Survivors - O Novo Éden
3 Capitulo 2 - Blake
Notas iniciais
Na Nova Zelândia há três níveis de escolarização: a Educação da Primeira Infância, Educação Secundária e a Educação Terciária. Para uma criança normal, o comum é passar por cada um desses níveis e seguir com sua vida e na carreira que quiser, mas não é isso que aconteceu comigo, não depois do que aconteceu com o Planeta. Lugares foram devastados, destruídos pela água, pelo ar, pela natureza. O mundo inteiro foi submerso em destruição e desespero; pessoas morreram, lugares que existiam não existem mais. Aqui fomos abençoados, pois não fomos tão afetados, estávamos preparados, sabíamos que era uma questão de tempo até que o mundo sofresse um colapso como esse.
Aos 16 anos fui marcado como o "Gênio da Física", recebi um prêmio chamado Novos Prodígios por uma pesquisa sobre Buracos de Minhocas; essa pesquisa me rendeu um lugar na Academia de Novos Prodígios de Nova Zelândia, no qual estou me formando hoje.
Você pensa que um garoto deve brincar ser criança, aproveitar a vida; para um garoto normal de 14 anos devia ser assim, uma vida sem responsabilidade, sem compromisso, mas novamente o Universo estava contra mim e mudou o meu destino. Quando tinha apenas 14 anos meus pais sofreram um acidente de carro, ambos morreram; minha vida estava arruinada, não sabia o que fazer, foi quando me foquei nos estudos e na minha pesquisa. Foi um ano de pesquisa, quando mostrei ao meu professor ele me disse que eu estava revolucionando o nosso conhecimento sobre Tempo e Espaço, que a minha pesquisa poderia mudar tudo, que eu poderia salvar o Planeta. Até hoje não salvei o Planeta, apesar de que ele precisa muito ser salvo, mas o que eu poderia fazer para salvá-lo? Tomar dois banhos ao invés de três? Acho que poderia fazer isso para economizar água, afinal, existem pessoas em outros países que nem tomam banho, como pessoas do Brasil. Com 15 anos entrei na Academia; sou observado 24 horas por dia, sou como podemos dizer? Sou uma celebridade da Física, cobiçado por vários países e desejado por muitas. Até o dia de hoje morei com meu tio Adam, mas depois desta noite terei meu próprio apartamento, meu carro, meu trabalho fixo.
– Qual é o seu nome? — pergunta o entrevistador.
– Blake Collins. — respondo e assim começa mais uma entrevista. Tem sido assim desde quando consegui chamar atenção das nações, entrevistas sobre minhas pesquisas e meus projetos, às vezes são cansativos, mas as vezes muito gratificante, as atenções em mim, eu gosto disso. Com o mundo desse jeito, quase se explodindo todo, não há muito que fazer, temos que aproveitar enquanto puder, creio que todos vamos morrer, o mundo só esta esperando o tempo certo para nos matar com estilo. Hoje haverá uma cerimônia para todos que se formaram, seremos designados para o lugar onde iremos viver, trabalhar e todas as outras coisas chatas.
Atrás do apresentador observo um grande espelho, consigo me ver. Olhos verdes, tão verdes quanto o de duas esmeraldas, às vezes não sei como é possível alguém ter olhos como esses; meu cabelo loiro como ouro está arrumado perfeitamente, mas de algum jeito ele se mantém rebelde, como se tivesse vida própria e se arrumasse sozinho, com esse cabelo pareço um Bad Boy, mas ao olhar um pouco mais para baixo vejo o terno preto que se alinha ao meu corpo estruturado. Nunca me considerei uma pessoa com um corpo perfeito, ele é considerável, não sou um homem forte, mas também não sou fraco, meu corpo é extremamente proporcional com o que consideram “bonito” ou “gostoso”, ou os dois.
Deixei o estúdio de televisão e agora estou indo em direção ao New Palace, onde será realizada a cerimônia. Mia esta me esperando fora do Hotel, quando a vejo percebo o quanto esta deslumbrante, ela esta usando um vestido vermelho que se ajusta ao seu belíssimo corpo, seu cabelo castanho escuro esta preso de um lado e o resto moldura seu rosto, seu batom contrasta com a cor da sua pele, ela esta magnífica, tenho sorte de tê-la. Mia é minha namorada faz um ano e meio, ela é inteligente, linda, me ama e me faz amá-la mais cada vez que a vejo. Ao ver meu carro se aproximar ela abre o sorriso mais caloroso que tem, paro carro e ela entra, nossos lábios se aproximam e eu a beijo ferozmente.
– Como foi seu dia? — ela me pergunta.
