Sweet Disaster
1 Capítulo 1 - O Jogo
Notas iniciais
O corredor era mal iluminado. O chão sujo, e o ar pesado dificultava respirar.
A garota estava recobrando seus sentidos, estava sendo segurada por dois homens um de cada lado. Seus pés se arrastavam no chão.
Uma porta foi aberta, mostrando uma sala com apenas duas cadeiras e uma mesa no centro. Era um lugar sem vida, as paredes eram cinza e tinham varias partes onde a pintura descascava de tão velha.
Wales Psych não era um lugar comum, era para onde mandavam os loucos, assassinos e psicopatas. Em uma ilha vigiada 24h, só era possível chegar de voando ou de barco. Só existia uma regra: ninguém saia.
A porta foi novamente aberta, revelando um homem loiro jovem e um homem armado. Os dois entram na sala e deixando apenas a garota, o loiro e homem armado.
Ela já tinha recobrado consciência novamente, estava presa na em uma das cadeiras. Seu rosto era inexpressível.
O loiro puxou a cadeira que havia sobrado e sentou-se de frente para a garota, deixando apenas a mesa entre os dois. Ele colocou uma pasta em cima da mesa e encarou os olhos azuis penetrantes daquela que estava na sua frente.
– Você pode me dizer o seu nome? – Ele falou, aguardando a resposta – Eu falo o meu.
Vendo que não obteria uma resposta tão cedo o loiro resolveu se apresentar.
– Eu sou o doutor Adam, eu serei seu psicólogo no tempo em que você estiver aqui.
Ela levantou a cabeça, olhando nos olhos de Adam e falou com a voz mais doce e persuasiva que existia:
– Eu não preciso de psicólogo.
– Me considere um amigo então. –Sugeriu ele.
Ela deu um meio sorriso.
– Também não preciso de amigos.
Adam se ajeitou na cadeira já prevendo que a conversa seria longa.
– Você não vai me falar seu nome?
– Você tem uma ficha sobre mim nessa pasta, não estaria aqui se não soubesse quem eu sou doutor.
A garota frisou a ultima palavra. Ela sabia que ele não era realmente um doutor e que era apenas um aprendiz ou até mesmo um ajudante que estava substituindo alguém.
– Você é bem esperta Charlotte, é assim que eu devo chama-la?– Ele perguntou calmamente – Ou você prefere Amélia?
Ela assumiu uma expressão diferente ao ouvir seu verdadeiro nome sendo pronunciado por um estranho. Ao passar dos tempos até mesmo ela tinha se esquecido de como era ser chamada de Amélia.
– Convenhamos Amélia é um nome mais bonito do que Charlotte, não é? – Adam disse cruzando os braços – Mas então Amélia, você sabe por que está aqui?
– Pelo que eu sei, esse lugar é para loucos e assassinos – Ela disse friamente – E eu não sou nenhum dos dois.
– Você matou Amélia. Matou 16 pessoas.
Ela sorriu mostrando seus perfeitos dentes brancos.
– Eu nunca matei. Nunca encostei em ninguém, eles se mataram porque quiseram.
– Aqui diz que você matou.
– Serio? – Falou irônica – O que mais diz sobre mim ai?
– Se você quer saber, fala que você é sociopata sedutora, controladora e manipuladora.
Amélia sorriu novamente, se divertindo com o que ouvia.
– Isso é o seu prognóstico ou o de todas as pessoas do país?
– Depende do seu ponto de vista.
– Então você me acha sedutora?
– Eu não falei isso.
– Mas esse é o meu ponto de vista doutor.
Adam sustentava o olhar da garota, ele sabia que Amélia gostava de confundir as pessoas. De fazer joguinhos.
– Vamos fazer um jogo – Ele disse ainda olhando dentro dos olhos azuis magníficos de Amélia – Eu pergunto e você responde. Depois você pergunta e eu respondo, e assim vice-e-versa.
– Pode perguntar tudo?
– Sim.
A garota desviou seus olhos de Adam e se recostou na cadeira, relaxando. Ela amava jogos, adorava brincar com a cabeça das pessoas.
– Eu começo – Disse ela – O que te traz a esse lugar doutor?
– Vontade própria.
– Por favor, ninguém viria para um hospício por vontade própria.
Ele respirou fundo, fechando os punhos debaixo da mesa e logo em seguida cruzando os braços novamente.
– Eu trouxe vergonha para meu pai e como punição ele me mandou para cá. – Falou rapidamente – Minha vez Amélia. Porque você faz as pessoas se matarem.
