Survivor
23 Capítulo 23 - Família
Notas iniciais
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Último capítulo! Mas guardarei as despedidas e agradecimentos para o epílogo.
Boa leitura!
Capítulo 23 — Família
"Família não troco por nada, e nem por ninguém, são partes de mim, partes do meu ser. São Pedaços do meu Coração."
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Bella Cullen
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A cada segundo transcorrido eu podia sentir a minha apreensão aumentando. E a impotência da situação parecia fazer tudo ainda pior. Não existia, absolutamente, nada que eu pudesse fazer, a não ser sentar e esperar.
Esperar que minha filha estivesse bem e de, certo modo, em segurança.
Esperar que quem quer que a tenha levado de nós entrasse em contato.
Esperar parar que eu pudesse abraçá-la mais uma vez.
Esperar.
Esperar.
Esperar...
E toda a espera estava me enlouquecendo.
Mais de 48 horas haviam se passado desde a última vez em que vi Jenny e eu, honestamente, não sabia se aguentaria mais tempo sem qualquer noticia, sem a certeza de que ela estava sendo, de alguma forma, bem tratada.
Por Deus! Minha filha ainda era apenas um bebê e por mais que eu tentasse encontrar alguma lógica para o seu desaparecimento, eu não conseguia entender porque alguém a levaria... Com qual propósito?
Eu olhei ao redor da minha sala de estar, vendo meu marido e seus familiares, assim como meu pai, dando voz aos mesmos pensamentos que me atormentavam e as lágrimas voltaram a minha face.
Não desejava aumentar ainda mais a preocupação que minha família já sentia, então dei as costas aos presentes e me posicionei de frente para a ampla janela. Eu olhei para os prédios vizinhos envolvidos pela negritude da noite e para as ruas vazias pelo avançar da hora e me questionei: em que local dessa grande cidade a minha filha estaria?
Eu senti os braços de Edward me envolver e não consegui conter um soluço angustiado.
– Você precisa dormir um pouco... – Ele disse em meu ouvido.
– Eu não consigo... – Respondi, ainda com os olhos presos no horizonte, como se a qualquer momento eu pudesse avistar a minha princesa voltando para casa.
– Você precisar estar bem e saudável para recebê-la quando ela chegar...
Eu me movi de forma a permitir que meu olhar encontrasse o dele.
– E se ela não voltar? – Eu mal tinha terminado a frase e já podia sentir a dor pela suposição trespassando o meu peito.
– Shii, babe! – Os dedos de Edward acariciaram o meu rosto, secando as lágrimas insistentes. – Ela vai voltar, Bella. Eu prometo! Eu vou trazê-la de volta...
...
– Eu não quero dormir... – Resmunguei após Edward ter insistido em me levar até o nosso quarto, me feito deitar em nossa cama e me oferecido um calmante. – Eu quero estar acordada no caso de termos alguma noticia.
– Por favor... – Ele insistiu. – Você precisa descansar...
Eu olhei para ele por um momento, analisando as olheiras que tinham se formando sob seus olhos azuis.
– Você também precisa...
– Eu vou ficar bem se souber que você está bem... – Ele voltou a me oferecer o medicamento. – Por mim.
Eu apanhei o pequeno comprido e o levei a minha boca.
– Não me deixa sozinha... – Pedi, me acomodando melhor entre os travesseiros.
– Eu vou estar bem aqui... – Ele prometeu.
...
Eu sentia a minha cabeça pesada e meus olhos se recusavam a se manterem abertos, ainda assim eu me obriguei a levantar. Não sabia exatamente há quanto tempo estive dormindo, mas os raios de sol que adentravam o cômodo através das janelas me diziam que já era um novo dia.
Edward não estava em qualquer lugar que eu pudesse ver, mas imaginei que poderia encontrá-lo na sala. Sem me importar com o fato de ainda estar sonolenta e nem um pouco apresentável, percorri o corredor de nosso apartamento até me deparar com Alice e Esme conversando baixinho na sala de estar. Eu me juntei a elas.
– Alguma novidade? – Perguntei ao mesmo tempo esperançosa e temerosa.
Elas se olharam por um instante.
– Ela ainda não voltou, Bella. – Alice respondeu com o olhar atento sobre mim. – Eu sinto muito.
Eu assenti e permiti que meu corpo tombasse de encontro a uma poltrona.
– Eu não sei se posso aguentar isso por mais tempo... – Sussurrei. – Eu só quero a minha filha de volta.
...
Alice tentou me convencer de que um tempo na banheira poderia me fazer bem, mas eu, realmente, não acreditava nos poderes calmantes dos sais de banho. De fato, a única coisa que poderia amenizar a minha apreensão seria sentir a mão do meu marido na minha, poder abraça-lo sabendo que compartilhávamos o mesmo medo de perder a nossa filha.
– Onde Edward está? – Questionei ao me dar conta de que não o tinha visto desde o momento em que me levantei.
– Eu não o vejo desde que vocês foram deitar... – Minha cunhada respondeu. – Eu imaginei que ele estivesse dormindo também.
Eu me coloquei de pé e, sem saber bem porque, corri até o antigo escritório dele, mas tudo o que encontrei foram os muitos papeis sobre o desfile de Alice espalhados sobre a mesa. A minha busca pelos demais cômodos da casa se revelaram tão inúteis quanto a que fizemos no salão de festa de onde Jenny foi levada.
Eu parei de frente a porta do quarto da minha filha, imaginando que o encontraria lá dentro, afinal era o único local em que eu ainda não tinha procurado, mas sem encontrar coragem para entrar... Era algo absurdo, eu sei, mas adentrar o quarto dela, sem que ela estivesse por perto, só me faria ter o medo de não encontrá-la novamente triplicar.
Respirando fundo, eu girei a maçaneta. Antes mesmo de dar o primeiro passo eu já sabia que Edward também não estava lá. O fato do quarto se encontrar com as luzes apagava me deixou saber isso. Ainda assim, eu caminhei até o berço de Jenny, rogando a todos os deuses existentes para que tudo não tivesse passado de um terrível pesadelo e eu a encontrasse adormecida.
