Survivor
19 Capítulo 19 - WON’T YOU SAVE ME
Notas iniciais
CAPÍTULO 19 – WON’T YOU SAVE ME
"Repentinamente o céu está caindo
Poderia ser tarde demais para mim?
Se eu nunca disse "Me perdoe"
Então estou errado, sim eu estou errado
Então eu escuto meu espírito chamando
Imaginando se ela está ansiando por mim
E aí eu entendo que não consigo viver sem ela"
Save me – Hanson
Edward Cullen
No momento em que abri a porta do apartamento e encontrei Bella de pé me fitando com os olhos cheios de lagrimas, meu coração apertou de tal forma que tudo o que eu mais desejava naquele momento era tomar o que quer que fosse responsável por aquelas lagrimas para mim.
Durante algum tempo apenas ficamos parados abraçados um ao outro. Eu podia sentir seu corpo pequeno tremendo levemente por baixo dos meus braços e tudo o que eu podia fazer era tentar confortá-la com a minha presença.
-Bella... – chamei trazendo seu corpo um pouco mais para perto do meu e me permitindo a abraçar com força. – Por que não me diz o que aconteceu?
Eu estava começando a ficar seriamente preocupado. Precisava saber o que tinha acontecido. Bella parecia bem fisicamente, não encontrei nenhum machucado ou mancha de sangue ou qualquer coisa que me fizesse acreditar que ela estava ferida ou tivesse sido atacada, mas era obvio que alguma coisa tinha acontecido. Mas, Bella continuava abraçada a mim, sem dizer uma palavra e eu inconscientemente comecei a deslizar minha mão por suas costas tentando acalmá-la.
Eu estava a ponto de perguntar novamente o que tinha acontecido. E se fosse algo com Jenny? Mas, antes de eu conseguir formular algumas palavras, senti Bella ficar completamente imóvel em meus braços, como se só agora tivesse tomado consciência da minha presença.
Eu quis fazer com que ela voltasse a se consolar comigo, que ela não se afastasse, como eu sabia que ela faria.
Menos de um minuto depois ela simplesmente se afastou fazendo com que meus braços caíssem ao redor do meu corpo. Ela levantou um pouco seu queixo, fixando seus olhos nos meus.
Eu senti uma onda de dor tão grande passar por mim ao vê-la com os olhos absurdamente vermelhos de tanto chorar.
- Carlisle esteve em casa ontem... –ela começou a falar com a voz embargada e me entregando um pequeno cartão amassado. Imediatamente reconheci o símbolo de uma das maiores firmas de advocacia de Washington. – ele quer a guarda de Jenny.
Eu mal tinha pego o cartão em minhas mãos e não tinha se quer lido uma palavra do que Carlisle tinha escrito, mas não precisava. Eu sabia exatamente o que ele pretendia, só não acreditava que ele teria coragem de ir tão longe.
- Ele... ele o que? – disse sentindo minha raiva aumentar.
-Ele quer a guarda de Jenny... Ele acha que não tenho nada a oferecer a ela. – Bella disse baixo, com a voz repleta de dor. Eu poderia jurar que ela, no fundo, acreditava que Carlisle estava certo com relação a isso.
Mas, isso era uma grande mentira. Ninguém no mundo poderia amar mais a nossa filha do que Bella, e eu tenho certeza que ninguém poderia ser melhor mãe do que ela. Tudo estava complicado demais agora, por minha culpa, mas quando tudo se resolvesse, Jenny estaria nas melhores mãos possível.
- Ele não tem esse direito. — falei serio. Repetindo as palavras que ecoavam em minha mente desde o dia anterior, quando encontrei Carlisle próximo ao hospital em que estava trabalhando atualmente.
Bella retrucou dizendo que ele já havia começado o processo e eu me lembrei claramente das ameaças infundadas de Carlisle
Na ocasião eu precisei de muito autocontrole para não socar a cara dele na frente da entrada da emergência.
Eu gritei com ele, garantindo que ele nunca conseguiria ter a guarda de Jenny. Eu nunca permitiria isso.
