Sweet Tortures
17 Realize
Notas iniciais
nao demoro taanto com o proximo.
Choice
Melissa POV
Não posso mais... Eu quero morrer agora... Arquejei pela quinta vez, tentando vomitar, mas sem nada no estomago para tanto. Eu não sabia por que estava tão enjoada.
- Ora, o que há com você? – Roxanne me perguntou, chegando perto do meu rosto, acariciando meus cabelos. Essa aí é outra que tem problemas psiquiátricos. Pensei, tentando levantar os olhos inchados para ela. Os cantos de minha boca sangravam.
- Está se sentindo doente? Quer que eu a tire daí? – perguntou, e eu franzi o cenho, sem saber o que responder. Ela é louca mesmo! Concluí, e senti um medo súbito. Se Bill parecia louco, e tinha uma mente mais ou menos sã, o que essa mulher não faria comigo?
- Calma, minha linda. Eu não vou te fazer nada... Ainda, mas isso depende do quanto você cooperar. – continuou a mulher de cabelos ruivos, sorrindo sádica. Prendi a respiração por dois segundos.
- O que quer de mim? – tratei de murmurar, e Roxanne se afastou, suspirando. Enrolou uma mecha de cabelo no dedo, caminhando de costas para mim. Vagamente percebi que entrávamos na madrugada, pelo horário no relógio acima da cabeça da ruiva. Ela riu, e caminhou para fora da sala, rindo sádica.
- Quero uma coisa muito simples de você. Quero que você me ajude a destruir Bill. Para isso, você precisa fazer tudo o que eu mandar, certo? – disse, já na porta, e logo em seguida, a fechou, me deixando no completo escuro.
Por que ela quer... Me perguntei, mas ao mesmo tempo comecei a sentir um cheiro estranho no ar, e minhas pálpebras começaram a pesar. Pensei por um segundo, que estivesse morrendo. Mas segundos antes de perder a consciência, tive plena certeza que era exatamente isso que a mulher queria que eu pensasse.
Bill POV
- Você tem certeza que não quer levar Tom com você? — Gustav me perguntou ao telefone, enquanto eu ia até a garagem do escritório para buscar o jipe que Gustav me emprestou. É, estou indo até Roxanne. Respirei fundo, jogando a minha mochila com umas poucas coisas dentro. Uma delas, uma arma. Chequei, vendo se também levava munição suficiente.
- Não, eu prefiro que ele fique bem a vista. Não posso estar me preocupando com Tom além de tudo. – falei, e Gustav pigarreou do outro lado.
- Esse “além de tudo” quer dizer Melissa, não? Você está preocupado com ela. – ele disse, grave, e eu engoli em seco. Eu não podia me ater àquela garota naquele momento, eu tinha certos assuntos a tratar com uma certa ruiva. Mas fiquei me perguntando até onde ele me conhecia.
- Não interessa, é só uma distração de Roxanne. Ela quer que eu perca o foco. – eu disse, sentindo a necessidade de me explicar, coisa que nunca fiz, pois não me interessava que entendessem meus motivos. Mas isso sou eu mesmo tentando me convencer que não vou me distrair com o fato da mulher que eu... Melissa esteja em seu poder. Rolei os olhos, ligando a ignição.
- Mano, me ligue qualquer coisa. Mesmo que eu saiba que você consegue se virar sozinho, mas... – Tom falou ao longe, então imaginava que ele estivesse ouvindo a conversa.
- Valeu. Eu volto logo. – falei, ainda sem sentir a necessidade de dizer qualquer coisa carinhosa. Ele sabe.
- Mantenha o celular ligado, assim Georg pode saber onde você está. – Gustav me recomendou, e eu assenti, desligando logo em seguida e acelerando para as ruas.
Olhei para a mensagem que Roxanne me mandara, aquela que realmente tinha me incentivado a sair de casa: Uma foto de Melissa, suspensa pelos pulsos, com bastantes hematomas no corpo – alguns eu até reconhecia como meus, como por exemplo as mordidas em seu pescoço – e um corte frontal profundo nas costelas, com uma sutura improvisada. Eu não vou mentir, mas perdi o juízo por alguns segundos. Mas foi o suficiente para me fazer repensar minhas prioridades.
Olhei para meu celular no porta moedas do carro, e ele apitava de novo. Irritado, joguei-o no chão com tanta força que o desliguei – e talvez tivesse quebrado. Não estava muito a fim de ter mais notícias de Melissa naquele momento.
O que Georg me disse antes que eu viesse me veio à memória.
- Eu me lembro de ter feito uma pesquisa sobre você, a mando de Gustav, assim que você chegou. Você foi uma caso interessante, por tudo que passou, e pela volta por cima que deu. Mas tem um hiato nessa sua história que eu acho que nem você seria capaz de me dizer, Bill. – ele disse, e eu ergui uma sobrancelha para Georg, como se dissesse “eu estava lá, como não poderia saber?”
Georg riu.
- Entendo que possa parecer estranho, mas entenda que há coisas por trás de sua história que estão muito mal explicadas. Por exemplo, essa história de Chad e Melissa, logo após seu sequestro. – eu franzi o cenho quando ouvi o nome dos dois. Memórias incômodas me vinham à mente.
- O que pode ser mais claro que foi Melissa que planejou todo esse esquema? – falei. Não tinha ideia de por que ele estava conversando isso comigo.
- O que pode ser mais estranho que ela tenha continuado na cidade, te torturando com Chad, quando os registros do aeroporto dizem que ela foi embora uma semana depois? – disse, e eu parei para pensar. Mas eu sabia que Chad não mentiria sobre seu maior trunfo.
- Pense mais um pouco, pare de confiar nas pessoas erradas. – Georg continuou, e logo depois Gustav me chamou, para me entregar as chaves do carro e o equipamento que eu precisava e as últimas ordens.
- Ah, e mais uma coisa. – começou, quando eu estava saindo da saleta. Parei, olhando-o de soslaio. – Deixei uma coisa na sua casa, mas isso é para quando você voltar. – disse, e eu assenti rapidamente, em seguida me dirigindo para onde Gustav estava.
Fiquei me perguntando por um bom tempo o que Georg quis dizer com “confiar nas pessoas erradas”.
Mas aí outra coisa me veio à cabeça.
– Não sei por que até agora confiou em mim. Mas tente encontrá-la e talvez você saiba a verdade. – Relembrei o que Chad me disse em seus últimos momentos. Ele não era um para se confiar.
E de repente, meu pé afundou no acelerador, assim que eu percebi que tinha feito uma burrada muito grande desde que tinha reencontrado Melissa de novo.
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