Sweet Lie
12 Capítulo 11- I Know you lied
Notas iniciais
Não pude deixar de gemer quando meu despertador tocou, parecia que eu não tinha dormido quase nada, e foi exatamente o que aconteceu, fiquei rolando na cama pensando na melhor maneira de contar toda a verdade para Damon. Não cheguei a uma conclusão, tudo que eu sei é que não passa de hoje.
Tomei um banho e coloquei uma das minhas roupas novas para ir a escola. Quando cheguei na cozinha meu pai estava sentado lendo o jornal e minha mãe fazia ovos mexidos com bacon na frente do fogão.
- Bom dia, mãe! Bom dia, pai! — disse enquanto me sentava.
- Olá, sumida – meu pai brincou – Acho que eu não te vejo direito tem mais de uma semana.
- Tenho passado muito tempo na casa da Caroline estudando, semana de prova – usei a mesma desculpa que dei para minha mãe ontem a noite.
- Filha, você está com uma carinha tão cansada – ela aproximou preocupada e passou a mão pelo meu rosto – Deveria ficar em casa hoje ou então vir direto para para cá depois do trabalho a noite.
- Não posso perder aula a toa, mãe, não quero perder matéria – expliquei – E hoje depois do Grill vou fazer um trabalho com a Car e a April. Ele é para segunda-feira e queremos fazer antes do final de semana.
- Tudo bem! — concordou – Mas amanhã é seu dia de folga e você não vai sair de casa, nem que para isso eu precise te trancar no quarto.
- Você manda! — garanti.
- Sabe, Lena, meu patrão teve que fazer uma rápida viagem a Vancouver e só vou precisar buscá-lo no aeroporto as 11 horas – meu pai voltou a falar – Posso te levar para a escola se você quiser.
- Não precisa – respondi – O Ty já deve estar chegando para buscar. Mas, mesmo assim obrigada.
- Que anel lindo, minha filha – minha mão segurou a minha mão quando parou quando foi colocar um pouco de ovos mexidos no meu prato – Foi o Tyler quem te deu?
Essa não! Com tanta coisa acontecendo eu me esqueci completamente do anel que Damon me deu, era para eu tirado antes de descer para ao café da manhã.
- Parece um presente muito caro para dar alguém que só considera uma amiga – e lá vem o meu pai dando uma de ciumento.
- Não foi o Ty quem me deu pai, pode ficar tranquilo, na verdade é só um bijuteria – inventei a primeira desculpa que consegui pensar – Comprei ontem quando fui ao shopping com as meninas. Custou apenas 15 dólares.
- E vale cada centavo – minha mãe concordou com a cabeça – Olhando assim até parece um Rubi de verdade.
E mais uma vez estou mentindo para os meus pais, sentia meu estômago embrulhar por causa disso. Mas agora isso está acabando e não poderia me sentir mais aliviada por isso.
Tyler chegou antes que eu pudesse terminar o meu café, para só estão podermos sair.
- Advinha só o que o vou fazer assim que te deixar na Academia Smith? — estava sorrindo, sinal de que estava muito animado com o que quer que fosse fazer.
- Imagino que tenha alguma coisa a ver com a Anna – sugeri – Ty, não precisa me levar todos os dias para a escola, sinto que estou te tirando momentos preciosos em que você poderia estar com a sua namorada.
- Eu faço questão, a Anna tem que ir para a aula também, não poderíamos nos encontrar a essa hora – garantiu – Além disso, como você iria justificar estar indo de ônibus para a escola. Você é uma milionária, já se esqueceu.
- Essa mentira está prestes a acabar, Ty – completei – Vou contar a verdade para o Damon hoje na hora do jantar, segunda-feira todos vão saber que eu sou a aluna bolsista.
- Você está mesmo certa disso, Lena – segurou a minha mão quando parou em um sinal vermelho – Você pensou muito bem ontem a noite quando você disse para eu fazer?
- Sim, Ty, eu pensei muito bem e vou contar a verdade, já está decidido – respondi – Isso já está virando uma bola de neve em que eu estou me enrolando cada vez mais. Sem contar os meus pais, eu estou mentindo para eles e...
Não aguentei mais e comecei a chorar descontroladamente. Nesse momento o sinal já tinha aberto e Ty parou o carro no estacionamento de um supermercado, ele retirou o cinto de segurança e me abraçou fazendo com que deitasse a cabeça no seu ombro.