Além do mais, eu pretendia voltar para casa logo, eu não sabia como conseguir isso, mas eu não desistiria até conseguir e quando isso acontecesse ninguém teria motivo algum para nos tomar a nossa pequena, seriamos uma família.
Eu fixei meus olhos em Bella, e por um segundo tive a certeza que esse não era o melhor momento para falar sobre os meus planos, mas não pude deixar de sentir uma faísca de esperança de que ela aceitasse, mesmo que seja apenas por Jenny, a principio.
Eu teria que lutar para reconquistá-la, e isso seria bem mais fácil se estivéssemos juntos.
- Ele não pode fazer nada Bella... – eu disse firme segurando as mãos de Bella entre as minhas. -principalmente se estivermos juntos.
Bella se manteve imóvel por um tempo, como se buscasse entender o significado das minhas palavras. Eu podia compreender a confusão que se passava na mente dela, porque por mais que eu soubesse que ela ainda me amava — e eu não tinha duvida alguma sobre isso – eu sabia que ela relutava em aceitar isso, o que é completamente compreensível depois de tudo que eu a fiz passar.
- O que você quer dizer exatamente com "estarmos juntos"? – ela perguntou com hesitação, o medo palpável em suas palavras.
- Podemos nos casar. Assim Carlisle nunca poderia se quer questionar nosso relacionamento.
Eu quase me arrependi no segundo seguinte que as palavras deixaram meus lábios. Os olhos de Bella se arregalaram imediatamente e eu me xinguei por ter dito isso assim.
Eu sempre soube que Bella desejava um grande e bonito casamento e propor que ela se case comigo assim, principalmente usando o que Carlisle pretendia fazer como justificativa, era quase como me igualar a ele.
- O... o que? – Bella gaguejou — Edward, não... eu não... não posso me casar com você. Como poderia? Eu não agüentaria me machucar mais... não, eu não posso!
- Você não vai se machucar novamente. Vai ser tudo diferente. Eu prometo! – respondi imediatamente, apertando ainda mais minha mão na dela. — E, é por Jenny.
Eu estava jogando baixo e tinha consciência disso, mas valeria a pena se ela aceitasse. Com o tempo eu a faria enxergar que esse não tinha sido o único motivo, na verdade, esse era a menor de todas as razões.
Eu a estava pedindo em casamento porque a amo mais que tudo no mundo, porque não consigo mais ficar longe dela, porque quero recuperar tudo o que perdi e porque sei que o nosso lugar no mundo é ao lado um do outro.
Eu até mesmo poderia lidar com a ameaça de Carlisle de outra forma. Mas, de certa forma ele estava me dando a oportunidade de me unir novamente a Bella e eu a estava usando, mesmo que minha consciência dissesse que eu estava sendo tão desprezível quanto ele em me aproveitar da situação, é claro que eu tinha as melhores intenções .
As pessoas costumam dizer que o fim justifica os meios. Será que isso se aplicaria a mim, agora?
- E... e se... se eu aceitasse... – Bella tirou suas mãos das minhas e me olhou seriamente. — Eu teria algumas condições a impor.
Condições? Eu já podia esperar que houvesse algumas condições mediante tudo o que já aconteceu. Eu sabia que, acima de qualquer coisa, ela tinha medo de se magoar de novo, e não podia culpá-la por isso.
Muitas vezes, penso que, se a situação fosse inversa, eu teria uma postura igual ou pior. Provavelmente, eu não permitiria nem que houvesse contato com nossa filha, coisa que ela não impunha resistência.
Eu era grato por isso. Grato por, no fim das contas, ela me permitir contato com Jenny e, mesmo que indiretamente, ter contato com ela.
Eu sabia, com absoluta certeza, que se eu estivesse no lugar de Bella, jamais conseguiria suportar nem mesmo metade do que ela teve que enfrentar.
-Edward, primeiro, eu quero que fique claro que qualquer coisa que eu venha a fazer é única e exclusivamente por Jenny. – a voz de Bella ainda falhada, mas eu podia ver a convicção nos olhos dela. Ela faria qualquer coisa por Jenny, mesmo se isso significasse o pior para ela. Obviamente não seria assim, porque eu seria o melhor para as duas. — Eu não posso e nem quero mais me magoar. Eu não preciso me aproximar de você de novo para saber o quão destruidor pode ser me envolver novamente, então, para que tudo dê minimamente certo, tem que ficar claro que, em hipótese alguma, eu e você não somos e não seremos mais um casal.
