Sweet Desire
40 Capítulo 37 - Meus olhos se transformaram em torneiras...
Notas iniciais
A melodia da caixinha musical preenchia a casa enquanto eu ainda olhava para o vale desejo sem ter a mínima ideia do que fazer com ele. Uma coisa que infelizmente tenho certeza, é que não conseguirei agir de maneira egoísta e acabar estragando tudo que o pessoal conquistou fora do livro, só para separar o Suga da Rise.
Encostei a minha cabeça nas costas do sofá e encarei o teto.
— Por que fui escrever de forma tão explícita que assim que o Suga botou os olhos na Rise, se apaixonou? — fechei os olhos lamentando.
Nem ao menos pude fazer perguntas decentes para aquele ser mágico, tudo por culpa daquela brincadeira assustadora, se eu não tivesse desmaiado poderia ter perguntado tanta coisa. Por que me deu o vale? Qual era o erro que havia cometido que foi corrigir… Se eles iam viver a vida real mesmo.. Tanta coisa!
Suspirei chateada, cansada, triste e sem saber que rumo minha vida tomaria.
— Lá vem a lua saindo com três… — resolvi cantar, pois quem canta os males espanta, né? — … Estrelinhas do lado, a do meio vem… parei de cantarolar notando algo estranho.
Fechei a caixinha de música e logo após a abri.
— … que Sulkin tem namorado... — tampei novamente e fiquei quieta.
A melodia é no ritmo dá musiquinha do ser mágico!
Levantei a caixinha e fiquei olhando ela atentamente todos os cantinhos, as gavetinhas e até a bailarina pequena que rodava no centro.
— Bom… — olhei envolta dela — É uma caixinha normal — no fundo fiquei um pouco decepcionada.
Aquele ser mágico tem que aparecer novamente de alguma forma, preciso tirar minhas dúvidas…
Botei a caixinha de lado e tampei o rosto lembrando do Suga.
— Aah! — minha cabeça estava explodindo toda vez que lembrava da cena dos dois juntos, ainda mais com ele a abraçando… — Não posso chorar!! — só que minhas lágrimas não aceitaram o que acabei de pronunciar, estão escorrendo pelo meu rosto de uma maneira patética.
A situação seria essa caso Rise saísse desde o começo, sabia disso desde quando nem sonhava em ver os outros personagens. Por isso eu deveria aceitar os fatos e tentar deixar o espaço livre, assim as coisas ficaram bem mais fácil…
Ouvi o barulho dá porta sendo destravada.
Em um pulo fui tratando de esconder o vale desejo dentro de uma das gavetinhas da caixinha de música e me sentei vendo o Suga entrando na sala carregando algumas sacolas.
— Aconteceu alguma coisa contigo? — perscrutou parecendo preocupado.
— Eu não.. — apertei os lábios que tremiam pela vontade de chorar.
— Você não me parece bem — notou e caminhou para perto — Andou chorando?
— Ah… — sequei as lágrimas desesperada e tentei forçar um sorriso.
— Lembrou de alguma coisa ruim? — tentou segurar minhas mãos, mas as afastei e ele me olhou confuso — O que está acontecendo?
— E-eu preciso falar a-algo — fechei os olhos os sentindo ardendo e abri tentando ser forte — E-eu vi a Rise esses dias… — avaliei sua reação e pareceu um pouco surpreso — … Eu andei escon-condendo como uma tola, estava com me-medo de te perder… — tampei o rosto chorando.
— Hey, você…
— Eu vi que vocês já se encontraram, eu vi você a abraçando… Eu sei de tudo — ele arregalou os olhos abrindo a boca para se defender, mas o interrompi — Eu já sabia que isso, isso iria acontecer se vocês vissem um ao outro… Só não quis aceitar a re-realidade — mordi o lábio inferior.
