Neal’s POV

Eu não sabia ao certo o que eu encontraria quando eu voltasse, mas posso dizer que o que eu vi aqui fora algo do qual eu não pude deixar de me decepcionar, não estou dizendo que ela não deveria seguir em frente, isso seria muito egoísta da minha parte, mas a forma rápida como Emma fizera isso me machucou, acho que eu e ela fomos feitos para sermos assim, um sempre machucando o outro, independente da intensidade disso, mas eu não quero viver isso pra sempre, chegou à hora de deixar o passado na passado, Emma tem Hook e parece ser feliz com ele e se ela é feliz, não será eu quem vai destruir tal felicidade, talvez ao sair de Storybrooke eu possa encontrar a minha felicidade ou talvez a minha felicidade seja somente eu e eu mesmo, mas seja o que for, é hora de arrumar as malas e partir, dói ter que deixar o meu filho, mas eu preciso curar a dor de ver Emma e Hook juntos, não irei me despedir, não sou do tipo que gosta de tal coisa, acho que uma despedida silenciosa é o suficiente e não quero ter que encarar o olhar vitorioso no rosto de Hook ou a pena nos olhos de Emma, deixo apenas uma carta para Henry e espero que ele possa entender meus motivos, ele tem uma família maravilhosa, duas mães que fazem tudo por ele, pessoas que suprirão toda a minha ausência, mas agora é hora de partir.

Saio da casa de meu pai sem que percebam, esses últimos momentos em Neverland foram muito estressantes para todos nós, preciso colocar minha cabeça no lugar, pensar o que será melhor pra mim, olho pra trás e vejo tudo o que estou deixando, talvez no futuro eu me arrependa, mas agora eu preciso pensar no meu presente, a cidade estava calma, eu não encontraria ninguém e assim eu poderia ir embora sozinho, ou assim eu pensava.

— Bae. – Tinker que passava por perto deve ter visto-me e resolveu se aproximar, péssima hora fadinha.

— Hey Tinker, como está? – Esconder as malas seria difícil, então era melhor encarar logo a situação.

— Eu estou bem e você? Pra que essas malas? – Perguntou curiosa.

— Estou deixando a cidade. – Sorri triste. – Preciso de um novo começo e aqui sinto que não será possível.

— Mas Emma, Henry, seu pai, sua família está aqui Bae. – Eu estou aqui, eu sou sua amiga...

— Eu sei Tinker, mas eu preciso acertar a minha vida, Emma seguiu em frente com Hook e por mais que eu não queira, machuca ter que encarar isso, eu preciso me libertar desse sentimento e só assim poderei continuar aqui, mas por agora, eu preciso ir. – Segurei carinhosamente na mão dela e a puxei para um doce abraço. – Eu também sou seu amigo e quando precisar é só me chamar e eu volto correndo para te ajudar no que for.

— Promete que não vai sumir pra sempre? – Ela perguntou-me e pude notar que sua voz era melancólica, era bom saber que ela sentiria minha falta.

— Prometo, mas agora eu preciso ir. – Passei carinhosamente a mão por seu rosto. – Se cuida Tinker.

Ela sorriu e virou-se para ir embora, o ruim das despedidas é isso, a dor de deixar alguém que se ama ou gosta é ainda mais insuportável do que todas as dores que se carrega no peito, mas a vida é feita de escolhas e a minha já estava feita. Coloquei as malas no carro e olhando por uma última vez aquela cidade onde eu achei que poderia encontrar o tão falando final feliz dos contos de fadas, entrei em meu carro, respirei fundo e dei partida, eu não tinha pressa e então fui numa velocidade baixa, cada casa que passava, cada rua era uma lembrança que eu deixava para trás, estava na hora de recomeçar do zero e ser feliz a minha maneira, as casas, as árvores, as ruas, Emma, meu pai, meus amigos, Henry, Storybrooke, aos poucos tudo estava ficando pra trás.

Enquanto isso...

Tinker caminhava sem rumo pelas ruas, também em seu peito ela perguntava se Storybrooke era realmente um lugar pertencente a ela, o que ela tinha ali? Nada, mas esse nada de alguma forma conseguia ser menos vazio do que o nada que ela sentia em Neverland, talvez teria sido mais fácil se Neal estivesse ali, ele era um dos poucos amigos que ela tinha e perdê-lo novamente doeu. Enquanto caminhava, Tinker não se deu conta que em sua direção Emma e Hook caminhavam sorrindo.

- Ei fadinha. – Hook a chamou, tirando-a de seus desvaneios.

- Hook, Emma. – E olhando para os dois, Tinker pôde entender a tão grande dor que Neal sentia, realmente não deveria ser fácil, ela sorriu tristemente, queria esconder o que sentia, mas nem sempre um sorriso é capaz de esconder algo.

- Aconteceu algo? – Emma perguntou observando a fada. – Seus olhos estão vermelhos, o que aconteceu?

Tinker olhou para Emma e perguntou para si mesma se faria alguma diferença ela contar ou não, afinal, nem mesmo Neal contou, o que mudaria agora? Mas talvez poderia ter uma chance.

- Neal. – Tinker suspirou pesado. – Ele está deixando a cidade. – Ela disse em meio a um sorriso triste, os olhos já tomados por lágrimas.

Tal noticia pareceu ter pego em cheio uma jovem loira de olhos claros, pois no mesmo instante ela deu um passo para trás, não era esse tipo de noticia que ela esperava ouvir, não, seus planos para aquela noite eram exatamente o contrário.

