Sweet Desire
6 Capitulo 6 - Estamos noivos ou não?
Notas iniciais
Se minha vida fosse um filme, uma trilha sonora dramática e assustadora tocaria nesse exato momento, e daria vários closes em meu rosto e na bagunça da minha sala. Pareciam aquelas cenas que um bando de bandidos estava atrás de um USB que continha instruções que levavam á uma grande fortuna e não tiveram preocupação em manter em segredo da busca. E o Suga estava parado tranquilamente em um canto da sala e parecia procurar por alguma coisa.
— SUGA!! – gritei revoltada.
— Então chegou – ele rolou os olhos e continuou mexendo nos livros da minha estante jogando no chão em seguida.
— NÃO FAÇA ISSO COM OS MEUS LIVROS – me aproximei tentando tirar o próximo livro da mão dele, mas ficou lutando para ficar segurando – VOCÊ ESTÁ AMASSANDO TODOS ELES! – continuei puxando
— Pare de atrapalhar – não desistiu do livro.
— VOCÊ FAZ ESSA BAGUNÇA TODA E ACHA QUE PODE EXIGIR ALGO? – perguntei o olhando bem séria e ele fez o mesmo.
— Eu faço o que eu quiser – e tirou o livro da minha mão e caiu uma folha de desenho no chão.
— Desmarcou o livro! – reclamei e ele abaixou para pegar a folha.
— O que significa isso? – mostrou um desenho do rosto dele e com algo escrito embaixo.
— Você... – corei ao ler o que estava escrito “O homem dos meus sonhos. Esta noite sonhei com a perfeição” desenhei assim que acordei, foi um dos meus primeiros sonhos com o Suga – Isso que dá sair mexendo nas coisas dos outros – arranquei a folha de sua mão e sai de perto.
— Você vive me desenhando? – questionou parecendo assustado e olhou algo na foto – Isso foi há três anos, você me persegue desde daquele tempo? – perscrutou.
— Sonhos não se controlam – gaguejei querendo abafar o constrangimento.
— Me chamar de perfeição é algo incontrolável também – sorriu e logo retirou – Partir de hoje dormirei com a porta do meu quarto trancada...
— Seu quarto? Seu? – bufei – Está se apoderando das minhas coisas?
— Grandes coisas! – riu debochando – Enquanto eu estiver estagnado neste local, ele é o meu quarto – parecia bem convicto.
— Eu estou aceitando coisas demais, você tem que se pôr um pouco em seu lugar – foi tropeçando em um vaso de flor artificial, que era para estar em cima do rack, que me lembrei da bagunça – YAH! POR QUE VOCÊ FEZ ISSO? SAIR REVIRANDO TUDO, O QUE VOCÊ PRETENDIA COM ISSO?
— Pare de gritar! Ah! Esqueci que você adora gritar, principalmente com velhinhas! – me encarou de modo acusador.
— Não vem falar daquelas três não – bufei – Você entregou o troféu do meu triunfo para elas! Isso não foi nada correto da sua parte! – quase fui mordida pelo aquele cachorro nojento para conseguir roubar.
— Você roubou uma mulher idosa, o que você considera correto? – indagou colocando as mãos na cintura.
— Tudo, menos ter arrancado à cabeça do urso de pelúcia de uma criança de cinco anos – arqueei a sobrancelha, mas ele ficou atônito.
— Como sabe disso? – seu rosto ficou muito sério – Isso aconteceu quando eu tinha dezessete anos e não tinha ninguém presente. Como sabe?
— Sei de muitas coisas sobre você. Você já foi apaixonado pela sua prima quando era pequeno...
— Como você sabe disso também? – ficou sem palavras
— Eu escrevi isso... — me interrompeu.
— Estou morrendo de fome, vá preparar o almoço – mandou.
— QUE? – não acredito nisso — EU NÃO VOU TE PREPARAR NADA, JÁ REPAROU O QUE VOCÊ FEZ COM A CASA? ACHA QUE MERECE SER TRATADO COMO UM BEBEZINHO AGORA?
