Survivor
16 Capítulo 16 - Abstinência
Notas iniciais
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"Você que tanto tempo faz
Você que eu não conheço mais
Você que um dia eu amei demais
Você que ontem me sufocou,
De amor e de felicidade
Hoje me sufoca de saudade
Você que já não diz pra mim
As coisas que eu preciso ouvir
Você que até hoje eu não esqueci
Você que eu tento me enganar
Dizendo que tudo passou
Na realidade é que em mim você ficou
Você que eu não encontro mais
Os beijos que já não lhe dou
Fui tanto pra você e hoje nada sou".
Você – Marina Elali
http://www.youtube.com/watch?v=o3izD5OTE1Q
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Bella Swan
Depois der mais três dias internada, James disse que eu estava pronta para ter alta. Eu fiquei animada em finalmente sair do hospital, mas minha animação acabou assim que Emmett me explicou que Jenny não poderia ter alta ainda.
- Ela nasceu prematura, então terá que ficar na incubadora por mais algum tempo.
- Quanto tempo exatamente? – eu perguntei apreensiva. – Você não está me escondendo nada não é, Emm?
- Ela está bem, Bells. Mas ainda é bem fraquinha e precisa ganhar peso, é o procedimento normal, principalmente com crianças que tiveram algum problema durante o nascimento. Talvez ela precise ficar por mais um ou dois meses...
- Dois meses?
- Provavelmente isso. Mas você poderá vê-la sempre... eu mesmo passarei por aqui, todos os dias, para ver como ela estar. Você não precisa se preocupar.
- Mas eu quero ficar com a minha filha.
- Bella, isso é impossível. Você pode vir vê-la, mas continuar aqui sem uma necessidade medica está fora de questão.
- Eu não preciso ficar internada, eu só preciso ficar perto dela. O corredor está de bom tamanho para mim.
- Isso é desnecessário, Bells. – Emmett falou suavemente.
- É minha filha Emmett, e eu não vou deixá-la sozinha.
Meus dias passaram a se resumir em ficar no berçário o maior tempo possível e pernoitar no corredor do hospital.
Esme e Alice apareciam algumas vezes e depois de uma semana nós já conversávamos sem que o clima ficasse pesado. Não era como a amizade que eu tinha no inicio, com Alice, mas era algo parecido com um sincero coleguismo. De certa forma era bom, para que eu não me sentisse tão só.
Foi por Alice que eu soube, que ela e Emmett haviam preparado um quarto para Jenny, no nosso apartamento.
- Eu espero que você não se importe, por eu ter ajudado. – Alice me disse com insegurança na ocasião.
- Eu não me importo. – respondi simplesmente. Em parte porque realmente não me importava e graças a Emmett minha filha teria roupas e tudo o mais do que precisaria e porque eu estava, na maior parte do tempo, em piloto automático.
Eu ainda não tinha encontrado Edward – e isso, por mais que eu tentasse o contrario, continuava a me consumir. E graças a minha vigia constante ele foi obrigado a diminuir o seu numero de visitas a Jenny.
Elas não tinham cessado como eu gostaria, ou como eu gostaria de realmente querer. Eu sabia que ele aproveitava as vezes em que Emmett me obrigada comer algo para vê-la. As enfermeiras costumavam comentar o quão atencioso ele era com Jenny.
A principio eu fiquei furiosa por Emmett não estar cumprindo a sua promessa. Mas, eu percebi que ele certamente não estaria confortável em proibir o próprio irmão de ver a filha. O que significava que eu mesma teria que fazer isso um dia, pelo bem da minha princesa.
Então, uma semana e três dias depois, o dia chegou. É claro, eu não estava preparada. Eu sabia que não seria fácil, mas foi ainda pior do que eu imaginei, porque eu fui obrigada a constatar o poder que ele ainda exercia sobre mim. O que fez com que eu me sentisse doente.
Eu estava sentada no corredor, a alguns metros de distancia do vidro do berçário. Eu não precisei levantar a minha cabeça para saber que Edward estava ali. Eu senti a presença dele e como eu sou absurdamente fraca, eu pude sentir meu coração acelerar, minhas mãos tremerem levemente e por mais absurdo que seja, meus olhos enxerem de lagrimas. E apesar de toda a dor que ele me causou, tudo o que eu queria naquele momento, era correr até ele.