Minha filha não estava lá, evidentemente. E antes que eu pudesse me conter, eu simplesmente tinha desabado. Literalmente. Eu me encolhi o máximo que pude e permiti que todo o desespero que eu estive tentando conter jorrasse sem restrição.
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Rosalie
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Adentrar o salão de festa onde acontecia o aniversário da filha de Edward e tirá-la de lá sem que ninguém notasse, se mostrou muito mais fácil do que eu imaginava, especialmente com a ajuda que tive. Ainda mais fácil do que tinha sido fingir o meu interesse por Emmett quando ainda estávamos casados.
Talvez eu até merecesse o prêmio de melhor atriz, já que enquanto foi do meu interesse, ninguém se quer cogitou a hipótese de que meu casamento não passava de um degrau para me levar até o grande prêmio.
Infelizmente, meus primeiros planos não ocorreram como deveriam, então eu tive que mudar de tática, estreitar, um pouco mais, os laços com os meus aliados... Tentar algo um pouco mais agressivo.
E ter Jennifer Cullen ao alcance de minhas mãos era tudo o que precisaria para, finalmente, ter o que desejei a vida toda: Edward.
Desde que eu me lembro, meu objetivo de vida sempre foi estar ao lado de Edward Cullen. Houve, inclusive, uma época — quando eu ainda era estúpida o suficiente para sonhar com finais felizes – em que eu acreditava, piamente, que tudo seria muito simples e previsível... Passaríamos de amigos a namorados e, como toda mulher apaixonada desejaria, nos casaríamos, teríamos tantos filhos quanto ele desejasse e ficaríamos juntos até que morrêssemos.
Infelizmente, todos os meus sonhos morreram antes mesmo de nascer. Edward nunca me olhou como uma mulher deseja ser olhada. Nunca, nem mesmo uma vez, eu pude provar dos seus beijos ou tê-lo sobre mim... E eu havia tentado de todas as formas conseguir essas pequenas coisas. Indiretas não surgiram efeitos, provocações e roupas sensuais também não. Nem mesmo uma bebedeira proposital foi capaz de me permitir tê-lo.
Mas mesmo com todas as minhas investidas fracassando, eu me conformaria em estar por perto, em vê-lo sempre... Apenas porque sabia que ele não dispensava atenção especial a nenhuma mulher, nem mesmo a Tania com quem se relacionou por tanto tempo, chegando até mesmo a ficarem noivos. Eles tinham um compromisso formal, era verdade, mas tal compromisso se manteve apenas como uma forma de Edward agradar ao pai. Para ele não faria a menor diferença se estaria casado ou não, muito menos com quem estaria casado. Tudo o que importava em sua vida era o trabalho e a família e ele faria qualquer coisa para agradar aos pais e aos irmãos. Tania sabia disso obviamente, mas era tola o suficiente para imaginar que seu amor por ele bastaria... E eu, bom, ainda poderia continuar a tentar seduzi-lo, casado ou não, afinal seu coração era território vago, apenas esperando para ser preenchido e eu sempre me recusei a acreditar que qualquer outra mulher, além de mim, pudesse conquistá-lo.
Tudo mudou quando ele conheceu aquela que decretaria o fim, definitivo, de todos os meus sonhos insistentes.
Eu ainda não saberia dizer o que ele viu nela, o que pode tê-lo encantado tanto a ponto de fazê-lo se voltar, inclusive, contra a sua amada família. Mas, a razão de sua súbita loucura por uma mulher qualquer e insignificante, não importa realmente... Não quando eu faria com que essa loucura fosse extinta. Por bem ou por mal.
Eu estava cansada de esperar, de emendar um plano no outro... De viver na esperança de um dia tê-lo. Edward seria meu... Ou não seria de mais ninguém.
Mas a julgar pelo amor desmedido que eu sabia que ele sentia pela filha – a única a quem ele, realmente, ama; eu sabia que, com o meu pequeno incentivo, ele seria capaz de enxergar claramente aquilo que sempre esteve diante de seus olhos: eu era a mulher certa para estar ao seu lado. E, como prova dos meus sentimentos por ele, até seria capaz de fazer o papel de boa mãe para a sua filha, embora detestasse crianças. Ele, certamente, não encontraria razões para se opor ao ver que eu tinha mantido a sua princesa, como ele gostava de se referir a Jenny, em segurança e muito bem cuidada.
Sabia que essa seria a minha última oportunidade e que nada poderia dar errado, então tive o cuidado de providenciar tudo o que fosse necessário para mimar a primogênita do homem que amo: roupas, brinquedos, todo o tipo de besteiras que crianças costumam gostar... Até mesmo cheguei a decorar um quarto para ela, na casa que havia alugado para começarmos uma nova vida juntos, como uma família. A família que eu sempre sonhei em ter.
Eu me aproximei do berço e fitei a criança adormecida, completamente alheia a forma como a sua vida seria modificada, definitivamente, em algumas horas. A bem da verdade é que ela tinha me surpreendido. Eu esperava uma criança birrenta, mimada, extremamente irritante, como a maioria das crianças costumam ser. Mas Jennifer... Bom, ela era estranhamente... doce. Durante todo o tempo em que estive com ela, ela quase nunca chorou e quando o fez, eu fui capaz de descobrir que o motivo das lágrimas era uma fralda suja ou fome. Talvez ela fosse nova demais para perceber que estava longe dos pais, ou talvez esse fato não fizesse diferença. Contrariando a minha personalidade, eu esperava, sinceramente, que a segunda opção fosse a correta. Afinal, no que dependesse de mim, ela não experimentaria o colo da mãe novamente. Nunca mais.
Dando as costas ao berço, eu apanhei o meu telefone celular e disquei alguns números. Estava na hora de dar andamento ao plano.
Até o final do dia, eu teria Edward.
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Edward Cullen
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Eu não cheguei a ser surpreendido quando o meu celular tocou, em plena madrugada, mais de 48 horas depois do desaparecimento da minha filha. O nome que piscava no visor também não era de tudo inesperado. De alguma forma, que eu não saberia bem explicar, eu já sabia, desde o momento em que não fui capaz de encontrar Jenny em sua festa de aniversário, que Rosalie estava, de algum modo, envolvida nisso. Era como se, no fundo, eu estivesse esperando pelo momento em que ela deixaria a máscara cair e se revelaria.