Ele ignorou minha pergunta indo se sentar no sofá e a Pooh o seguiu sentando-se ao seu lado.
— SUGA, VOCÊ VAI ARRUMAR ISSO TUDO. FOI MUITO ERRADA A SUA ATITUDE, E TEM QUE APRENDER ARCAR COM AS CONSEGUÊNCIAS DOS SEUS ERROS – ele vai conseguir me deixar com os cabelos brancos.
— Me desculpa tá, eu agi de uma forma não muito correta contigo e admito que errei em desarrumar seu lindo e aconchegante lar, mas pode deixar que vou arrumar tudo, não se preocupe – ele entrou na linha? Eu consegui? Eu virei uma Rise da vida? – Nunca vou falar essas palavras de verdade! Se está incomodada então, arrume – e ligou a TV.
— NÃO ACREDITO QUE VOCÊ QUER QUE EU ARRUME AINDA POR CIMA! VOCÊ É ESTRANHO E EGOÍSTA – estou muito aborrecida – O QUE VOCÊ ESTAVA PROCURANDO?
— SE É PRA FICAR GRITANDO, ENTÃO VAMOS GRITAR! – se levantou preparado para dar de louco.
— INVENTOU UMA HISTÓRIA DE QUE É MEU IRMÃO, AINDA DEIXOU AQUELAS IDOSAS DO INFERNO ENTRAR NA MINHA CASA! – isso é mais imperdoável do que essa bagunça toda.
— MUITO MELHOR DO QUE MENTIR QUE SOU SEU NAMORADO, DETESTARIA TER MAU GOSTO! – agora me ofendeu.
— EU QUE DETESTARIA SER SUA NAMORADA, AFINAL, NÃO CURTO “ASIÁTICO” – mostrei o dedo mindinho sorrindo de lado.
— Aé? – deu um sorriso e mordeu o lábio inferior – Detestaria? – começou a caminhar em minha direção.
— O-o-o que que está fazendo? – a Sulkin corajosa e barraqueira sumiu e voltou ao seu normal – Não não se aproxime – apontei mandando.
— O que está acontecendo? Se você detestaria, tinha que não sentir-se afetada com minha aproximação – encostei-me à parede e ele ficou bem perto me encurralando.
— Eu só, só não gosto de pessoas es-estranhas tentem encostar... – a boca dele está tão próxima, posso fingir desequilíbrio e o beijar -...Encostar em mim...
— Você me chamou de perfeito naquele desenho. Se você realmente for minha criadora como tanto diz, eu sou seu tipo ideal – sorriu.
— Não é... – tentei mentir.
Aproximou seus lábios e eu quis ser firme, mas fechei os olhos como uma tola.
— Mas você não chega nem um pouquinho perto de ser o meu tipo ideal – abri os olhos o vendo mostrar o dedo mindinho e indicando bem a pontinha dele.
Afastou-se me deixando parada. Quantas vezes eu estou desejando ser que nem Rise? Essa é mais uma vez que ela saberia como agir.
— O que você queria? Era só para irritar que resolveu espalhar tudo? – precisava obter uma justificativa.
— Eu preciso de meus documentos para comprovar quem sou e assim tentar recuperar minha vida – respondeu voltando a sua procura – Se eu for para delegacia dizendo que fui sequestrado e tal, vou ter que comprovar que vim de algum lugar e pelo visto o único jeito é tendo documentos. Senão vou ficar preso como imigrante ilegal, porque não tem como provar que fui sequestrado...
— Não existem documentos, você perdeu os documentos depois de uma manifestação – ele pareceu lembrar – Mas a Rise os encontrou, junto do seu celular e foi assim que se conheceram no livro...
Ele me encarou com um ar sombrio.