Jenny. Pense em Jenny. – eu repeti mentalmente algumas vez.
- O que você quer? – perguntei tentando soar o mais indiferente possível, ainda de cabeça baixa. Eu não confiava em mim mesma para olhá-lo.
- Bells... – ele começou e as lágrimas pareciam se tornar ainda mais forte. Eu fechei meus olhos me concentrando.
Você nunca mais vai me ver chorar Edward.
- Eu precisava falar com você... por favor, Bella.
- Nós não temos nada para falar. – eu falei erguendo minha cabeça, mas fazendo questão de olhar para o lado oposto de onde ele estava.
Pelo canto dos olhos eu pude ver que ele parecia um pouco mais magro e talvez um pouco cansado.
Por um momento eu fiquei preocupada. Mas, no segundo seguinte eu me lembrei que ele, em momento algum, se preocupou comigo ou com a nossa filha. E foi desse pensamento que eu conseguir retirar a força necessária para olhá-lo e fiquei satisfeita ao ver que tudo o que ele conseguiu ver através dos meus olhos foi magoa.
Edward estava mesmo mais magro, aparentava estar bastante debilitado até. Seus cabelos estavam ainda mais bagunçados e debaixo de seus olhos verdes, tinham machas escuras. Mais uma vez eu senti algo como preocupação crescer dentro de mim, então desviei o meu olhar.
Ele deu um passo para mais perto de mim e instintivamente eu me pus de pé. O que só fez com que nos aproximássemos ainda mais. Tanto que eu pude sentir o calor que emanava dele. Eu apertei minhas mãos tentando me concentrar e não permitir que o que eu sentia por ele, falasse mais alto.
Não poderia ser assim. Não, quando tudo o que importava era que Jennifer não saísse feriada, também.
- Me perdoa! – ele pediu com a voz rouca.
Eu dei um passo para longe dele. Isso seria muito mais difícil do que eu imaginei.
- Eu pensei em tantas coisas para dizer... – ele voltou a falar. – e eu realmente tenho muito o que explicar, mas nesse momento tudo o que eu preciso é que você me perdoe.
Eu voltei a encará-lo.
- Mas não é o que nós precisamos. – eu disse baixo.
Era uma mentira.
Eu precisava dele, tanto quanto eu sempre precisei.
Edward era minha doença, meu vicio, muito mais do que um amor, Edward era necessário para que eu estivesse viva. Mas, Jenny ainda não precisava dele e se eu pudesse evitar que ela chegasse a isso, eu faria.
- Bella... – ele disse com a voz entrecortada e ouvi-lo dizer o meu nome foi mais do que eu poderia suportar. Uma saudade esmagadora me dominou e eu não consegui mais evitar as lagrimas, então eu virei minhas costas para ele.
- Por favor, vá embora. – eu pedi e me senti ainda mais fracassada ao ouvir meu próprio choro.
- Bella. – ele voltou a falar dessa vez mais firme. – é isso mesmo que você quer? Que eu vá embora?
Não, não era o que eu queria, mas era o que tinha que ser feito.
- Exatamente como você fez antes.
Ele deu um passo em minha direção e eu senti sua mão repousar no meu ombro.
Seu toque ainda era quente e causou o mesmo turbilhão de sentimentos que eu senti desde a primeira vez em que nos tocamos.
Eu queria com todo o meu ser, tanto que minha mão chegava a coçar, tocá-lo de volta.
Jenny! Jenny! Jenny! – eu comecei a repetir como um mantra.
- Por favor Bella, pelo menos me deixe explicar. Converse comigo. Me dê mais uma chance. – ele disse próximo ao meu ouvido e eu senti meu corpo estremecer. – por nós dois... não, por nós três. Nós ainda podemos ser uma família.
- Uma família? – eu repeti sentindo a dor que essa palavra me causava. – Nós nunca seremos importantes o suficiente para ser a sua família. Você já tem a sua própria família. Você é um Cullen, lembra-se?
- Vocês duas também são. – ele falou com convicção e era exatamente o que eu precisava para conseguir enfrentá-lo.
- Um Cullen, nunca deixa de ser um Cullen, não é mesmo? Mesmo depois de saber o que um Cullen é capaz de fazer. – eu disse com todo o desprezo que ainda sentia por esse sobrenome.
Eu me virei e encontrei o olhar perturbado de Edward.
- Não foi isso que eu quis...