Talvez tenha sido essa certeza que me fez interromper o seu cumprimento meloso – o mesmo ao qual ela sempre me submetia quando ninguém mais estava por perto – e dei voz as minhas suposições.
– Onde está a minha filha? – Tive o cuidado de me afastar da sala de estar onde Bella, Charlie e os meus familiares estavam.
Se eu estivesse enganado, não pretendia alarmá-los.
– Ahhh Eddy, nem um “Olá”? Ou melhor, “Eu estou com saudade”... Assim eu vou acabar pensando que você não está feliz em falar comigo. E você deveria estar feliz, não é?
– Rosalie... – Eu tenho certeza que ela foi capaz de ouvir o asco em minha voz. – É um péssimo momento para as suas malditas brincadeiras. Se você tem algo a dizer, diga logo.
– Esse é o problema, Edward. – Eu, praticamente, senti o meu estomago embrulhar com o tom sedutor que ela usava. – Você sempre pensa que eu estou brincando... Ou prefere fingir que é assim. Mas, a verdade é que eu nunca falei mais sério do que quando disse a você como me sentia. Vamos lá, você sabe muito bem que eu sempre quis você.
– Pelo amor de Deus, você é esposa do meu irmão.
– Não sou mais! – Ela rebateu imediatamente. – E, de fato, nunca fui de verdade. Você sabe que tudo não passou de uma forma de me manter ao seu redor. Eu o teria deixado no segundo seguinte em que você me pedisse.
– Quantas vezes mais eu vou precisar repetir que não existe possibilidade de que isso aconteça?
– Você pode continuar mentindo para si mesmo o quanto quiser... Em algum momento, você será meu, Edward. E esse momento está cada vez mais perto.
– As suas fantasias não me interessam. – Disse antes que ela levasse essa conversa indesejada a um nível ainda mais insuportável. – Como eu já lhe disse, inúmeras vezes, eu e você nunca ficaremos juntos. Nunca!
– Eu acho que você pode mudar de ideia quando ver o quanto a sua princesa gostou de mim...
Eu senti o meu estomago embrulhar. Antes eu tinha apenas uma suposição, nascida da certeza que sempre tive, de que um dia Rosalie mostraria a todos que ela era capaz de tudo pela sua obsessão; agora, no entanto, eu tinha certeza de que Jennifer estava com ela e a certeza de que a minha ex-cunhada seria capaz de qualquer coisa para ter o que queria foi confirmada. Tal certeza, só me fazia temeroso pelo bem estar e segurança da minha filha.
Foi apenas o medo de que alguma coisa acontecesse ao meu bem mais precioso, por minha culpa, que me impediu de esbravejar e obrigá-la a entender que nunca poderíamos ficar juntos. Porém, naquele momento, por mais que me doesse, eu precisava ser racional... Ao menos até ter Jenny de volta aos meus braços. E foi essa racionalidade que me fez acatar as imposições de Rosalie e aceitar me encontrar com ela, em troca de minha filha ser devolvida ilesa.
...
Sair de casa foi difícil. Eu me sentia, de uma forma inexplicável, dividido. Dividido entre ir ao socorro da minha filha e deixar a minha mulher sozinha. Sem sombras de duvida, Bella já tinha provado a sua força e capacidade de superação, mas vê-la tão fragilizada com o desaparecimento de nossa filha me cortava o coração. E ainda existia um sentimento estranho, indesejado, pesando em meu peito... Algo que me fazia acreditar que deixá-la sozinha, mesmo que estivesse em segurança em nosso apartamento e cercada por pessoas de mais alta confiança, não era uma decisão sabia.
Mas o que mais eu poderia fazer? Não poderia confrontar Rosalie com Bella ao meu lado... Isso só tornaria tudo pior. Para todos. Especialmente para Bella que tem sido mantida no escuro, no que diz respeito ao sentimento indesejado e obsessivo que Rosalie mantém por mim.
Eu quase não fui capaz de deixar o quarto depois de ouvi-la me pedir para ficar com ela, depois que eu consegui convencê-la a tomar um calmante e dormir um pouco. Precisei encontrar forças ao imaginar que a faria muito mais feliz se Jenny estivesse ao seu lado quando seus olhos se abrissem.
Pela primeira vez em minha vida, eu proferi uma prece, pedindo proteção, não para mim, mas para aquelas sem quem eu não poderia viver e, respirando fundo, rumei em direção à sala.
Eu já tinha aberto a porta quando senti uma mão repousar sobre o meu ombro. Por um momento, meu coração falhou e eu imaginei que meu plano de sair sem que Bella soubesse não teria funcionado.
– Baby, você, realmente precisa dormir um pouco... – Disse, enquanto tentava pensar em algo que justificasse a minha saída inesperada, ainda sem encontrar coragem de me mover. Eu não conseguiria mentir para ela e ela seria capaz de ver em meus olhos que algo estava errado.
– Sou eu, filho... – Um pequeno suspiro de alivio escapou por meus lábios quando a voz de minha mãe soou baixo.
– Mãe... – Me obriguei a olhá-la. – Eu pensei que estivesse dormindo.
– Todos foram descansar um pouco, mas eu duvido que consigam dormir. – Ela sussurrou.
– Eu precisei dar um calmante a Bella... – Confessei, me sentindo péssimo pelo ato, ainda que tenha sido motivado por um bom motivo.
– Você fez bem. – Minha mãe me ofereceu um sorriso gentil e o conforto do seu abraço. – Mas você não deveria tentar dormir um pouco também?
– Eu... Eu preciso sair por um momento.
– Você vai me dizer para onde vai?
Tudo o que eu fiz foi negar com um movimento de cabeça.
– Você vai ficar bem? Dará noticias? – Ela me questionou como se, de alguma forma, soubesse o que eu estava a ponto de fazer. Talvez fosse o famoso instinto materno.
– Eu vou ficar bem. – Garanti antes de me desvencilhar de seu abraço e voltar a me preparar para sair.
– Edward? – Ela chamou antes que eu pudesse deixar o apartamento. – Eu te amo, filho! Não importa o que aconteça... Só não se esqueça disso.
