Survivors - INTERATIVA
2 Capítulo 1
Notas iniciais
A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos.
– Charles Chaplin
8 meses antes...
POV. Amber Paige
Respira Amber, respira.
1...
2...
3...
– Como uma droga de mercado não tem comida que ainda não tenha vencido — perguntei a mim mesma enquanto olhava a validade do macarrão enlatado — verdammt' — murmurei largando a lata ali e indo ao outro corredor.
Desde que esse vírus se espalhou, está ficando cada vez mais difícil de achar comida que preste, este é o terceiro mercado que passo essa semana, e a única coisa que achei que não estivesse vencida, era um bolinho de morango, além do mundo ter tirado a vida dos meus pais, querem tirar a minha também? E morrer de fome deve ser.... Argh, prefiro não pensar.
Enquanto saia pela porta, parei em frente ao um vidro escuro, meu reflexo era de dar dó, meu cabelos loiros estavam bagunçados e secos, meus olhos verdes estavam sem vida, e com olheiras notáveis, minha pele continuava branca, mesmo com todo o Sol que eu pegava. Balancei a cabeça e fui em direção a minha moto, que eu dirigia bem por sinal, de tanto fugir do governo. Eu sei que várias pessoas dariam a vida por essa chance, mas odeio o Presidente, odeio o modo de como ele fica sentado sem fazer nada a respeito deste vírus, das milhares de pessoas que estão morrendo, seja de fome, seja infectada.
Afinal, quem eu quero enganar? Estou morrendo aos poucos também, acredito que tenha sobreviventes, só não acredito que eles irão sobreviver, fecho meus olhos e levanto minha cabeça, sentindo o vento nos meus cabelos, pego minha pistola, e a coloco na minha cabeça, se eu irei morrer, que seja rápido e indolor.
Olhei para o céu e sorri.
– Vou me encontrar com vocês. Eu juro. — falei sentindo as lágrimas caindo nas minhas bochechas, e logo depois na minha boca, podia sentir o gosto salgado delas.
E quando eu estava quase apertando o gatilho, ouço uma voz masculina:
– Eu não faria isso se eu fosse você lindinha — ele falou com uma voz rouca, fazendo eu me virar rapidamente e apontar a arma para ele.
Acho que eu estou vendo um Deus grego na minha frente, fecho os olhos, para me convencer que é uma ilusão da minha cabeça, mas quando os abro, ele continuava ali, me encarando com aquele maldito sorriso sexy. Ele tem olhos e cabelos negros, boca um pouco carnuda, está usando uma blusa branca, deixando que exponha seu peitoral, uma bermuda marrom, e tênis de corrida gastos.
– E eu ficaria o mais longe o possível de mim, se não quiser ter os miolos estourados, lindinho — falei ironicamente estreitando os olhos — Você foi mordido? Está infectado?
– Pareço infectado pra você? — ele respondeu, guardando sua pistola, e abriu os braços, dando uma voltinha.
Esse cara só pode estar me tirando, irritante! Respira Amber, respira.
– Bom, sinceramente.. — falei o analisando da cabeça aos pés — Você está horrível, podia muito bem ser confundido — menti.
Ele franziu a testa e revirou os olhos, como se estivesse cansado de tudo aquilo.
– Ok chega, sou Juan — ele falou se aproximando estendendo a mão.
Olhei suspeita e apertei sua mão, fazendo um arrepio correr na minha espinha, a recolhi rapidamente.
– Amber — respondi — Da onde você veio afinal... Juan? — perguntei.
– Dali — ele falou — apontando para um jipe poucos metros longe dele — E aí, quer comer algo? Tenho algumas coisas guardadas lá.
Confio ou não confio? Aceito ou não aceito? Por Deus, ele pode ser um louco ou pode me devorar viva, mas estou com tanta fome...
– Pode ser — murmurei.
Ele sorriu e foi em direção ao jipe, não confie em estranhos Amber, não fale com estranhos Amber! Pelo que parece os conselhos da minha mãe foi para o saco. Em outras circuntâncias eu não aceitaria, mas não como a 5 dias! O que eu posso fazer? E até estou um pouco feliz, quer dizer, achei um sobrevivente! Ou ele me achou, tanto faz....
– Amber — ele me chamou oferecendo uma maçã verde sorrindo.
– Valeu — peguei da mão dele e dei uma mordida.
Oh meu Deus, que saudade eu estava de comer, como algo pode ser tão bom? Terminei minha maçã rapidamente, matando um pouco da minha fome, limpei minha boca com a blusa, e olhei para os lados sem saber o que fazer.
– Obrigado pela comida e tudo mais... — cocei a nuca — mas é melhor eu ir indo, daqui a pouco vai escurecer, e eu tenho que achar algum lugar pra dormir então... — falei me afastando.
– Espere — ele falou segurando meu pulso — Tem uma casa, bem perto daqui, os infectados nunca vão pra lá, você podia ficar lá por enquanto, tenho mantimento também...
Passei a mão no cabelo tentando achar uma saída, não posso ir na casa de alguém que conheci no mesmo dia, ele pode ser um psicopata, pode me estuprar... Sei não...
– Sem querer ser rude... Acabei de te conhecer, não sei se posso confiar em você, quem me garante que você não vai me matar? — perguntei
Ele coçou a cabeça tentando pensar no que fazer, colocou a mão nas costas, pegando duas pistolas, e entregando na minha mão.
– Pode ficar, garantia — ele disse sorrindo.
– Ok, mas vou na minha moto, eu te sigo — falei indesisa. Sou totalmente sem noção. Aonde eu fui me meter?
Andei rápido até minha moto, deixando as armas de Juan na minha bolsa, e colocando a chave na ignição, ligando-a. Segui Juan por 10 minutos, até chegarmos em um sobrado branco meio desbotada, com grades em volta.
Desci da moto, pegando a bolsa, e andando até o jipe.
– Casa legal — murmurei olhando em volta.
– Valeu, achei ela abandonada, dei uma limp.. — o interrompi.
– Você ouviu isso? — perguntei olhando para os lados.
– Isso o que? — me olhou confuso.
O ruído foi ficando cada vez mais alto e nítido, consigo entender claramente o que é esse barulho. Um arrepio correu em meu corpo, tirei minhas pistolas de baixo da minha blusa, apontando para a direção do barulho, e do movimento... Até que estávamos cercados por infectados.
– Eles nunca vem aqui certo? — apontei minha arma e comecei a atirar.
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