Eu tinha quase certeza que essa seria a principal imposição de Bella, mas ainda assim, a constatação, fez meu coração apertar. Não exista nada no mundo, que eu quisesse mais do que poder ter Bella novamente em meus braços.
Paciência Edward, você vai precisar ter paciência.
- Uma outra coisa que deve ficar clara entre nós dois é que precisamos ser completamente honestos um com o outro. Eu preciso saber tudo o que estiver acontecendo no processo e fora dele, porque, se não for assim, nosso pseudo casamento nunca vai parecer verdadeiro.
- Bella, eu não vou dizer que não queria tentar um casamento de verdade, mas, não posso forçá-la a confiar em mim. A única coisa que eu prometo é que eu vou estar aqui para você. Sempre. Você sempre vai poder contar comigo da forma que você quiser, mesmo que só como um amigo.
Eu estava sendo verdadeiro e honesto como nunca tinha sido.
Por mais que doesse dizer aquilo, eu não poderia falar verdade maior. Eu estaria ali para ela, para sempre, da forma que ela quisesse; mesmo que meu corpo se mantivesse ardendo por ela, como naquele instante
Permanecemos em silêncio, meio que tentando absorver aquela nova reviravolta em nossas vidas, que, mais uma vez, com a ajuda de Carlisle, havia se transformado completamente
...
Tinha muitas coisas que gostaria de compartilhar com Bella, como a amizade que desenvolvi com Seth e Claire ou como e porque eu fui embora, assim como eu queria saber tudo o que havia acontecido com ela enquanto estive longe, não que Emmett tenha mantido sigilo, mas, eu queria saber por ela tudo o que aconteceu; apesar de saber que isso me feriria ainda mais. Mas, acima de qualquer coisa, eu queria mostrar o quão importante ela sempre foi e é para mim; não apenas por Jenny, mas, por ela ser Bella Swan. A mulher que tomou meus sonhos e minha vida mesmo sem saber.
Porém a dor da culpa era algo com o qual eu teria que aprender a conviver todos os dias.
- Edward, tem uma coisa que eu sempre quis saber, mas, bem, tudo aconteceu e eu nunca pude perguntar. O que teria acontecido se eu não tivesse ouvido a conversa entre vocês sobre o casamento do Emmett?
Ainda existem muitas coisas que Bella não sabe, e que provavelmente não é a melhor hora pra vir à tona, eu gostaria de nunca mais ter que esconder nada dela. Eu contaria tudo a ela, quando estivéssemos casados e quando ela voltar a confiar em mim.
- Sinceramente, eu não sei Bella. Eu não sei dizer o que teria acontecido, porque, por mais incrível que pareça, eu queria te proteger. Você sabe melhor que todos, como Rosalie pode ser detestável e eu realmente temi pelo que ela poderia fazer — uma série de pensamentos rodearam minha mente; o que ela fez durante a festa, a conversa com Tanya tão bem usada que quase provocou um aborto em Bella. Em meio aquelas lembranças, acabei soltando um riso seco; sem humor algum — se bem que tentar te proteger não adiantou muito, não é? Ela conseguiu estragar tudo no final das contas.
Bella ponderava minhas palavras com um cuidado exacerbado antes de voltar a falar.
- Sabe, eu perdi a conta de quantas justificativas existiam para você me esconder o casamento do seu irmão, se bem que ninguém convida a amante para os eventos familiares. Acho que tive sorte de conhecê-los no final das contas — ela fechou os olhos, respirando fundo e minha única vontade era de sacudi-la até que Bella entendesse que ela era minha esposa, não menos que isso — mas, bem, no final das contas, isso não importa mais. O que importa agora é proteger Jenny dos Cullen's acima de qualquer coisa.
Eu podia entender perfeitamente a aversão, o ódio que Bella sentia por minha família, eu mesmo já não sabia bem o que sentir com relação a eles. Assim, como eu, a raiva de Bella era direcionado principalmente para Carlisle, o que tornava a decisão de aceitar se casar comigo ainda mais difícil para ela. Afinal, ela estaria se tornando uma Cullen também.