– Eu também te amo, mãe! – Respondi sinceramente. Não importa o que tenha acontecido no passado, esse era um sentimento que não tinha mudado. – Cuida dela para mim.
...
Eu encontrei o endereço que Rosalie tinha me passado como facilidade, embora ficasse a quilômetros de distancia, do outro lado da cidade, completamente afastado da costumeira movimentação que tomava conta da capital do país.
Um novo dia estava nascendo e tudo o que conseguia fazer era ficar parado, dentro do meu carro, olhando para fachada da casa a minha frente, imaginando o que eu encontraria lá dentro. O medo de que alguma coisa saísse errado me paralisava.
O vibrar do meu celular me despertou do torpor.
– Você vai se sentir muito melhor aqui dentro, Eddy. Comigo te aquecendo... – Rosalie me disse assim que aceitei a ligação.
Eu não respondi. Respirei fundo, encerrei a ligação e deixei o carro... Não sem antes enviar uma mensagem a Emmett, com o endereço de onde estava. Ele entenderia.
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Narrador
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Enquanto caminhava em direção à porta da casa onde imaginava reencontrar a sua filha e pôr fim, de uma vez por todas, na perseguição sem sentido de sua ex-cunhada, Edward foi capaz de sentir o aperto em seu peito, proveniente do sentimento novo e irreconhecível a ele que havia nascido no momento em que se preparava para sair, ganhar força. Por um momento, o médico parou, levou a mão ao peito, fechou os olhos e o nome de sua esposa lhe veio à mente. Desejou estar com ela, abraça-la, beijá-la, lhe dizer o quanto a ama... E era, exatamente, o que ele faria, assim que tivesse Jennifer consigo. Pai e filha voltariam para casa, para os braços daquela que foi responsável pelo surgimento da família que compunham e seriam felizes... Ao menos esse era o desejo maior de Edward e poderia ser assim tão fácil se ele não tivesse se deixado levar, mais uma vez, por uma decisão equivocada.
No exato momento em que a porta era aberta, cedendo passagem ao recém chegado e revelando uma estonteante loira vestida de forma provocante, relevando mais do que cobrindo, o perigo real começava a ser revelar do outro lado da cidade.
...
Bella ainda estava encolhida em um canto afastado no quarto de sua filha. Por um momento, graças a exaustão do choro compulsivo, tinha sido capaz de esquecer o enigmático sumiço de seu marido, embora em seu intimo ainda sentisse sua falta, tanto quanto sentia de sua primogênita.
Foi à chegada de outra pessoa que a arrancou do torpor, fazendo com que a mãe preocupada com sua filha, erguesse o rosto, na vã esperança de que seus olhos pousassem sobre as pessoas mais importantes de sua vida.
O recém-chegado não era quem ela mais ansiava por ver, mas a presença lhe trouxe certo conforto. De certa forma, era bom saber que não estava sozinha. Boa companhia era tudo que lhe restava até que o grande problema que tinha se lançado sobre ela se revolvesse.
Bella se sentia apática, nostálgica e incapaz. Gostaria de poder agir, fazer algo para que tudo voltasse a estar bem, em vez de se sentar e esperar por uma solução, por essa razão, aceitou de bom grado a sugestão de se recompor para que pudesse, juntamente com a pessoa gentil que lhe estendia a mão, caminhar, mais uma vez, ao redor do local escolhido para a festa em comemoração ao primeiro ano de Jennifer, na tentativa de encontrar alguém que fosse capaz de lhe indicar o paradeiro da menina. Enquanto caminhava até o seu quarto, Bella soube que os demais companheiros de apreensão tinham se retirado por um momento, com a finalidade de se recuperarem das horas mal dormidas em suas próprias residências. A informação a motivou a deixar também o apartamento. O silêncio do local, antes sempre agitado com a costumeira energia de uma criança, a deprimia.
Seus movimentos eram mecânicos e sem vida, talvez por isso ela tenha demorado para notar a presença da terceira pessoa em seu quarto, displicentemente recostada próximo a janela, observando um porta-retratos com uma bonita imagem da família.
– Eu não posso negar que formam uma bela família. – Bella reconheceu a voz de imediato e se voltou em direção ao indesejado visitante que tinha se infiltrado em seu recanto, pretendia xingá-lo, ameaçá-lo e por fim, colocá-lo para fora de sua casa, mas seus movimentos foram paralisados diante da fúria evidente e mã contida dirigida a si através de um par de fulminantes olhos azuis.
...
Rosalie tinha um belo sorriso no rosto ao ver Edward adentrar a sua nova casa. Sentia-se triunfante por tê-lo ao alcance de suas mãos e imaginava que agora que tinha chegado até esse ponto, nada mais a impediria de realizar o sonho que tinha desde menina: viver um romance fantasioso com o homem parado a sua frente.
Edward, por sua vez, achava toda aquela situação absurda. Os trajes sumários de sua ex-cunhada não foram capazes de excitá-lo e a forma sedutora como ela tentava ganhar a sua atenção, chegava a ser deprimente. Ele se apiedaria dela, se ela não tivesse lhe roubado a sua filha e estivesse disposta a chantageá-lo.
– Onde está a minha filha? – Ele disse tentando se livrar das mãos pegajosas de Rosalie que insistiam em percorrer o seu peito.
– Longe de você... – Ela respondeu, tentando moldar o seu corpo ao de Edward. – E continuará longe se você não me fizer um pouquinho feliz.
Embora o asco por toda aquela situação surreal fosse quase insuportável, Edward permitiu que a loira, que até pouco tempo era casada com seu irmão, colasse seu corpo ao dele e trincou o maxilar ao sentir beijos molhados sendo distribuídos por seu pescoço.
– Eu quero vê-la, Rose. – Foi com bastante esforço que a voz masculina saiu gentil e suplicante. A encenação não agradava o médico, mas era necessária... Ao menos, por enquanto. Precisava se certificar de que sua filha estava e permaneceria bem. – Nós podemos conversar depois.
– Ahhh não, Eddy! – Rosalie discordou manhosa. – Eu esperei tanto por isso.