– Diversão, tedio... Algumas mereceram outras não... Quantos homens você já beijou doutor?
Adam novamente cerrou os punhos, não estava acreditando que aquela garotinha na sua frente estava desvendando sua vida sem ao menos conhece-lo.
– Dois. – Respondeu cauteloso – Quem foi sua primeira vitima?
– Minha irmã mais velha. – Foi por traição ou puro desejo de experimentar coisas novas?
– Traição. Como ela morreu?
– Ela se afogou sozinha na banheira de casa. – Amélia disse dando uma risadinha como se estivesse se lembrando do dia em que sua irmã morreu – Era loira ou morena?
– Loira.
– Odeio loiras, por isso sou morena.
– O que você fez para que ela se matasse?
– Tirei a razão da existência dela. Você contou para o seu pai ou ele te pegou com algum cara?
– Nenhum dos dois. – Ele deu um sorriso para provoca-la – Meu irmão contou.
A garota mudou novamente sua expressão, que até agora estava calma para uma extremamente fria.
– Mas o seu irmão te pegou com outro cara. E aposto que ele era loiro como você, e foi o segundo da sua lista. – Ela falou palavra por palavra delicadamente – Aposto também que um tempo depois algum parente seu veio te visitar e trouxe uma linda menina, fazendo você se apaixonar novamente.
O jovem sentado em sua frente estava em uma espécie de estado de choque, relembrando de como sua vida era á 5 meses atrás. Ele não sabia como Amélia havia descoberto todas essas coisas sobre ele, e estava um com um pouco de medo sobre o que mais ela poderia saber.
– Eu acho que você nunca foi gay realmente, fez isso apenas para irritar seu papai.
– Qual era a razão da existência da sua irmã? – Falou para mudar
– Ela vivia de sonhos, doutor. Vivia achando que iria para alguma escola apenas para nadadores, que ia se tornar uma mulher com muitas medalhas para mostrar para seus filhos.
– E o que você fez?
– Falsifiquei as respostas de escolas para quais ela havia mandado cartas de recomendação. Falei que ela não tinha talento para nadar, que ela nunca iria ser profissional e com aquelas notas nunca conseguiria entrar uma boa escola.
– Fez isso com sua própria irmã?
– Sim. E para melhor o animo dela, cobri todas as paredes do banheiro com espelhos e fechei a janela para que nenhum um ar passasse por ela. Depois que ela tomou o remédio para dormir, como ela sempre fazia, ela foi tomar banho.
– E então?
Amélia deu risada.
– Você está tão curioso assim? – Falou ainda dando risada – E então eu tranquei a porta e comecei a gritar para ela se olhar no espelho e ver o quanto era feia e gorda. A coitadinha não tinha saída, a única coisa que via em todo lado era o reflexo de si própria.
– E depois ela se afogou. Uma nadadora se afogou. – Adam estava incrédulo, ele sabia que Amélia era uma sociopata, que não sentia nada. Mas não sabia a que ponto isso ia. – Essa era a razão dela, ser uma nadadora.
– Pois é... Idiota não acha? Mas está na minha vez doutor. Você me acha atraente?
– Eu não vou responder isso.
– Você falou que ia responder o que eu perguntasse.
– Não esse tipo de pergunta.
– VOCÊ FALOU TUDO!
A garota gritou o mais alto que conseguiu, fazendo com que seu rosto ficasse vermelho. O homem armado que até agora não havia se mexido apontou a arma para a cabeça de Amélia.
– Se afaste – Adam disse olhando para o homem – Está tudo bem, pode deixar.
O homem aos poucos foi baixando a arma da cabeça dela, e cautelosamente voltou ao seu posto na porta.
– Eles são como cachorrinhos – Amélia falou olhando para o homem na porta e depois abaixando os olhos para os pés descalços – Fazem tudo que o dono manda.
– Amélia. – Chamou Adam – Olhe para mim.
– Responda a pergunta.
– Sim.
– Sim o que?
– Eu te acho atraente. Agora olhe para mim.
Ela finalmente o olhou. Penetrando seu olhar nos olhos castanhos do loiro.
– Porque você faz isso com as pessoas?
– Porque eu sinto vontade.
– Isso não é desculpa.
– Para tudo existe uma desculpa.
Adam suspirou.
– Não no seu caso.
– Acha que eu estou mentindo doutor? – Ela disse cerrando os punhos amarrados na lateral da cadeira – Então eu vou te contar o verdadeiro porque de eu ser assim.
Notas finais
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