Sus Ojos!
35 O nascimento, a morte
Notas iniciais
[14 de Agosto]
Pov's Angie
Ai meu Deus, é hoje que minha filha vai nascer! É hoje que eu vou poder segurar, tocar e fazer carinho na minha princesa! Mal posso acreditar! Acordei 5:00 da madrugada, tenho que estar cedo no hospital.
Leonardo me ajudou a tomar meu banho e depois a me vestir. Coloquei uma blusa larguinha para não apertar a barriga e uma calça legging preta. Calcei uma sapatilha e depois fui arrumar a minha roupa de saída do hospital.
Assim que terminei de arrumar as coisas já eram 7:00.
–Léo, vamos logo se não vamos nos atrasar.
–Vamos meu anjo.
Leonardo pegou minha bolsa para mim já que eu não podia pegar peso e nós saímos. Assim que chegamos no hospital já eram 8:05.
–Olá dona Angeles!
–Oi, doutor.
–Está ansiosa?
–Sim, muito.
–Bom, antes vou ter que fazer um exame rapidinho ok?
–Ok.
Eu coloquei o avental hospitalar e ele pediu para que eu me deitasse. Ele colocou um par de luvas e logo em seguida inseriu 2 dedos na minha intimidade para ver se sentia a cabeça do bebê e retirando logo depois. Me levantei com a ajuda de Leonardo e me sentei na cadeira em frente a mesa do médico.
–Você ficou de repouso?
–Sim, repouso absoluto. O Leonardo não deixava nem eu me levantar pra ir beber água.
–Hum. Teve mais algum tipo de contração durante esse tempo?
–Sim, só uma.
–Quando?
–Semana passada.
–E sangramentos?
–Bem poucos.
–Hum. Está tudo bem com a bebê, daqui 5 minutos entraremos em trabalho de parto ok?
–Ok.
O médico saiu e depois dos 5 minutos entrou junto com alguns enfermeiros e enfermeiras e médicos.
–Bom, vamos lá?
Olhei para ele e ele me deu um beijo na testa que me transmitiu confiança. Olhei de volta para o médico e ele pediu para que eu o acompanhasse. Fomos até uma sala maior.
–Sente-se naquele banco por favor.
Me sentei ele disse para mim me debruçar um pouco na mesa à minha frente e eu o fiz.
–Não se mova vamos aplicar a anestesia na sua coluna vertebral para que você não sinta nada da cintura para baixo ok?
–Ok.
Assim que o outro médico entrou com uma injeção que tinha uma agulha enorme eu estremeci.
–Não olhe para a anestesia.-O médico disse e tampou meus olhos para que eu não a visse.
Apenas senti algo penetrando em minha pele e uma leve pontada na coluna logo em seguida.
–Vamos esperar alguns minutos para a anestesia fazer efeito.
3 minutos depois eu não sentia mais nada, da minha cintura para baixo estava tudo completamente anestesiado. Os médicos me ajudaram a me deitar e logo cobriram a abaixo do seio para que eu não visse a parte na qual seria feita a incisão.
Senti uma sensação estranha em meu abdômen e logo em seguida ouvi o choro de um bebê, Julietta havia nascido. Uma enfermeira entregou-me minha filha assim que eu a segurei uma lágrima de felicidade escorreu em meu rosto e mais outra e outras... Ela era linda, tinha olhos azuis e cabelos escuros, ela é minha princesinha, minha filha, Julietta.
A enfermeira pegou minha filha de meus braços, juro que não queria soltar, não ia largar mas o pediatra tinha que examiná-la e depois ela iria para o berçário.
30 minutos depois eles me transferiram para a sala de recuperação. Estava com muito frio mas a enfermeira me disse que esse frio era devido à queda de temperatura na hora do parto pois a anestesia afeta a capacidade do organismo de regular a temperatura.
3 dias depois...
Hoje finalmente poderei ir para casa e levar minha filha. Julietta apesar de ter nascido um pouco prematura nasceu saudável.
Coloquei minha roupa que eu havia trago e logo em seguida fui ao berçário buscar minha filha. Ao chegar lá encontrei Leonardo olhando minha filha.
–Oi, amor!
–Oi! Ela é tão linda!
–Puxou para a mãe né?
–Pare de se gabar!