– Seja boazinha e eu vou fazê-la muito feliz... – Para emprestar um pouco de veracidade a declaração completamente falsa, Edward apertou a cintura fina e acariciou as costas femininas.
Rosalie praticamente derreteu em seus braços. Por um breve momento Edward se sentiu mal por ela. Sempre esteve consciente da atração que despertava nela e um pouco depois de ter retornado de suas férias no Brasil, foi bombardeado por declarações de amor da mulher que deveria se casar com seu irmão.
Edward não tinha certeza se o sentimento que Rosalie alegava sentir era real ou apenas uma épica pirraça por não ter tido aquilo que queria, mas vê-la implorando por um afago dele e vislumbrar o brilho nos olhos azuis por uma promessa que nunca seria cumprida o fazia se sentir o cafajeste que ela sempre o acusou de ser.
Ele tinha sido um jovem adulto irresponsável, inconsequente, que sabia o efeito que tinha sobre algumas mulheres e usava isso a seu favor. Nunca tinha se preocupado se havia deixado para trás, após as suas noites regadas a sexo com estranhas, algum coração partido. Por muito tempo foi noivo de uma mulher que não amava, que não o satisfazia e nunca, realmente, se sentiu culpado pelas inúmeras vezes em que enganou a sua noiva. A única coisa que o havia impedido de ter incluído Rosalie em sua lista de conquistas, foi o interesse evidente de seu irmão por ela, mas precisava confessar, para si mesmo, que seu ego era enaltecido ao ver a forma como a cunhada costumava sussurrar propostas indecorosas em seu ouvido. Para Edward, naquela época, o jogo de gato e rato que protagonizavam era divertido e como ele não pretendia dar o passo definitivo, não causaria mal a ninguém. Em resumo, ameaçava dar a Rosalie o que ela tanto queria, mas sempre recuava no momento derradeiro.
Hoje, Edward conseguia ver, claramente, o quanto tinha sido tolo e insensível. Foi apenas após se apaixonar por Bella que percebeu o quanto é doloroso ser obrigado a ser manter afastado da pessoa que ama. Gostaria de poder voltar no tempo e ter colocado um fim nas fantasias de Rosalie quando isso ainda era possível. Agora, precisava lidar com as consequências de uma obsessão amorosa que nunca desejou, mas de certa forma, alimentou. Poderia, e deveria, ter impedido o casamento do irmão, já que sabia que ele não era amado pela futura esposa, mas nada fez por medo de perder a confiança de alguém tão importante para ele. Como explicaria que Rosalie só aceitou os beijos, a dedicação, o amor de Emmett na infame tentativa de ganhar o coração de seu irmão?
A mulher passou os braços pelo pescoço masculino e sorriu de forma sincera.
– Eu te amo! – Ela disse com a voz embargada pela emoção de, finalmente, estar onde imaginava ser o seu lugar. – Eu esperei tanto tempo por isso.
A declaração emocionada pegou Edward de surpresa e a culpa por ter alimentando o que nunca poderia ser vivido o fez manter-se indiferente quando os lábios carnudos de Rosalie se grudaram ao dele. Ele não correspondeu o beijo, mas também não se afastou. Não sentia absolutamente nada pela mulher em seus braços, exceto pena.
Rosalie não se importou pela indiferença, era apenas uma questão de tempo até que ele se entregasse como ela sempre desejou. Estava feliz, como nunca tinha estado antes.
– Primeiro, Jenny... – Edward disse, após prender seus dedos nos cabelos louros e afastar a boca indesejada da sua.
Ela concordou submissa pela felicidade de um contato efêmero e falso.
Os dois subiram os degraus da casa estilo colonial que havia sido comprada e decorada por Rosalie na esperança de que seus sonhos ganhassem vida e adentraram em um quarto iluminado apenas pelos raios de sol.
Edward sentiu seu coração inflar de alegria ao pousar seus olhos sobre sua filha adormecida. Lágrimas de alivio brotaram em seus olhos.
– Jenny... – Ele sussurrou, aninhando a menina sonolenta em seus braços. – Como eu senti sua falta, filha!
– Eu disse que ela estava bem... – Rosalie interrompeu o momento paternal, lembrando-o da conversa que tiveram pelo telefone há algumas horas. – Cumpri minha parte no combinado. Agora é a sua vez...
Edward observou a forma como Rosalie sorriu para ele e embora o remorso e a piedade ainda o golpeassem, tinha chegado a hora de pôr um fim no que nunca deveria ter existido.
– Rose... – Ele começou gentil e apertou um pouco mais os seus braços ao redor da filha. – Isso nunca vai dar certo.
Por um momento, tempo suficiente para que Edward caminhasse até a porta do quarto, Rosalie pareceu não entender o sentido do que tinha acabado de ouvir.
– Mas você... – Ela começou a dizer insegura. – Aonde você vai? – A apatia a deixou no momento em que Edward se afastava ainda mais.
– Deus, Rose! Não torne isso pior do que já é. Você sequestrou a minha filha, me chantageou e acha mesmo que eu poderia ceder aos seus avanços? – Tinham chegado à sala de estar e Edward já podia se sentir seguro. – Eu sinto muito... – Prosseguiu sinceramente. – Sinto muito se em algum momento alimentei as suas fantasias. Sinto muito que tenha sido assim... Mas eu e você? Nós nunca existimos e nunca vamos existir. Eu amo a minha mulher e nem você ou qualquer outra pessoa será capaz de mudar isso.
As palavras sinceras só inflaram a insanidade da mulher rejeitada e se Edward não tivesse se movido com rapidez suficiente, um jarro teria atingido-o ou a sua filha.
O movimento assustou a pequena Jenny que começou a chorar.
– Você é meu, Edward! – Rosalie gritou e se colocou entre a porta de saída para onde Edward pretendia seguir. – Você não vai a lugar algum.
– Seja racional, Rosalie. – Edward pediu, tentando acalmar a filha, mas com o olhar preso na mulher a sua frente. – Toda essa loucura não nos levará a lugar nenhum.
– Não, não, não! – A mulher começou a repetir, visivelmente, transtornada. – Eu esperei muito por isso... Eu fiz tudo. Tudo!
