Survivors
12 Marcas
Notas iniciais
P.O.V Xayne
Estava sentada na varanda quando a Rosa se aproximou de mim,ela estava com um ar pesado,triste e ao mesmo tempo desesperado.Algo aconteceu,tenho certeza disso.
–Oi – falou ela em um tom baixo
–Oi – respondi ainda encarando-a
–Preciso te contar algo – falou se sentando ao meu lado
– O que houve?Pela sua cara é algo grave – falei me virando de frente para ela
–É...que...eu...eu... – seus olhos se encheram de lagrimas,mas que merda será que aconteceu
–Ei,calma – abracei-a,ela se acalmou respirou fundo e fitou-me
–Eu...eu acho que estou grávida – falou
–Puta merda,Rosa – coloquei a mão na cabeça,agora a porra ficou seria – mas como você sabe?
–Eu vivo enjoada,meus seios estão maiores e para melhorar minha menstruação ta atrasada – falou cabisbaixa
–Ai meu Deus,ta bem vamos manter a calma,um apocalipse zumbi é o pior lugar pra se ter um bebê,mas pelo menos estamos seguros aqui.Você já contou pro Leigh? – perguntei
–Ainda não,pretendo contar hoje,mas vim falar com você primeiro – falou enxugando as lagrimas que ainda escorriam pelo seu rosto
–Olha vai ficar tudo bem – segurei suas mãos e ela me fitou – nos estamos aqui e vamos te ajudar,ok? – ela balançou a cabeça como resposta e sorriu
–Vou la contar para o Leigh – ela se levantou e adentrou a casa
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Os dias estavam passando rápido na fazenda, em um piscar de olhos já haviam se passado três meses e tínhamos um grande problema, a falta de comida, só tínhamos comida suficiente para mais dois dias. Os suprimentos que pegamos até que duraram bastante levando em conta que são 16 pessoas morando nessa casa.
Antes a nossa maior preocupação era a Melissa,não a conhecíamos,não sabíamos quem ela era de verdade,mas ela se mostrou confiável,mas sinto que a mesma ainda não confia em nos,pelo menos não em todos nos.O Lys nos contou sobre ela ter salvo a vida dele,desde então passamos a confiar nela.
Não faço mínima idéia de que horas são,todos os relógios ficaram sem pilha.Olhei para o céu e o sol estava no pico,deve ser por volta das 12:00.Eu já nem sabia que dia da semana era,só sei que é mais um dia em que tenho que lutar para sobreviver.Todos na casa já perderam a esperança de um dia o socorro chegar,depois que terminou com a cerca,Kentin tenta contato com o seu pai,todo santo dia ele chama pelo pai na esperança de uma resposta...nada,a única coisa que ouvimos é a estática do radio como resposta.
A barriga da Rosa já estava aparecendo, sim, ela realmente estava grávida,e isso nos deixa ainda mais preocupados em relação a comida,ela precisa se alimentar por ela e pelo bebê.
Kentin reuniu todos na sala,disse que precisávamos resolver algo.Assim que todos chegaram na sala ele começou a falar.
–Como vocês já sabem estamos ficando sem comida,e precisamos ir atrás de algo,eu pensei em irmos eu,Castiel,Xayne,Melissa,Nathaniel e Lysandre – concluiu
–Não,todos os melhore atiradores saem e a fazenda fica pouco protegida,é melhor você e Lysandre ficarem – falei
–A Xayne esta certa, sem contar que 6 pessoas é muita gente,teríamos que levar mais de um veiculo e nos quatro poderíamos ir no meu – falou a Mel e eles concordaram – bom podemos ir amanhã cedo e tentar achar algo – todos deram um “ok” e espalharam-se novamente pela casa.
P.O.V Nathaniel
Subi para o quarto,o calor estava insuportável e eu queria ficar mais avontade,fechei a porta e tirei a blusa jogando-a sobre a cama.
–Que marcas são essas? – pulei com o susto,era a Mel parada na porta que riu com a minha reação
–Que marcas? – perguntei um pouco confuso,após me recuperar do susto
–Essas – a garota se aproximou das minhas costas e começou a passar o dedo levemente,fazendo contornos,isso me fez todo o meu corpo arrepiar,acho que ela percebeu pois vi um sorriso travesso em seu rosto.Essa garota ama me provocar,desde que ela percebeu que sou um pouco tímido e fico vermelho por qualquer coisa,ela fica me provocando o tempo todo – umas marcas escuras – ah era isso,os presentinhos que meu pai me deixara.