Então seria assim que nossa história terminaria, ele ficando com quem deve e eu voltando ao que sempre fui. Apesar de saber que nunca vou sentir o mesmo por ninguém, vou tentar não ser um peso para as pessoas.
— Você po-pode ficar com ela… — mas por que estou sentindo meu peito se rasgando? Por que sentindo como se meu mundo estivesse acabando?
Não era para ser como as outras pessoas? Que consideram só mais um fim de um relacionamento?
— Você não preci-sa ficar preso à mim — mesmo dizendo aquilo, meu corpo queria ao contrário, todo meu ser dizia para não o deixar ir — Vocês são feitos um para o outro, não posso atrapalhar..
Suga que me encarava ouvindo tudo em silêncio, sem mostrar qualquer emoção, suspirou e se levantou.
— Já que é assim — deu as costas e saiu do apartamento.
Foi aí que percebi, que mesmo falando aquilo, eu ainda tinha esperanças. Tinha esperanças dele dizer que não, que não ligava para a Rise e que só me queriam, pelo visto nada é como nós queremos.
Tampei minha boca e comecei a chorar, mesmo sem ter forças para isso.
— Escuta aqui — levei um susto com o Suga voltando chorando também — É tão fácil para você abrir o caminho para outra garota? Será que nenhum momento cogitou que não sou só um personagem?
Eu estava estática só o observando enquanto ainda chorava.
— Eu sei que a Rise saiu, a conheci hoje durante a sessão de fotos… Aquele abraço foi porque ela era a modelo que estava posando comigo — fiquei boquiaberta — Sabe a primeira coisa que pensei quando ela me agrediu jogando seu celular na minha cabeça? Foi em você! Sim, eu pensei na minha primeira vez que nos vimos e você não conseguiu me acertar com a escova de esfregar as costas…
— Suga…
— Enquanto ela me acusava de quinhentas coisas e me xingava, eu lembrava de como você ficava embolada ao tentar me ofender — ele passou a mão no cabelo — Sulkin, o coração que só disparava para Rise nas palavras descritas em um livro, ele só se acelera agora em carne e osso para você — se abaixou ficando na minha altura — Será que ainda percebeu isso?
— Mas é que…
— Eu te amo — tampei o rosto surpresa, ele nunca falou isso, pelo menos nunca escrevi — Sulkin, eu te amo apaixonadamente — ele sorriu — Se você gosta de mim, não termine comigo por causa do livro.. Só te peço isso…
— E-eu achei… Eu sempre temi aquele momento e quando vi… — ele me beijou interrompendo.
Seu beijo era calmo e quente, transmitia seus sentimentos e confiança.
— Shh.. O culpado disso tudo sou eu, deveria ter demonstrado melhor meus sentimentos e não ter me entregado a minha timidez — falou tocando meu rosto de maneira carinhosa.
— Suga, eu te amo — minhas bochechas queimaram.
— Não fala as coisas assim tão de repente — reclamou rindo e me deitou no sofá — Vou deixar claro o que eu sinto apartir de hoje — e beijou.

— Suga, larga de tentar essas coisas com a Sulkin toda hora — nos assustamos com o V entrando na sala — Ainda bem que cheguei um pouco mais cedo do treino.
— Você é irritante — Suga reclamou.
— Apenas cuidando da minha garota- ele tirou o cachecol e fez questão de sentar no nosso meio — Bom, eu andei fazendo pesquisas profundas sobre o livro do seu pai…
— V, acho que você devia tirar uma folga desse livro.. — aconselhei preocupada.
— Escuta só, é muito interessante — respirou fundo — Essa história foi escrita em 1958, e pela minha pesquisa, o personagem principal morava na sua rua — ficam em silêncio por um tempo.
— Ainda não entendi aonde você quer chegar com isso — Suga falou parecendo bem perdido.
— Os personagens são asiáticos, o único que não têm descrições físicas é o ChulHwan — senti um calafrio assim que ouvi aquele nome — E ele após ter matado o seu melhor amigo, leva a Sasa para algum lugar e a mantém lá... Pelo que parece ela se mata depois de alguns meses…
— Você realmente está viciado nesse livro.. — Suga ainda boiava.