- Eu NÃO sou uma Cullen, nunca fui... – soltei uma risada irônica — e minha filha nunca será. Não, no que depender de mim.
- Bella, por favor, eu não quero discutir com você. Eu não vim aqui para isso.
- veio para o que? Para mentir mais algumas vezes, para nos usar mais um pouco? O que você quer de nós, Edward? Por que você simplesmente não nos deixa em paz?
Eu pude ver no momento em que os olhos de Edward se encheram de lagrimas e ele trincou seu maxilar tentando conter o choro.
Meu coração se quebrou um pouco mais. Eu estava causando dor a ele.
Eu permiti que meu corpo caísse de volta na cadeira.
- Bella? – ele chamou e existia algo como preocupação em sua voz.
Pare de se iludir Bella. Ele não se importa com você!
- Bella, por mais que isso me doa, eu vou precisar viajar por uns dias. Eu estava construindo uma sobrevida em NY e preciso me desfazer dela para voltar. — Eu sabia que cedo ou tarde ele nos abandonaria de novo, mas esperava que ao menos esperasse a filha sair do hospital, já que parecia tão interessado nela — Eu não queria ir, mas, preciso resolver tantas coisas lá, coisas que só eu posso fazer...
Eu podia sentir toda a dor esmagadora se formando novamente no peito e mais uma vez tudo o que eu quis fazer era chorar até perder a consciente. Eu juro que por mais patético que seja, eu pensei em implorar que ele não fosse, mas assim, como a primeira vez, isso não adiantaria de nada. E eu, não podia mostrar a ele a minha fraqueza.
- Vá Edward. – comecei a dizer e me odiando por minha voz soar tão tremula. -Acho que é o melhor que você faz. – seria doloroso demais para mim, mais uma vez. Mas Jenny estaria segura. Era exatamente o que eu que queria, não era? — Pelo menos assim não cria a ilusão de pai pra Jenny pra depois sumir quando ela o amar. Pra fazê-la sofrer procurando onde foi que errou, quando na verdade, ela não fez nada a não ser te amar.
Edward se manteve calado. Eu não saberia dizer se pela surpresa da fúria em minhas palavras ou por culpa. Ou talvez fosse apenas indiferença, já que não importávamos para ele.
- Vai. E se depender de mim, não volte.
Edward viajou na manhã seguinte.
Eu soube de sua partida por uma das enfermeiras que perguntou onde estava o pai de Jenny. Uma semana depois eu o encontrei no berçário com meu anjinho em seus braços e instintivamente as lágrimas voltaram aos meus olhos. Por mais estúpido que fosse, eu não conseguia conter a euforia por ver que ele havia retornado.
Pelo menos, ele parecia amar Jenny, o que gerava um novo turbilhão de emoções em mim, porque era a prova fundamental que ele nunca me amou e nunca vai me amar, e por maior que fosse meu amor por Jenny, eu não conseguia suprimir o amargor do ciúme pelo amor dele. Era uma estúpida, idiota, eu sei, mas, me doía ter a prova viva que não signifiquei nada para ele; nada além de um corpo receptivo.
Era visível a emoção que fluía em seu corpo ao ter nosso anjinho nos braços. Parecia se formar uma bolha em volta deles e era impossível não admirar a cena. Pelo menos eu sabia que a ela, ele não abandonaria.
Não conseguia mais pensar com clareza, com relação a Edward e Jenny. Meu coração dizia que eu não tinha o direito de impedir que eles se conhecessem e se aproximassem, mas minha razão gritava a todo momento que ele a faria sofrer, mais cedo ou mais tarde.
Emmett me ajudou a compreender meus próprios sentimentos.
- Bella, você não pode fazer isso. E não digo por Edward, mas por Jenny. Você não tem o direito de impedir que ela tenha um pai. – ele me disse suavemente durante mais uma de nossas conversas, quando eu insistia, mais uma vez, que Edward se mantivesse longe.
Felizmente estávamos perto de Jenny receber alta e eu tentava impor a ausência de Edward, a qualquer custo quando voltássemos para casa. Em parte por mim, que não conseguiria conviver com ele e toda a dor que ele ainda me causava.
- Eu não tenho o direito de tentar protegê-la? – perguntei e Emmett me olhou de forma compreensiva.