— Nunca mais diga isso! Nunca mais repita que sou parte de uma ficção, eu não vim de um livro – pareceu bastante irritado e assombrado pelas minhas palavras – Eu existo, sou uma pessoa, tenho uma família e nasci como qualquer outra pessoa nasce. Não sou sua criação! – senti que dizia para si mesmo.
Se esta sendo difícil para eu lidar com essa situação, imagine para ele que saiu do seu mundo perfeito e descobre que tudo não passava de uma ficção? E ainda está usando meus shorts e todos que conhece sumiram.
— Olha, desculpe ter tocado em assuntos desnecessários – cocei a nuca sem saber como me desculpar, mesmo me achando certa – Vamos ir ao shopping? Compramos roupas para você e jantamos por lá... – fiquei aguardando ele me dar um fora e sair de perto.
Ele ficou sério, depois suavizou o semblante e respondeu:
— Vou ir me arrumar – e para o seu quarto com a Pooh o seguindo.
Não é que o V estava certo? Ele é muito viciado em compras. Como não percebi de cara que ele queria me irritar ao ponto de me fazer sair de casa e começar vasculhar a casa sem ninguém para atrapalhar? O que ia fazer seria difícil pressentir, mas que estava aprontando era para ter.
Mas o Suga verdadeiro é assim, louco por compras. Tanto que nem ligou para o nosso desentendimento, tratou de tomar banho, colocar suas únicas roupas e aqui estamos nós chegando ao shopping.
— Isso é o que você chama de shopping? – pareceu decepcionado.
— O que qualquer pessoa chama de shopping – respondi observando envolta.
Bufei começando me incomodar com a atenção que estávamos recebendo das pessoas, algumas pessoas cochichavam apontando para o Suga e outras até nos seguiam. O grande problema é que ele é uma ficção, é o meu homem ideal e parece que tenho um gosto tão bom que isso está atraindo as pessoas, mas eu não quero dividi-lo com ninguém, mesmo sendo do jeito que é e ao sendo nada meu.
— Você é k-idol? – uma garota perguntou e ele a encarou sério.
— Se eu fosse artista com certeza todos saberiam meu nome – e passou direto.
— Vamos entrar logo em uma loja, fazer suas compras e ir logo jantar – falei mostrando minha pressa.
— Acho que esse shopping não tem a loja que preciso – resmungou olhando envolta.
— Ainda bem que não tem – a loja que ele provavelmente quer ir cada item deve se o olho da cara.
E lá estávamos nós dois procurando uma loja que agradasse ao meu bolso e ao gosto do Suga que achava tudo de má qualidade.
— Nunca comprarei em um lugar desses! – exclamou a porta da loja.
— Essa loja não é ruim, se fomos para aquela que você escolheu, não vamos conseguir comprar uma só cueca – era tudo o olho da cara.
— Mas não precisamos nos rebaixar a uma loja dessas – olhou com nojo.
— Eu nem ao menos dou ao luxo de comprar aqui e você diz como se fosse um bazar qualquer? — cruzei os braços – Você não vai voltar para sua vida e terá suas roupas de volta, não é?
Ele ficou sem jeito e desviou o olhar.
— Será por pouco tempo – insisti.
— Tudo bem – e entrou mesmo relutante.
No final das contas mesmo fazendo birra e surpreendentemente encantando pessoas em volta, ele fez suas compras. Para o meu azar, ele conseguiu estourar o meu cartão com o valor mais alto e saiu reclamando que comprou poucas coisas.
— Vai pedir o que? – indaguei para ele que viajava olhando o cardápio.
— Não sei, estou vendo qual consegue se o menos pior – respondeu sem desviar a atenção.
— Você que escolheu o restaurante – arfei irritada.
— Eu sei, parecia o melhorzinho dessa cidade – colocou o cardápio na mesa e suspirou – Vou querer o prato cinco.
— Tá bom. – olhei o pedido dele – Por que pediu isso? Você não pode comer camarão – ele quer cometer um suicídio de forma disfarçada?
Ficou me observando e assentiu.
— Então peço o oito – fez pouco caso.
