Suspiro silencioso
1 Suspiro silencioso
Em seu quarto, jovem e a margem de entrar em uma vida adulta, relembrava o dia em que aquilo lhe foi acontecer. Em prantos, deitado sobre sua cama num canto frio e escuro do quarto, estava em dúvida se ria ou chorava da atitude que tomara naquela noite...
A garota se movia em movimentos ritmados para cima e para baixo sobre seu corpo de forma constante. A sensação de êxtase tomava conta de seu corpo, ao mesmo tempo que tentava se manter são diante daquela situação única. Do lado de fora do banheiro, o som de música alta e vozes a todo o momento, mas seu real foco era em dar e receber prazer. Essa é a forma com que se lembrava da noite em que aconteceu. Provável que estivesse bêbado. Era a única explicação lógica para não se lembrar de todo o tempo que esteve naquela festa, muito menos dos detalhes dá transa que teve com a garota sem nome.
Semanas após a farra, o destino ajudou aquela vida se safar da própria burrice que havia feito. Seus pais haviam lhe levado a um hospital no intuito de repetir seus exames de rotina, um costume comum para qualquer família pacata do sul da Califórnia. Não muito tempo depois, foi entregue o veredicto. O diagnóstico dos médicos não podia estar mais certo, aquela noite tinha acabado com a vida de Lucas.
A mãe caiu em desespero, a bronca interrompida a cada dois minutos por soluços gerados pelo choro tornavam o sermão inaudível até pelo maior dos linguistas. Por outro lado, o pai permaneceu calado e sem nenhuma expressão em seu semblante, porém ele sabia a decepção que havia se tornado. O que havia feito era imperdoável.
Essas lembranças o vinham atormentando pelos últimos três anos. Sua relação com os pais nunca mais fora a mesma, tivera que se afastar dos amigos, pois os mesmos não o apoiavam, perdeu tudo por um prazer momentâneo. "Merda de cabeça jovem", dizia todas as vezes que usava um de seus momentos para refletir. Contrair uma doença como o HIV nunca foi uma coisa fácil de se admitir em público, mas ele esperava que todos fossem entender a situação pela qual estava passando. Bom, foi um erro.
Agora sobrevivia a base de remédios: Remédios caros que seus pais eram obrigados a bancar contra a vontade. Para eles não tinham mais um filho, mantinham vivo um monstro em casa. Pelo menos era assim que se sentia em relação a seus pais.
Lucas largou a caneta e o papel sobre sua escrivaninha, apanhou sua bolsa e saiu de casa sem avisar à ninguém. Destino: Ponte Golden Gate.
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