- Eu entendo que você tenha medo por ela, mas isso não quer dizer que você esteja certa. Pense no futuro Bella... como acha que Jenny se sentiria daqui alguns anos, quando soubesse que você a proibiu de ter um pai?
Eu ainda na tinha pensado muito sobre isso, mas eu esperava que ela fosse capaz de entender que eu apenas tentei fazer o melhor por ela. Mas então eu me lembrei de Charlie, e da falta que eu sentia dele e de como eu me sentia bem quando tínhamos uma relação de pai e filha e no quanto eu me sentia amarga por ter pedido isso. E era inevitável culpar Edward por isso, assim como seria inevitável que Jennifer me culpasse também, no futuro.
- Ela me culparia. – eu disse com a voz baixa. – Eu só quero o melhor para ela.
- Então deixe que ele seja presente, ao menos para ela. – Emmett pegou na minha mão e a apertou amigavelmente. – Eu sei que é difícil para você, sei que provavelmente dói demais ter que vê-lo... Mas, se você continuar com isso, estará sendo egoísta, vai estar pensando apenas em você e não em Jenny como você diz.
- Eu não posso... – disse me sentindo derrotada. – Eu não suportaria que ele se aproximasse, ganhasse novamente a minha confiança e fosse embora.
- Me desculpe Bella. – ele falou mais firmemente. – Mas não se trata de você... e sim, de Jenny.
Eu senti um bolo se formar na minha garganta. Eu estava certa em pensar que Edward não se importava comigo. E a confirmação disso, só me destruía um pouco mais. E um novo medo começou a surgir em mim.
- Só Jenny importa... – eu disse com a voz embargada. – Ele a quer? Ele vai tirá-la de mim?
Emmett mudou totalmente a sua expressão ao meu ouvir e algo como incredulidade passou por seus olhos.
- Não, Bella. Edward jamais faria isso como você. Eu sei que é difícil para você acreditar, mas ele ainda te ama. Muito.
Eu não conseguia acreditar na parte em que Edward ainda me amava, na verdade eu estava quase convicta de que ele nunca chegou a me amar. O que estava me tornando amarga.
...
Finalmente Jenny, recebeu alta e eu criei uma nova rotina.
Emmett me garantiu que Edward nos deixaria ficar no apartamento. E que ele não tentaria tomar Jenny de mim, então eu permiti que ele a visitasse. Na verdade, Jenny o visitaria.
Emmett a levava duas vezes por semana para passar o dia com Edward.
Eu passava esses dias em completo terror. Eu tinha um medo absurdo de que minha princesa não retornasse, mas felizmente todas às vezes ela voltava sã e salva e parecia até mesmo feliz.
Emmett pouco comentava sobre esses períodos de visita porque sabia o quão constrangida eu ficava com aquilo tudo, mas, foi impossível não ouvi-lo comentando como eles pareciam sincronizados e como Edward parecia mais bem disposto e até razoavelmente feliz com a presença de Jenny.
Internamente eu me sentia aliviada em saber que ele estava bem, mas evitava demonstrar isso a Emmett. Ele chegou a me dizer algumas vezes que Edward sempre perguntava como eu estava, mas eu fingia indiferença o que fez com Emmett diminuísse seus comentários.
Eu soube que Edward estava se estabilizando novamente em Chicago, não no hospital dos Cullen, Emmett fez questão de me garantir isso. Eu não quis saber detalhes, não quis demonstrar que me importava.
Mas se ele estava se estabilizando é porque ele não tinha a intenção de partir novamente, isso me deixava aliviada, por Jenny.
Edward passou a nos ajudar financeiramente. O que me deixou absurdamente constrangida.
- É o meu dever como pai. — Emmett fez questão de repetir as palavras de Edward ao me entregar um cheque, bastante generoso.
Eu não queria aceitar, mas não me restava muitas opções já que eu ainda não tinha como nos manter sozinha e como Jenny ainda não tinha passado dos seis meses eu queria dedicar todo o meu tempo a ela.
Os meses começaram a passar mais rapidamente.
Alice e Esme começaram a aparecer mais vezes para visitar Jenny e nós acabamos criando alguma estranha nova amizade. Não era como costumava ser no inicio, entre eu e Alice, mas de alguma forma, que eu não saberia explicar, era bom para mim. Para que não me sentisse mais tão só.