Bella ainda ficou alguns minutos comigo enquanto tentávamos inutilmente melhorar o clima entre nós, afinal, muito em breve iríamos casar e era imprescindível que todos acreditassem que estávamos juntos novamente, e, por pior que isso pudesse aparecer, eu iria aproveitar cada oportunidade para me aproximar dela novamente.
Eu sugeri que voltasse a morar em nosso apartamento o mais breve possível, o que causou certo espanto em Bella, mas ao longo de nossa conversa ficou claro que ninguém acreditaria que estávamos novamente juntos, se não estivéssemos morando juntos.
Me mudei para o apartamento que dividiria com Bella e nossa filha no mesmo dia, a sensação de estar de volta a casa era indescritível, mesmo com Bella me evitando o máximo que podia, eu me senti leve, de volta ao lugar em que pertencia e de onde jamais iria sair novamente.
Jenny parecia se adaptar bem a nova rotina, que me incluía, passávamos longas horas brincando no chão da sala. E eu continuava a me encantar, mesmo depois de dias, com a forma carinhosa com que Bella cuidava dela. A forma como ela fazia questão de preparar o alimento, cuidar das roupas, levá-la para passear... a visão mais linda que já tive na vida, a forma singela com que Bella a pegava nos braços e a colocava para mamar.
Eu gostaria de participar muito mais do que vinha fazendo, mas Bella continuava a me manter singelamente longe. Exceto quando outras pessoas estavam ao nosso redor. Era um acordo nosso, exclusivamente nosso, então todos, sem exceção acreditavam plenamente que estávamos juntos. Emmett estava desconfiado, mas mantinha suas suspeitas para si mesmo.
Quando estávamos sozinhos, ela voltava a me tratar com indiferença e não me permitia dividir o mesmo quarto que ela.
Em uma de nossas muitas conversas, em que ela sempre fazia questão de me lembrar que o tínhamos era um casamento de fachada, eu finalmente consegui convencê-la de que as pessoas estranhariam um casal que dormem separados e como as visitas de Alice se tornavam cada vez mais constantes, Bella cedeu, não sem antes impor mais regras que diziam que eu jamais poderia tocar nela ou tentar algo mais intimo do que uma conversa. Mas, a verdade é que mesmo concordando, Bella nunca foi dormir ao meu lado, ela passava a maior parte da noite no quarto de Jenny, indo até nosso quarto poucos horas antes de eu ter que começar a me arrumar para mais um plantão.
Na noite anterior ao nosso casamento foi a primeira em que fomos nos deitar juntos, apenas porque Emmett passaria a noite em nosso apartamento. É claro que Bella fez questão de virar para um lado da cama e ignorar minha presença, ela mal respondeu ao meu "boa noite", o que me tirou o sono, ao começar a cogitar a hipótese de que ela nunca fosse capaz de me perdoar. Minhas angustias diminuíram quando, depois de algum tempo, Bella sussurrou meu nome, docemente, em seu sonho.
A manhã do casamento foi bastante tumultuada, principalmente porque Alice fez questão de estar presente para arrumar Bella.
Seria apenas um casamento civil, muito mais simples do que eu gostaria de proporcionar a Bella, mas, tenho certeza que ela não aceitaria mais que o pequeno coquetel oferecido a nossa família, desde que Carlisle não aparecesse, e pouquíssimos convidados. Eu tinha fé que, quem sabe um dia, eu poderia proporcionar o casamento dos sonhos a ela.
A documentação ficou pronta em poucos dias e duas semanas depois de ter voltado a viver com Bella, saiamos do cartório como Sr. e Sra. Cullen.
Eu nunca a tinha visto tão deslumbrante quanto naquele dia. Bella usava um tomara que caia branco, curto, cheio de camadas. Ela não poderia parecer mais linda para mim do que quando acariciava delicadamente Jenny em seu colo, que dormia com o carinho da mãe.
Em sua mão esquerda agora estava uma pesada aliança. Não era a que eu sonhei dar a ela, mas, muito em breve, a dos nossos sonhos estaria ali.