- Fica calma, Lena – passou a mão pelo meu cabelo e isso fez com que eu chorasse ainda mais – Não chora.
- Meus pais sempre fizeram de tudo para dar uma vida boa para mim e para o Jeremy, apesar de todas as dificuldades – Tentei enxugar as lágrimas que insistiam em cair do meu rosto, mas era impossível – E o que eu dei a eles em troca? Fingi que sou alguém que não sou realmente e não posso apresentá-los aos meus amigos pois disse que eles moram em Malibu. Devo ser a pior filha do mundo.
- Não fale besteira, Lena, você não uma filha ruim – tentou me acalmar – Muito pelo contrário, sua mãe sempre deixou claro o quanto você é motivo de orgulho para ela e para o seu pai. É uma boa garota, nunca deu trabalho, nunca se mete em encrencas, é muito estudiosa, sempre tira dez e ganhou uma bolsa na melhor escola particular de toda a cidade.
- E por causa dessa bolsa que eu estou mentindo para eles – lembrei – Talvez a melhor coisa que eu posso fazer e desistir dessa bolsa e voltar para a minha antiga escola.
- De maneira nenhuma, Elena – me olhou bem sério nesse momento – Até concordo que você conte a verdade para o Damon. Mas desistir da sua bolsa? Nem pensar! Você lutou muito por essa bolsa.
- Acho que você tem razão, Ty – concordei, por fim – Além disso, não quero perder a minha chance de estudar na U of T.
- Exatamente! — passou a mão no meu rosto, limpando algumas lágrimas que estavam ali – Agora limpa esse rosto e vamos para a aula, você não quer chegar atrasada, não é mesmo?
Ele religou o carro e logo estávamos a caminho na Academia Smith novamente. Encostei a cabeça no vido do passageiro apenas olhando para a estrada a minha frente.
- Você não me contou o que vai fazer depois de me deixar na escola – lembrei que ele não tinha terminado de contar a história.
- Ah sim! — balançou a cabeça – Eu tenho uma reunião com o coordenador do curso de literatura da U of T. Vou conversar com ele sobre a possibilidade de eu mudar de curso.
- Mas que legal, Ty! — não pude deixar de sorrir – Finalmente você decidiu correr atrás dos seus sonhos.
- Mostrei uma das minhas poesias para a Anna e contei a ela a minha vontade de fazer literatura e ela me deu a maior força – explicou.
Era por esse motivo que eu sempre incentivei o Tyler a estudar literatura. Ele não estava fazendo isso só de birra ou para provocar o pai e sim por que tem talento, as poesias dele são muito boas e tenho certeza de que serão publicadas um dia.
- Fico feliz que você tenha se decidido – afirmei – E espero mesmo que você consiga se transferir para estudar literatura.
- Também espero isso – concordou.
Logo chegamos a Academia Smith. Me despedi de Tyler dando um beijo em seu rosto e sai do carro, logo Caroline veio correndo na minha direção.
- Damon ligou lá para casa ontem a noite dizendo que vai te levar para jantar hoje e te apresentar como namorada oficial dele – me abraçou com muita força – Estou muito feliz por vocês.
- Car, eu não consigo respirar – disse.
- Desculpe! — se afastou um pouco, foi então que ela notou o anel no meu dedo – Oh meu Deus! Ele te deu o anel!
- Sim, ele me deu esse anel ontem a noite – respondi – Espera! Você já sabia que ele queria me dar esse anel?
- Bom, mas ou menos, deixa eu explicar – falou – Meu pai deu esse anel para a minha mãe quando a pediu em casamento, então ela disse que ficaria para o primeiro filho ou filha quando fizesse 16 anos. Acho que ela esperava que fosse uma menina, mas como nasceu o Damon, pediu para ele dar o anel para alguma namorada que gostasse muito e que tivesse certeza de que queria passar o resto da vida com ela.
Não podia acreditar no que estava ouvindo. Isso era um sinal mais do que óbvio de que as coisas estavam sérias entre mim e o Damon.
- Uau! — foi tudo que conseguia dizer – Estou lisonjeada por saber sobre isso.
- Não precisa ficar tímida, Lena, você merece esse presente – garantiu – Vejo a maneira como ele te vê e como fala de você. Nunca o vi assim com nenhuma outra namorada.
Nunca quis tanto que o sinal da aula tocasse tanto quanto agora, qualquer coisa para me livrar dessa conversa constrangedora.