Por que era exatamente assim que eu me sentia. Mesmo nos momentos em que eu tinha Jenny em meu colo, eu podia sentir o bolo se formando na minha garganta e a vontade avassaladora de chorar tentando me dominar. Ela sempre percebia isso e ficava absurdamente inquieta.
Eu tentei ocupar o máximo do meu tempo, fazendo tudo o que eu podia para dar bem estar a Jenny.
Eu não tinha muita experiência, nem alguém que pudesse me ensinar, mas de alguma forma estava me saindo relativamente bem.
Eu cuidava com afinco e dedicação para que Jenny tivesse a melhor alimentação possível, roupas limpas e bonitas, lazer e tudo o mais quer eu conseguisse pensar em necessário para um bebê.
Era o bastante para me manter ocupada durante todo o dia e estar exausta quando a noite chegava.
Ainda assim, quando eu entrava em nosso quarto era como se tudo desmoronasse a minha volta. Toda a segurança que eu passava para Jenny desaparecia no instante em que eu me deitava na nossa cama.
Era quando eu permitia que a dor transbordasse ao ponto de quase me sufocar.
Eu estava me destruindo mais uma vez, só que mais lentamente agora.
E eu não poderia permitir isso. Eu precisava reagir, então eu procurei ajuda na unica pessoa que parecia realmente se importar comigo.
Por mais estranho que fosse, consegui solidificar minha amizade com James. Ele agora me fazia companhia por horas, pelo telefone, quando Jenny estava com Edward. Obviamente eu sabia que James queria muito mais do que a minha amizade. Mas, isso era algo que eu não estava disposta a dar.
Eu sabia que estava me comportando de forma doentia e até mesmo errada, mas eu não podia evitar e James não parecia se importar. Ele fazia questão de deixar claro, que estava disposto a me fazer esquecer Edward.
O único problema é que nada nem ninguém conseguiria isso.
Eu estava doente por Edward. Completamente viciada e presa em uma eterna crise de abstinência. E, eu estava perdendo as forças com toda essa batalha sem fim. Era uma briga eterna contra meus próprios sentimentos e eu estava perdendo minhas forças.
Eu perderia no fim, como sempre soube que aconteceria.
Mas a realidade me fazia pior do que imaginei que faria. A constatação que eu não conseguiria nem mesmo ser a mãe que Jenny precisaria, estava me destruindo cada vez mais.
Era tão evidente a felicidade no rostinho dela, todas as vezes em que retornava de um dia com Edward. E esses momentos comigo, estavam cada vez mais raros.
Ela conseguia sentir a minha apreensão e desespero.
Era uma rotina doentia.
Todo o dia em função de Jenny, brincando com Jenny, ensinando coisas a Jenny e nesses momentos nós duas riamos de verdade e de certa forma eramos feliz. Mas era uma alegria com prazo de validade e esse prazo acabava quando a noite chegava.
Era quando o apartamento se tornava silencioso e as sombras na parede pareciam monstros querendo nos ferir.
Jenny ficava cada noite mais inquieta.
Era como ligar o botão automático.
Dar banho em Jenny.
Dar comida para Jenny.
Cantarolar para Jenny durante horas até que ela pegasse no sono.
Colocá-la no berço.
E finalmente seguir rumo ao nosso quarto.
As sombras ali eram piores e algumas vezes eu podia vê-lo em algum canto.
A noite eu voltava a minha rotina destrutiva.
Agora eu tinha pouquíssimas coisas de Edward comigo.
Emmett levou a maioria das coisas dele para o seu apartamento, onde Edward estava morando. Mas, eu consegui ficar com algumas camisas sem que Emmett soubesse. E eu, ainda as usava a noite. Elas ainda eram o meu escudo.
E foi assim, dia após dia. Durante meses. Até que tudo começou a se tornar ainda pior.
Jenny estaria completando seis meses e Alice e Esme vieram nos visitar.
Estávamos sentadas na sala. Jenny em meu colo e Alice e Esme sentadas de frente para nós duas.
Alice havia trazido algumas roupas. Presentes para Jenny. E Esme trouxe uma linda boneca que já estava em seu berço.
- Nós deveríamos comemorar. – Alice começou a falar animada. – afinal, nossa princesinha faz seis meses hoje!
- Nem pensar, Alice. – eu falei com um sorriso fraco.
- Ahh, Bella! Comemorar não vai nos fazer mal algum...
- Uma festa é completamente desnecessário. – eu disse firmemente.