...
Os primeiros dias como marido e mulher em nosso apartamento eram levemente tensos, mas, a presença de Jenny fazia com que me enchesse de amor e esperança a todo instante.
Bella parecia muito nervosa com minha presença, mas, não havia nada que pudesse ser feito para melhorar a situação. Ela sabia tão bem quanto eu que era necessário que todos acreditassem que estava tudo perfeito, e, justamente, por isso, continuávamos a dividir o quarto principal como antigamente, a fazer as refeições juntos e os passeios de mãos dadas, com Jenny, na praça se tornavam cada vez mais freqüentes.
Eu cheguei a sugerir que voltássemos a freqüentar nossos restaurantes prediletos, mas, Bella se negou afirmando que todo o nosso fingimento já estava indo longe demais.
Ela se mantinha forte e decidida a me evitar, mas eu sabia que ela continuava sofrendo, não foram poucas às vezes em que retornei para casa, depois de um plantão, e a encontrei adormecida com as bochechas manchadas por lágrimas.
Eu procurava me manter presente o máximo possível, como eu deveria ter agido sempre, e isso surpreendia Bella. Eu nunca emendava dois plantões e ligava durante todo o dia, com a desculpa de saber como Jenny estava. Eu passava todas as minhas folgas em casa e tentava fazer com que nos tornássemos uma família de verdade.
Era tudo o que eu queria, mas eu sabia que ainda teria que lutar muito para conseguir.
Eu estava em mais um plantão, quando meu celular tocou, ver o numero de casa no visor me deixou imediatamente preocupado. Mesmo depois de três meses de casados, Bella nunca havia me ligado, nem mesmo quando Jenny esteve com uma virose, o que nos levou a ter uma pequena discussão, que acabou no momento em que ela me disse em alto e bom som: "eu não preciso da sua ajuda, Edward, para cuidar da minha filha, muito menos de uma ajuda que provavelmente nunca viria, ou já se esqueceu de quantas vezes eu precisei me virar sozinha?"
Eu atendi assim que o segundo toque ecoou.
- Bella? O que houve? – perguntei me afastando de um paciente.
- Sr. Cullen? – a voz de Elise me surpreendeu. – Desculpe incomodá-lo...
- Elise, já pedi que pare de me chamar de senhor, você praticamente trocou minhas fraldas.
Ela soltou um riso do outro lado.
- É verdade, Edward. De todos vocês.
- Aconteceu alguma coisa? – perguntei ansioso por saber o motivo da ligação.
- Bella não sabe que eu estou ligando e provavelmente vai ficar uma fera quando descobrir. Mas, ela não me parece muito bem hoje...
- Como assim?
- Ela mal se levantou para dar o almoço de Jenny, me pediu que cuidasse de tudo e voltou a se deitar.
- Ela reclamou de alguma coisa? Ontem ela estava bem...
- Quando eu perguntei, ela disse apenas que estava com dor de cabeça... mas, agora, quando eu bati na porta para levar uma sopinha para ela, ela não abriu.
- O.. o que? – indaguei em choque e sentindo meu coração acelerado.
- Ela não abriu a porta e não responde quando eu chamo, Edward.
- Fique calma e continue chamando por ela, Elise — disse apesar de que eu mesmo não conseguia manter a calma ao pensar nas inúmeras possibilidades que poderiam ter acontecido. Sem nem mesmo me preocupar a ir a minha sala ou tirar o jaleco, eu já corria pelos corredores do hospital rumo ao carro — Estou indo para casa agora mesmo.
Eu mal parei para explicar ao meu supervisor que minha mulher estava possivelmente desmaiada em casa e segui apressado até o estacionamento.
Pouco me importei com a cara de choque das enfermeiras ao me verem passando correndo, o que era completamente o oposto de meu comportamento geralmente calmo, mas, naquele momento eu não podia ser calmo; não conseguia ser calmo. Não quando Bella precisava de mim.
Cheguei cerca de cinco minutos depois em casa, ainda com o jaleco e o estetoscópio no bolso. Passei correndo para o quarto, batendo furiosamente na porta, sem obter nenhuma resposta.