Edward deu um passo atrás quando viu que ela tencionava se aproximar, receoso da reação que ela poderia ter. Felizmente, o barulho de sirenes se aproximando paralisou os movimentos de Rosalie.
– Você mentiu para mim! – A dor por uma imaginaria traição era clara na voz feminina.
– Você, realmente, acreditou que eu viria até aqui sem avisar ninguém? – Edward disse compadecido pela dor refletida no olhar lacrimejante que o fitava. – Você estava com a minha filha.
– Eu cuidei dela!
– Você a sequestrou! – Edward acusou precisamente. – Eu ainda não consigo acreditar que você imaginava que conseguiria o que queria agindo assim. Roubá-la de nós só me fez detestá-la. Como eu poderia ficar com uma mulher capaz de afastar um bebe dos seus pais?
Os dois adultos e a criança que ocupavam a casa forma capazes de ouvir as batidas na porta e os gritos dos policiais, mas nenhum deles se moveu em direção à porta. Tudo o que Rosalie fez foi apanhar outro vaso que Edward imaginou que seria arremessado em sua direção, mas de dentro dele a loura retirou uma faca afiada.
O médico, temendo por qualquer movimento motivado pela insanidade da ex-cunhada, se afastou o máximo que podia.
– Você e ela... – Rosalie voltou a dizer, com a voz embargada pelo choro. – Nunca ficarão juntos. Não serão felizes como você sonha... – Os olhos de Edward deixaram a face feminina marcada pelas lágrimas e se fixaram na faca apontada em sua direção. – É tarde demais para vocês. Tarde demais para nós dois, para mim.
No preciso momento em que a porta era arrombada, Rosalie levantou a faca o mais alto que pode e a cravou em seu próprio peito.
Edward teve o cuidado de tampar os olhos de sua filha, enquanto assistia o corpo, agora estirado ao chão, ser cercado por policiais e paramédicos.
No fundo sabia que Rosalie não mais se levantaria, mas uma parte dele desejou que estivesse enganado e que o final desse trágico encontro tivesse sido diferente.
Sem um segundo olhar à mulher que morreria com os olhos presos nele, Edward deixou a casa. Encontrou-se com seu irmão e os três, Edward, Emmett e Jenny, se abraçaram. Edward ainda tinha muito o que explicar e pelo o que pedir perdão, mas naquele momento tudo o que desejava era aproveitar a alegria momentânea por todos que amava estarem bem.
Ele pensaria e agiria diferente se soubesse o que se passava em seu apartamento há quilômetros de distância.
...
Bella sustentou o olhar de seu sogro, embora alguma coisa a fizesse se sentir incrivelmente desprotegida.
– Como você entrou aqui? – Ela conseguiu perguntar. – O que quer aqui?
Carlisle lançou um olhar significante a Esme que estava parada ao lado da nora e sorriu.
Sem conseguir disfarçar a incredulidade, Bella se dirigiu a mãe de seu marido com evidente horror.
– Você o deixou entrar? Por quê?
– Porque já era hora de acabar com toda essa encenação... – Esme respondeu indiferente e se afastando da nora completamente surpresa, se aproximou de Carlisle, e aceitou o beijo que ele lhe oferecia.
Bella assistiu a troca amorosa dos dois, sentindo-se completamente atônica e, em menor escala, tola por não ter duvidado da separação do casal parado a sua frente. De fato, a união dos dois pouco importava a Bella, embora não confiasse em Carlisle e o quisesse longe de sua casa e família, o que a chocava era o trabalho que os dois tiveram em fingir uma separação que agora ela podia ver nunca tinha, realmente, acontecido.
– Por quê? – Sussurrou.
– Eu nunca fui homem de negar minhas ações... – Carlisle começou, em tom confidente. – Por isso, nem mesmo passou pela minha cabeça negar as suas acusações quando Edward foi até o meu escritório cobrando explicações. Mas, assumir as consequências por meus atos, me afastou de tudo e todos e eu precisava de alguém em que pudesse confiar próximo o suficiente para me manter informado.
– Você mentiu para nós esse tempo todo? – Bella não foi capaz de disfarçar a descrença ao fitar o rosto amoroso da mulher que tinha aprendido a confiar e querer bem.
Tudo parecia surreal demais e se tornou ainda mais inacreditável quando uma súbita e massacrante suspeita a assolou.
– Jenny... Vocês...
– Ela está bem. – Esme garantiu, sem se comover com as lágrimas que brilhavam nos olhos verdes da esposa de seu filho. – Cuidamos para que ela fosse tão bem tratada como merece... Apenas precisávamos de uma distração. Sei que se importa com ela e é justamente por isso, que vai ser racional e aceitar os nossos termos.
Bella estava longe de ser sentir racional, mas estava sozinha diante de um inimigo, ou melhor, de dois, e embora temesse pelo o que eles tivessem a dizer, sempre seria capaz de qualquer coisa pela filha.
– Eu... – Tentou dizer, mas foi impedida de continuar pela aproximação de Carlisle.
– Eu lhe fiz uma proposta generosa uma vez... E, como prova da minha boa vontade, vou refazê-la. Se afaste! – Bella estremeceu ao sentir um dos dedos de Carlisle deslizar por seu rosto. – Não precisa ir muito longe... Eu ainda a quero por perto, apenas longe o suficiente de Edward.
Um tapa estalado afastou a mão que a acariciava.
– Naquela vez a minha resposta foi não e continua sendo não.
– Naquela vez você não tinha uma filha que nunca mais verá se nos disser não... – Esme se aproximou.
– Se você não causar problemas, poderá ter noticias dela e, talvez, eu até deixe que você a veja, de longe, algumas vezes. – Carlisle ofereceu com um sorriso, como se isso fosse o suficiente para convencer uma mãe a abandonar a filha, uma esposa a partir sem o marido. – Se você for boazinha e me deixar feliz. – A mão dele voltou a tocá-la, agora deslizando por seu braço e Bella sentiu seu estomago embrulhar com a sugestão maliciosa do toque.
– Deus! Você é asqueroso! – Acusou. – Vocês dois! Então eu não sirvo como esposa do seu filho, mas você pode vir até aqui e fazer insinuações doentias?