- E se fizéssemos apenas um bolo e balões de gás? – Esme perguntou suavemente.
- Além do mais, hoje é o dia de... é o dia de Jenny ficar com o pai. – eu disse tentando encerrar o assunto.
Eu ainda não dizia o nome de Edward em voz alta. Exceto pelas vezes em que eu chamava por ele a noite, em meio ao desespero, até cansar.
- Isso não será problema. – Alice falou se colocando de pé animada. – Tenho certeza que Edward gostaria de comemorar também e...
- Alice, por favor, eu não... não me sinto confortável...
- Oh Bella! – ela respondeu voltando a se sentar. – Me desculpe! Eu não quis...
- Tudo bem. – eu disse tentando evitar que o clima ficasse ainda mais pesado. – Por que não vamos dar uma volta na praça? Ainda tenho algum tempo até a hora combinada.
Nós três passamos alguns minutos dando voltas na praça com Jenny em seu carrinho.
Minha princesa era um bebê lindo e chamava atenção por onde passava. Esme parecia se sentir orgulhosa e chegou a comentar como ela se parecia com Edward quando pequeno.
Era um comentário desnecessário, porque bastava olhar para Jenny para ver as muitas semelhanças entre eles dois e não foram poucas as vezes em que eu me odiei ao lembrar dele enquanto cuidava de Jenny. E por uma ou duas vezes eu não consegui deixar de chorar ao pensar no quanto eu gostaria que ele estivesse ali, me vendo amamentá-la ou me ajudando a dar o banho.
Eu estava começando a me odiar por isso.
Voltamos para casa a tempo de eu arrumar Jenny e Emmett chegar para buscá-la.
No fim, parecia que a comemoração aconteceria, sem mim.
Alice e Esme não me disseram nada, é claro. Mas, Emmett deixou escapar.
Eu me senti mal. Eu queria participar de todos os momentos da vida da minha filha.
Não consegui esperar que eles saíssem para sair correndo até o quarto e me jogar na cama, chorando tomada pelo desespero.
Emmett veio atrás de mim e se sentou na cama ao meu lado, em silencio.
- Eu o odeio! – disse com a voz tremula.
- Não. Você não o odeia. – ele disse me abraçando. – Você o ama.
- Por que Emm? – eu comecei o abraçando de volta. – Por que eu ainda o amo? Por que eu simplesmente não consigo esquecê-lo?
Emmett não respondeu. Certamente ele não sabia a resposta, assim como eu.
- Eu não consigo mais... – falei finalmente. – Eu sinto como se estivesse perdendo tudo. Até Jenny... eu a estou perdendo para ele. Eu preciso... preciso dela perto de mim... eu preciso... preciso dele. – reconheci por fim.
Esme bateu na porta e eu pude ouvir o choro da minha princesa. Imediatamente me pus de pé e antes mesmo que a porta estivesse totalmente aberta eu já tinha Jenny em meus braços.
Eu caminhei com ela de volta para a cama. Ela se alinhou em meio peito e eu permiti que ela mamasse um pouco mais.
Essa era a nossa conexão. E, de alguma forma que eu não conseguia explicar, era o único momento em que eu conseguia me sentir em plena paz.
Jenny levou seus dedinhos até alguns fios do meu cabelo, que estava bem maior do que quando cheguei em Chicago e ficou brincando com ele.
Eu encostei meu queixo em sua testinha e me permitir relaxar.
Depois de alguns minutos eu olhei para Emmett que observava tudo em silencio. Ele entendeu meu olhar e pegou o seu celular imediatamente.
Não existia chance no mundo, que eu permitiria que minha pequena ficasse longe de mim, hoje. Eu precisava dela.
- Não... não... Jenny está bem. – Emmett falou ao celular depois de dizer a Edward que ela não iria hoje. – Bella só não se sente muito bem, ela precisa...
Emmett me olhou apreensivo e então voltou a falar.
- Não, Edward. Bella também está bem. – Emmett me olhou e me deu um sorrisinho, eu disvei o meu olhar. – Ela só precisa de um tempinho com Jenny.
Eu deixei meus dedos deslizarem suavemente pelo rostinho da minha bebê. Tão linda! Tao linda quanto ele!
- Eu sei, Edward. Sei que é o seu dia, mas...
- Bells? – Emmett me chamou e eu apenas respondi, ainda sem tirar os olhos de Jenny.