— Ela morreu segurando algo muito precioso no braço, o qual ChulKwan.. — senti novamente aquele calafrio — … Ficou totalmente perturbado…
— Espere um segundo.. — Suga ficou pensativo — Por acaso você esteja desconfiado de que essa história é real?
— Sim, seu pai escreveu para não perder os bons momentos, mas deixou escrito os perturbantes — minha cabeça latejava com o que ouvia — Ele matou até a Pooh da história…
— Pooh? — Suga pareceu surpreso.
— O melhor amigo do ChulHwan tinha uma gata chamada Pooh, ele quebrou o pescoço da bichinha, eu choro toda vez que leio… — V me olhou e ficou pálido — Desculpa Sulkin, eu estava tão empolgado que não percebi que eu estava sendo insensível…
— S-sem problemas… — então era por isso que meu pai nunca falava sobre minha mãe, era por isso que sem…
— Não sabemos se isso é verdade.. Ok? Temos que investigar essas coisas com as únicas vivas que viveram nessa época, a Sra. Grace e a Sra. Lisa — Suga resolveu nos tranquilizar.
— Vamos mudar de assunto — pedi.
— Já que falamos da Pooh, a minha Pooh infelizmente é estéril mesmo… — Suga deu a notícia.
— Não sei se lamento ou digo que ela tem sorte.. — V tocou a nuca sorrindo confuso.
— Queria ter filhotes, assim ela se ocuparia com coisas além de me seguir — Suga falou mostrando o porque dessa preocupação toda com a fertilidade da bichinha.
— Por que não adota outro? — indaguei.
— A Pooh não parece ser do tipo de querer aceitar um estranho em casa — respondeu dando de ombros.
— Melhor começarmos a preparar algumas coisas para ceia de Natal de amanhã — V falou animado.
— Havia até me esquecido — Suga se levantou — Comprei enfeites de Natal — parece que alguém se empolgou.
— Bem que senti faltava alguma coisa — V falou olhando envolta.
— Vou pegar uma tesoura na cozinha — Suga foi rapidamente para o outro cômodo e o V me encarou sério.
— Você ainda vai ter que me explicar o que te fez chorar — falou simplesmente.
Esse garoto me conhece mesmo.
Enquanto preparávamos a comida o Suga contou sobre a Rise e mesmo tendo tudo explicado ainda sentia uma ciúmes de saber que ela estava por perto.
— Vamos chamar ela para a ceia então — encarei o V não acreditando no que disse — Suga, você se sentiu atraído pela Rise?
— Não, ela é bonita, acho que ela não faz mais meu tipo — respondeu sem pensar duas vezes e ficamos o encarando sérios — Estou falando sério, eu não me senti nenhum pouco atraído.
— Ótimo, tem número de contato dela? — indagou curioso.
— Não — respondeu mostrando o óbvio.
— Fez muito bem — V sorriu pegando o seu celular — Acho que ter sido seu manager por um tempo deve ser para alguma coisa… — e saiu da cozinha.
— TaeHyung, você ainda tem coisas para fazer mocinho! — Suga gritou para ele e ficou em silêncio me observando — Mesmo que ela venha, saiba que só tem olhos para você
— Yah… — sorri sem jeito e fui me afastando dele, mas ele me abraçou por trás.
— Só existe você no meu coração — sussurrou.
— Isso é bom.. — ele riu me soltando e foi tratar de terminar de fazer o que estava fazendo.
— Calma… — estava sendo difícil vigiar ele e o V na cozinha, eles são uns desastres…
Depois de um tempo V entrou na cozinha empolgado e bateu palmas.
— Foi mais rápido que eu imaginei… Ela topou sem pensar duas vezes! — meu Natal vai ser um pouco estranho.
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