Por sorte, consegui lembrar que Bella havia me dado uma cópia da chave do quarto, para qualquer emergência. Abrindo o quarto, vi Bella completamente enrolada nos pesados edredons, porém, mesmo com eles, conseguia ver os tremores de seu corpo. Ela estava com febre. Muita febre.
A peguei em meus braços carregando-a para o banheiro. Eu sabia que seria extremamente desconfortável; praticamente doloroso, mas, era completamente necessário que ela tomasse um banho gelado para baixar a temperatura, antes de irmos a um pronto socorro. Ela precisava de medicamentos que eu não tinha em casa e eu não pude deixar de pensar, enquanto sentia a água extremamente gelada molhando completamente nossos corpos ainda vestidos, em como ela parecia ainda mais linda.
Elise me ajudou a trocar as roupas de Bella, e rapidamente, saiamos do apartamento rumo ao pronto socorro mais próximo, deixando Jenny com Alice, que, sabiamente, havia sido chamada por Elise, assim que ela falou comigo.
Eu tentava manter meus pensamentos focados em cuidar de Bella, mas, por várias vezes conseguia imaginar o que teria acontecido se ela tivesse ficado doente há mais de um ano atrás. Não haveria ninguém para socorrê-la e eu não gostaria nem de pensar no tempo que levaria até que eu a encontrasse, ou na conseqüência dessa demora. Sabia muito bem que as conseqüências seriam terríveis pelo meu posicionamento estúpido diante as imposições de Carlisle.
Nunca me perdoaria pelo tempo que a deixei só, ou pelo risco que a fiz correr, mesmo que sem querer.
No caminho até o pronto socorro eu a vi tremer a balbuciar algumas palavras enquanto delirava, nada que eu pudesse realmente entender, exceto por meu nome que deixava seus lábios a todo momento.
- Eu estou aqui, meu amor... – disse ao chegarmos ao pronto socorro. – eu estou aqui com você.
Eu a carreguei em meus braços e logo Bella estava sendo atendida por um dos médicos de plantão.
Ele me garantiu que o que Bella tinha não passava de uma virose e receitou um antitérmico que foi aplicado em sua veia. Ainda, assim, eu fiz questão que ele fizesse exames complementares.
Após um hemograma completo e um exame de urina, eu me dei por satisfeito e comecei a me sentir aliviado ao notar que a febre estava começando a ceder. Só quando isso aconteceu, Bella percebeu onde e com quem estava.
- Jenny? – foi a primeira coisa que Bella disse, ainda com a voz fraca e enquanto continuava levemente febril.
- Alice está com ela... o médico acabou de me dizer que já podemos ir, se eu prometesse que você ia tomar os medicamentos e ficar de repouso.
- Por que eu...
- Você estava ardendo de febre e delirando, por isso eu te trouxe ao pronto socorro. – respondi acariciando o rosto dela e colocando uma mecha de seu cabelo atrás da orelha. Bella não teve qualquer reação, apenas fechou seus olhos por um momento para depois voltar a abri-los e fixar seu olhar em mim. – Vamos?
Rapidamente Bella se livrou de minhas mãos que continuavam a acariciá-la e tentou se por de pé.
Quase que imediatamente seu corpo balançou e Bella levantou seus braços os passando por meu pescoço.
Eu a segurei de forma delicada porém firmemente. Nossos corpos se encostaram e sentir a tão famosa e deliciosa corrente elétrica que sempre nos envolveu.
- Obrigada! – ela disse baixo, a voz doce atingiu meus ouvidos me fazendo fechar os olhos para apreciar o momento que eu sabia que não duraria muito.
Instintivamente uma de minhas mãos foi até os cabelos de Bella e se prenderam nos fios.
- Não precisa agradecer, meu amor! – respondi a apertando mais contra mim.
No mesmo instante Bella se afastou de mim.
- Eu gostaria de ir pra casa. – pediu desviando seu olhar do meu.
Mesmo com Bella tentando evitar, mantive minha mão em sua cintura enquanto caminhávamos lentamente até o carro. Eu a ajudei se sentar e coloquei seu cinto. Durante todo o tempo, ela mantinha seu olhar preso no meu, como se tentasse me decifrar ou entender a forma como eu agia.