- Não. Hoje não. Se ele quiser trocamos para amanhã, mas hoje não.
- Mano, Bella está pedindo que você deixe para amanhã... – Emmett bufou e eu olhei para ele.
- Isso é ridículo! – ele falou para mim.
Eu mordi meu lábio inferior envergonhada por fazer isso com Emmett.
- Bella, Edward estará de plantão amanhã e hoje é o dia dele... por favor. – ele pediu por fim.
Eu balancei minha cabeça negativamente e apertei um pouco mais Jenny.
- Não! – repeti. – Não! – falei um pouco mais alto para que Edward ouvisse pelo telefone. — Você não vai tirá-la de mim hoje!
Jenny começou a chorar eu simplesmente congelei sem saber o que fazer.
Eu a assustei!
Emmett largou o celular e tirou Jennifer dos meus braços.
- Droga, Bella! Voce precisa se acalmar! – ele gritou comigo, o que fez com que Jenny chorasse ainda mais.
Eu sacudi minha cabeça e fui em direção a eles.
- Me desculpe! – pedi olhando nos olhinhos assustados da minha princesa. – por favor, desculpe a mamãe.
Eu a peguei de volta em meu colo e comecei a balançá-la. Mas, antes que eu conseguisse fazer com que ela se acalmasse, Edward entrou no quarto como um furacão, seguido por uma Esme que repetia sem parar:
- Edward, por favor, filho.
Eu sentia todo o meu corpo responder a presença dele. Por alguns segundos apenas ficamos nos olhando.
Ele continua tão lindo! Parecia mais saudável do que da ultima vez que o vi. Eu queria que ele corresse para mim, mas ele continuou ali parado e tensão no quarto estava cada vez maior.
Jenny chorou ainda mais alto.
- O que você está fazendo aqui? – eu acusei com a voz tomada por uma frieza que eu mesma não reconheci.
- Edward... – Emmett começou a falar. – Não foi o que combinamos.
- Eu esperei na garagem como combinado, mas... O que é que está acontecendo aqui? – ele falou um pouco mais alto.
Edward deu um passo em minha direção e eu recuei, instintivamente prendendo Jenny o mais forte que podia em meus braços.
- Bella... – ele começou a falar comigo. – me dê ela.
- Não! – recuei mais um pouco. – Hoje não!
- Bella, me dê ela! – ele repetiu. A voz um pouco mais dura agora.
Eu apertei ainda mais forte e eu seu choro se tornou mais alto, me deixando cada vez mais nervosa.
- Você não vai tirá-la de mim! – eu gritei tentando fazer com que ele fosse embora.
- Bells? – Emmett começou a falar, mas eu não fui capaz de ouvir porque Edward se aproximou ainda mais de mim.
- Pelo amor de Deus! – ele disse me olhando. – De onde você tirou isso? Tudo o que eu quero agora, é segurá-la um pouco.
Eu senti as lagrimas descendo por meu rosto e olhei para minha menininha que continuava chorando. Seu rostinho estava todo vermelho e seus olhinhos arregalados.
- Por favor, por favor!- eu falei baixinho para ela. – Não chore!
- Bella, você vai machucá-la! – Edward gritou e eu olhei para ele com toda a minha fúria.
- Eu jamais a machucaria! – gritei de volta. – Eu não sou como você!
Ele levantou suas mãos como se estivesse se rendendo.
- Eu sei que você não a machucaria. Mas você está nervosa. Eu só quero acalmá-la, para que ela pare de chorar.
- Eu posso fazer isso. – respondi e dei um beijo de leve na cabecinha de Jenny.
- Bella... – Edward voltou a falar e estendeu seus braços na direção de Jenny quando eu olhei para ele. – por favor...
Jenny esticou seus braços para ele e foi como se tudo congelasse ao meu redor.
O que eu estava fazendo?
Eu permiti que ele a pegasse no colo e quase que imediatamente ela se acalmou.
Eu permiti que meu corpo caísse na cama e fiquei ali sentada, olhando para eles e ao mesmo tempo sem muita noção do que acontecia ao meu redor.
Eu não era boa o suficiente para Edward.
Eu não era boa o suficiente para ser uma Cullen.
E agora, eu não era boa o suficiente para Jenny.
Eu estaria acabada. Se Jenny, também não me quisesse, eu estaria acabada.
Notas finais
xoxo
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