– O mesmo de sempre, entrevistas. — ela sorri timidamente, então é quando percebo que há algo errado. Quando ela vai contar algo sempre faz essa cara que esta fazendo neste momento, toda vez que a covinha de seu rosto aparece tem algo errado.
– O que aconteceu? — pergunto e ela me olha rapidamente.
– Eu não consigo esconder nada de você. — ela sorri e olha para frente, além da estrada.
– Não consegue mesmo, você fica com essa cara. — aponto para seu rosto.
– Eu estou doente. — ela solta de repente.
– Como assim?
– Eu vou morrer, estou com uma doença terminal, não vou te falar o que exatamente para não se assustar, mas é isso, eu estou morrendo Blake, morrendo. — ela começa a chorar. Essa noticia me pega de surpresa, que doença seria tão grave a ponto dela não querer me contar qual e tão grave de tirar sua vida?
– Mia...
– Não Blake, vamos só aproveitar esta noite, eu e você, só isso, por favor. — posso sentir sua tristeza me invadindo, tomando conta de mim. Quero dizer muitas coisas, mas a única coisa que sai da minha boca é: “Tudo bem”.
Chegamos ao New Palace, tudo está tão brilhante, cheio de luzes e saber que parte disso é pra mim, me deixa totalmente orgulhoso de tudo que fiz e aonde cheguei. Mia me deixa sozinho para ir se sentar e me preparo para o meu discurso.
– Todos estamos aqui por um motivo: Nós conseguimos. Nossos esforços geraram quem nós somos, geraram nossas conquistas, geraram este momento. Agradeço a todos por estarem aqui e compartilharem este momento conosco. — Grande discurso penso. Nunca fui muito bom para falar em público, com mulheres é outra história, mas discursos normais não são minha praia. Praia. Como dever ser a praia? Imagino as ondas tocando os meus pés, me imagino sentindo a água gelada, a brisa do mar, coisas que hoje são impossíveis de se sentir, hoje em dia não há mais praia, não há espaço para isso, não no mundo que vivemos hoje e isso me faz pensar que eu deveria ter aproveitado quando tinha chance, agora não há mais volta, tudo que conhecíamos antes se foram.
– Blake? — viro-me para o lugar de onde vem a voz, é Mia. Abro o sorriso quando a vejo, ao seu lado está um senhor que não conheço, seu cabelo é grisalho e curto, seu rosto está com uma aparência flácida, está usando um terno cinza que percebo que é sob medida.
– Mia. – dou-lhe um beijo e cumprimento o senhor ao seu lado.
– Prazer em conhecê-lo, senhor? – pergunto.
– Horns, Luke Horns. – responde e sorri friamente.
– O que posso fazer pelo Senhor? – estou curioso com sua presença, nunca o vi por aqui, nunca ouvi falar de seu nome. Ele franze a sobrancelha.
– Eu sou o diretor da Divisão de Desenvolvimentos e Pesquisas Especiais, a DDPE, uma organização criada por sete países, sendo eles, Brasil, Estados Unidos, Japão, Inglaterra, México e Rússia.
– E o que isso tem haver comigo? – Mia está nervosa, sei disso porque ela não para de mexer suas mãos, tem algo muito errado aqui.
– O Senhor está sendo convocado por estes países para ser um dos cientistas que farão algumas pesquisas que podem mudar o destino do nosso Planeta, podendo até salva-lo. – completa Horns.
– E sobre o que seria esta pesquisa? – pergunta Mia tentando não parecer nervosa na minha presença.
– Não tenho a autorização de dizer qual pesquisa será, digamos que é confidencial. – Confidencial. Isso parece algo perigoso.
– Podemos falar a sós? – diz ele olhando para Mia, percebendo isso, Mia diz que vai ao toalete. Sozinhos, Horns me olha com gravidade.
– Temos informações que o colapso que esta acontecendo em nosso planeta pode piorar e vai piorar, suas pesquisas nos ajudaram a salvar toda a humanidade, o Senhor é explicitamente necessário, não conseguiremos sem você. Então em nome da DDPE o senhor já faz parte de nossos cientistas, não há escolha. – quando Horns termina vejo que não há escolha para mim, sua maneira de andar, de falar me mostram que não aceita não como resposta.
– Onde é esta Divisão? – pergunto.
– No Colorado, Estados Unidos. Antes era no Texas, mas seu território foi quase completamente inundado. – Colorado. Eu vou para o Colorado, ajudar cientistas em uma pesquisa do qual nem sei qual é.
– Quando partimos? – ele franze novamente as sobrancelhas e sorri.
– Agora mesmo.
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