- Já ia me esquecendo – colocou a mão na testa – Minha mãe mandou fazer Fettuccine com frutos do mar e ela pediu para perguntar se você gosta.
- Claro que sim – respondi – Adoro frutos do mar.
Na verdade a minha experiência com frutos do mar se resume a um risoto com camarão e lula que minha tia Isobel, irmã da minha mãe, fez quando veio nos visitar em Toronto e, no meu aniversário de 18 anos, Ty me levou para comer lagosta e eu gostei muito, espero que não tenha nada mais exótico que isso.
- Que bom – o sinal da primeira aula tocou – Agora vamos, a educação nos espera.
As aulas foram bem tranquilas, o único problema é que todos os professores passaram dever de casa, o que significa que tenho muita coisa para fazer no meu único dia de folga. Assim que sai da escola fui diretamente para o Grill, quando o cheguei o lugar estava lotado mas aos poucos o movimento foi diminuindo e eu pude até descansar um pouco na sala dos funcionários.
No momento em que voltei para a o salão avistei Stefan e Katherine passando pela porta e sentando em uma das mesas da minha área. Era mesmo muita falta de sorte minha, logo as duas pessoas que menos gostavam de mim na Academia Smith. Tentei voltar antes que eles pudessem me ver, mas dei de cara com Bonnie.
- O que você pensa que está fazendo, Elena? — reclamou – Aquelas duas pessoas acabaram de entrar, vai atendê-los.
- Aonde está o Matt? — quis saber – Gostaria de saber se ele quer cobrir aquela mesa para mim.
- Ele está no horário de folga dele – explicou – Agora vai logo lá – me empurrou na direção deles.
- Boa tarde e bem vindos ao Mystic Grill – disse bem rápido e sem encará-los – Posso atender o seu pedido?
- Gilbert? — essa não, pelo jeito Katherine tinha me reconhecido – Quer dizer que você trabalha aqui?
- Quem diria que uma milionária que os pais moram e Malibu e divide um apartamento super chique com um amiga em Toronto pode ser garçonete em uma lanchonete – Stefan observou – Muito estranho, não acha, Kath?
- Vocês vão ou não vão pedir alguma coisa? — perguntei mais uma vez ignorando o que tinha falado – Não tenho tempo de ficar aqui esperando o resto do dia.
- Não quero comer nada – ele avisou – Meu irmão mais velho vai levar a namorada para um jantar especial lá em casa hoje e minha mãe recomendou que eu não comece nada que pudesse tirar a minha fome. E você Kath?
- Também não quero nada, tudo aqui tem muito açúcar e muita gordura e eu estou de dieta – fez uma careta enquanto olhava o cardápio – Quero só uma água, mas na garrafa, sem copo de vidro, por favor.
- Já vou trazer a sua água – disse monotonamente antes de caminhar em direção a cozinha.
Peguei uma garrafa de água e levei para a mesa. Katherine me pagou o dinheiro contado, não deixando nenhum centavo de gorjeta para mim.
Corri para o banheiro e me encarei no espelho antes de molhar o meu rosto com água. Tudo que não podia acontecer era Stefan e Katherine descobrindo que eu trabalho no Grill, ainda mais antes de contar tudo para o Damon. Vi a porta se abrindo e revirei os olhos quando avistei a loira entrando no local.
- Olha, Katherine, não estou com vontade de discutir com você agora – virei de costas para ela – Agora com licença que eu preciso voltar ao trabalho.
Antes que eu pudesse sair ela ficou na minha frente bloqueando a porta do banheiro.
- Só quero que você saiba de uma coisa, Gilbert – me encarou em um to ameaçador – Sei muito bem que você está escondendo alguma coisa, vamos descobrir e te desmascarar não só para a família Salvatore, mas para a escola inteira.
Deu um passo para o lado me deixando sair. Nesse momento meu celular aviso que tinha chegado uma mensagem, quando peguei o celular vi que minha mão estava tremendo.
Lena,
Estou saindo da aula agora e vou passar na biblioteca para buscar a Anna, então nós dois iremos ao Grill.
Beijos,
Tyler.
Suspirei pesadamente ainda encarando a mensagem. Não estava mais com a menor vontade de ir a esse jantar, mas já tinha prometido ao Damon e não podia voltar atrás agora então o jeito era aturar e rezar para que aqueles dois não falem nada sobre nosso pequeno encontro no Grill.
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