O caminho até em casa foi silencioso. Eu dirigi de forma mais lenta e consciente possível e podia sentir minhas mãos, que estavam fortemente presas ao volante, coçarem para tocar Bella.
Ao chegarmos, fomos diretos para o nosso quarto, devido a virose de Bella, nem eu e nem ela poderíamos nos aproximar de Jenny, afinal, não queríamos contaminar nossa pequena.
Eu podia sentir que Bella não se sentia muito a vontade com meus cuidados, mas ainda assim, cuidei dela com toda a atenção que podia.
Elise foi muito gentil ao se oferecer para passar a noite no quarto de Jenny e preparou uma sopa para Bella, que eu fiz questão de dar em sua boca, mesmo com todos os seus protestos.
A noite, ela voltou a ter um pouco mais de febre, e eu prontamente preparei algumas compressas. Cuidei para que ela voltasse a se alimentar na hora do jantar e preparei um bom banho de banheira quando ela já se sentia melhor.
Ela voltou ao quarto, fungando um pouco, enrolada em um roupão branco e eu senti todo o meu corpo estremecer. Há muito tempo, não tinha uma visão tão intima de Bella.
Ela não parecia muito a vontade com a situação e logo se apressou em buscar uma roupa. Na metade do caminho, Bella se desequilibrou e teria caído se eu não a ativesse segurado firmemente.
- Hey, cuidado! – disse próximo ao ouvido dela, com um meio sorriso ao constatar que ela continua tão desastrada quando antes. – por que você não se senta um pouco? Eu pego alguma roupa para você.
Bella se sentou na ponta da cama enquanto eu abri uma das portas do closet e apanhei um vestido florido e o levei pra ela.
- Esse está bom?
Ela apenas balançou a cabeça concordando.
Eu me sentei ao lado dela e peguei em sua mão, entregando o vestido.
Bella me deu um sorriso tímido e corou.
Céus era a visão que mais me fascinava. Eu nunca me cansaria de vê-la corada.
Levei meus dedos até suas bochechas e a acariciei.
- Tão linda!
Bella tentou desviar seu rosto do meu toque, mas eu a prendi com minhas mãos.
- Você fica ainda mais linda assim! – disse com meus olhos presos no dela.
Os olhos de Bella se prenderam em meus lábios no momento em que eu falei e senti a vontade de beijá-la, me dominar.
Antes que eu pensasse no que estava fazendo, já havia colado meus lábios nos de Bella. Eu imaginei que Bella fosse me empurrar, me bater ou até mesmo gritar comigo, mas ela apenas se manteve imóvel, não correspondia ao meu beijo, mas também não me afastava.
Isso me deu esperanças para continuar.
Delicadamente, envolvi minhas mãos em seu cabelo úmido e que cheirava deliciosamente a morangos e busquei seus lábios com um pouco mais de ardor.
Eu aproximei meu corpo um pouco mais do de Bella e ela levou suas mãos aos meus ombros. Por um momento pensei que ela fosse me repelir, mas ela apenas os apertou e finalmente respondeu ao meu beijo.
Como eu senti falta dela!
Todo meu corpo respondeu a Bella no exato momento em que nossos lábios começaram a se mover juntos.
Eu sabia que seria apenas um beijo, e tinha certeza absoluta que em algum momento Bella se libertaria do que a estava impulsionando a me corresponder, mas ainda assim, foi impossível evitar o pulo que meu coração deu ao sentir as mãos de Bella desceram suavemente por minhas costas, nos aproximando cada vez mais.
Ela soltou um pequeno suspiro quando minha língua adentrou sua boca e estremeceu levemente quando suguei seu lábio inferior.
- Edward... – ela gemeu baixo ao nos separamos em busca de ar. Foi o suficiente para que eu voltasse a colar nossos lábios intensamente.
Deus, eu me perderia nos lábios dela e não poderia estar mais contente por isso.
Notas finais
Mas, fiquem tranquilas todas as questões pendentes serão resolvidas.
Me digam o que acharam, okay?
xoxo
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