- O que? – Recuperando a voz a loira perguntou assustada. – Como assim? Quando ele saiu? – O desespero de ser tarde demais batia tão forte quanto o seu coração.

- Tem alguns minutos, eu o encontrei em frente à loja do pai dele e ele estava partindo, disse que precisava concertar a vida dele, recomeçar e tentar ser feliz de alguma forma. – Tinker não pôde conter as lágrimas. – Ele foi embora para que você pudesse ser feliz com Hook, mas eu só espero que ele possa ser feliz.

A fada saiu deixando Emma e Hook parados, Emma olhava perplexa para Hook que finalmente viu o entendimento nos olhos ela, ela amava Neal e precisava dele, não que ele não soubesse disso, até porque pouco tempo antes de tudo acontecer, Emma e Hook tiveram uma conversa onde puderam ver que entre eles não poderia existir muita coisa e que ela precisava se acertar com Neal e qual prova de amor é maior do que desistir da pessoa que se ama para ela poder ser feliz com outra pessoa?

- Emma, você precisa ir atrás dele. – Hook sugeriu um pouco triste, mas tendo certeza de que era o melhor a ser feito. – Não perca mais tempo Swan, corra atrás da sua felicidade antes que seja muito tarde.

- Hook...

- Não. – Ele interrompeu. – Vá e não perca tempo.

Emma sorriu triste e correu para o seu fusquinha, ela não podia perder Neal novamente, não antes de viverem tudo o que eles ainda tinham para viver, não antes do perdão, do amor, indo o mais rápido que pôde, a xerife dirigia rezando para poder encontrá-lo, as lágrimas tomavam conta de seu rosto e em seu coração ela implorava por uma última chance, mas as esperanças pareciam perdidas quando a cada rua que passava, ela não via nem sinal dele, não poderia ser tarde demais, podia?

Por favor, não me deixe.

Outra rua se passou.

Adeus Emma, seja feliz.

Enquanto aproximava-se da linha da cidade, em seus pensamentos, Neal tentava guardar a memória de tudo o que viveu junto com Emma.

Só mais uma chance, não vá embora Neal..

E eis que a felicidade resolve jogar ao lado dos dois e ela finalmente o ver, para sua sorte, ele não dirigia tão rápido.

Uma buzina.

Um farol alto aceso.

Dois carros parando.

Duas pessoas saindo de seus carros.

Dois olhares encontrando-se

Um homem fora da linha da cidade.

Uma mulher dentro da cidade.

Passos que se aproximavam.

Mãos que se conectavam.

“Não me deixe.” Foi tudo o que ela pediu antes de jogar-se nos braços dele e tudo o que ele precisou para abraçá-la ali, no meio da rua, entre a linha da cidade, ambos choravam, ambos se abraçavam, ambos corações batiam no mesmo ritmo, conectados por um amor verdadeiro, um amor que não poderia ser rompido.

- Não vá embora. – Ela pediu olhando nos olhos dele. – Eu te amo, eu sei que ainda temos muita coisa para acertar, sei que nossa história está muito bagunçada, mas eu te amo, eu e Hook não temos nada, eu só estava confusa, com medo, eu não sabia o que fazer. – A voz tão desesperada falava com pressa. – Eu pensei que você tinha morrido, eu.. Neal, não me deixa.

Sua resposta fora os lábios encontrando-se nos dela, um beijo tão apaixonado que parecia ter magia correndo ao redor deles, talvez poderia ter mesmo, suas línguas tocavam uma na outra delicadamente, seus corpos estavam conectados e seus corações batiam igualmente no mesmo ritmo, eles não sabiam horas ou minutos tinham se passado enquanto eles se beijavam, mas não importava mais nada além deles.

- Eu também te amo. – Ele disse baixinho após romper o beijo. – Eu sempre te amei. – Seus olhos conectados. – Eu apenas não queria estragar a sua vida novamente, achei que indo embora você seria feliz... – Um sorriso triste.

- Eu serei feliz sim, mas somente se você estiver ao meu lado, temos muito o que concertar, mas vamos fazer isso juntos, eu não vou te perder novamente. – O sorriso apaixonado no rosto da jovem moça. – Nunca mais.

Novamente eles se beijaram, parecia que a cada beijo, o amor crescia forte e inquebrável no peito de ambos.

- Eu comprei um apartamento pra mim. – Um beijo, algumas palavras. – E estarei esperando por você nele, não ouse demorar. – Emma dizia enquanto dava vários beijos nele, mas logo afastou-se e correu para o seu carro.

- Você consegue me acompanhar? – Ela perguntou com um perfeito sorriso em seus lábios, o coração agora estava completamente feliz, tudo estava em seu devido lugar.

Emma entrou em seu fusquinha e antes de voltar para a cidade, olhou para o homem bobo parado no meio da rua e sorriu, Neal acordando de seus devaneios, entrou em seu carro e a seguiu, ambos estavam felizes, ambos acreditavam no que futuro tudo poderia da certo, mas todos sabemos que tal casal enfrentaria muitas turbulências, problemas e um passado que entre eles deveria ser resolvido, mas agora, após minutos dirigindo, a chegada ao apartamento, ele pegando-a em colo e a levando para o quarto, agora, nesse momento eles só queriam apenas uma coisa.... Amor, e nada mais para atrapalhar!

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