–Ah isso,é uma longa historia – falei ainda um pouco ruborizado pelo seu toque
–Eu tenho tempo – falou se sentando em minha cama e me chamando para fazer o mesmo
–Bom,vamos do inicio,quando eu era pequeno,eu era uma criança muito travessa,fazia algumas maldades como minha irmã e isso gerou uma ira em meu pai,quando fiquei mas velho comecei a fazer de tudo para agradá-lo,virei representante de turma,tinha as melhores notas da escola,eu era o “senhor certinho” e Ambre cresceu mimada e cheia de vontades,ela adora contar mentiras para o meu pai e se fazer de coitadinha,quando na verdade era o cão em forma de gente – pausei por uns segundos – como eu era travesso quando pequeno,meu pai sempre acreditava nela,e me batia,as surras foram ficando cada vez piores com o passar dos anos,começou com cinto,depois era com um pedaço de madeira,um dia ele ficou tão furioso que me bateu co um facão,fiquei duas semanas sem aparecer na escola com cortes imensos em minhas costas,numa outra vem ele atingiu minha cabeça com tanta força que fique apagado por 8 horas – a garota me fitava,e o olhar dela era como se ela entendesse tudo que eu havia passado
–Você nunca tentou se defender? – ela se pronunciou depois de alguns segundos
–Tentei uma vez,na mesma vez em que ele me apagou por 8 horas,eu apenas segurei seu braço,ele me olhou com tanto ódio bateu em meu ombro para que eu o soltasse,o que acabou deslocando o meu ombro também,em seguida desferiu vários golpes em minha cabeça.No hospital minha mãe mentiu dizendo que eu havia caído dois lances de escada.Bom essa é a historia das minhas marcas,qual a historia das suas marcas?
–Não tenho marcas – falou desviando olhar
–Pode não ter marcas visíveis,mas você as tem,da pra ver isso nos seus olhos – falei e a garota permaneceu em silencio – você ainda não confia em mim?
–Eu confio em você – ela voltou ame olhar
–Então conta – falei e ela deu um leve sorriso
–Acho que você é o único que realmente pode me entender, não totalmente, mas ainda assim pode me entender – ela pausou por uns segundos – ta bem, vou te contar a historia de como me quebraram, talvez você consiga me concertar – ela deu um leve sorriso — A minha mãe era professora, era divorciada do meu pai,ela era maravilhosa,amável,carinhosa,uma pessoa incrível — os ohos da garota brilharam ao falar sobre a mãe,mas o brilho foi se apagando novamente –mas,quando eu tinha 12 anos ela teve um infarto e morreu,eu achava que aquele seria o pior dia da minha vida,como eu estava enganada graças a isso fui morar com meu pai,ele era ex-policial,mas ele não era um policial bom,minha mãe me contou uma vez,no inicio parecia tudo normal até que ele começou a me dar uma atenção diferente da que um pai da pra sua filha,ele me olhava com malicia,com desejo – ela pausou novamente e me fitou – o que será que ele viu em mim,eu tinha doze anos,não tinha corpo de mulher,eu era magra como e sem curvas,como toda criança,eu nem tinha seios direito – ela respirou por um segundo e fitou o nada – foi ai que começou,aos poucos ele começou a me assediar,me chamava para sentar em seu colo,eu não queria ir mais ele me obrigava,me fazia sentar de costas para ele,enquanto ficava beijando meu pescoço.Eu conseguia sentir seu membro por cima da calça,ele estava ficando excitado com uma garotinha.Dali em diante so piorou,até que um dia ele finalmente fez o que tanto queria,ele entrou em meu quarto...rasgou minhas roupas...meu obrigou a fazer sexo oral nele...e depois... – ela parou,as lagrimas começaram a rolar pelo seu rosto,eu instintivamente a abracei,ela foi cedendo aos poucos e afundou a cabeça em meu peito.Acariciava seu cabelos enquanto ela ia se acalmando aos poucos.
–Não precisa continuar — falei, não queria causar mais Dora ela
–Eu nunca contei isso pra ninguém, nunca confiei em ninguém,você é a primeira pessoa em quem eu confio.Eu vou continuar,você nem imagina o peso que esta saindo de mim a cada palavra –eu desfiz o abraça,mas não me afastei dela – isso continuou até cinco meses atrás,menos de dois meses de tudo isso começar,ele me machucava quando eu me negava a fazer algo,tenho marcas iguais as suas em meus braços,passei a usar roupas longas para esconder as marcas,passei a odiar tudo e todos não tinha amizades e sinceramente não acredito mais na existência de um Deus.Mas continuando,a cinco meses atrás eu achei uma pistola que ele tinha guardada,uma Glock cromada,quanto ele veio ao meu quarto naquela noite,eu o ameacei mas ele não acreditou e continuou se aproximando,daí eu atirei em sua perna esquerda – ela sorriu de forma que qualquer acharia que Lea é uma psicopata – depois comprei outra igual caso precisasse.Bom essa é a historia das minhas marcas,e ai,você pode me concertar? –falou sorrindo divertida
–Se você permitir,posso colar cada pedacinho seu que quebraram – falei aproximando o meu rosto do dela.
–Ah é mesmo?E como pretende fazer isso? – falou de forma provocante
–Assim... – puxei seu rosto para mim e selei nossos lábios,um beijo calmo,doce.
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