Sweet Tortures

7 Getting to Know You


Notas iniciais
então, consegui fazer outro cap.
eu tinha que fazer isso, já que vou sair para viajar amanhã, e não vou ter internet pra atualizar a fic - e acho que nem computador, já que vou ficar no meio do mato - mas eu fiz um esforço para terminar este cap pra vcz.
espero que gostem!

Cheguei em casa um pouco mais devagar do que tinha vindo, acelerando o estritamente necessário para não perder a paciência. No caminho fiquei pensando no que Georg tinha me dito, e aquilo realmente fazia um sentido impressionante. Será que ele sabe? Mas como? O único que sabe dessa história é meu irmão, e mesmo assim eu nunca vi que Georg falasse mais do que duas palavras com ele... A não ser nas horas de descontração. Mas não acho que chega a assuntos tão delicados assim.

Pensei, enquanto guardava a moto na garagem. Tinha começado a chover nos vinte últimos metros de minha casa, mas foi o suficiente para encharcar as partes do meu corpo que estavam sem proteção. Mas eu não me importei, estava muito absorto no meu próximo movimento. Vamos jogar um joguinho, mesmo que eu já te conheça. Verdade, ou Consequência?

Melissa POV

As duas horas que aquele homem tinha ido embora eu as passei sentada na sua cama, que eu imaginei que não iria se importar, já que estava desarrumada.

Mesmo assim o cara parece ser bem perfeccionista. Pensei, olhando ao meu redor, para as paredes brancas e pretas e os móveis claros, de design clean. O seu guarda-roupa tinha ficado aberto de quando ele tirou aquele casaco grosso de motoqueiro – que por mais que parecesse grosso tinha ficado quase perfeito nele – e dali eu podia ver parete da grande quantidade de roupas que deveria estar ali dentro, e a maioria eram roupas pretas e um pouco excêntricas por assim dizer – eu vi uma blusa preta com ombreiras de tachinhas pontudas, umas três calças de couro e algumas gargantilhas com caveiras e qualquer coisa que possa lembrar o estilo punk – mas que me eram até um pouco comuns, eu estava acostumada com aquele estilo desde os 17 anos – mais ou menos a época de Bill.

Bill... Minha mente murmurou dolorosamente. Por que será que desde que você se foi as coisas só pioraram? Perguntei, e como sempre nessas horas, fiquei sem resposta.

Mas era a mais pura verdade, desde que Chad tinha pegado Bill coisas horríveis aconteceram comigo desde então. Comecei a ser rejeitada pela comunidade, já que todos acabaram acreditando na história de Chad de que ele tinha se suicidado por que eu tinha terminado com Bill para ficar com ele; também fui taxada de vadia pelas garotas do bairro, que acreditavam que eu tinha ficado com Chad e seus amigos na época que namorava Bill, e além de assassina, já que também achavam que ou eu tinha mandado matar Bill ou fiquei muito feliz por ele não estar por perto.

Só tive paz quando me mudei, mas parece que as coisas estão começando a ficar ruins novamente... Pensei, olhando ao redor, para minha situação. Toquei a lua e o sol na minha corrente, presente dos meus pais quando eu fiz 18 anos. –Espero que possa ter um amor como o nosso, assim como o sol e a lua, que se completa. Isto vai te guiar a encontrar sua cara metade. Lembrei do que meu pai tinha me dito, e que ainda me fazia chorar. Eu ainda estava muito sensível à falta de Bill, além do que meu pai não era uma dessas pessoas emotivas.

Ouvi a tranca da porta girar, e limpei as lágrimas rapidamente, imaginando que fosse aquele homem de novo. E ele não aprecia ter muita paciência com as pessoas, e eu sabia que chorar só ia piorar as coisas. A porta se abriu, e eu continuei olhando assustada para o vulto que entrava – já era mais tarde e as luzes estavam apagadas – até que fechou a porta atrás de si. De repente o silêncio já antes presente se tornou angustiante.

- Então... Sentiu minha falta? – perguntou, sarcástico, mas não vi nenhum sorriso em sua face. Na verdade ele parecia estar mais pensativo. Fico em perguntando se isso é bom ou não. Pensei, tremendo ao me lembrar da situação que o tinha visto da primeira vez. Olhei para o chão enquanto ele se aproximava.

- Que tal nós jogarmos um jogo? – perguntou, e eu prendi a respiração por um momento. Ele estava perto, eu estava olhando para seus pés – ele estava usando uns coturnos de cano curto, e uma calça um pouco ajustada nas pernas.

