Notas iniciais
Espero que amem.

Beijos de luz da Bea :*

Meus passos eram rápidos e silenciosos na grama molhada. A casa estava escura, mas eu não tinha como saber se estava vazia. Não era tão grande quanto a minha casa, mas era grande. Devia ter uns 600 metros quadrados, mas só tinha um andar. Eu chutaria que tinha cinco quartos. Mas não iria descobrir. Meu alvo era o escritório.
Eu trajava roupas de combate pretas. Uma calça confortável, uma regata e um sobretudo leve, para me proteger do vento forte, botas sem salto cobriam meus pés. Meu cinto de utilidades preso na cintura. E tinha uma pistola com silenciador e uma lanterna baixa nas mãos.
Com grampos que tirei do cinto, abri a porta dos fundos. Era a cozinha. Suspirei, fechei a porta e me mantive silenciosa enquanto atravessava o cômodo. Era grande e exalava um cheiro de limpeza enjoativo. A sala de jantar era simples, uma mesa para 6 pessoas e um pequeno bar. A sala estava bem bagunçada, com retratos da família pendurados pela parede de cor creme.
Adentrei o escritório, e ali comecei a vasculhar. Eu tinha visto uma foto do que estava procurando. Era uma pasta grossa, cor de laranja. Olhei em volta duas vezes e comecei. O relógio marcava três e quarenta da manhã, eu tinha que ir embora o mais rápido possível.
Eu odiava ter que passar por isso. Não conhecer a planta da casa, não saber se estava vazia, não conhecer nenhuma rota de fuga. Eu havia me acostumado a ter Chuck, meu parceiro, comigo. Conseguia entender o motivo de ter que fazer isso tudo sozinha, mas não me agradava. Apesar de eu saber que estava protegendo minha família, meus amigos, ainda me sentia desconfortável.
Já tinha mexido em todas as gavetas do armário de arquivos, nenhuma pasta laranja. Com os clipes que usei para abrir a porta, abri as gavetas da escrivaninha. Nada. Olhei em volta de novo, e então notei o cofre em baixo da mesa.
Suspirei, apurei o ouvido e me sentei. Era um cofre de fechadura com combinação grupo 2. Eu não conhecia o dono, então não tinha chances de adivinhar o código, a não ser que eu tentasse a noite toda. E eu não tinha esse tempo, e como dizem: o tempo é o inimigo número 1 dos arrombadores de cofre. Eu era boa em manipulação de fechadura – a arte de abrir cofres usando sua paciência e um bom ouvido, e já havia trabalhado com cofres da Sentry Safe. Meu cérebro trabalhou rápido.
Achei os pontos de contato.
Ouvi o primeiro clique.
Estacionei as engrenagens.
Tinha 3 engrenagens. 3 números.
Desenhei o gráfico de resultados na cabeça, podia vê-lo claramente.
4-37-41.
Último clique.
Estava suando, sentia as gotas descendo por minha nuca, me deixando com frio. Faziam aproximadamente oito graus lá fora, e estava extremamente seco, fazendo minha garganta coçar.
O relógio em meu pulso marcava 3:58. Suspirei e abri o cofre lentamente, avistando algumas pilhas de dinheiro, deveria se aproximar dos 100 mil dólares. Passei direto pelo dinheiro e peguei a pasta, revirando os olhos.

- Consegui. Saindo – comuniquei ao ponto de escuta em meu ouvido.

- Certo, Mel. Tenha cuidado — disse a voz do chefe do outro lado.
Me levantei silenciosamente, e aí foi que eu percebi o quão fudida eu estava.
Encarei os seis homens na sala, todos apontavam as armas em minha direção.
— Ora, ora... Quem diria que Thomas usaria sua melhor arma em uma missão que ele sabia ser difícil de completar?
— Abaixe a arma, Deláney – disse um dos homens.
— Fui pega — disse, em alto e bom som.
— Percebi — meu pai murmurou, do outro lado — merda. Vou dar um jeito. Melanie, não se desespere. E não fale nada. Você vai ficar bem. Não fale nada.
Eu abaixei. Não ia conseguir escapar, não agora. Chutei e deixei minha pistola deslizar no chão. Me fiz consciente de que tinha outra na bota e uma faquinha no cinto. Mas não importava. Eu não iria ter tempo de fazer nada antes que eles me revistassem. Esse foi o próximo passo. Logo meu ponto, minhas duas pistolas, minha faca, meu cinto e meus grampos estavam em cima da mesa do escritório.
— Bom... Seja bem-vinda à minha casa. Quer se sentar? – ele olhou em volta – podem esperar lá fora, quero ter um papinho com a Srta. Deláney.

Os homens saíram, eu me sentei em uma das cadeiras, os olhos fixos no de Edward.

— Quer um uísque?

— Duplo – respondi, apertando os lábios.

Ele serviu dois copos. Eu virei o meu em um gole. Ele tomou devagar, apreciando o gosto. Senti o liquido queimar minha garganta. Não era fã de uísque, mas a situação implorava por um.

— Então, Melanie... Seu papai te mandou até a minha casa para pegar o arquivo sobre a pequena empresa – eu soltei um riso debochado – de vocês. Eu acho isso extremamente arriscado, se me perguntar. Sabe o que vai acontecer, não sabe? Vou prender você.

— Eu sei. E você sabe que eu não vou falar nada. Então não me venha com esse papinho de proteção à testemunhas – eu fiz aspas com as mãos – “me ajude a prender os associados e você será poupada”, então me algeme e me jogue numa cela logo.

— Ah, como você é dramática, garota. Vamos fazer o seguinte – ele levantou – eu vou deixar dois dos meus homens aqui de olho em você, e vou avisar meus superiores que você está aqui. Se comporte, ou eu posso mudar de ideia e não avisar ninguém. Seria só mais um caso de desaparecimento – eu não podia acreditar que ele estava ameaçando me matar – e enquanto isso, você pensa nas chances que tem. A vida inteira em uma cela de prisão, ou poderia se mudar com Chuck para o Havaí e vender côco na praia. Você decide.

Ele saiu da sala, e eu engoli em seco. Queria mais alguns goles daquele uísque.

Sinto muito dizer à vocês, mas essa não é uma história clichê onde eu sou a policial procurando o bandido.

Eu sou o bandido.
Meu nome é Melanie Deláney, e eu trabalho na Liga dos Matadores. A maior e mais organizada empresa de assassinos de aluguel dos Estados Unidos.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.