Sweet Revenge
1 Único.
Ele não me prometeu o paraíso. Nem jóias, festas ou carros. Nem vestidos luxuosos, sapatos maravilhosos ou bolsas caras. Não, definitivamente ele nunca prometera esse mundo.
Quando nos conhecemos, éramos jovens. Sonhos chocavam-se com a realidade brutalmente, lágrimas misturavam-se com sorrisos, sentimentos estranhos surgiam, e éramos o refúgio um do outro. Estátuas de anjos mortos com suas flores nas mãos eram testemunhas de nossos encontros, no grande e escuro mausoléu nos fundos do cemitério.
Ele jamais me prometeu algo além deamor. Passamos anos assim, juntos. Lembro-me que briguei com meus pais e separei-me dos amigos, tudo para ficar mais tempo ao lado dele. Oh, ele dizia coisas tão belas! Prometia-me que seria eterno, que me amaria para sempre, que morreria sem mim.
Fugimos, nos casamos em outra cidade, depois voltamos. Oh, era tão bom! E, Deus, como eu o amava! O tempo tornou-se meu inimigo, nem eu sabia bem o porquê. Mas apenas sentia que cada segundo que se passava estava contra nós.
Compartilhamos momentos maravilhosos. Foi assim por pouco tempo, até nossa relação esfriar. Ele passava os dias trabalhando ou então, pior, ficava no computador, escrevendo seus arquivos misteriosos e secretos e cheios de senhas impossíveis de se descobrir. Para tentar me satisfazer, cobria-me de riquezas. Jóias, carros, vestidos, sapatos, os quais eu jamais ousei tocar ou usar.
Tudo aconteceu num dia lindo. Ele estava na sala, lendo um livro qualquer, enquanto eu sangrava no quarto. Brigamos, eu precisava expor meus sentimentos. Disse tudo o que queria, mostrei-lhe toda a verdade. Disse que não agüentava mais, que precisava ficar sozinha, ele disse que me dava tudo o que me prometia.
Mas ele nunca deu.
Decidi fazer o que jamais tive coragem, finalmente. E, Deus, foi bom.
O doce cheiro de vingança invadiu a casa. Ele estava caído no chão da sala, sangrando e agonizando. Seu corpo estava com sérios cortes, o sangue jorrava, uma faca atravessava seu peito, sua garganta tinha um corte e eu apenas o observava.
Ainda estou aqui, sentada no sofá, sob o olhar fixo dele, morto. Seu corpo perfurado, o sangue secando sobre a pele fria e sem vida dele. O chão da sala está imundo, mas quem liga? Estou feliz. Eufórica, para falar a verdade. Minha doce vingança estava completa.
Ele nunca me prometeu nada além deamor.
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