- Quê? – eu sussurrei, sentindo-me ridicularizada. Quantos anos esse cara tinha? Será que ele fazia ideia de que estava me sequestrando? Ele deu uma risada baixa que fez o fundo da minha garganta tremer.

- O quê? Eu estou entediado. E é melhor ir se acostumando, por que eu não pretendo te largar tão cedo, Mel – disse, e novamente prendi a respiração para o absurdo que ele dizia. Ele iria me manter em cativeiro por quanto tempo?

E por pura diversão? Esse cara é louco.

- Vem, senta. – disse, me segurando pelo braço e me sentando na cama. Eu não fiz nenhuma resistência, estava completamente em choque.

Mas espera, ele disse meu nome novamente. Como ele sabe o meu nome?

- O que vamos jogar? – perguntei. Uma coisa que aprendi na vida, é que se não pode vencê-lo, junte-se a ele. Então eu teria de agir na mesma loucura que esse cara demonstrava.

E ele pareceu um pouco surpreso, pela segunda vez até aquele dia. Sentou-se ao meu lado, cruzando as pernas feito criança e passando a mão pelo cabelo, para tirar alguns fios da frente do rosto. Naquele momento aquilo me pareceu um pouco nostálgico, eu já tinha visto aquilo em algum lugar.

- Que tal verdade ou consequência? É uma boa chance para nos conhecermos, eu imagino que você tenha algumas perguntas. – disse, e eu quis bater minha cabeça na parece até ter uma concussão. Me sinto com 15 anos de novo. Pensei, enquanto dava de ombros. Ele assentiu.

- Ok, imagino que você sabia as regras... – disse, tirando o casaco de motoqueiro e jogando-o no chão. Não consegui evitar apreciar o momento, por mais que aquilo me parecesse absurdo. Ele está te sequestrando, Mel e você não sabe o que ele vai fazer com você. Lembra disso! Minha mente me repreendeu, me fazendo desviar o olhar do seu corpo magro, mas um pouco musculoso.

- Sei... Mas está faltando a garrafa. Você sabe, para girar... – eu disse, começando a me sentir cada vez mais ridícula pela situação. Mas era melhor isso do que qualquer coisa que pudesse fazer danos a minha integridade física.

- Não, vai uma vez cada. Mas tem um detalhe: se eu achar que você está mentindo em alguma verdade, vai ter que pagar uma consequência. – disse, e eu assenti.

- Sei como se joga. Fazia muito isso na minha infância, sabe? – respondi, fazendo-o perceber de como aquilo era ridículo. Ele me encarou, em silêncio, e segundos depois um sorriso leve apareceu em sua face.

- Ok, vamos começar. Você pergunta. – ele disse, estralando os dedos da mão. Me pegou de surpresa, eu não sabia o que perguntar. – Eu quero verdade, só pra começar.

- Hã, tá bom. Qual é seu nome? – perguntei, começando pelo simples fato de que eu não fazia ideia de quem ele era. Mas ele parece saber quem eu sou. Ele sorriu, estendendo a mão para mim.

- Meu nome é William, mas pode me chamar de... Will. – respondeu, e eu apertei sua mão com cautela. Ele olhou bem dentro dos meus olhos.

- Prazer em te conhecer, Mel. – disse, e um arrepio percorreu minha espinha. Sorri minimamente.

- Ah, eu tinha um amigo chamado William. Mas eu costumava chama-lo Bill. – eu disse aleatoriamente. Seu sorriso diminuiu um pouco.

- Pode me chamar assim se quiser. – ele disse. Neguei com a cabeça aquela possibilidade.

- Will está bom. Hm... você pergunta agora. – eu disse, encarando o colchão. Ouvi-o suspirar.

- Verdade ou consequência? – perguntou, e eu sem querer parei para pensar. Quando eu disser ‘consequência’, o que será que vai acontecer?

- Verdade. – eu disse firme, com a imagem de Will naquele beco novamente invadindo minha mente. Ele assentiu devagar, e estendeu a mão para meu rosto. Eu levantei o queixo antes que ele me tocasse, mas mesmo assim eu pude sentir o calor emanando dos seus dedos a centímetros da minha pele.

- Você me disse que não tinha família... O que quis dizer com isso? – perguntou, apoiando seu queixo na mão. De perto deu para ver que ele tinha as unhas com uma camada perfeita de esmalte preto.

- Eles... morreram. – minha voz falhou e meus olhos marejaram sem que eu pudesse evitar. Mas eu mantive o olhar no seu, e vi quando ele franziu o cenho. Assentiu devagar.

