Survivor's diary
1 Neon
Notas iniciais
Uma introdução mesquinha para um humorista sem graça.
Os barulhos dos passos ficavam mais próximos a cada segundo. De passos curtos e barulhentos, seja lá o que fosse, estava se aproximando. O barulho vinha rastejando algo no chão. Esse algo fazia um ruído semelhante ao daqueles gizes de quadro negro. Isso me irritava, mais barulho iria atrair mais daquelesbichospra cá, e isso não é bom. Aquele bicho se aproximava, e aos poucos, seu gemido ficava mais alto e claro. Finalmente percebi que ele já havia chegado ao meu lado, dando a chance de sair de dentro daquela lata de lixo. Foi certeiro, bastou mexer ligeiramente a mão em direção á sua cabeça, acertando-a rapidamente com aquela faquinha. Agora o caminho estava livre para sair e finalmente voltar ao casebre aonde eu e meu grupo estávamos.
O casebre ficava em algumas quadras dali. Minha munição havia acabado, e eu não sabia atirar direito, então para passar por essas quadras dominadas eu devia ser esperto e saber me esconder direitinho. Como se esconderijo adiantasse, né? O meu odor devia ser mais fedorento do que o de um gambá, merda! Era só andar um pouquinho que um desses bichos se aproximava! Caramba, vão comer tripas na outra rua, eu só quero voltar pra casa!Se não fosse pelo Charlotte, tenho certeza que no momento que eu chegasse em minha casa, tudo estaria destruído. Não julgue Charlotte pelo nome, é um homem. Acontece que aqui nessa cidadezinha do interior, onde nos abrigamos, preferimos chamar os que resgatamos pelo nome da cidade de onde vieram ou de onde pretendam ir. Evitamos falar nossos reais nomes para não criarmos um sentimento de amor uns pelos outros, afinal, estamos num mundo onde a qualquer momento podemos morrer.Somos 09, mas não acho que tenha que falar sobre o grupo todo. Na maioria somos adolescentes idiotas que não sabem manusear armas, com a exceção de Charlotte e Dallas, os dois vovôs do grupo (que na verdade possuem cerca de 30 anos). Somos todos homens, infelizmente. Bem que podia ter uma essência feminina nesse grupo, pois além do Hartford, que é gay, não há mais ninguém que tenha esse senso de fragilidade.Mas falando do que interessa, eu não tinha nenhuma ideia se realmente iria conseguir atravessar aquelas quadras. Ir de beco em beco, muro por muro, casa por casa era difícil. Muitas vezes me surpreendia por alguns bichos que surgiam do nada. Apenas com uma faquinha é difícil de lidar com tudo isso, principalmente quando você está sozinho.Pensando na vida e escondido num beco, vi-me cercado por uma horda de 07 dessas coisas. É, apenas deu tempo de sair da lixeira e ficar parado, esperando me devorarem. Isso se Dayton não chegasse com Charlotte para me ajudar. Eles vinham em uma moto silenciosa, mas com uma espécie de neon, que atraía muitos zumbis. Com aquele arco e flecha, Charlotte eliminou pelo menos 05. Acabei matando 01, e Dayton deve ter eliminado o outro. Estava feliz, mas mesmo assim, uma moto só cabe, normalmente, 03 pessoas, se bem apertados, mas quando se tinha um gordo que chegava a afundar a roda traseira, a coisa mudava. Estava a pé, e mesmo com aquela ajudinha deles, seria meio difícil retornar para o casebre.– Anda logo, mariquinha. Ou vai ficar aí parado esperando esses comedores de tripas se aproximarem?– Me dá cobertura, estou sem munição.– Quer cobertura de chocolate ou de baunilha? Hehehehe – completava o gordo, falando e fazendo gordices.Bom, bastou o gordo falar essa frase inútil pra Charlotte acelerar, atirando flechas com seu arco rumo a zumbis que se aproximavam. Eu tentava seguir a velocidade da moto, mas havia corrido muito até a cidade vizinha, onde iria procurar algo numa dessas farmácias maiores. Algumas dessas coisas até conseguia se aproximar de mim, mas eu não deixava. Eu e minha super faquinha acabava com esseserrantes. Lembro-me de ter falado uma merda que acabava fazendo eu diminuir a velocidade de tanto rir: “vou acaba cum vuce”. Só sei que a cara de Charlotte não me agradou nem um pouquinho, já que ele teve que diminuir a velocidade para conseguir me cobrir. Bastou alguns minutos para chegarmos ao casebre. No momento que chegamos lá, meu melhor amigo me prensava contra a parede, me acertando um forte soco:– Por que demorou tanto, vagabundo?– Ir de uma cidade a outra de a pé com apenas vinte balas é bem complicado, ainda mais com o prazo de um único dia para completar a missão, não acha?– Tanto faz, conseguiu comprar os anestésicos?– Comprar? Eu roubei, “paiaçu”, tá aqui.– Ótimo. Chamem o Orlando, já temos o que faltava para a cirurgia do Bostão.– Boston, idiota.Bem, apenas concluindo, esse meu amigo é o Mobile. Quando eu saí de New Orleans, ele foi a primeira pessoa viva que encontrei, já que fiquei um bom tempo trancado na minha casa, que era bem segura, isso até a comida acabar. Quando saímos em jornada, fomos parar em Jacksonville, aonde começou o nosso grupo. Nos encontramos com Orlando, um estudante de enfermagem e medicina. Com um atirador bom, como Mobile, um médico, como Orlando, e um estrategista, como eu (Orleans), teríamos tudo para ter um grupo perfeito. Depois disso, fomos para Atlanta, onde nos encontramos com outros do grupo. Seguimos viagem e hoje estamos aqui, em Knoxville. Ultimamente, o Bostão, digo, Boston, foi atingido por um dos tiros perdidos de Dayton, nosso pior atirador. Tinha que ser o gordo! Ficamos sem suprimentos para a cirurgia, então tivemos que fazer uma expedição em algumas cidades, mas nenhuma tinha todos os itens. Cada um de nós então seguimos para uma cidade, e assim como os outros, eu fui buscar algo, que era os anestésicos. Agora, com tudo pronto, Orlando poderia cuidar de Boston. Boston é o mais novo do grupo, o filho da mãe tem apenas 14 anos. Se não fosse bacana, eu mandaria ir pro inferno.
Enfim, essa é minha rotinha diária, e resolvi escrever essa rotinha em você, querido diário. Acho que é interessante alguma alma escrever em seu diário durante um apocalipse. Vai que num futuro MEGA distante essa epidemia seja curada, ou num MEGA ULTRA distante onde não vai existir rastros dessa epidemia, esse caderninho seja encontrado? É companheiro, o filho da mãe que achar isso vai ser sortudo pra caramba.Aguardamos então a cirurgia do Bostão. Caramba, é Boston! Estou pegando a mania do Mobile.Dia 459, 23:47.
Notas finais
Como já dito, a mesquisse domina essa fanfic.
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