A enfermeira entregou-me minha filha e eu a segurei e senti seu cheirinho. Fomos para casa e eu a coloquei para dormir em seu berço. Fiquei observando-a dormir por algum tempo, seu sono era calmo e ela tinha uma expressão serena.
Comecei a sentir um soninho também, resolvi ir dormir, me deitei em minha cama e dormi tranquilamente sabendo que minha filha estava no berço ao lado da minha cama.
2 anos e 1 mês depois...
Eu e Julietta estávamos em casa sozinhas, Leonardo estava voltando do trabalho. Minha pequena Julie completou 2 anos mês passado. Eu estava cozinhando e Julie estava na sala assistindo Bob Esponja, quando notei o celular tocando. Vi no visor que era o Léo e atendi.
~Ligação ONN~
–Oi amor!
–Alô? A senhora é parente do Senhor Leonardo?
–Sim, sou esposa dele. Por que? Quem é você?
–Eu sou o chefe dele.
–Senhor Melicchio? O que está fazendo com o celular dele?
–Ele passou mal aqui na empresa e nós o levamos para o hospital.
–Ok, estou indo pra aí.
~Ligação OFF~
Desliguei o celular e saí correndo, coloquei uma jaqueta qualquer e peguei uma blusa de frio e uma mantinha para Julie, peguei-a no colo e partimos em direção ao hospital. Assim que chegamos encontramos o chefe do Leonardo lá.
–Oi, senhor Melicchio. O que aconteceu com o Léo?
–Por favor, me chame de Antônio ou Carlos.
–Ok. Mas então, o que houve?
–Não sei, ele estava saindo do trabalho e quando estava na porta da saída ele começou a ficar com falta de ar e depois desmaiou. O médico já examinou-o porém só pode falar com algum parente e o Leonardo não tem nenhum parente a não ser a senhora que é esposa dele, certo?
–Sim. Vou ver o que aconteceu. Já pode ir se quiser.
–É, eu já vou indo, minha esposa está me esperando em casa.
Ele saiu e logo em seguida um médico entrou na sala de espera.
–Olá, você é a esposa do Senhor Leonardo?
–Sim, sou eu.
–Dona Angeles, seu marido está com líquido nos pulmões.
–Mas, como assim?
–Ele não te contou?
–Contou o que?
–Dois anos atrás ele foi diagnosticado com câncer de pulmão e tireóide.
–Mas, ele, não me contou nada...
–Provavelmente para polpar seu sofrimento.
–Ele está bem? Eu, posso vê-lo?
–Claro! Mas, a criança... não.
–Eu, não tenho com quem deixá-la.
–Veja com a recepcionista se ela pode ficar com ela por um instante.
–Ok, obrigada.
Fui até a moça da recepção e ela concordou em ficar com Julie até que eu terminasse de falar com Léo.
Assim que entrei no quarto vi Leonardo com diversos aparelhos, um que media os batimentos cardíacos, um respiratório e vários outros que eu desconhecia.
–Léo, tá tudo bem com você?
–Tá, sim. -Ele me respondeu com uma certa dificuldade.
–Por que não me contou?
–Queria evitar sofrimento, Julietta estava com apenas 1 mês na época e eu não queria causar muita preocupação em você, você precisava dar toda a sua atenção à Julie.
–Mas, você precisava me contar!
–Me perdoa...
–Sim, eu te perdoo.
–Angie, eu não vou durar por muito tempo, eu sinto isso, e eu quero que saiba que... se eu morrer, eu gostaria muito que você volte para Buenos Aires... Você me promete Angeles? Me promete que vai voltar para Buenos Aires e reencontrar o pai de Julietta?
–Mas...
–Angie, eu te amo e sempre vou te amar, mas não quero te ver infeliz... então, me diz agora, promete que vai voltar para Buenos Aires...
–Eu... prometo.... -Eu disse e uma lágrima escorreu em meu rosto.
O aparelho no qual controlava os batimentos cardíacos de Leonardo começaram a acelerar e a ficar mais rápido, alguns médicos entraram rapidamente no quarto para tentar controlar.
–Eu... te amo... Angeles...
Essas foram suas últimas palavras. Leonardo morreu ali, na minha frente logo após, os médicos tentaram reanimá-lo, porém, tentativa em vão. Ele morrera pois os pulmões pararam de levar oxigênio para o sangue, o que fez com que seu coração acelerasse e logo em seguida parasse.
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