Symphony of the Night - Reborn
2 Capítulo 2 - Decisão
Notas iniciais
Todos os Belmont e Renard estão reunidos à mesa, agradecem o próspero jantar como de costume.
– Receio não poder acompanhar-vos. Não me sinto disposta para tal – Diz Annete.
– Querida... — Richter olha para sua esposa pálida e sente-se impotente. — Vou levá-la para nossa cama, precisas é de repouso.
Maria perde o apetite.
– Richter! Ao regressar de teu aposento, preciso que vá ao vestíbulo. — Disse Maria, convocando seu cunhado. Ele lhe lança um olhar de desconfiança e segue para o quarto com Annete em seus braços.
Pouco tempo depois, Richter chega ao vestíbulo. Nota que não há ninguém na peça e avista uma luz fraca saindo da peça adjacente ao vestíbulo. Vai até a cristaleira e tira dela uma taça de cristal e a enche com vinho. Dá três goladas e enxerga Maria com um candelabro em mãos:
– Precisamos conversar.
– Por que tão séria Maria? O que te preocupas?
– A situação de Annete e a visita do padre Richmann.
– Explique.
– Meu caro cunhado, Annete está sempre indisposta. Não come, não dorme, É perceptível sua tristeza. Entendo que perder seu primogênito foi difícil, mas se ela continuar dessa forma morrerá.
– Não diga besteiras! — Interrompe Richter, furioso.
– Não grite ou irão nos ouvir.Agora preste atenção às minhas palavras. — Maria dá um suspiro e retoma a argumentação. — Preocupa-me o estado de saúde de minha irmã porque sinto que ela está desmotivada. Parece-me que ela desistiu de viver. Entende?
Richter se cala. Abaixa a cabeça e relembra o dia que se conheceram. Era o final de um verão quente. O sol demorava a se por, iluminando os campos dourados do vilarejo. Tudo recebia um brilho amarelado.
Annete completaria naquele ano “15 primaveras”, estava voltando do riacho com um cesto de roupas e uma pequena criança loura e de faces rosadas.
Os amigos de Richter se despedem, todos vão para suas casas mas ele insiste em esperar a moça do cesto de roupas aproximar-se.
– Parece um cesto pesado... Posso carregá-lo?
Annete sorri e nega a ajuda.
– Pelo menos posso acompanhá-la até tua casa? É perigoso que uma dama bonita ande por aí...
A menina puxa o vestido de Annete para que pare e encara o rapaz. Fita-o de cima a baixo e faz uma expressão de reprovação, colocando a língua.
Annete e Richter riem.
– Desculpe, Maria é muito tímida e tem uma personalidade forte.
– Então, posso acompanhá-las?
– Maria é quem decide. — Disse a moça sorrindo.
A menina cruza os braços e vira seu rostinho. Richter teme que sua abordagem tenha sido em vão, tenta outra estratégia. Se aproxima de menina e sussurra em seu ouvido:
– Se deixar que eu acompanhe sua irmã lhe darei todos os doces que puder comer!
Maria aceita a proposta, mas olha com desconfiança para o rapaz que a subornou. Não gosta dele, queria chutá-lo até ver-se livre e libertar a irmã da companhia indesejada.
– Onde posso encontrá-la novamente? — perguntou Richter à Annete.
– Tenho ido ao riacho levar Maria para brincar todos os dias.
E depois daquele dia, Richter visitou o riacho todos os dias à procura de Annete. O namoro dos dois assim se sucedeu. Richter pediu a mão de Annete em noivado e pouco tempo depois, as meninas ficaram órfãs.
Foram enfim morar na casa dos Belmont.
A mãe de Richter encarrega-se da educação de Maria, mas frustra-se ao perceber que a garota se adaptara melhor aos afazeres masculinos. O mestre de Richter percebe o potencial de Maria para as artes espirituais depois de um incidente fatídico. A menina havia acordado no meio da noite chorando, “Tive um pesadelo, um lobo queria me atacar” dissera aos novos pais. O mestre de Richter vai ao aposento de Maria e se surpreende com a presença de um lobo etéreo invocado pelo pesadelo da menina. Desde então, Richter e Maria dividiram as lições sobre caça de seres das trevas, crescendo juntos e virando bons amigos.
O mestre falece e dois anos depois é a vez da mãe de Richter cruzar o rio da morte. No mesmo ano, Annete e Richter se casam.
Depois dessa retrospectiva, das amargas e das doces lembranças, Richter deixa escapar uma lágrima.
– Maria, o que sugere então?
– Sugiro que a ajude a encontrar um novo motivo para viver. Podem tentar de novo...
– Não é tão fácil...
– Por que diz isso? — Interroga a moça.
– Ela está sempre distante. Não aceita minhas carícias. Me sinto rejeitado e frustrado.
– E por isso está procurando o amor de Annete em outras?
Richter muda de expressão rapidamente. Encara Maria com vergonha e ao mesmo tempo com raiva.
– Pare! Eu já me sinto péssimo por tudo e tu ainda me julgas! — Richter vociferou, interrompendo a fala de Maria entorpecido de raiva.
Ela tira a taça de sua mão, colocando-a na mesa, encara Richter com frieza. O silêncio impera entre eles. Richter se sente tonto, os efeitos do vinho começam a relaxar seus músculos e embaçar a visão. Ele se aproxima de Maria para enxergá-la melhor. “Ela é tão parecida com a irmã” pensa. Num ímpeto de descontrole e carência ele acaricia o rosto de Maria e tenta beijá-la, mas seu subconsciente o faz parar instantaneamente. “Como posso ter tais sentimentos por Maria?” pensou ele. Ela se afasta rapidamente, com movimentos quase felinos. Ambos entenderam o que acontecera. Sem dizer palavra alguma, deixam o vestíbulo, cada um para seu aposento.
Naquela noite, Richter não dormiu. Maria sentou-se à mesa de seu quarto, tirou de uma gaveta um papel, molhou a pena na tinta e redigiu a seguinte carta:
Queridos irmã e irmão.
Por motivos aos quais não cabe a mim explicar-vos, estou deixando a casa em busca da minha própria história. Levarei comigo uma pequena parte da herança, algo que não sentirão falta.
Não prevejo o que se sucederá de minha empreitada, mas peço que continuem suas vidas. Annete, encontre o que falta em sua vida, pois estou indo atrás daquilo que falta para mim. Richter, cuide bem dela, confio a ti.
E para dar-lhe uma satisfação, investigarei extraoficialmente o caso que o padre Richmann comentara.
Amo os dois e estarei por perto sempre que precisarem.
Que Deus os abençoe.
Com amor, Maria.
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