– A principio tudo o que eu queria era mandá-la para o mais longe possível. Nunca lhe quis mal de verdade. Mas, preciso reconhecer que sua garra, perseverança... Me despertou algo. Você não tem os atributos necessários para ser uma Cullen, mas nada a impede de aquecer a minha cama.
A mão feminina estalou com força contra a face de seu sogro. Bella imaginou que sua ação desencadearia a fúria do homem, mas Carlisle apenas agarrou seus braços e a manteve presa.
– É disso que eu estou falando... Toda essa volúpia. Eu mal posso esperar para saber o quão divertidas podem ser as minhas noites tentando te domar.
Atônica, Bella assistiu a investida nada inocente do seu sogro e esperou por alguma reação de Esme que a livrasse do contato asqueroso, mas tudo o que encontrou no rosto de sua sogra foi um sorriso discreto. Nenhuma ajuda.
– Eu acho que será muito mais divertido do que a frigidez de Rosalie... Me diga, Bella, foi assim que você enfeitiçou o meu filho?
Isabella tentou se soltar, mas o aperto de Carlisle em seus braços a mantinha cativa e o contato forçado lhe roubava as forças.
– Você terá que me matar antes de conseguir o que quer... — Desafiou se debatendo. Os movimentos impensados dela, apenas ajudou para que seu algoz tornasse o contato ainda mais intimo e repugnante.
Com os olhos repletos de lágrimas, Bella se voltou para Esme.
– Como você pode se aproximar, e compactuar com tudo isso?
– Como você pôde se aproximar e desestruturar minha família? — O tom de voz de Esme deixou o tradicional tom acolhedor, mostrando-se mais seco, até um tanto vil — Você procurou o que está recebendo.
Um arrepio gélido tomou o corpo de Bella, afinal de contas, a presença de Esme era a única segurança que tinha que nada mais sério aconteceria.
Então, ajudando o marido a segurar a nora que continuava a tentar se livrar do aperto de ferro em seu braço, Esme avisou:
– Ele vai voltar logo... Já demoramos demais.
– É uma pena que você não tenha colaborado... Seria bem mais fácil para você. – Carlisle sussurrou enquanto arrastava Bella para fora do quarto.
Ao perceber que eles pretendiam levá-la do apartamento, Bella recomeçou a lutar com todas as suas forças. Seus braços estavam presos, mas ela ainda podia usar as pernas para desferir chutes imprecisos e ainda podia gritar por ajuda, embora soubesse que estavam sozinhos.
Sua histeria foi tamanha que antes mesmo que alcançassem a sala de estar, Carlisle foi obrigada a parar e tentando conter a mulher que se defendia, desferiu alguns tapas contra o rosto feminino.
Seu rosto ardia, mas Bella não se importou. Aproveitou que seus braços estavam livres e empurrou seu algoz, criando assim um pequeno espaço por onde conseguiu passar. Correu em direção a sala até alcançar o telefone e, se utilizando da discagem rápida, ligou para Edward. Não teve tempo de saber se sua ligação foi ou não completada, já que Esme se aproveitou do segundo de distração de Bella e conseguiu derrubá-la com uma pancada na cabeça.
As pernas de Bella cederam e ela caiu de joelhos, levou a mão à cabeça, atordoada pela a dor, e a sentiu pegajosa ao ser banhada pelo sangue que escorria do ferimento provocado próximo a sua testa. Pensou em desistir, mas então seus olhos encontraram uma bela foto de Jenny nos braços do pai e a imagem das pessoas mais importantes de sua vida, lhe trouxeram forças o suficiente para continuar a lutar até que a exaustão a dominasse.
Esme e Carlisle tinham conseguido, finalmente, dominar Bella, mas olharam ao redor, para a sala parcialmente destruída, e perceberam que o seu plano de simular uma fuga de uma pessoa desestabilizada emocionalmente não poderia mais ser colocado em prática.
Obviamente, Carlisle ainda tinha uma carta na manga e pretendia colocá-la em jogo, quando Esme, irracionalmente, destruiu qualquer chance de sucesso para ambos.
Sentindo a raiva cegá-la, Esme voltou a se aproximar da jovem mulher encolhida no chão e passou a chutá-la.
– Desgraçada! – Vociferou e continuou a agressão covarde , embora Carlisle tenta tentado contê-la.
Bella tentou usar os braços para se proteger e encolhia-se a cada golpe novo. Desejou que pudesse ver Jennifer e Edward uma última vez, mas ao mesmo tempo estava contente por eles não estarem ali para presenciarem tal cena. Jenny era apenas um bebê e não merecia ter a sua inocência maculada por uma ação tão covarde e Edward... Edward teria seu coração despedaçado se soubesse que não só seu pai era o monstro que ele se recusou a acreditar por um longo tempo, mas que sua mãe também era feita do mesmo material perverso.
...
Edward estava a caminho de casa, feliz por ter sua Jenny sã e salva em braços e expectante por reencontrar a sua esposa e ver o lindo sorriso que ela abriria ao rever a filha. Emmett o acompanhava e, estranhamente, estava calmo e bem humorado como sempre, embora Edward tivesse lhe contado, absolutamente, tudo sobre o seu derradeiro encontro com Rosalie.
– Eu a amei, cara. Muito. – Ele tinha dito ao irmão, após as confissões. – Mas há muito tempo desisti de ser correspondido. Há muito já tinha percebido o que a ligava a mim... Apenas me recusava a ver.
Edward imaginava que no fundo o irmão estava sofrendo pela morte da ex-mulher, mas nenhum dos dois poderia negar que a morte de Rosalie colocaria um fim a era negra que os irmãos viviam ultimamente.
Com um sorriso no rosto, Edward acomodou Jennifer melhor em seu colo, enquanto seu irmão dirigia e apanhou seu celular que começava a tocar. Avistou o número de sua casa e se sentiu bem por poder dizer a sua mulher que estava há poucos minutos de casa, com a filha deles em segurança.
Sua felicidade deu lugar à apreensão no momento em que ouviu os gritos de Bella em resposta a sua saudação amorosa. Não fazia ideia do que, de fato, acontecia, mas sabia que algo estava errado e que Bella precisa de sua ajuda.