- Certo. E você não tem nenhum parente longínquo? Alguma tia-avó ou qualquer coisa? – perguntou, saindo um pouco da linha do jogo, mas eu preferi não comentar. Balancei a cabeça para os lados. Eu era a última da minha família.

- Então você é a última Walker? – disse, e eu fiquei surpresa por ele saber meu sobrenome.

- Como você sabe isso? – perguntei, sem me ater ao jogo, parece que ele tinha esquecido disso também. Will pigarreou, passando a mão no cabelo.

- Bom, é que... Eu olhei nas suas coisas quando você desmaiou no outro dia. Mas não peguei nada, se você viu. – respondeu, e eu assenti, processando as informações. Agora algumas coisas faziam sentido.

- Tá então... Verdade ou consequência? – perguntei, e ele levantou as sobrancelhas, como que se lembrando do que estávamos fazendo antes.

- Verdade. Bom, acho que só vamos usar a consequência quando alguém mentir... – disse, sorrindo um pouco. Forcei um sorriso de volta, sem mostrar os dentes.

- Beleza... Então, o que você estava fazendo ontem à noite? – perguntei, já sem nenhuma outra ideia. Seu sorriso aumentou significativamente.

- Eu acho que você sabe o que eu estava fazendo. A não ser que você queira que eu te mostre... – ele disse, seu olhar malicioso no meu rosto, parecia quase pôr fogo na minha face.

- Não! Eu... Só estava perguntando. – eu disse, corando bastante e desviando o olhar para minhas mãos. Ele deu uma risada. Parecia quase apreciar toda e qualquer reação minha.

- Minha vez então. Você não tem família, ok. Mas tem algum amigo, ou namorado... – falou, e eu parei para pensar um instante. Será que eu deveria falar sobre Alice? Ele seria capaz de pedir meu resgate para ela?

- Está demorando demais, é melhor não inventar nada. – William disse, batendo os dedos na bochecha, impaciente. Me empertiguei, pondo uma perna em cima da cama.

- Bom, tenho uma amiga sim, mas acho que não é necessário citar nomes. – eu disse, rezando para que ele não fizesse questão realmente. Ele me olhou, assentindo depois.

- Certo. E quanto a namorado? – perguntou, e eu sorri de leve, balançando a cabeça em negação. Ele levantou as sobrancelhas, um pouco surpreso com minha resposta.

- Não? Uma garota feito você não tem namorado? Por opção? – perguntou, e eu balancei a cabeça para os lados, cogitando. Tá, percebi o elogio aí, mas vou fazer de conta que não me importo.

- Mais ou menos isso. É que eu tenho algumas dificuldades de manter uma relação por mais de uma semana. – respondi, e de repente me senti mal por estar me abrindo dessa maneira com um total estranho. Bom, não é como se ele fosse correndo colocar isso nos jornais... Will fungou, rindo.

- Parece meu irmão. Ele também tem essa mania de não se apegar às pessoas. – comentou, e por um segundo eu vi algum tipo de mágoa em seus olhos. Mas só por um segundo. Depois ele gesticulou, indicando que era minha vez.

- Ah, sim. Mas e a sua família? Você também não tem namorada, ou algo assim? – perguntei, entrando em território perigoso. Geralmente dizem que os maiores problemas dos psicopatas começam em casa.

- A minha única família é meu irmão. Eu tinha um tio, mas ele morreu há algum tempo. – respondeu, e eu assenti, absorvendo as informações. Estranhei um pouco, por que falar daquele assunto não parecia abalá-lo. Ouvi uma porta bater em um lugar da casa.

- E falando no diabo aparece o rabo. – ele disse, sorrindo. Não consegui evitar uma risada baixa, aquela era uma frase que Bill vivia dizendo. Wiliam se levantou, indo em direção à porta.

Eu tenho que parar de comparar este psicopata com Bill. Ele não merece isso... Fiquei pensando, enquanto observava ele abrir a porta – que ele tinha trancado ao entrar, mesmo sabendo que eu não seria capaz de nada para escapar (por falta de força, não vontade) – e pensava que Bill deveria estar parecido com ele em algum lugar do mundo. Ou se estivesse vivo. Um zumbido preencheu minha cabeça com a confusão.

Notas finais
e então, como ficou? eu já to com a idéia pro próximo cap na cabeça.
vou ver se faço um esforço pra postar HOJE, mas não prometo nada, não sou de ferro :)
küsses!