não falou nada, esperando que eu prosseguisse.

— Depois de analisar o comportamento dia meus pais, tenho certeza de que sou eu. – continuei. – O que vou fazer? Para onde irei? O que...

— Ei. – foi a vez dele me interromper. – Pode até ser que você não tenha o sangue de Hailey correndo em suas veias, mas ela te criou, ela te ama. Nada nem ninguém vai mudar isso.

Henry tinha o poder de me tranquilizar, mesmo nas piores horas. Sorri para ele.

— E tem mais uma coisa. – lembrei. Ele apenas arqueou as sobrancelhas. – Respondi a carta. Marquei um encontro com Sylena. Preciso da última conformação de que ela é minha mãe.

Esperei que ele fosse me questionar, mas Henry apenas balançou a cabeça, concordando.

— Quando? – perguntou.

— Sábado. No mesmo horário da festa. – informei.

— Acha que é o certo? – ele tocou levemente minha bochecha.

Concordei com a cabeça.

— Sei que você queria muito ir à festa, mas eu não queria ir sozinha. Será que não poderia me acompanhar?

— É claro que sim, Ry. Eu te busco e vamos juntos.

Trocamos um sorriso.

Notas finais
E aí? O que estão achando do drama se desenrolando? Lembrando que opiniões são bem-vindas, então comentem, favoritem e recomendem. Até a próxima. :)