E olhei de novo.
— Você não gosta desse prato- ele está querendo desculpas para dizer que a comida é ruim?
Ficou quieto e fez sinal de que pediria o dois.
— Certo – chamei e o garçom tratando de fazer logo o pedido.
Então eu estou em um jantar a dois com o Suga?
Não pude evitar um sorriso.
Quem diria que estaria de frente para ele? Ainda morando com o mesmo? Prefiro esquecer o fato de que sou odiada pelo próprio.
— Você só escreve?
Arregalei os olhos.
— Eu? – apontei para eu mesma surpresa
— Quem mais estaria na mesa? – rolou os olhos.
— Só não esperava você puxando assunto – dei de ombros.
— Vamos conviver por um tempo na mesma casa, precisamos nos dar bem para dar certo – arfou – Como sou o único racional aqui, fui o único pensar nisso – resmungou.
— Eu tentei... – melhor aproveitar o momento sociável dele – Só escrevo.
— De onde você tira sua renda? Tem algum livro lançado? – perscrutou.
— Meu pai era um escritor famoso, uma parte da minha renda vem dos direitos sob a venda desses livros e outra é que ele veio de uma família com boas condições, como único filho ficou com todos os bens. Após sua morte, esses bens passaram para o meu nome – respondi.
— Já leu algum livro dele?
— Alguns... – tentei lembrar do fato de não ter lido todos – Ele tem costume de matar a maioria dos personagens, eu não gosto disso. Por isso li só alguns – lembro-me do meu pai reclamando da própria filha não curtir seus livros.
— Por que ainda mora em uma casa em um bairro tão parado e envelhecido de Londres? – indagou parecendo muito curioso.
— Ainda não sei – rir abaixando a cabeça confusa.
Por que aturo minhas vizinhas todos esses anos, sendo que posso me mudar a hora que eu quiser?
— Acho que sou apegada aquela casa e aquele bairro envelhecido – dei de ombros.
— Hey – dei um pulo assustado vendo uma mulher bonita brotando do além ao nosso lado.
— Hm? – Suga arqueou uma sobrancelha para ela mostrando querer saber o que fazia na nossa mesa.
— Queria me apresentar a você... – corou não conseguindo encara-lo por muito tempo – Quero te conhecer melhor, me passa seu número? – indagou.
Como ela pode vim dando em cima do meu Suga na minha frente? Nem pelas minhas costas admitirei uma coisa dessas! Ele não será de ninguém, só aceito ele comigo ou com a Rise, fora isso, não aceito nenhum tipo de pessoa.
Vou receber isso a modo Suga.
— Yah – chamei sua atenção e ela me encarou – Não está vendo que ele está acompanhado?
— Sim – me avaliou – Mas sei que é parente, então não estou te ofendendo.
— Yah, não sou sua parente – rolei os olhos – Sou a noiva dele! – afirmei.
— Sério? – pareceu muito surpresa.
— Por que essa cara? – juro que vi o Suga sorrindo com a cena – Está insinuando que não posso arranjar um noivo desses? – arfei – Pois posso ter um até melhor, mas decidi aceitar estar com ele por insistência constante do mesmo... Agora trate de ir de volta para sua mesa – exigi.
— Ela é sua noiva? – a mulher foi descarada ao bastante para perguntar isso.
— Minhas palavras não bastam? – bufei.
— Só saio se ele me dispensar – ergueu o rosto me ignorando – Ela é?
Meu coração disparou nos segundos que o vi pegar fôlego para responder.
Mordi o lábio inferior com força torcendo que mesmo que ele me odeie, pense em deixar essa descarada mal e assim me deixar sentir um pouco o vento da vitoria um pouquinho.
— Quer mesmo essa resposta? – ela assenti
— Nunca me envolveria com alguém desse tipo — concluiu.
Meu coraçãozinho parou por um instante e despedaçou lentamente. Aquela descarada me lançou um olhar vitorioso e eu encolhi os ombros.
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