Os poucos metros até o prédio imponente onde o casal vivia pareceu se transformar em infinitos quilômetros e após saltar do carro, entregando Jennifer ao irmão, Edward correu o mais rápido que pode escadas a cima.
A cena que encontrou ao adentrar o seu apartamento, o desestabilizou. Ele estava vagamente ciente da presença de Carlisle e Esme,embora ainda não conseguisse processar o que, de fato, havia ocorrido em sua ausência, mas o que roubou sua atenção foi o corpo encolhido e desacordado de Bella no canto mais afastado da sala. Edward correu até ela e se abaixou tencionando acudi-la, quando em um movimento de fúria, sem realmente perceber que seu filho servia como um escudo humano, Esme desferiu um golpe que pretendia ser fatal. A faca que tinha sido apanhada na cozinha era dirigida ao coração da nora que tanto odiava, embora o único crime pelo qual ela estivesse sendo julgada fosse amar Edward acima de tudo, mas acabou acertando aquele por quem lutavam. Edward levou as mãos trêmulas até o corte em sua nuca e com o olhar incrédulo não foi capaz de acreditar que aquela que lhe tinha dado a vida era a mesma que tentava roubá-la.
Ainda foi capaz de ver seu pai empurrar a mulher em choque, ainda com a faca nas mãos, para longe e se ajoelhar ao seu lado e começar a trabalhar em estancar o corte que insistia em expelir o fluido vital. Edward agarrou a mão da mulher que amava e ainda se encontrava desacordada e a apertou o máximo que pode.
– Bella... – Ele pensou, se esforçando para manter os olhos abertos. – Eu te amo.
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Bella Cullen
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Mais de duas semanas tinham se passado desde o fatídico dia em que Esme se revelou a pior inimiga que eu sequer imaginava ter. Tinham sido dias longos, dolorosos e cansativos.
Fisicamente, eu já estava completamente recuperada, mas imaginava que jamais me recuperaria do choque emocional por ter sido atacada por alguém em quem confiava e ver a pessoa que tanto amo entre a vida e a morte... Situação essa causada por sua própria mãe.
Com muito afinco, eu tentava não pensar muito nas sequelas emocionais que me acompanharia pelo restante da vida, especialmente por saber que as minhas cicatrizes não eram nada se comparadas aquelas que Edward e seus irmãos carregariam.Seus pais tinham sido presos em flagrante por dupla tentativa de homicídio, tudo o que eles conheceram como família tinha sido destruído... Os três se recusavam a falar sobre o ocorrido, insistiam que para eles os pais estavam mortos, mas eu sabia que a ferida ainda era muito recente. Seria necessário tempo até que tudo fosse cicatrizado.
Tudo o que eu podia fazer pelos três irmãos era mostrar que não importa o tempo que levasse eu estaria bem ao lado do meu marido e cunhados, ajudando-os a se reerguerem. Isso era o que uma família de verdade faria.
...
Felizmente, Edward também se recuperava bem fisicamente e hoje ele, finalmente, teria alta. Poderíamos deixar o hospital juntos, de cabeça erguida e recomeçar. Eu sabia que ainda teríamos muito o que processar e aprender a lidar, mas, felizmente, estávamos livres de nossos inimigos e juntos, como deveria ter sido desde o início. Isso era tudo o que precisávamos para seguir em frente.
Eu acomodei Jenny da melhor forma possível em meu colo e com um sorriso entramos no quarto em que Edward tinha estado nos últimos dias. Ele abriu um sorriso lindo ao nos ver e abriu seus braços para nós. Não me fiz de rogada e aceitei o abraço ofertado.
Passamos longos minutos assim, apenas apreciando o calor e carinho do outro, até que Jennifer decidiu que já tínhamos o bastante e começou a choramingar. Sorriamos para a nossa filha e com um movimento sutil, unimos as nossas mãos, ainda necessitando do máximo de contato possível.
– Eu tive tanto medo de perdê-las... – Edward confidenciou em voz baixa, enquanto brincava com meus dedos.
– Eu também. – Confessei. – Quando acordei e você... Eu pensei que nunca mais o teria.
Edward voltou a me puxar para um abraço.
– Não perdemos nada! –Ele sussurrou em meu ouvido. – Estamos juntos e bem... E tudo o que quero agora é que sejamos felizes.
– Você é tudo o que preciso para ser feliz... – Sorri carinhosamente para ele. – Você e Jenny.
– Então, nosso “felizes para sempre” pode, enfim, começar...
– Não há nada que eu queira mais. – Concordei.
Uma hora mais tarde deixávamos o hospital juntos, com Jennifer dando seus pequenos e hesitantes passos entre nós e suas mãozinhas firmemente presas nas nossas.
Tínhamos percorrido um longo e tortuoso caminho até aqui. Boa parte dessa viagem tinha sido vivida em meio a lágrimas, solidão e tristeza, mas no fim o maior de todos os sentimentos mostrou sua força. No fim, tudo o que vivemos nos tornou mais fortes, mais seguros, prontos para viver e compartilhar toda a intensidade do nosso amor. No fim, eu percebi que tinha sido sim uma sobrevivente, não por sobreviver a uma depressão, a um parto de risco e a uma tentativa de assassinado, era uma sobrevivente porque tinha sobrevido à voracidade do mais sublime e inebriante dos amores. Eu tinha sobrevivido a minha própria derrocada e renascido para ser aquilo que sempre sonhei em ser: Uma mulher feliz, realizada e amada.
E tudo o que eu tinha, finalmente, me tornado, era por Edward. Hoje e sempre, seria por Edward.
FIM!
Notas finais
Ainda teremos o epílogo que irá funcionar como um extra, apenas um gostinho da merecida felicidade do casal protagonista, mas a história que eu me propus a contar acaba aqui.
É difícil ter que se despedir...
Mas guardarei todas as lágrimas e os vários agradecimentos que tenho para fazer para o nosso próximo encontro, que deve ocorrer em 2 ou 3 dias. Talvez antes, se tudo ocorrer bem.
Nos vemos em breve.
Por favor, me deixem saber o que acharam.
xoxo
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